No fio da navalha, por F. Ponce de León

Organizações não partidárias (e.g., MST, CUT, MTST, UTE etc.) teriam força suficiente para organizar a insatisfação?

Enviado por Felipe A. P. L. Costa

No fio da navalha

Por F. Ponce de León

do blogue Poesia contra a guerra

Por que o desgoverno Bolsonaro já não foi jogado na lata de lixo pela grande mídia?

Ao que parece, porque essa saída exigiria a convocação de novas eleições. E eleição é (quase) sempre uma brincadeira arriscada…

A solução aceitável seria remover JB & seus pimpolhos (via ‘renúncia’ ou impedimento) e empossar o coturno do Mourão.

Ou embromar, empurrando esse pesadelo morro acima durante dois anos. O que também me parece impossível.

Restaria, então, a pergunta: onde estão os movimentos populares?

Organizações não partidárias (e.g., MST, CUT, MTST, UTE etc.) teriam força suficiente para organizar a insatisfação?

Ou não há insatisfação, e está todo mundo em casa, sentado diante da TV ou a dedilhar suas miudezas no celular?

Não bastasse a nossa histórica despolitização, estamos em plena ressaca. Não há dúvida de que muitos eleitores que votaram em JB estão arrependidos. Mas o que eles podem fazer? Muitos deles devem estar desorientados ou envergonhados. Aliados ao cansaço moral – nós estamos afundando na lama desde os ‘coletes amarelos’ de 2013 –, tais sentimentos são paralisantes. Em vez de ir para rua, gritar e protestar, o sujeito vai para debaixo da cama…

O xis da questão, ouso dizer, é este: formação & organização. E disso nós sempre carecemos.