Carnaval, caos e bolsonarismo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

É carnaval. Jair Bolsonaro já pode estimular o terrorismo das milícias e os motins dos policiais para mandar o Exército ocupar os Estados controlados pela oposição.

Foto Francisco Fontenele - O Povo

Carnaval, caos e bolsonarismo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O jornalista Luís Nassif fez uma boa análise do que ocorreu no Ceará e das consequências daquele episódio grotesco. Usarei esse espaço para acrescentar algumas questões que considero relevantes.

Bolsonaro é produto do caos criado por FHC, PSDB, Rede Globo, Olavo de Carvalho, Pastor Malafaia, Folha de São Paulo, Estadão etc “com o Supremo com tudo” para derrubar Dilma Rousseff. Ele não existe fora do caos. E o caos obviamente nunca pode ser detido pela sua própria fonte.

Não há escapatória com o PT, pois o ódio anti-petista que criou o bolsonarismo não foi objeto de uma catarse dentro do grupo dos canalhas e hipócritas que deram o golpe de 2016. Uma solução militar vai apenas expandir a violência política. A tendência é uma piora econômica e institucional.

O otimismo e os lucros dos banqueiros e rentistas têm sido alimentado por esse quadro infernal. Eles seguirão apoiando tudo que está sendo feito e desfeito, mesmo que isso custe uma guerra civil (e os banqueiros tentarão lucrar com ela).

Em sua longa história, a China passou por vários períodos de intensa instabilidade, guerras civis, caos e desagregação. A fase que nós estamos vivendo é diferente de tudo que ocorreu no nosso passado. A fragmentação do Brasil parece inevitável. Norte-americanos e chineses farão suas apostas.

O caos é sedutor e despudorado. Ele rebaixa os padrões de acesso ao centro do poder. Enquanto se expande destruindo todas as estruturas sociais e estatais que existiam, o caos distribuí cargos, dinheiro e visibilidade àqueles que desejarem servi-lo e servir-se dele. O poder do caos parece ser e sempre se mostra onipotente, quase divino. Além do bem e do mal, o caos reivindica para si mesmo o privilégio de criar sua própria realidade jurídica em que o crime se torna algo virtuoso e passível de premiação.

Adolf Hitler arruinou a Alemanha, mas não ficou sozinho. Sob uma Berlim devastada pelo Exército Vermelho o führer reunia seus generais, movimentava tropas inexistentes, despachava ordens de execução e humilhava quem quer que ousasse não compartilhar seus devaneios políticos e militares.

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As bombas arruinavam o distrito governamental . Mas no Bunker de Hitler o clima era carnavalesco. Eva Braun organizava festas e bailes. A bebida era farta. A encenação somente terminou depois que o líder supremo do III Reich cometeu suicídio.

É carnaval. Jair Bolsonaro já pode estimular o terrorismo das milícias e os motins dos policiais para mandar o Exército ocupar os Estados controlados pela oposição. O mito ttambém pode negar suas relações com as milícias e ser  aplaudido quando suas fotos ao lado de terroristas e milicianos são compartilhadas.

A credibilidade de Bolsonaro é alimentada por sua baixeza caótica e reforçada por juízes e ex-juízes tão moralistas e ambiciosos quanto Marcelo Bretas e Sérgio Moro. Ninguém se suicidou no Palácio do Planalto. Quem faria isso antes desse carnaval do caos chegar ao fim?

 

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