Alckmin combate a ciência e a tecnologia, por Roberto Kraenkel

Alckmin combate a ciência e a tecnologia, por Roberto Kraenkel

O ex-governador do estado de São Paulo e candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, propôs hoje que se cobrem mensalidades de estudantes de pós-graduação.

Imagino que a lógica que o guie seja a de que cada um de nós buscará aumentar seu capital humano, com vistas a ganhar mais dinheiro. Uma pós-graduação seria, então, uma forma de aumentar sua atratividade e seu potencial de lucros e, portanto, seria natural que se pagasse por isso.

Aonde chegamos, caríssima.os. A lógica de que a universidade serve para aumentar o capital humano é auto-destrutiva: quanto mais buscamos o pote de ouro, mais o destruímos!

Explico.

Toda pessoa que participou de um grupo de trabalho na área que for, física, biologia, psicologia, arquitetura, artes, economia, literatura … o que for, esta pessoa sabe da potência que há na livre discussão de ideias, no embate desinteressado de posições, na busca da verdade ou da avaliação das incertezas. É neste microcosmo que nascem as ideias mais férteis, é daí que vem o fervor intelectual que move outras pessoas. Ação futura é fruto de reflexão amadurecida, escaldada em debates.

Para que tudo isto exista é preciso que professores e sobretudo estudantes possam ter um mínimo de segurança sobre suas condições materiais. Aqui não falamos de privilégios, falamos de condições para que pessoas possam se dedicar inteiramente à aventuras intelectuais. Estamos falando de bolsas de estudos e de gratuidade do ensino.

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Talvez você se pergunte se tudo isso tem alguma importância. Sim, caro leitor, essa importância é empiricamente demonstrável. Porque países como EUA, RU, França, Alemanha, China, Japão e outros mais mantém sistemas de ciência e tecnologia? Estes países não gastam dinheiro à toa. Seus sistemas de defesa, sua indústria, suas start-ups, suas organizações de saúde e muito mais, são nutridas por conhecimentos maturados em universidades e centros de pesquisas. Senão, não existiriam.

Se quisermos ter, no Brasil, um  sistema de produção de conhecimentos que impulsione o desenvolvimento e a autonomia do país,  precisamos manter o sustento do professores universitários, dos cientistas e dos estudantes de pós-graduação.  Ao não faze-lo, recusamos ter um olhar para um futuro autônomo.

Ao considerar a pós-graduação como um meio de aquisição de capital humano e ao propor que ela seja paga, o Sr. Alckmin propõe que o Brasil – isso mesmo, nosso país – que o Brasil seja um país subserviente. 

Tod@s: sejamos claros, há uma batalha pelo futuro do país. Propostas como do Sr. Alckmin são de subserviência. É imperativo rejeita-las.

 

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3 comentários

  1. Alckmin fala com conhecimento

    Alckmin fala com conhecimento de causa. Mesmo a Unicamp, que tem alguns cursos pagos, é poeira de mesa frente à quantidade de cursos de extensão universitária que a USP oferece. Por causa disto, ficarei restrito à USP.

    Não, A USP, não… mas os convênios que a USP tem com fundações privadas. Um negócio obscuro e milionário, com as prestações de contas mais obscuras ainda.

    A cobrança de mensalidades na pós é pra muita fundação esfregar as mãos. Alckmin está falando aquilo que estas fundações querem ouvir. Sim, o ex-governador tem lado. É resultado do peso que elas possuem, seja pelo fato de haver fundações com corpo docente da própria USP, seja pelo fato de várias fundações terem docentes com negócios com ela e, ao mesmo tempo, terem algum tipo de cargo nelas (como conseguem tempo, sabendo que muitos estão em regime de dedicação exclusiva na universidade?). 

    Estas fundações possuem um peso político enorme, e uma eventual cobrança na pós abriria as portas para convênios destas fundações com a USP. 

    USP é um laboratório bem-sucedido de sujeira embaixo do tapete e com muros de vidro.  

    • Alckmin fala com conhecimento

      A sua observação sobre convênios da USP e o fato da USP comprometer cerca de 98% de seu orçamento com a folha de pagamento de   pessoal (salários, aposentadorias inchadas) dá certa razão a proposta do candidato, Maas tem que sr melhor formulada. Há muito desperdício de dinheiro público em nome do saber e da cultura. Inclusive em mestrados que garantem visibilidade profissional a quem o tenta.Um mestrado hoje, mesmo não confirmado, equivae aos títulos da nobreza do passado.

  2. Não vejo onde está a

    Não vejo onde está a novidade. Transformar o Brasil numa neocolonia sempre foi o projeto do PSDB. Só estão seguindo a “cartilha” a risca.

    Em tempo: tem gente que não gosta quando escrevo isto, mas sei de muito professor e bolsista (familiares inclusive) que foram a favor do “ForaDilma”, queria o impeachment por causa da “corrupilçaodoPetê”, apoiu o “somostodosCunha”  e por ai vai… Estes mesmos, agora, depois do anúncio da Capes, estão desesperados e não entendem bem o que aconteceu.

    A estes digo o que aconteceu: estão colhendo o que plantaram.

    E antes que me condenem eu dou o meu testemunho: tive a sorte de ser bolsista. Graças a Capes tive oportunidade de ir em frente e isso fez uma diferença enorme na minha vida. Devo tudo ao financimanto Capes.. Por isso sei a importância que esse dinheiro faz na vida de quem vive no mundo acadêmico. Se se confirmar os cortes o estrago vai ser monstruoso.

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