Focos de incêndios no Planalto, disputas entre olavistas e militares persistem

Disputa pela condução política em quatro ministérios, especialmente nos temas educação, relações com os EUA, Israel e intervenção na Venezuela paralisa governo nos 100 primeiros dias

Olavo de Carvalho, o guru dos Bolsonaro. Imagem: Reprodução/YouTube

Jornal GGN – Existem quatro temas dentro do Planalto em disputa entre olavistas e militares: educação, relações com os EUA, proximidade com Israel e intervenção militar na Venezuela. Em todos eles os dois grupos disputam a condução da política, o que, além de elevar a tensão, praticamente paralisaram os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro que entregou menos do que havia prometido para o período. O levantamento é da BBC News Brasil.

Internamente, as duas frentes buscam cargos e protagonismos que acabaram transbordando em ataques nas redes sociais e na imprensa. Um exemplo, é Carlos Bolsonaro, filho do presidente e articulador da sua comunicação fora do Planalto. Na semana passada, ele publicou no canal do YouTube do pai um vídeo de Olavo de Carvalho, o escritor e “guru ideológico” da família, fazendo críticas diretas a militares, deputados e senadores eleitos sob a bandeira da “nova política”.

Olavo, que gosta de usar palavras chulas em seus comentários além de colocar Bolsonaro sob uma aura angelical de “mártir” disse que o mesmo precisa aguentar os “filhos da p…” ao redor dele, sob o risco de ser deposto por um golpe.

O escritor extremista ainda acusou os militares de terem aberto o caminho para “os comunistas” assumiram governos no Brasil, após a ditadura.

“Ele criaram o PT (…) Os milicos têm que começar por confessar seus erros antes de querer corrigir os erros dos outros”. O vídeo foi apagado pelo presidente depois de acabar chamando muita atenção e virar notícia.

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Em março, durante a visita oficial de Bolsonaro à Washington, o escritor Olavo de Carvalho foi homenageado em um jantar na casa do embaixador brasileiro, Sérgio Amaral, na presença do presidente.

Na mesma semana, após outro evento em sua homenagem, que incluiu a veiculação do filme biográfico “Jardim das Aflições”, e contou com a presença de Eduardo Bolsonaro, Olavo disse em coletiva de imprensa que Bolsonaro estava cercado de “milicos (…) bando de cagão que têm medo da mídia”. Na ocasião, ele ainda apontou o vice-presidente, general Hamilton Mourão, está entre “traidores” do governo.

Apesar das agressões contundentes e, muitas vezes diretas, os militares do Planalto procuram responder à imprensa minimizando os ataques. Em entrevista à BBC News Brasil, o ministro-chefe da Secretaria-Geral de Governo, Santos Cruz, respondeu: “Não posso fazer nenhum comentário porque para mim (ele) não tem importância nenhuma”.

Em outra entrevista para a Folha de São Paulo, Santos Cruz avaliou que Olavo é desequilibrado. “Eu nunca me interessei pelas ideias desse sr. Olavo de Carvalho”, disse. Nem a forma nem o conteúdo agradam a ele, afirmou. “Por suas últimas colocações na mídia, com linguajar chulo, com palavrões, inconsequente, o desequilíbrio fica evidente”, completou o ministro.

O governo Bolsonaro tem 115 militares em cargos relevantes, oito deles à frente dos ministérios: Defesa, Ciência e Tecnologia, Infraestrutura e Minas e Energia, Controladoria Geral da União, Secretaria de Governo, Secretaria Geral e Gabinete de Segurança Institucional.

A principal crise, e a mais recente, envolvendo militares e olavistas foi pelo controle do Ministério da Educação. A disputa começou quando alunos de Olavo de Carvalho foram reconduzidos (alguns demitidos) por decisão de técnicos do Centro de Educação Paulo Souza e militares, que procuravam dar mais celeridade nos trabalhos.

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A disputa terminou com a queda de Ricardo Vélez Rodriguez do comando da pasta e a nomeação de Abraham Weintraub, diretor executivo do Centro de Estudos em Seguridade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-aluno de Olavo de Carvalho. Para ler a matéria da BBC News Brasil na íntegra, clique aqui.

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5 comentários

  1. Eu nao sei qual é a surpresa, sinceramente. O que esses tarados olavistas querem é que as FFAA “partam pra cima” dos esquerdistas com mais denodo, diligência, pertinacia, so isso. Digo e repito, a diferença entre eles é de grau, nao de espécie.

  2. Apenas uma curiosidade. Não estaria o jornalismo, quiçá, por falta de assunto, dando desmedida importância ao cartomante bufão Olavo de Caralho? Não perceberam ainda que esse velho farsante é apenas, um porco pornográfico?

    Tudo bem que os meliantes bolsonaros o admirem e o bajulem. Mas, aí teremos que relevar, não se deve dar trela a isso aí, Okey? Pois, como sabemos todos, isso aí trata-se de um rebanho de bestas estúpidos.

    Orlando

  3. Um xadrez estranho

    Faz tempo venho dizendo que o astrólogo só canta de galo em relação aos militares por que deve ter as costas quentes.

    Evidentemente quem o protege não é o capitão que hoje se encontra na presidência. Muito menos os filhos do capitão.

    Ingenuidade, também, acreditar que Olavo pretenda insubordinar a tropa contra o alto comando composto por generais, almirantes e brigadeiros, da ativa ou da passiva. Tese esta de Reinaldo Azevedo.

    Olavo de Carvalho é ouvido e prestigiado, há muito, por alguns militares de alta patente. E são esses os que falam por seu intermédio quando aparentemente o astrólogo se atraca contra militares que fazem parte do governo Bolsonaro.

    A “loucura” de Olavo tem método.

    O discurso de Olavo de Carvalho assemelha-se ao do General Paulo Chagas, que tem escolhido como alvos alguns ministros do STF, embora, até agora, não tenha se referido também aos seus companheiros de farda.

    O objetivo de Paulo Chagas, ao desmoralizar o STF perante a opinião pública, tem toda a feição de procurar facilitar a substituição de alguns entre os atuais ministros por outros a serem nomeados durante o governo Bolsonaro.

    A reação de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, tão criticada pela mídia, pode indicar que ambos caíram na armadilha que lhes foi preparada.

    A partir de agora é preciso estar atento às próximas jogadas desse xadrez. Ainda que tampando o nariz, a esquerda deve evitar enfraquecer Toffoli e Moraes em suas lutas de sobrevivência frente o cardume de piranhas famintas.

    Se é muito ruim com eles, muito pior será quando Bolsonaro escolher aqueles que os substituirão.

  4. Não intendo como alguém pode dar ouvido a Olavo, um pseudo filósofo.
    Suas opiniões são extremamente toscas.
    Contra a “tosquicidade” somente a
    Democracia absoluta
    Todo caos que vemos na politica, nacional e mundial, é por que tem pouca participação popular. Precisamos de uma reforma politica. O poder é corruptivo, quanto maior o poder maior a corrupção. Por isso que a politica tem que ter um controle maior do povo.
    Legislativo
    A primeira mudança seria no legislativo em seus vários níveis, onde os seus integrantes não seriam mais eleitos e sim sorteados entre os eleitores. Poderíamos começar com 50% do legislativo sendo nomeado desta maneira. A cada 2 anos haveria um novo sorteio para renovação do legislativo.
    Acredito que assim poderia aumentar o interesse do povo pela política.
    Por sorteio, este grupo de parlamentares seria bem heterogêneo, bem representativo da população brasileira.
    Com certeza, 50% destes parlamentares seriam de mulheres.
    Executivo
    Poderíamos eliminar as coligações partidárias. Cada partido apresentaria seu próprio candidato a Presidente, governador, prefeito e seus vices.
    50% do legislativo, o 50% não sorteado, seria eleito proporcionalmente aos votos dados aos candidatos do executivo.
    Para dar mais controle do executivo pelo povo, a cada dois anos haveria um plebiscito para confirmar ou não a permanência do mandatário no cargo. Caso o “não” vencesse seria feita uma nova eleição para aquele cargo.

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