Yanomamis respondem ao vídeo de Jair Bolsonaro

No dia 17 de abril, o presidente Bolsonaro recebeu indígenas em Brasília. Nós Yanomami e Ye’kwana assistimos ao vídeo divulgado na página oficial do presidente das redes sociais e viemos responder o que foi dito em nome do povo Yanomami.

do Combate ao Racismo Ambiental

Posicionamento das lideranças, Xamãs, Pajés e associações da Terra Indígena Yanomami sobre vídeo divulgado na página oficial do presidente Jair Bolsonaro

“No dia 17 de abril, o presidente Bolsonaro recebeu indígenas em Brasília. Nós Yanomami e Ye’kwana assistimos ao vídeo divulgado na página oficial do presidente das redes sociais e viemos responder o que foi dito em nome do povo Yanomami.

O Yanomami que aparece falando com o presidente não representa o povo Yanomami. Estamos reunidas 06 associações da Terra Indígena Yanomami, pajés, xamãs e lideranças Yanomami e Ye’kwana. Nós sim representamos o povo Yanomami e Ye’kwana, escolhidos por nossas comunidades para falar em nome delas. Somos mais de 26 mil Yanomami e Ye’kwana, que vivemos na Terra Indígena Yanomami.

Nós aqui sabemos os nossos direitos. Não somos crianças, somos lideranças e representantes do povo e não estamos sendo manipulados pelas ONGs, como foi falado. Sabemos quem são nossos parceiros. Desde antes da terra ser demarcada eles estavam do nosso lado e continuam defendendo nossos direitos.

O Governo Federal precisa cumprir com seus deveres Constitucionais e garantir os direitos indígenas escritos no artigo 231 dessa Carta Magna: é dever do Estado cuidar da saúde, da educação e proteger nosso território. O Governo deve fortalecer a Funai para que ela tenha condições de trabalhar pelos direitos dos povos indígenas.

Os povos Yanomami e Ye’kwana não vivem pobres, como também foi dito. Nossa riqueza não é poder vender a terra, tirar o ouro. Nossa riqueza é viver bem na nossa terra, a floresta, ter os rios limpos, a saúde do povo.

Leia também:  Trump/Bolsonaro: um amor não correspondido, por Paulo Nogueira Batista Jr.

Somos contra legalizar o garimpo no nosso território. O ouro para nós deve ficar embaixo da terra. Queremos renda que vem dos nossos próprios projetos que respeitam nossa floresta, como estamos fazendo em nossas comunidades. Nós somos os legítimos brasileiros, originários da terra, onde nascemos e onde vamos morrer. Não queremos ser igual aos não indígenas. Falando português, podemos virar dentista, advogado, mas o nosso sangue continua Yanomami e Ye’kwana.”

Hutukara Associação Yanomami- HAY

Associação Wanasseduume Ye’kwana – SEDUUME

Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes- AYRCA

Associação das Mulheres Yanomami Kumirãyõma- AMYK

Associação Kurikama Yanomami- KURIKAMA

Texoli Associação Ninam do Estado de Roraima- TANER

Posicionamento das lideranças, Xamãs, Pajés e associações da Terra Indígena Yanomami sobre vídeo divulgado na página oficial do presidente Jair Bolsonaro

Posicionamento das lideranças, Xamãs, Pajés e associações da Terra Indígena Yanomami sobre vídeo divulgado na página oficial do presidente Jair Bolsonaro.Boa Vista, Roraima, 18 de abril de 2019No dia 17 de abril, o presidente Bolsonaro recebeu indígenas em Brasília. Nós Yanomami e Ye’kwana assistimos ao vídeo divulgado na página oficial do presidente das redes sociais e viemos responder o que foi dito em nome do povo Yanomami. O Yanomami que aparece falando com o presidente não representa o povo Yanomami. Estamos reunidas 06 associações da Terra Indígena Yanomami, pajés, xamãs e lideranças Yanomami e Ye’kwana. Nós sim representamos o povo Yanomami e Ye’kwana, escolhidos por nossas comunidades para falar em nome delas. Somos mais de 26 mil Yanomami e Ye’kwana, que vivemos na Terra Indígena Yanomami. Nós aqui sabemos os nossos direitos. Não somos crianças, somos lideranças e representantes do povo e não estamos sendo manipulados pelas ONGs, como foi falado. Sabemos quem são nossos parceiros. Desde antes da terra ser demarcada eles estavam do nosso lado e continuam defendendo nossos direitos. O Governo Federal precisa cumprir com seus deveres Constitucionais e garantir os direitos indígenas escritos no artigo 231 dessa Carta Magna: é dever do Estado cuidar da saúde, da educação e proteger nosso território. O Governo deve fortalecer a Funai para que ela tenha condições de trabalhar pelos direitos dos povos indígenas. Os povos Yanomami e Ye’kwana não vivem pobres, como também foi dito. Nossa riqueza não é poder vender a terra, tirar o ouro. Nossa riqueza é viver bem na nossa terra, a floresta, ter os rios limpos, a saúde do povo. Somos contra legalizar o garimpo no nosso território. O ouro para nós deve ficar embaixo da terra. Queremos renda que vem dos nossos próprios projetos que respeitam nossa floresta, como estamos fazendo em nossas comunidades. Nós somos os legítimos brasileiros, originários da terra, onde nascemos e onde vamos morrer. Não queremos ser igual aos não indígenas. Falando português, podemos virar dentista, advogado, mas o nosso sangue continua Yanomami e Ye’kwana.Hutukara Associação Yanomami- HAYAssociação Wanasseduume Ye'kwana – SEDUUMEAssociação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes- AYRCAAssociação das Mulheres Yanomami Kumirãyõma- AMYKAssociação Kurikama Yanomami- KURIKAMATexoli Associação Ninam do Estado de Roraima- TANER

Posted by Hutukara Associação Yanomami on Friday, April 19, 2019

2 comentários

  1. Coisa mais sublime saber que os índios, de há muito, poderiam ter contribuído para que hoje fôssemos poliglotas. Era para falarmos Português, Guarani, e demais idiomas indígenas. Foi estupidez de todos os governantes não enxergar essa realidade.
    Convivi com uma paraguaia no Rio. Fui a algumas festas no Consulado Paraguaio. Era humilhante ouvi-los falando Guarani ao nosso lado. Mas, a gente percebe uma espécie de autoridade nesse povo, por isso mesmo.
    O PT tem muita responsabilidade quanto ao momento em que vivem os indígenas.
    Lembro-me bem de Dilma em sua campanha. Seguia todos os seus passos, todos os dias, me perguntando, indignada, por que ela não incluía em seus projetos os indígenas, como fizera em relação a outras minorias.
    Essa opressão aos indígenas, que se acirrou muito com Bolsonaro ainda em campanha, é algo incompreensível, desgastante para o povo e para nós, que temos essa gente como símbolo da Terra, primeiros habitantes dela, daí serem merecedores de um tratamento especial. Basta ouvir suas reivindicações para sentirmos quão singelas são, e viáveis, se não tivesses os governantes que atenderem primeiro os latifundiários, os que sempre se acharam superiores, mas não passam de destruidores de nossas riquezas.
    Uma coisa que jamais me esquecerei foi o dia em que Bolsonaro esteve na Hebraica para ofender os indígenas e ter dos judeus que lá se encontravam muitos aplausos. Muito emblemática a palestra e os aplausos. Ali foi o primeiro passo para o governante daqui se aproximar do governante de lá, sem que ainda soubéssemos o que tem por trás dessa amizade. Seja o que for, quem vai lucrar com isso não seremos nós, brasileiros.
    Estou com os índios. Todo brasileiro que se respeite, que respeite sua História, deveria lutar pelos índios, como estão fazendo os blogueiros progressistas, já que a mídia mesmo mal e porcamente usa os indígenas como um povo folclórico.

    • A oposição ao PT tem que enfiá-lo em qualquer assunto para responsabilizá-lo por qualquer coisa. Qualquer que seja o assunto aparece um ‘é culpa do PT’. Gente doente e sócia do golpe.

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