Em Portugal, Partido Socialista vence eleições, mas extremista da direita estreia no Parlamento

Resultado é avaliado pelo primeiro-ministro, do Partido Socialista, como reconhecimento da “geringonça”; Desde que assumiu, Portugal reduziu desemprego e aumentou PIB

Joacine Katar Moreira, de lenço amarelo, comemora vitória ao Parlamento português. Foto: RODRIGO ANTUNES/ Lusa

Jornal GGN – O Partido Socialista do primeiro-ministro António Costa foi o grande vencedor das eleições realizadas neste domingo (6) em Portugal. A sigla de centro-esquerda, que já vinha comandando o país, conquistou 20 cadeiras a mais no Parlamento, somando 106.

Apesar da expansão, o PS precisará ainda da “geringonça”, nome da coalizão formada após o último pleito, em 2015, para conseguir governar feita com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. O nome “geringonça” era pejorativo, criado pelos partidos de oposição devido ao ceticismo quanto às chances de sucesso do arranjo político.

Tanto o PCP quanto o Bloco de Esquerda já anunciaram que estão dispostos a fazer um novo acordo, confirmando a estabilidade do segundo governo do primeiro-ministro.

Ao assumir em 2015, Antônio Costa aplicou políticas na contramão da austeridade, revertendo cortes nos salários e pensões e oferecendo incentivos às empresas. Em quatro anos, o desemprego caiu de cerca de 17% para 6,3% e o PIB apresentou crescimento acima da média dos países da União Europeia, desde o primeiro ano em que Costa assumiu como primeiro-ministro.

Assim, os resultados das eleições neste domingo, ampliando as cadeiras do seu partido no Parlamento, são avaliados como uma vitória da geringonça.

“O PS ganhou as eleições porque exerceu claramente sua função política em Portugal. Também aumentou e ganhou em votos. Ganhou em mandatos. É o único partido político que elege deputados em todos os distritos eleitorais”, celebrou Costa. “Somos não apenas um grande partido popular, mas um grande partido nacional.”

Em oposição à esse quadro, o Partido Social Democrata (PPD-PSD), legenda tradicional de direita no país, foi a maior derrotada nestas eleições. Apesar de ser o segundo partido com o maior número de cadeiras no Parlamento, perdeu 12 vagas e ficou com 77 cadeiras.

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O primeiro-ministro avaliou que a “derrota histórica” da direita mostra que o PSD não foi capaz de se desenhar como uma alternativa viável aos socialistas. “Os portugueses gostaram da ‘geringonça’ e desejam a continuidade da atual função política, agora com um PS mais forte”, pontuou.

O Partido Comunista Português (PCP), que compõe a geringonça, também saiu perdendo passando de 15 para 10 cadeiras.

Estreias no Legislativo vão da esquerda à extrema-direita

As novidades do pleito português nesta eleição são o aumento da participação do Pessoas – Animais – Natureza (PAN), partido que elegeu mais três parlamentares, passando de uma para quatro cadeiras. O PAN integrou a geringonça na gestão passada e deve repetir o acordo.

Outra novidade é a estreia de três novos partidos no Parlamento que representam faixas que vão da esquerda à direita: Iniciativa Liberal, Livre e Chega.

O Iniciativa Liberal elegeu João Cotrim de Figueiredo. As bandeiras da sigla são o combate à corrupção e maior liberdade de escolha. O partido defende ainda a criação de uma taxa de imposto de renda única de 15% para rendimentos acima de 650 euros.

Segundo Carlos Guimarães Pinto, líder da sigla, constituída oficialmente em dezembro de 2017, a corrupção deve-se ao “excesso de concentração do poder do Estado central em Lisboa”, por isso o Iniciativa Liberal é a favor de uma descentralização “que seja fiscalmente neutra, ou seja, que cada recurso que é atribuído ao poder local seja subtraído do Estado Central”.

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Outro partido que estreia no Parlamento é o Livre que teve como grande feito eleger a historiadora Joacine Katar Moreira, mulher, negra, gaga e nascida em Guiné-Bissau. O Livre foi fundado por Rui Tavares em 2014 e concorreu pela primeira vez às eleições legislativas em 2015.

O partido defende a ampliação da nacionalidade para os filhos de imigrantes, quotas para reduzir as desigualdades sociais históricas em vários grupos (mulheres, negros e deficientes) e aumento do salário mínimo para 900 euros.

O Livre também defende a pauta ecológica. Em entrevista à agência Lusa, Joacine destacou a ideia de um “um novo pacto verde, um ‘new deal’ para o ambiente”, como foi proposto por congressistas nos Estados Unidos.

“Hoje em dia é insuficiente nós nos mostrarmos conscientes sobre a emergência climática. É preciso que o Estado disponibilize [recursos], com o apoio da União Europeia, com o apoio das entidades, e coloque a urgência climática enquanto uma das urgências número um de qualquer orçamento do Estado”, avaliou Joacine.

O terceiro partido que estreia no Parlamento com o resultado das eleições deste domingo é o Chega, de extrema-direita. A sigla elegeu o comentarista esportivo André Ventura, acusado de xenofobia por fazer declarações ofensivas contra ciganos.

O Chega defende a retirada do aborto e de cirurgias de mudança de sexo do sistema de saúde público, a revogação do acordo ortográfico e a introdução da castração química no Código Penal como forma de punição contra agressores sexuais. O partido propõe ainda retirar o termo “crime de ódio” na lei penal portuguesa e defende o fortalecimento das fronteiras contra a migração.

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Em termos de organização do Estado, o Chega propõe o fim do parlamentarismo e que a figura do Presidente da República tenha as competências exercidas hoje pelo primeiro-ministro. O Chega sustenta que não deve ser obrigação do Estado “a produção ou distribuição de bens e serviços, sejam esses serviços de educação ou de saúde”.

O partido de extrema-direita quer ainda que Portugal reconheça a existência do Estado de Israel e transfira a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.

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2 comentários

  1. Mas lá não tem MBL, Vem pra rua, olavetes e as famigeradas bancadas BBB. Lá, as mulheres agora são 38% na nova formação da Assembléia. Tem o combatente BE com sua bancada cheia de jovens e aumentou a bancada defensora da causa ecológica com o PAN e o Livre.
    Vão continuar a depender do turismo e da estabilidade do Euro. Enquanto assim for, a elite do atraso que enriquece com a má distribuição no Brasil tem Cascais como o paraíso socialista a lhe hospedar.

  2. Não tem futuro este Portugal !!! Eleições Livres e Facultativas? Naquelas Urnas de papelão, onde o Cidadão Português é obrigado a escrever e votar numa Cédula de Papel? Que coisa simplória e barata !!! Os Portugueses não tem Biometria Obrigatória ao custo de 150 milhões de dólares? Não gastam outros 150 milhões de dólares com Urnas Eletrônicas? Nem tem Fundo Partidário ao custo de 1 bilhão de dólares (US$ 1.000.000.000,00) Como Vocês, Povo Lusitano, querem chegar ao desenvolvimento que a Nação Brasileira alcançou? Como são atrasados estes Europeus !!!!!!

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