A Revolução dos Idiotas x A Revolução das Consciências, por Luiz Claudio Tonchis

A Revolução dos Idiotas x A Revolução das Consciências

por Luiz Claudio Tonchis

Atualmente, vivemos no Brasil uma revolução ideológica burra, que eu chamaria de revolução dos “idiotas”. Há uma debilidade mental difusa, volatizada, atmosférica. Nós a respiramos. Antigamenteo silêncio era dos imbecis, hoje, não.  Hoje os “idiotas” vociferam em tom de empáfia numa mistura de arrogância e de ingenuidade. Para os gregos da Antiguidade Clássica era considerado “idiota” o sujeito que preenchendo as prerrogativas para participar da vida pública na polis, não o fazia. E hoje, isso inverteu-se. Os “idiotas” são aqueles que estão nas ruas, nas redes sociais e em todos os lugares, manifestando e reivindicando as suas próprias decadências.

Eles, os “idiotas”, são protagonistas de uma guerra ideológica polarizada, a “direita” de um lado e a “esquerda” de outro, em ambas, um ódio justificado por uma ideologia irracional. O extremismo tanto de direita quanto de esquerda. Os Fakes News têm um papel fundamental na multiplicação da idiotice, do ódio, da polarização e o fortalecimento daqueles que ficam atrás de suas máscaras e necessitam criar mecanismos psicológicos e culturais para que eles se fortaleçam em poder. Trata-se de verdadeiro aliciamento, um sequestro do pensamento através da reprodução fraudulenta da informação que faz emergir um comportamento social equivocado que têm levado ao retrocesso as conquistas sociais e humanas historicamente conquistados as duras penas.

Os idiotas, orgulhosos de sua falta de pudor clamam pelo armamento da sociedade, pedem a volta dos militares ao poder ou apostam suas fichas em candidatos militarizados ou não como se fossem verdadeiros “avatares” e salvadores da pátria. Talvez seja preciso manter não a arrogância, mas a ingenuidade de acreditar que não sabem, porque quem sabe não agiria assim, não poderia agir. E nesta bagagem vêm o racismo, a xenofobia, a dificuldade em aceitar as diferenças, o desejo de exclusão ou descarte daquilo que não lhe agrada, a intolerância, o preconceito, o fundamentalismo religioso etc.

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Observa-se, também, o crescimento dos “fascistas em potencial”, chamado assim por Theodor Adorno, em um estudo psicossociológico publicado em 1950, feito com a intenção de abordar o surgimento, naquela época, de um novo tipo de indivíduos, com ideias conservadoras, reacionárias e antidemocráticas. Para Adorno, a característica fundamental do que se chamou de “personalidade autoritária” era a combinação contraditória, num mesmo indivíduo, entre uma postura racional e idiossincrasias irracionais. E, o que ele chamou de “fascismo potencial”, uma característica de indivíduos que teriam se mimetizado às tendências antidemocráticas da sociedade.

Hannah Arendt dedicou-se a reflexões sobre dois temas fundamentais: o totalitarismo e a banalização do mal. Segundo a pensadora, os regimes totalitários de esquerda ou de direita tiveram como pressuposto a aniquilação das classes sociais, a atomização das pessoas, e a uniformidade e homogeneidade social. A banalização do mal, fenômeno necessário e correlato ao totalitarismo, se caracteriza por não ser mero fruto da perversidade ou da crueldade pessoais, pois, em sua radicalidade desumana, consiste da recusa em examinar atos e ações inerentes à existência humana. Em virtude disso, Hannah Arendt aponta como antídoto à ascensão totalitária e à banalização do mal, a atividade autônoma do pensamento. Assim, para a pensadora, somente a preservação da capacidade de reflexão crítica permite que o indivíduo possa resistir à idiotice e ao mal.

Não há democracia sem respeito à singularidade e aos direitos fundamentais assegurados pelo Estado, que cada instituição e cada cidadão deve ao outro com quem compartilha a vida, seja ela pública ou privada. A essência da democracia é a aceitação da pluralidade, o que implica a coexistência pacífica das diferenças, sejam elas de ideias partidários, de gênero, de interesses etc.

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Só é possível dar um significado ao mundo, na medida em que os homens tomarem consciência de que o mundo, este mundo no qual vivemos, é resultado de artefatos humanos que trazem em seu bojo individualidades, pensamentos plurais que somados formam um constructo coletivo. A revolução dos idiotas só pode e deve ser combatida pela revolução de consciências pela busca de uma verticalização de uma identidade humana coletiva onde o bem comum esteja realmente em vista.

 

Luiz Claudio Tonchis é Educador e Gestor Escolar, é bacharel e licenciado em Filosofia, com pós-graduação em Ética pela UNESP e em Gestão Escolar pela Universidade Federal Fluminense. Escreve regularmente para blogs, jornais e revistas, contribuindo com artigos em que discute questões ligadas à Literatura, Política, Educação e Filosofia.

Contato:  lctonchis@gmail.com

 

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2 comentários

  1. Fora de propósito

    O autor é um imbecil ao comparar os golpistas de direita e as vítimas da esquerda  como se fossem iguais.

    Não entendi este texto no blog de Nassif.

     

  2. de mal a pior

    Sim, o momento é revolucionário ou a depender do ângulo seria reacionário. Há tempos já tinha falado que os idiotas estão tocando sua revolução, confirmando a profecia de Nelson Rodrigues. Esta população de subfascistas conseguiu sair do silêncio e agora busca por organização. Maus tempos.

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