Moro viaja aos EUA sem divulgar o roteiro e não participa de audiência na Câmara

Como ministro de Estado, o ex-juiz deveria ter informado roteiro de compromissos; viagem estava programada ‘há semanas’ confirmou assessoria

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – O Ministro da Justiça, Sérgio Moro, está em viagem nos Estados Unidos desde sábado (22) e decidiu não divulgar com antecedência o roteiro de visitas e encontros. O fato é novo e chamou a atenção de alguns jornais.

Todo o representante de estado em visita oficial deve informar, via assessoria de imprensa ou site ministerial, os compromissos com locais de horários definidos ao longo de cada dia.

A Folha de S.Paulo diz tem solicitado para a assessoria do Ministério da Justiça o roteiro do ministro desde terça-feira (28) passada, “porém, sem sucesso”.

“No início da noite desta segunda-feira (24), o Ministério da Justiça afirmou, em email encaminhado após pedido da reportagem, que Moro visitaria “agências encarregadas da aplicação da lei nos EUA” e que, por questões de segurança, os detalhes só seriam divulgados ao final de cada dia”, escreveu a repórter Marina Dias.

O jornal conta ainda que, no final da manhã desta segunda-feira (24), a agenda publicada no site do ministério dizia que Moro não tinha nenhum compromisso programado durante o dia. Entretanto, no final da tarde, a mesma página aparece como inexistente.

Horas depois, no início da noite, o Ministério da Justiça adicionou na página “visita ao Centro de Inteligência de El Paso”, que havia acontecido 12h antes, às 8h da manhã. Já na agenda de domingo (23) foi publicado que Moro realizou uma “patrulha à fronteira dos EUA na cidade de El Paso, no Texas”.

Moro vem sendo pressionado pela crise da Vaza Jato, a divulgação de trocas de mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

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O comportamento dele nesta viagem aos EUA mais recente, é diferente do comportamento que teve em março, quando viajou a Washington acompanhando o presidente Jair Bolsonaro. Durante todo o período sua agenda foi divulgada com antecedência, até mesmo quando se encontrou com autoridades norte-americanas ligadas à Justiça e investigação, como o diretor do FBI, Christopher A. Wray e o secretário do Homeland Security, Kirstjen Nielsen.

A Folha diz, ainda, que antes da última resposta, de terça-feira passada, a assessoria do Ministério da Justiça deu uma outra explicação, de que o roteiro de visitas de Moro não havia ainda sido publicado para a imprensa porque estavam esperando fechar o roteiro completo. A assessoria chegou a alegar depois dois outros motivos: que ainda não tinha conhecimento logístico do ministro nos EUA e, depois, argumentou a preocupação com a segurança.

Por conta da viagem internacional, Moro teve que adiar a sua participação na audiência da Câmara dos Deputados, prevista para esta quarta-feira (26), onde foi convidado para dar esclarecimentos sobre os diálogos que vêm sendo divulgados pelo The Intercept Brasil, desde 9 de junho.

Ainda, segundo apuração da Folha, a assessoria do ministro em Brasília havia dito, desde o dia 18 de junho, que a agenda de Moro estava planejada há algumas semanas.

Moro viajou aos Estados Unidos junto com o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, o diretor-executivo da Polícia Rodoviária Federal, José Lopes Hott Junior, e o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Igor Romário de Paula.

Na semana passada, o Ministério da Justiça publicou um texto sobre a viagem de Moro aos EUA como uma missão que tinha “o intuito de reunir experiências e boas práticas para fortalecer operações integradas no Brasil”.

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O texto dizia que, além da patrulha na fronteira entre o México e os EUA, a comitiva brasileira faria visitas à Divisão de Operações Especiais da DEA (Drug Enforcement Administration) e ao Centro Internacional de Operações e Inteligência de Anti-Crime Organizada (IOC-2), entre outros.

“A versão inicial do texto dizia que os órgãos estão localizados no estado de Virgínia, mas as referências foram suprimidas e já não apareciam no que estava publicado no portal nesta segunda-feira (24)”, completa a repórter Maria Dias. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

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4 comentários

  1. Prestando contas e levando “pitos” pela desastrada operação que, agora, poderá ir por água abaixo. Cá para nós, alegar “segurança” para omitir sua trajetória no EUA? Estaria encagaçado pela possibilidade de levar alguns chega-pra-lá de grupos organizados politicamente? Seria se julgar mais importante do que qualquer prova de disney-world. E, visitar “patrulha” em fronteira, então, é de matar de cólicas qualquer bolsonazi: desde quando o nosso país de merrecas precisaria de ministreco – da Justiça! – visitando policiamento de fronteira? Se demorasse mais um pouco pra fazer a viagem, talvez pudesse ajudar na colocação de tijolos no muro-a-separar-o-mundo-real-do-país-de-faz-de-conta. O diabo-a-quatro personalizado.

  2. Mentira acidentalmente no ultimo paragrafo e desapareceram com ele definitivamente.

    Dos paragraphs anteriores, eh tudinho tao fake e inverossimil que a gente sente ate vergonha de LER.

  3. Gozado, Moro “pediu desculpas” ao MBL POR DIZER A VERDADE sobre eles…

    Quanto aa “visita” aos EUA, ele nao deve satisfacoes a ninguem pois o “roteiro” dela eh todo mentira…

  4. gostaria de saber como responderia à informação
    que li de que um piloto militar dum avião “reserva”
    da presidencia da república foi detido na espanha
    por suspeita de tráfico de drogas….
    será que no dea foi falado algo?

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