A movimentação desesperada, e inconsistente, por Assis Ribeiro

A movimentação desesperada, e inconsistente

por Assis Ribeiro

Amplo debate se trava sobre os escândalos que enlameiam a política e a iminente queda de Temer.

Alguns defendem para a escolha do substituto de Temer eleições diretas ou indiretas, outros eleições​ diretas​ amplas​.

Trata-se de uma manifestação sem consistência e inócua.

Parece que esquecemos todo o conhecimento adquirido, com amplo gasto de energia, da impossibilidade de se governar neste modelo de coalizão que temos, e a conclusão da necessidade premente da reforma institucional brasileira.

Para os que querem mudanças nas ações praticadas pelo atual governo e que defendem eleições diretas para presidente, fica a pergunta: – o que o novo mandatário poderia fazer com esse congresso que aí está?

Conseguirá o novo governante reformar o que o Congresso e Temer aprovaram?

Terá apoio parlamentar para promover mudanças; ou qualquer tentativa de fugir ao  “modelo” hegemônico provocará desgaste intenso como ocorreu com o governo Dilma?

Para os que querem eleições diretas e amplas, fica a pergunta: – qual Congresso elegeremos dentro deste mesmo modelo que não foi reformado? Tal congresso terá forças para não seguir o que o capital e o seu braço mídia determinam?

Para os pretendem jogar a incompetência para os eleitores, alegando o de sempre – que o povo não sabe votar – basta um rápido estudo para se observar que todos os parlamentos, federal, estaduais e municipais, sofreram renovações em torno de 50% nas mais recentes eleições.

A direita que pretende manter o que aí está, encontra ampla vantagem em emplacar os seus princípios, mesmo que vença o que querem as esquerdas – eleições diretas, presidenciais ou amplas.

O motivo é que dentro da desorganização da sociedade pós-moderna, uma mínima aglutinação de forças só é perceptível na vertical – estrutura da direita.

A esquerda, em sua estrutura conhecida – a organização horizontal – se esfacelou.

Bauman explica isso muito bem, ao constatar em seus estudos a fragmentação, separação e segregação a sociedade, no que ele chama de mundo líquido.

Essa foi a grande vitória do modelo. Separar o todo em partes e isolá-los. O sistema se aproveitou.

Por isso o desespero de se apresentar o novo, sem sequer conhecer onde está a primeira pedra do alicerce.

As esquerdas já não encontram a base horizontal de outrora para a sua reconstrução.

O povo separado, a igreja que já não consegue apresentar caminhos, os intelectuais perdidos, ou mesmo inexistentes na atualidade, sem líderes consistentes, e sem o movimento trabalhista aglutinador de forças, de outrora.

É nítido para todos que o modelo faliu. Mas, não há alternativas a se apresentar, e, pior ainda, a falta de grupamentos unidos que imponham a quebra do status quo.

Não há pensamento de base, e organização​, para se pretender qualquer mudança consistente e séria.

A movimentação é desesperada, inconsistente e inócua.

 

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