23 de julho de 2026

O Exército na novela Salve Jorge

Recebi por e-mail. Não tenho a menor ideia se é verdadeira, ou não, a origem (o suposto “autor”).

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Assunto: Salve Jorge!!

Prezados amigos militares

Como oficial R1 do Exército queria parabenizar o Cel Marcelo Antonio Neves pelo excelente e-mail enviado para muitos oficiais da ativa e da reserva. Estas verdadeiras e corretas observações deveriam ser objeto de intervenção do Ministro da Defesa ou do Comandante do Exército. Concordo com o Cel Marcelo Antonio Neves em gênero, número e grau sobre seu posicionamento no que diz respeito a sua indignação sobre esta novela. Há uma gama de artistas, intelectualóides, produtores de TV da esquerda que são “intelectuais orgânicos”, formadores de opinião, e exercem uma grande influência sobre o pobre povo. Como ensinava Gramsci :

“A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela ´análise da situação´, de modo que quando o comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência.Isto deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo ´intelectual coletivo´ (o partido), que as dissemina pelos ´intelectuais orgânicos´ (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores – principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população”.

É lamentável que os Clubes Militares, Clube do Exército e Circulos Militares em todo o Brasil não lancem um manifesto assinado por todos os sócios que são “OFICIAIS DA RESERVA” com nossa indignação pela omissão do Ministro da Defesa e do Comandante do Exército que nada fizeram para impedir esta imagem negativa dos oficiais e do ambiente saudável e leal dos nossos quarteis. No mínimo, poderiam proibir a utilização do Regimento Andrade Neves ou de qualquer outra unidade do Exército para cenário da novela

Prezados senhores

Sou Coronel de Artilharia da turma de 1978 e estou na reserva desde 31 Dez 2009, desde então trabalhando no mundo corporativo.

Estou longe de ser mais um membro da reserva enfurecida, que vê sombras onde não existem, mas não poderia deixar de expressar minha indignação com a imagem que estão delineando da nossa Força, com episódios cada vez mais estarrecedores envolvendo personagens que representam a oficialidade do Exército Brasileiro, num posto que se pressupõe maturidade, equilíbrio e comprometimento com nossos valores mais caros, cultuados desde os bancos acadêmicos (capitães de cavalaria, no nosso exército, só saem da AMAN).

As demonstrações de deslealdade, desequilíbrio, petulância e falta de ação de comando, dão aos expectadores a ideia que o nosso Exército é aquele saco de gatos, a que ficou reduzido o brioso e tradicional Regimento Andrade Neves.

Vivo sendo questionado por civis de minhas relações, a perguntar se isso acontece dentro dos quarteis e sistematicamente tenho que explicar que essa não é a expressão da verdade (penso que esse passivo deva cair no colo de inúmeros militares da reserva e da ativa).

De qualquer maneira, nem sempre teremos um Coronel R1 disponível para explicar ao público externo que aqueles capitães e aquele Coronel Comandante, que não conhece sua oficialidade, são obra de uma orquestração muito sutil para reduzir o EB a expressão mais simples e nos nivelar por baixo, como se os valores que cultuamos e fazemos questão de apregoar fossem mero embuste.

Francamente… a ideia de fazer propaganda da Força Terrestre na novela das 21:00 Hs, da Rede Globo, foi no mínimo ingênua e a concordância em utilização de instalações de uma unidade tradicional de Cavalaria para aquela patifaria, beira a irresponsabilidade. Um exército que se preza (e é o nosso caso), não necessita andar na mídia fazendo parte de historietas, a troco de migalhas, de luzes ou da simpatia da mídia.

Decisões como esta atingem a todos nós, da ativa e da reserva e põe em dúvida a credibilidade de uma instituição secular, que desde o nascimento da nacionalidade está presente nos momentos mais críticos da história do Brasil, preservando, defendendo e cultuando valores que nem de longe são mostrados naquela novelinha de quinta categoria.

Marcelo Antonio Neves Cel Art R1

Idt 026074881-9

Pelo Coronel Franco

Prezado Redator do Fora de Pauta

Este texto do Coronel Marcelo Antonio Neves, na minha opinião, é incoerente, pois já começa no primeiro parágrafo dizendo “que ele (Marcelo) está longe de ser um membro da reserva enfurecida que vê sombras onde não existem”. Ao contrário, pelo que está escrito ele está vendo sombras demais sobre este caso, e digo mais: está vendo tempestade em copo d’água como muitos estão.

Onde ele viu que esta novela “é obra de uma orquestração muito sutil para reduzir o Exército a expressão mais simples e nos nivelar por baixo, como se os valores que cultuamos e fazemos questão de apregoar fossem mero embuste”? Sinceramente não vi nada disso, pelo contrário, tanto o personagem do Comandante como o dos Oficiais estão tentando de todas as formas apregoar os valores que cultuamos, é só ver as entrevistas que eles deram nos programas Vídeo Show e no Esporte Espetacular, cujos vídeos estão inseridos na página do Exército Brasileiro (é só acessar e ver o que eles disseram), onde eles enaltecem de forma sincera e honesta nossos valores e se referem a nossa gloriosa AMAN como um “santuário” da formação do militar do Exército. Isto por acaso é um mero embuste? Penso que não!

Onde ele viu nesta novela “demonstrações de deslealdade, desequilíbrio, petulância e falta de ação de comando”? Pelo contrário! Acho até que os personagens estão sendo enquadrados demais, às vezes até exageram nas continências, mas isto é normal até no nosso meio quando o militar está iniciando a carreira, penso que no decorrer dos capítulos isto será corrigido. Quanto às atitudes do personagem de Murilo Rosa (Cap Élcio), nada demais, conheci e conheço militares piores do que ele, portanto, isto não denigre a imagem da força, pelo contrário, mostra que somos uma instituição como outra qualquer, onde existe também elementos perniciosos, apesar de ser um minoria! Se você for analisar na novela existem sete personagens militares e apenas um é mau caráter, portanto, normal.

Qual o conhecimento de causa que o Cel Marcelo tem para afirmar que esta novela é de quinta categoria? Por acaso ele alguma vez já viu “in loco” como é a produçao de uma novela? Acredito que não! Portanto, não entendi o que ele quis dizer com o termo “quinta categoria”! Enfim…talvez seja de “quinta” mesmo pra ele, mas pra maioria dos que assistem não, isto é fato! É claro que ela é uma obra de ficção, e é assim que temos que vê-la, além disso, o exército não é o “ator” principal, pelo contrário, ele é um coadjuvante que está inserido num contexto que tem como focos alguns temas atuais como, por exemplo, levantar uma questão que atinge nossa sociedade de forma direta que é o crime do tráfico de mulheres, considerado um dos maiores delitos do mundo em termos de rendimento financeiro a bandidos e também valorizar o trabalho de pacificação do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro que foi conduzido brilhantemente pelo nosso Exército, tudo isso aliado a figura de São Jorge, guerreiro que se transformou em santo e hoje é o padroeiro de diversos países, exércitos e cavalarias do mundo afora.

Lembro que esta novela Salve Jorge seria feita com ou sem o apoio do Exército, pois não existe legislação que impeça Emissoras de TV de fazer uma obra sobre militares em geral, inclusive, utilizando nossos uniformes. Portanto, isto significa que se o Exército não apoiasse correríamos um grande risco de sermos “caricaturados” e até ridicularizados em horário nobre por falta de conhecimento das nossas atividades, dos nossos uniformes e do nosso dia-a-dia, neste caso, provavelmente, a crítica seria inversa e, talvez, o próprio Coronel Marcelo fizesse um outro tipo de questionamento como: “Será que o Exército não pensou em conversar com a Globo no sentido de orientá-los sobre os procedimentos usuais da caserna?”

O Centro de Comunicação Social do Exército analisou os comentários abertos postados por militares nas páginas do Exército das principais mídias sociais (Facebook, You Tube e Twitter) e concluiu, após os primeiros capítulos, que: 70% dos comentários mostraram-se favoráveis ao núcleo militar da novela, 20% neutros e 10% desfavoráveis, destes últimos alguns realmente tinham uma certa razão, mas a maioria deles foram insignificantes ou incoerentes como, por exemplo, este do

Coronel Marcelo.
Coronel da Cavalaria R/1 PAULO RINALDO FONSECA FRANCO

 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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