Janio de Freitas compactua com a elite estamental?

Comentário ao post: Sensacionalismo e violência em SP, por Jânio de Freitas (Enviado por luisnassif, dom, 11/11/2012 – 08:03)

Caros,

O enigma machadiano, “decifra-me ou devoro-te“, nas entrelinhas do artigo de Janio de Freitas, o que ele não diz com todas as letras, é preciso recorrer a história das ultimas décadas, certamente as estatistísticas confirma o que ele diz, que nos últimos trinta anos a criminalidade em São Paulo supera o Rio, mas o fato político que ele não diz, que envolve o estamento da mídia, na qual ele tem seu “chapéu”. Nos anos 80 e 90 e Rede Globo fez, contruiu a imagem do Rio de Janeiro como o único centro da criminalidade para o Brasil e consequentemente, a imagem do Rio e do Brasil para o mundo. A “querela” e o motivo principal, tinha como pano de fundo a política, o Governado do Rio de Janeiro, Brizola foi eleito em 1982 e novamente em 1990, e a Rede Globo e Brizola tinham um cabo de guerra, e a imagem do Rio de Janeiro foi quem pagou o pato, para o Brasil e para o mundo. Antes, na apuração das eleições de 1982, houve o caso da fraude do ProConsult, que não era um esquema só no estado do Rio, era bem mais amplo, por vários estados (inclusive em outras eleições, como a eleição de Janio Quadros em 1985 na capital de SP, com uma das menores taxas de voto branco história).

A questão é estrutural de uma sociedade primaria porque a elite é primaria, predatória, de privilégio, statu quo e não de leis, para lembrar Milton Santos, foi o que também não disse no Roda Viva da TV Cultura Janio de Freitas, ele esta se tornando um especialista no assunto, e como carioca calou-se por três décadas, ou fez vista grossa, uma postura de um cidadão comprometido com o estamento da elite.

O cabo de guerra entre a Globo e Brizola, tornou-se um fato político midiatico, na qual para combater o governo de Brizola, o Rio de Janeiro tornou-se a imagem da criminalidade para todo o Brasil e consequentemente a imagem do Brasil no mundo. Essa construção, de uma imagem de meias verdades, condiz com o padrão de nossa história patrimonialista, revela também um padrão de nossa sociedade, que vem da elite, desde o império. Ou seja, por décadas os fatos da realidade não era noticia, mas a versão dos fatos, a construção de uma imagem que mostrou uma pequena parte da realidade, com consequência deletéria para a imagem do Rio de Janeiro e do Brasil no mundo.

É o mesmo padrão que perpassa todas as instâncias das nossas instituições, como a critica do artigo do Nassif sobre os vícios e privilégios do setor da aviação, e por tabela por toda sociedade.

O enigma machadiano é secular, o nosso divisor de águas é a Constituicao de 1988, ou seja, já estamos a uma geração desde a promulgação da constituição, mas os nossos problemas ainda são os básicos. Temos hoje oportunidades bem maiores, muito maiores do que os anos dourados com Vargas e JK, ou no inicio do século XX, mas no última década, deixamos de ser o país com mais desigualdade do mundo, para dez posições acima entre os últimos, esse são nossos ganhos quantitativo na última década, claro que houve uma mudança de paradigma, uma inflexão do processo histórico, mas uma mudança de valor qualitativa para a sociedade, somente se for dado continuidade nesse processo e com mais aceleração na diminuição da desigualdade, ou seja, não só o mensalão do PT, mas também do PSDB, etc.

É notável e evidente, que o fato levará mais algumas gerações à frente, diria no mínimo mais duas gerações, caso seja dado continuidade na trajetória, ou seja coisa que provavelmente não verei, mas quando as novas gerações  que ainda vão chegar as universidades, como os números dos países da OCDE que tem mais de 50% de jovens na universidade, ao sul do equador Chile e Argentina tem acima de 30%, ou seja, estamos infinitamente aquém disse, o mesmo vale para curso tecnicos, Japão tem 55%, temos 6%, o caminho é longo.

O que vejo, Janio de Freitas não esta velho só na idade, mas como a mídia secular, onde seu chapéu esta, esta velho nas ideias e compactuando coma covardia secular patrimonialista estamental, diria ser um triste fim para quem foi modelo de cidadão combativo nos anos 60, como no filme “Terra em Transe” de Glauber Rocha. Ele é da industria do jornalismo, há muito tempo.

O milagre da vida é uma coisa, o “milagre” da mudança social patrimonialista estamental de nosso história secular é outra.

Sds,

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