Para Cardozo, Moro contribuiu para o impeachment de Dilma

 
Jornal GGN – Não mais como ministro de Justiça do governo Dilma Rousseff ou advogado contra o impeachment da ex-presidente, José Eduardo Cardozo voltou ao cargo de procurador do município de São Paulo, no qual iniciou em 1982, mas abandonou há mais de 22 anos para ser vereador.
 
No novo posto, Cardozo concedeu entrevista à Folha de S. Paulo e disse que o magistrado da Operação Lava Jato Sérgio Moro cometeu abusos. “O juiz Sergio Moro decidiu questões que efetivamente ultrapassaram a legalidade”.
 
Além de citar os casos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a abertura do sigilo das interceptações telefônicas, envolvendo Dilma e advogados, o ex-ministro de Dilma apontou que Moro cometeu irregularidades que interferem nos processos políticos.
 
“Nesse caso [divulgação das conversas entre Dilma e Lula] um dos fatores que impulsionou e propulsionou o impeachment foi a divulgação desses áudios feita em total desconformidade com aquilo que a legislação brasileira determina.”, disse.
 
Mas, se por um lado, Cardozo criticou o juiz do Paraná, por outro, defendeu que as apurações da Lava Jato não sejam paralisadas e acredita que, neste momento, “dificilmente alguém obstará as investigações”.
 
“O que eu não quero também dizer em momento algum é que abusos eventuais não sejam cometidos. Eu sempre defendi as investigações. Mas investigações devem ocorrer dentro da lei. Dentro dos limites da constitucionalidade”, ressaltou.
 
Sobre o governo Temer, José Eduardo Cardozo resumiu que “é um desastre em todos os sentidos”. “Um governo de homens brancos, sem mulheres, conservadores e que seguiu uma linha política que não foi a que elegeu a chapa”, manifestou.
 
Para ele, hoje, mais do que nunca, se confirma a sua convicção apresentada no início da defesa de Dilma Rousseff no impeachment, de que “nenhum governo que chegasse ao poder naquelas condições teria legitimidade e condições políticas de reunir energia para tirar o Brasil da crise e que tudo tendia que o quadro fosse agravar”. 
 
O resultado, disse Cardozo, foi a venda de uma “ilusão para a sociedade de que um governo com essa composição, com essas características não seria atingido [por acusações de corrupção] no seu curso.”
 
Concluindo que “não há respostas hoje fora das urnas e fora da democracia”, o ex-ministro do governo Dilma também abordou o futuro do partido e das esquerdas no Brasil. Para ele, a imagem criada de criminalização do PT resultou em uma grande ofensiva.
 
Mas que, agora, é preciso “dialogar com muita parceria, com muita humildade com os outros setores de esquerda”. Defendeu que não adianta seguir buscando a “hegemonia da esquerda” e que ao invés de buscar nomes, o PT deve “construir processos onde os nomes sejam o resultado e não uma imposição”. 
 
Nessa linha, acredita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria um “excelente nome que pode unificar toda a esquerda”. Por outro lado, Cardozo admite que não será simples. “Tem um conjunto de pessoas que tem muito interesse em atingi-lo na sua imagem para que ele não seja um forte candidato em 2018”.
 
 

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