O pior cenário do Covid-19 pode estar começando em Manaus, por Rogério Maestri

O que é certo, essa nova cepa caiu exatamente no país com pior gerência da pandemia e, se não for dado um fim ao governo Bolsonaro, a cada oito meses umas duzentas mil pessoas morrerão no Brasil

Reprodução

O pior cenário do Covid-19 pode estar começando em Manaus

por Rogério Maestri

Antes de lerem esse artigo sugiro que leiam os seguintes artigos nas maiores revistas de publicação científica do MUNDO.

[1] Three-quarters attack rate of SARS-CoV-2 in the Brazilian Amazon during a largely unmitigated epidemic

Science  15 Jan 2021:

[2] Resurgence of COVID-19 in Manaus, Brazil, despite high seroprevalence.

The Lancet January 27, 2021

A primeira revista, doravante notada por [1] é classificada como uma das quatro publicações de todo o mundo, a segunda [2] é considerada uma das duas melhores revistas de medicina do mundo, não estou falando aqui de revistas de laboratório ou de revistas periféricas sem tradição internacional, estou falando do máximo em publicação científica de todo o mundo. Elas estão abertas na Internet e qualquer pessoa pode consultar, logo passarei a descrever os pontos que acho principal, mas qualquer pessoa pode ler os artigos utilizando o Translate Google que existe no Google Chrome e ler com cuidado os textos, o que for minha opinião, que não chega aos pés dos autores dos artigos colocarei ênfase para que seja RELATIVISADO pois não é uma opinião de alguém que atua na área, é a opinião de um curioso que vem lendo sobre o assunto a quase 11 meses (ou seja, quando o assunto era somente falado na China).

O trabalho [1] trata de um trabalho de uma equipe que tentou através de análises sorológicas de doadores de sangue verificar qual estimativa de “do tamanho final da epidemia amplamente não mitigada que ocorreu em Manaus.” 

Uma tradução via Google do Resumo do artigo será colocado aqui:

“Resumo 

A síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2 (SARS-CoV-2) se espalhou rapidamente em Manaus, capital do estado do Amazonas, no norte do Brasil. A taxa de ataque ali é uma estimativa do tamanho final da epidemia amplamente não mitigada que ocorreu em Manaus. Utilizamos uma amostra de conveniência de doadores de sangue para mostrar que em junho de 2020, 1 mês após o pico epidêmico em Manaus, 44% da população apresentava anticorpos imunoglobulina G (IgG) detectáveis. Corrigindo para os casos sem uma resposta detectável de anticorpos e para a diminuição dos anticorpos, estimamos uma taxa de ataque de 66% em junho, aumentando para 76% em outubro. É maior do que em São Paulo, no sudeste do Brasil, onde a taxa de ataque estimada em outubro era de 29%. Esses resultados confirmam que, quando mal controlado, o COVID-19 pode infectar grande parte da população, causando alta mortalidade.” 

……. O Brasil experimentou uma das epidemias de COVID-19 de crescimento mais rápido do mundo, sendo a Amazônia a região mais atingida ( 1 )….. 

….O primeiro caso de síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2) em Manaus foi confirmado em 13 de março de 2020 ( 2 ) e foi seguido por uma epidemia explosiva, com pico no início de maio com mortalidade 4,5 vezes maior ( 3) Isso foi seguido por uma queda sustentada em novos casos, apesar do relaxamento das intervenções não farmacêuticas (INP)…..” 

(O negrito é meu

Colocando em linguagem não científica o quer dizer o primeiro trecho dos texto:

Que houve um crescimento extremamente rápido do Covid em Manaus, que resultou num alto grau de mortalidade 4,5 vezes maior que o número de mortes ocorridos nos anos anteriores, esses dados são tirados de outro trabalho [3] “Explosão da mortalidade no epicentro amazônico da epidemia de COVID-19” que é uma comunicação breve publicada no Cad. Saúde Pública 36 (7) 03 Jul 2020  https://doi.org/10.1590/0102-311X00120020 que conclui que conforme as semanas epidemiológicas inicial 1 até a 17 variou de “1,0 (IC95%: 0,9-1,3) en la SE 12 a 4,6 (IC95%: 3,9-5,3) en la SE 17”. Importante destacar que apesar de no artigo se referir que 70% das mortes eram de pessoas com mais de 60 anos ou mais, o complemento de 70% faz com que 30% das mortes foram em pessoas abaixo dos 59 anos, ou seja, Covid-19 não mata somente velhos.

No artigo [2] nas figuras 19(A) e (B)  “Figure COVID-19 hospitalisations, excess deaths, and Rt in Manaus, Brazil, 2020–21” que não colocarei aqui por direito autoral mostra-se que entre os meses maio de 2020 até meados de novembro do mesmo ano o número de reprodução (Rt  quantos são infetados por cada outro infectado) cai a aproximadamente a 1 mostrando que a epidemia poderia se seguisse com maior rigor as normas de afastamento social e uso de máscaras reduzir, entretanto com as eleições há de novo um pico e começa um segundo Lockdown que foi interrompido dias atrás começado a terceira onda.

Porém apesar desse pavor, o que é ruim pode ficar pior. Com os dados obtidos tanto no trabalho [3] como no [1] surge o pior dos cenários, “Ressurgimento de COVID-19 em Manaus, Brasil, apesar da alta soroprevalência”, ou seja, apesar dos autores em [1] e [3] acharem que a quantidade de infectados (em torno de 76%) tenha chegado próximo a imunidade de rebanho estimada em torno de, ou seja, o número de infectados era tão grande que eles curados fariam uma espécie de cordão sanitário em torno dos não infectados. Como a epidemia voltou com praticamente a mesma intensidade, as hipóteses mais tranquilizantes (a) que houve um erro na estimativa dos infectados, (d) que a nova linhagem tendo um número de reprodução muito maior necessitaria uma quantidade de infectados muito maior para proteger os não infectados. Essa última hipótese é ao meu juízo (ou seja, ao juízo de um não especialista no assunto, mas que conhece estatística) mesmo que ocorresse essa hipóteses o surto seria muito mais fraco, pois somente menos que a metade estariam disponíveis para ser infectados, logo para atingir níveis como estão sendo atingidos o grau de Rt deveria ser no mínimo umas cinco vezes maior do que da cepa antiga.

Retiradas essas hipóteses teremos as restantes (b) que a imunidade dos infectados depois de um período maior do que oito meses cai muito abaixo que a nova cepa atinge de novo ou (c) que a nova Cepa se comporta quase como outro vírus (linguagem nada científica) não dando bola para os imunizantes naturais produzido pelo corpo.

Tanto a hipótese (b) como a (c) colocam parcialmente em cheque algumas das vacinas que estão sendo empregadas, ou pior, que a cada seis meses teríamos que nos revacinarmos de novo.

O que é certo, essa nova cepa caiu exatamente no país com pior gerência da pandemia e se não for dado um fim ao governo Bolsonaro a cada oito meses umas duzentas mil pessoas morrerão no Brasil, pois a gerência da epidemia aumentou em muito a sua necessidade de melhora.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora