Está na hora de um contragolpe preventivo contra Bolsonaro, alerta historiador

"Bolsonaro não quer ganhar a eleição. Quer ser chefe da oposição ao próximo governo, sem ter de responder processo

O historiador e cientista político Christian Lynch fez uma publicação na terça, 28, defendendo que está na hora de começar a pensar em um “contragolpe preventivo” contra Jair Bolsonaro. Na análise do especialista, Bolsonaro não quer ganhar a reeleição, mas garantir que terá imunidade após deixar o cargo.

Isso quer dizer que ele deve apelar para o terrorismo durante as eleições, e ameaçar as instituições em sua busca por um acordão que vá isentá-lo de condenações futuras. É neste contexto que Lynch defende um contragolpe preventivo, para que as instituições não fiquem refém de Bolsonaro. Confira a análise completa.

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Por Christian Lynch

Está amadurecendo a questão golpista.

Bolsonaro não quer ganhar a eleição. Quer ser chefe da oposição ao próximo governo, andar de lancha e de moto, lacrar nas redes e em programa policial, sem ter de responder processo por nenhum dos crimes que cometeu na presidência.

Reparem que ele e seus generais de pijama estão adotando todos os dispositivos possíveis para simular força e fazer uma grande baderna de contestação eleitoral, para mergulhar o país no caos e tomá-lo como refém para obrigar os poderes a aceitar uma saída que os deixe impunes.

Imitador de Trump, Bolsonaro vai querer o fim dos inquéritos do STF, bem como a aceitação pelo tribunal da inconstitucionalidade de um indulto por ele mesmo concedido para si e sua quadrilha. Imagina contar com a subserviência de Aras e a cumplicidade de Lira para o arranjo.

Os instrumentos de que Bolsonaro se valerá são os de sempre: intimidação, suborno e mentira. O enredo passa por se fazer de vítima (da suposta fraude eleitoral) para, em nome de uma “legítima defesa”, atacar derrotado as instituições da República, no limite da guerra civil.

Bolsonaro pode não ter apoio, o governo está desmoronando etc. Mas sua aposta é justamente a de que a ameaça do estrago obrigará as instituições a negociar. E o que as instituições estão fazendo é empurrar o problema com a barriga, para resolver o que fazer mais pra frente.

Como bom aprendiz de terrorista, Bolsonaro está tentando encher o edifício da República de bombas para em outubro ameaçar detoná-las, a pretexto da fraude eleitoral e de defesa da “vontade do povo”. Mas a verdade é que até hoje ele foi sempre antes blefador do que executor.

Seja como for, os poderes da República desejarão ficar nas mãos desses delinquentes nos anos subsequentes? Está na hora de começar a pensar em um contragolpe preventivo contra Bolsonaro, que o impeça de chegar a essa posição de poder chantagear o país inteiro.

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