Ecos do almoço no Massimo

Nassif, sei que está fora de tópico, mas ainda não aprendi a usar as ferramentas do portal e contribuir com o debate da sucessão. Obrigado, DoLaDoDeLá

O flagrante foi feito pelo fotógrafo Moacyr Leite Júnior e estampou a capa do Jornal Folha de São Paulo de domingo, às vésperas das eleições de 2008. O ex-governador Geraldo Alckmin almoçava sozinho num pequeno restaurante da Liberdade, região central de São Paulo. Era o triste desfecho da campanha à prefeitura de São Paulo que teve a favoritíssima Marta Suplicy, com tudo para se eleger, mas que subiu no salto, cometeu erros primários e não soube compreender as reais possibilidades de seu principal adversário, o prefeito Gilberto Kassab, herdeiro político de José Serra. Aquele almoço foi um prato frio, díficil de Alckmin engolir. Mais um prato servido por um dos caciques do seu próprio partido, Serra.

AvingA vingança demorara dois anos e fora tramada nos mínimos detalhes, depois que Serra teve que engolir a candidatura de Alckmin à presidência, em 2006. A decisão fora imposta pela base do partido, sobretudo lideranças regionais do estado de São Paulo, que insistiram em prévias para escolher o candidato e se sentiram ultrajadas no episódio que ficou conhecido como: O Jantar da Cúpula, no restaurante Massimo, na capital paulista. Ali apenas quatro comensais: FHC, Serra, Tasso Jereissati e Aécio Neves.

Serra nunca engoliu a derrota para Alckmin e seus correligionários Covistas. Na ocasião, aceitou ficar com a prefeitura de São Paulo, que deixou para Kassab, quando concorreu e ganhou o Governo do estado mais rico do país. Quatro anos depois estava reabilitado para disputar a presidência da República. Definitivamente, a vingança é um prato que se come frio. Hoje, dois anos depois daquele almoço tão indigesto, é Alckmin quem vê seu algoz sucumbir diante de um desafio que, do ponto de vista partidário, só é vencido na base da lealdade, do compromisso e da ética: juntar forças e fazer alianças para alcançar a presidência da República. Serra é hoje um homem preso no labirinto que ele mesmo construiu em torno de si. Por isso é tão melancólico ver os rumos de sua campanha, o que desperta em nós um sentimento nobre e sublime tão difícil de aceitar e sentir: a compaixão. 

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