O voto Dilmasia em Minas

Por Antônio César

Nassif,

O processo de cristianização do Serra em minas já está em pleno vapor.

Depois do Lulécio, a Dilmasia:

Do Terra Magazine

Organizador explica evolução do movimento “Lulécio” em MG

Carolina Oms

Especial para Terra Magazine

Em 2006, 19 prefeitos mineiros contrariaram as orientações de seus partidos e apoiaram a reeleição do governador tucano Aécio Neves e do presidente Lula, do PT. Este ano, o ex-petista José Antônio Prates anuncia o aprofundamento do movimento conhecido como “Lulécio” e que agora está sendo reeditado como “Dilmasia”.

Prates, que é prefeito de Salinas, conta que o Lulécio surgiu de uma percepção sua de que o povo estava “diante das vanguardas”:

– O povo optou por segurança, pela continuação de um processo que ele via no governo Lula e no governador Aécio.

O prefeito afirma que foi expulso do PT por “querer discutir” o apoio a candidatos dos prefeitos mineiros ao governador Aécio Neves, então candidato à reeleição, atualmente, encontra-se filiado ao PSB, mas parece não guardar mágoas:

– Lula nunca me discriminou, fiquei ainda mais amigo dele, eu sou o provedor das cachaças dele, as cachaças de Salinas.

Prates minimiza as disputas políticas com as quais o “Dilmasia” mexe: “A diferença entre propostas dos petistas e da social democracia é muito pequena”. Mas sobre o tucano, porém paulista, governador José Serra profetiza: “Vai levar uma surra histórica” em Minas Gerais. “Os prefeitos do PT, do PSDB, vão estar juntos nisso. Muitos prefeitos”.

Ainda sobre José Serra, Prates analisa as recentes pesquisas eleitorais:

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– Ele desdenhou a proposta de prévias do governador Aécio Neves, uma discussão onde o povo debateria os candidatos e as propostas. O Serra boicotou, fugiu do palco, correu e Aécio saiu de cena no final do ano e deixou o Serra só. E é por isso que o Serra começou a cair e a Dilma a se consolidar.

Leia os principais trechos da entrevista:

Terra Magazine – Pra nos situarmos um pouco, eu gostaria que o senhor explicasse o movimento denominado “Lulécio”, liderado pelo senhor.

José Antônio Prates – Foi uma percepção que eu tive na época de que o povo estava diante das vanguardas e que ele havia decidido por um caminho de pequenas conquistas, mas seguras. O povo optou por segurança, pela continuação de um processo que ele via no governo Lula e no governador Aécio.

Mas as elites políticas não enxergavam muito essa percepção, porque elas sempre se baseavam em análises de lideranças, o que é importante também. Acontece que desde algum tempo, essa mudança vinha sendo operada. O povo começou a formar uma consciência própria e passou por cima desse tipo de raciocínio, porque ele ficou temeroso que essas pequenas conquistas que o valorizavam fossem destruídas.

E o senhor acha que em 2010 haverá uma nova versão desse movimento?

Não é uma nova versão, é um aprofundamento. Nós estamos vendo as mesmas elites que não querem compreender. O povo não vai votar nos candidatos que alguém determinar no partido. O Brasil, infelizmente, não tem partidos que representem correntes ideológicas. Então, o povo está formando um movimento novo, espontâneo, mas agora é menos espontâneo do que em 2006 – ele é muito mais rigoroso, muito mais enraizado.

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E então?

Mais uma vez o povo vai votar na continuidade daquilo que ele reconheceu como seu movimento, com políticas sociais, políticas públicas de governo, emanadas da necessidade de segmentos da população. A diferença entre propostas dos petistas e da social democracia é muito pequena. Existem propostas de poder, o que é legítimo também. O povo vai votar na Dilma e no Anastasia. Isso se o Aécio não for candidato a presidente, porque aí vai dar Aécio e Anastasia, isso em Minas.

Se ele não for candidato a presidente, for candidato ao Senado, o Serra vai levar uma surra histórica e Anastasia ganha a eleição. Os prefeitos do PT, do PSDB, vão estar juntos nisso. Muitos prefeitos, a maioria do norte de Minas. A postura do Serra ajudou a consolidar isso em Minas Gerais, porque ele desdenhou a proposta de prévias do governador Aécio Neves, uma discussão onde o povo debateria os candidatos e as propostas. O Serra boicotou, fugiu do palco, correu e Aécio saiu de cena no final do ano e deixou o Serra só. E é por isso que o Serra começou a cair e a Dilma a se consolidar.

Há uma rejeição do eleitorado mineiro ao nome do governador paulista José Serra?

A rejeição é profunda e total. O Serra, ao rejeitar as prévias, mostrou desprezo por Minas Gerais. Se ele mostrou esse desprezo antes de ser presidente, imagina como seria… Os mineiros estão desconfiados e eu acredito, se a eleição fosse hoje, o Serra teria, no máximo, 20% dos votos em Minas.

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Então o senhor aposta em Aécio como candidatado a presidente ainda? E como candidato à vice-presidência?

Vice, não. Nós preferimos ser primeiros na província que o segundo na corte.Eu vou onde o povo está e escuto a voz do povo. Não existe Brasil sem Minas. Isso não é uma frase de efeito, isso é a verdade. Minas não tem vocação hegemonista como tem São Paulo. Não estou falando do povo paulista, que é um povo generoso, mas da elite paulista. O PT é assim e todos os demais partidos paulistas são assim. A vocação deles é de hegemonia diante do Brasil. Minas seria a voz libertária do Brasil.

Não há o risco de os prefeitos que apoiarem PT e PSDB sofrerem represálias de seus partidos, como aconteceu com o senhor?

É o risco que nós corremos. Eles querem fazer com a gente hoje, por uma norma do TSE, que não pode ser aceita, uma imposição de em quem devemos votar. A imposição de uma coligação partidária verticalizada, só a ditadura militar fez isso. Eu fui excluído do PT porque eu quis discutir. O mesmo documento que nós entregamos ao Aécio, nós entregamos ao Lula. Lula nunca me discriminou, fiquei ainda mais amigo dele, eu sou o provedor das cachaças dele, as cachaças de Salinas.

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