O bom trabalho do “mito” Bolsonaro no entendimento do antipetismo, por Francy Lisboa

O bom trabalho do “mito” Bolsonaro no entendimento do antipetismo

por Francy Lisboa

A polariação entre PSDB e PT nas últimas cinco eleições é um daqueles lugares comuns que só são percebidos depois da tempestade e destroços que azedam o Brasil. Então a gente se pergunta, como foi possível não percebemos isso antes?

Talvez, bem lá no começo, houve sim a disputa entre os projetos, repito, projetos, dos dois partidos. Porém, o advento do “Mensalão” deu início à polarização que realmente vem reinando no Brasil desde então, os que não odeiam o PT e aqueles que odeiam o partido de Lula.

Notem que uso os que não odeiam o PT, coisa que por si só traz a adjetivação de petista, o único xingamento na lingua portuguesa que se refere a um partido especifico. Sabemos, porém, que não é preciso amar o PT para ser coerente com a Democracia e isso é algo importante nestes dias.

Por debaixo dos panos, no veneno diário do moralismo de fachaada, como o carbonato da água consumida diretamente da fonte, o antipetismo foi gerido e, hoje, é claro ser o outro polo da eleição. Mas tem estado presente desde das eleições de 2006. Hoje, o ponto é saber como o antipetismo é segmentado.

No começo, acreditava-se no antipetismo como algo associado à classe média, aquela com aspirações de vencedor e contrária a qualquer tipo de ameaça a hegemonia de suas gerações futuras. Mas não, o antipetismo tratou de tornar, por si só, algo complexo onde a primeira divisão que pode ser percebida é entre os antipetistas da moral verdadeira e os antipestista de projeto, ou ideológicos.

Claro, óbvio e ululante que nada é perfeitamente segmentável. Os antipetistas da moral, acredito, são aqueles que verdadeiramente têm na moralidade a origem do seu ódio por qualquer partido apresentado pela mídia como a besta maior da corrupção, no caso, o PT. Esse grupo realmente não vê problema na lava-jato ser destruidora de seus próprios empregos, pois não há contextualiação por parte dessas pessoas, é o ser puro ou nada, binarismo que acredito ser um dos motores da teoria do pêndulo brasileiro.

O antipetismo baseado na moral é então o que mais pende para o lado de Bolsonaro e seu discurso de um outsider com mais de vinte e cinco anos na Política. Não há entre eles o sentimento de raiva pelo PT devido às politicas públicas implementadas pelo partido, até porque, foram eles quem mais se beneficiaram com tudo aquilo que hoje vem sendo destruído pelo ilegítimo.

Por outro lado, o antipetismo de projeto, que também pode ser chamado de antipetismo de fachada, é aquele que sabe e entende as artimanhas para manter Lula fora das eleições, mas que realmente não dá a mínima para isso pois aquele tímido movimento de igualdade nos governos do PT assustaram o suficiente. É aquele grupo que, diferentemente do antipetismo baseado na moral, entende as fragilidades de Sergio Moro e sua sentença, sabe que a mídia tem preferência pelo PT como espantalho. Essas pessoas são conscientes de sua escolha que nem de longe passa pelo critério moral, mas sim pelo critério ideológico, muito embora se lambuzaram e ainda se lambuzam da bandeira moral para escamotear seus verdadeiros ressentimentos.

Os antipestistas da moral e os antipetistas de projeto vêm sendo gradativamente segmentados pela proeminência adquirida por Bolsonaro. Os de projeto agora se assustam com possibilidade de ter que escolher entre PT e Bolsonaro, pois tem consciência da tragédia que Bolsonaro representa. Isso é evidenciado pela recente indicação de que o PSDB apoiaria o PT em caso de segundo turno contra Bolsonaro.

O ponto é que o antipetismo verdadeiramente baseado na moralidade é predominantemente pobre, ou seja, fora dos domínios do petismo, os famosos 30%, essa massa de pessoas podem sim descambar para o lado do candidato do olho por olho. A violência que grassa como nunca no Brasil é o principal motor de Bolsonaro que, convenhamos, nem PT nem PSDB conseguiram minimizar. Assim, parece incorreta a análise de que Bolsonaro é o novo anti-PT na cabeça dos que odeiam o partido vermelho, O candidato carioca nada mais é do que um divisor entre os inocentes úteis e os hipócritas da moral. Eis algo de útil para entender o Brasil proporcionado pelo Mito.

 

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