O perigo do intervencionismo consentido, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A tentativa de se apresentar como um aliado dos EUA contra a China não vai conferir nenhuma estabilidade ao desgoverno Bolsonaro.

O perigo do intervencionismo consentido

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Nos últimos dias duas coisas importantes aconteceram. A primeira foi a criação por Joe Biden de um fundo bilionário para preservação da Amazônia https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/01/em-pacote-de-medidas-sobre-o-clima-biden-mira-industria-de-gas-e-petroleo.shtml. A segunda foi a proposta de Ernesto Araújo do Brasil criar uma aliança com os EUA para enfrentar o tecno-totalitarismo chinês https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/incorrigivel-ernesto-araujo-volta-a-atacar-a-china-e-fala-em-tecno-totalitarismo/.

Ambas as iniciativas trazem no seu bojo o mesmo veneno. Assim como os EUA se considera legitimado para interferir na política ambiental interna brasileira, o Brasil deu a entender que está autorizado se intrometer na política interna da China. Existe, entretanto, uma diferença evidente entre a afirmação do unilateralismo imperial dos EUA e a demonstração abjeta de submissão do governo brasileiro à ambição de Washigton de preservar sua hegemonia global em face de Pequim.

Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo se recusaram a confrontar abertamente a audácia do presidente norte-americanos que acredita poder cuidar do que pertence à nação brasileira . O mito e se chanceler presumem que os EUA tem o direito de interferir no Brasil ou eles ficaram com medo de desafiar o imperialismo do novo César gringo?

A tentativa de se apresentar como um aliado dos EUA contra a China não vai conferir nenhuma estabilidade ao desgoverno Bolsonaro. Primeiro, porque o Brasil depende das relações comerciais com os chineses. Segundo, porque os norte-americanos não comprarão dos brasileiros aquilo que o nosso país deixar de exportar para a China. Em terceiro lugar, o que garante a autonomia e a independência do Brasil não é a adoção de um discurso pró-americano e anti-chinês e sim o respeito à regra basilar do direito público internacional.

O art. 2, item 1, da Carta da ONU prescreve que:

The Organization is based on the principle of the sovereign equality of all its Members.”

Tradução:

A organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os membros.”

Se levarmos em conta essa norma, assim como os EUA não pode interferir nos assuntos internos do Brasil, nosso país não deve tentar interferir nos assuntos internos da China. O respeito à nossa soberania não pode estar atrelado à submissão aos interesses dos norte-americanos de ditar como devem ser as relações entre a China e seus cidadãos.

Os problemas dos chineses devem ser resolvidos pelos chineses. O problema dos brasileiros nesse momento é a clara intromissão norte-americana em assuntos internos do Brasil. Se não tem coragem de defender a soberania brasileira na Amazônia, Jair Bolsonaro deve renunciar.

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