Telecatch 2.0: democracia CPFs x feudalismo CNPJs, por Fábio de Oliveira Ribeiro

No Brasil bolsonariano, a Sociedade sem Lei (refiro-me obviamente ao livro do jurista Rubens Casara) se caracteriza pela existência de CNPJs com muralhas construídas pelo Estado.

Telecatch 2.0: democracia CPFs x feudalismo CNPJs

por Fábio de Oliveira Ribeiro

O tirano Jair Bolsonaro sempre diz que vai quebrar o sistema para modernizar o Brasil. No entanto, ele trata as empresas (CNPJs) como feudos que devem ser protegidos pelo Rei (o Estado neoliberal). Os CPFs são apenas servos da gleba que podem ser condenados a morrer abandonados à própria sorte.

A Lei como nós a conhecíamos (norma geral e abstrata, oriunda do Estado e produzida de acordo com procedimentos legislativos previamente definidos, cuja validade depende do respeito à Constituição) não existia na Idade Média. Ela certamente deixou de existir entre nós.

No Brasil bolsonariano, a Sociedade sem Lei (refiro-me obviamente ao livro do jurista Rubens Casara) se caracteriza pela existência de CNPJs com muralhas construídas pelo Estado. Os castelos empresariais não podem morrer. Eles são a garantia da perpetuação do poder real.

O vínculo entre o soberano e os senhores feudais é mais importante do que aquele que liga os servos da gleba ao Rei. O poder não respeita qualquer limite e seu exercício independe de aprovação popular. A soberania real é outorgada por Deus e não pode ser contestada.

Nosso Estado Pós-Democrático é um clone “high tech” do Estado feudal. O COVID-19 será a nossa “peste bubônica”. A restauração da democracia ocorrerá quando os CPFs voltarem a ter mais valor político do que os CNPJs e a morte das empresas em virtude da concorrência for algo desejável.

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