Escola sem Partido é para ser pensada além de uma visão simplista, por Luiz Claudio Tonchis

Escola sem Partido é para ser pensada além de uma visão simplista

por Luiz Claudio Tonchis

O professor não pode fazer doutrinação em sala de aula, acho que isso é básico. Mas, quem é professor sabe o quanto esse assunto é delicado. Toda escola é essencialmente plural, o professor lida com alunos que trazem na bagagem diversas crenças e valores. Muitos temas tratados na sala de aula são conflitantes. Por exemplo: criacionismo x evolucionismo: o criacionismo se baseia na fé da criação divina, como narrado na Bíblia Sagrada, mais especificamente no livro de Gênesis no qual Deus criou todas as coisas, inclusive o homem. Lembrando que diversas culturas possuem sua versão própria do criacionismo, como é o caso da mitologia grega, da mitologia chinesa, cristianismo entre tantas outras. Já o evolucionismo é essencialmente científico.

Na Economia, há os que são a favor do capitalismo e os que são críticos a ele e os dois lados têm de ser ensinados. O que preocupa na iniciativa da Escola Sem Partido é que ela chega ao absurdo de questionar a própria transmissão dos saberes, dizendo, por exemplo, que conhecimentos que contestam os valores da família não deverão ser ensinados. Uma boa educação é essencialmente dialética, o professor tem que mostrar todos os lados possíveis de uma determinada situação. Na sala de aula sempre entra em pauta uma gama de assuntos que algum aluno ou pai pode não concordar e o professor poderá ser criminalizado por isso.

Atualmente, fala-se muito em doutrinação, principalmente nas Universidades Públicas. Ninguém doutrina ninguém. O que se vê é estudantes saindo da sala de aula e querendo trabalhar, ganhar dinheiro. Não se vê nenhum aluno querendo ir a Cuba ou ser um ativista comunista. Ninguém vai ser gay porque o professor é gay.

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O grande problema do nosso tempo é o aumento significativo da personalidade autoritária. No pensamento autoritário o mundo é visto como uma selva na qual a mão de cada um é necessariamente levantada contra o outro. Para esses, o mundo é concebido como perigoso, ameaçador ou pelo menos provocador. Trata-se dessa incapacidade, que eu diria insana, no modo de agir neste mundo em que cada um se vê dono da verdade e defensor da moral e da ética, mas ao assumir o compromisso em relação ao outro, os gestos se calam e as costas se voltam. Daí, fingem, criam intrigas, lançam fel sobre as cabeças, furtando-se a serem um pouco mais humanos e honestos.

Diante desse cenário predomina a facilidade de espreitar, controlar sempre “quem vem lá”, e repelir, apontar o dedo, condenar, punir quem violar as normas convencionais. Há uma hostilidade difusa, desprezo por tudo que é humano em nome de um moralismo insano. Geralmente, essas pessoas se identificam com figuras de poder, principalmente a de poder autoritário. Agem sobre a tendência humana de iludir a complexidade dos problemas mediante redução simplista. A mentalidade autoritária não é um fenômeno completamente isolado; ela pode interessar, de algum modo, a cada pessoa e ameaçar os professores, a educação nacional e, sobretudo, a convivência social.

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4 comentários

  1. Não é bem assim
    Sou professor do ensino médio da rede estadual, e posso garantir que desde a década de 70 ninguém ensina criacionismo. Ele pode ser citado, mas nunca apresentado como teoria ou verdade. O problema que tem sido recorrente se encontra nas ciências humanas e sociais. Se um graduando ou mestrando escolher um TCC, ou Tese, seja econômica ou histórica diferente da visão marxista, está no sal! Não terá apoio, e pode até ser reprovado.

  2. Vou dar o testemunho do meu

    Vou dar o testemunho do meu irmão. Pai de dois filhos, um de 17 outro de oito anos.

    Ele estava assistindo o noticiário con o filho menor. Aí o menor comenta:

    -É pai, o Lula roubou né.

    Meu irmão pego de surpresa retrucou: -Parece né filho.

    Aí o filho arrematou: -Mas ele foi o melhor presidente do Brasil!

    Meu irmão então perguntou: -Quem falou isso?

    O menino arrematou: -Minha professora.

    Pois bem. O menino está na segunda série do ciclo básico. Uma professora do ciclo básico fica fazendo proselitismo político para crianças de oito anos de idade.

    Se professores irresponsáveis não fizesse esse tipo de abuso não haveria necessidade de se fazer leis como ESCOLA SEM PARTIDO.

     

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