26 de agosto de 2026

Librarian Turing Test x Olímpiada de robôs chinesa, por Fábio Ribeiro

Olimpíada dos robôs realizada pela China protagonizou imagens ao mesmo tempo incríveis, fascinantes, interessantes e ridículas ao extremo.
Imagem gerada por IA

A Olímpiada de robôs na China mostrou máquinas rápidas, porém com limitações no controle e direção.
Robôs trocando socos geram menos empatia que humanos, pois não sofrem danos permanentes.
Autor questiona se robôs poderiam organizar livros com a mesma percepção humana e sugere novo teste de Turing.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Librarian Turing Test x Olímpiada de robôs chinesa

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Estranhar o novo mundo que está surgindo se tornou uma coisa indispensável.

A Olímpiada dos robôs realizada pela China protagonizou imagens ao mesmo tempo incríveis, fascinantes, interessantes e extremamente ridículas. Alguns feitos dos robôs são ao mesmo tempo curiosos e assustadoras. Os humanos próximos as vezes tem que tomar muito cuidado para não serem machucados.

De maneira geral, podemos dizer que eles superam as expectativas, mas somente se estas forem rebaixadas a um nível razoável. Eles já podem correr mais rápido do que um humano, mas são incapazes de desacelerar com a mesma elegância. Nem sempre eles seguem na direção correta. Quando quebram eles não emitem alertas.

Mas a pancadaria entre robôs trocando socos e pontapés num ringue desperta menos sentimentos negativos do que aqueles que uma pessoa normal sente ao ver um lutador humano desabar após um golpe bem colocado, porque não raro o dano causado à saúde do lutador é permanente.

O que nós estamos aprendendo sobre os robôs é muito diferente do que eles mesmos estão aprendendo. O aprendizado dos fabricantes deles é um pouco mais complexo, porque diz respeito tanto ao que pode ser aperfeiçoado nos robôs quanto à reação do público alvo. Afinal, robôs são produtos e os fabricantes querem vende-los e precisam de consumidores.

Não sei se compraria um deles, porque fico apavorado ao imaginar um robô alucinar diante da minha estante e resolver jogar todos meus livros pela janela por que ele calculou ser grande a probabilidade de salvar minha vida por que sendo inflamáveis os livros são perigosos para a vida dos humanos.

Robôs podem ser treinados para fazer qualquer coisa, até para atuar como bibliotecários. Mas não sei como seria possível treinar essas máquinas para diferenciar livros com base no que diz a capa. Só um humano é capaz de fazer atalhos cognitivos necessários para colocar o livro Empire of AI, de Karen Hao, ao lado de Profhecy, de Carissa Véliz, ambos bem próximos de Eu, Robô de Isaac Asimov e The Tecnological Society de Jacques Ellul , estes  logo acima de Eu, Humano de Thomas Chamorro-Premuzic, A geração ansiosa, de Johnathan Haidt, La frabrique du crétin digital, de Michel Desmurget e The shallows: what the internet is doing to our brains, de Nicholas Carr, Tecnofeudalismo de Yanis Varoufakis e tantos outros livros de que tratam tanto das novas tecnologias da informação e de IAs quanto da intersecção entre estas e o Direito.

Além de conteúdos diversos, livros tem formatos diferentes, cores de capa diferentes, para não mencionar que são publicados em línguas diferentes. Organizá-los numa estante é uma tarefa humana que um robô pode ser treinado para fazer? Eu vejo as imagens da Olimpíada de robôs chinesa e imagino que talvez o novo teste de Turing não seja fazer os robôs imitarem atletas mas bibliotecários, estudiosos ou colecionadores de livros.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados