A candidatura oficial de Marina

Do Estadão

Marina elogia Lula, fala em continuidade e propõe 3ª geração dos programas sociais

por luisbovo

Sem poupar elogios ao presidente Lula, a senadora Marina Silva (PV) deu a entender no primeiro discurso dela como candidata oficial do Partido Verde à presidência da República, que também pode representar a continuidade do governo Lula.

Ex-ministra do Meio Ambiente do governo do PT, Marina ressaltou que Lula ajudou a tirar 20 milhões de pessoas da linha da pobreza, e mostrou que não é preciso “fazer o bolo crescer para depois dividir”. “Ele mostrou que é distribuindo o bolo que a gente pode crescer”. Marina prometeu uma “terceira geração” dos programas sociais, que investissem também na inclusão produtiva dos cidadãos de baixa renda. Prometeu “sair do estado provedor para o estado mobilizador”.

Em 50 minutos em que monopolizou o microfone, Marina desfiou as ideias de um governo pautado pela economia sustentável, de baixo carbono. Entre as diretrizes de governo aprovadas pelo partido hoje, até mesmo a promessa de que as emissões derivadas de todo o período de campanha serão contabilizadas e publicadas na internet. “Sua neutralização ocorrerá com ações relativas a reflorestamento nos Biomas brasileiros”, diz o texto.

Mas, a senadora não se limitou ao tema Meio Ambiente, no qual pautou sua trajetória política. Ela também defendeu o acesso á educação e usou o próprio exemplo como uma história de sucesso. “Foi graças à fresta da educação que minha vida mudou. Foi graças a uma educação de qualidade que um filho da classe média se tornou um dos empresários mais prósperos do Brasil”, disse, fazendo referência ao candidato a vice que compõe a chapa com ela, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura.

Bem humorada, Marina também agradou a plateia fazendo piadas consigo mesma. Disse que era magra como um “palitinho” e disse que as pessoas achavam que ela se vestia mal quando era jovem, no Acre. “Diziam que eu me vestia mal, mas eu me achava tão charmosa”.
Figurando em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, com cerca de 7% da preferência dos eleitores, Marina foi otimista: “Espero que no dia 1º de janeiro do ano que vem a gente possa ter a primeira mulher negra presidente do Brasil”. Arrancou muitos aplausos e gritos de guerra da plateia, que não atingiu a expectativa dos organizadores, que esperavam entre 1,5 mil e 2 mil pessoas. O auditório foi reduzido de tamanho, e ainda assim não estava lotado.

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A senadora criticou a polarização da campanha entre o PT de Dilma Rousseff e o PSDB de José Serra, que têm aparecido empatados em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. “Esse Brasil não pode ser adiado para amanhã. Ele começa agora. Não vamos aceitar o veredicto do plebiscito. Ele vai ser revogado pelo povo brasileiro”, disse.

Em outro momento, disse que sentia “uma dorzinha no coração” porque, hoje, enquanto se lançava na disputa pela presidência pelo PV, amigo e aliado Tião Viana, do PT, também fazia festa no Acre para se lançar candidato a governador. “Nós estamos separados momentaneamente. Nós vamos nos encontrar num segundo turno, se Deus quiser”.

A convenção começou pela manhã, com a aprovação pelos delegados do partido da chapa presidenciável e o limite de gastos da campanha, R$ 90 milhões. Entre os oradores convidados a assistir à convenção sentados ao palco, ao lado de Marina, destacou-se o teólogo Leonardo Boff, que disse que Marina não fazia política pelo Poder, mas como Mahatma Gandhi, “como um gesto amoroso pelo povo”.

Entre os discursos, um palhaço invadiu o palco, fazendo críticas a políticos como José Sarney, Marcos Valério e Lula. Por um momento, achou-se que era parte da festa. Mas logo o som foi elevado, e seguranças retiraram o manifestante do palco. Marina ficou séria o tempo todo. Foi anunciado que seria permitido que o palhaço voltasse ao final, mas não voltou.

O candidato a vice, Guilherme Leal, a quem Marina Silva chamou de “filho de paraense, comedor de açaí” foi um dos últimos a discursar. Leal rejeitou críticas de que Marina não teria perfil técnico para assumir a presidência da República, e por ela foi socorrido quando por diversas vezes se atrapalhou com o discurso e o aparelho de teleprompter. Quem faz política com P maiúsculo não treina como fala, apenas faz como gostaria de ver os políticos fazerem. Foi o que você fez”.

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