O STF atirou no corneteiro para atingir o vazador, por Luis Nassif

O que fazer com o desmanche das instituições - do qual Moraes foi um dos artífices - que permite a duas corporações se insurgirem contra o próprio STF, amparado nas milícias digitais?

Um pouco antes do golpe de 1964, o aparelho policial já mandava e desmandava República, não apenas através dos IPMs (Inquéritos  Policiais Militares), mas também da Polícia Civil do Rio de Janeiro, atuando politicamente.

Um dos inquéritos abertos foi contra Jorge Serpa, então diretor financeiro da Mannesman, acusado de emitir papéis sem lastro. Para depor, foi convidado Homero de Souza e Silva, sócio e melhor amigo de Walther Moreira Salles. Antes de começar o interrogatório, o delegado alertou-o:

  • Pelo amor de Deus, jamais mencione o nome de seu amigo, em nenhuma hipótese.

A polícia política esperava qualquer menção, por mais irrelevante que fosse, para montar o circo com Moreira Salles.

O episódio do “amigo do amigo” – a notícia sobre a delação da Odebrecht que teria mencionado “o amigo do amigo” – é da mesma lavra. A declaração não tem nenhum significado. O episódio, irrelevante, teria ocorrido quando Dias Toffoli era titular da Advocacia Geral da União e ele seria o tal amigo do amigo. A Odebrecht precisava de contatos com Toffoli – em qualquer economia, grandes empresas sempre precisam definir temas com autoridades. Aí, um executivo lembrou que ele era amigo de um amigo. Apenas isso.

Mas a mera menção de uma irrelevância foi suficiente para a Lava Jato – que tem a obrigação de manter o inquérito sob sigilo – vazar a declaração para uma publicação, que se incumbiu de escandalizar, como represália às últimas investidas do STF contra as fakenews.

O Antagonista tem se prestado há tempos ao papel de agente dessas ameaças da Lava Jato. Mas o caminho para chegar nos verdadeiros autores não passa pelas ameaças formuladas pelo Ministro Alexandre Moraes contra a publicação. No fundo, é demonstração clara da impotência do STF.

O caso demandaria uma investigação, para apurar as responsabilidade pelo vazamento. Bem feita  encontraria a equipe da Lava Jato no final da linha. Mas quem poderia investigar? A Polícia Federal, subordinada ao principal articulador da Lava Jato, juiz Sérgio Moro? A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) submetida a um presidente que é a âncora principal das milícias digitais e das reais?

O que fazer com o desmanche das instituições – do qual Moraes foi um dos artífices – que permite a duas corporações se insurgirem contra o próprio STF, amparado nas milícias digitais?

Criou-se um monstro. E não será vencido intimando apenas o corneteiro. Seria interessante que Moraes inquirisse o verdadeiro autor das feitiçarias – seu colega Luis Roberto Barroso – para que explicasse como colocar o Drácula de volta no caixão.

15 comentários

  1. Todo o poder do judiciário se coloca no cumprimento da lei e da constituição.
    Juiz que não se apoia na lei paga caro.
    Como estes senhores deixaram as coisas acontecerem, para enorme enfraquecimento deles próprios, como vemos todo dia, é um dos grandes mistérios dos nossos dias.
    Agora não tem mais jeito!

  2. talvez uma estaca fira mortalmente
    o coração da lava-jato…
    dráculas do mundo,uni-vos…
    lembrei dos versos da canção a palo seco do belchior:
    eu quero que esse
    canto
    feito
    faca
    fira
    a carne de voces….

  3. Mas vem cá……essa tal vaza a jato não tem fim???

    Vao continuar atuando em qualquer assunto em qualquer lugar do país?????

  4. Mas vem cá……essa tal vaza a jato não tem fim???

    Vao continuar atuando em qualquer assunto em qualquer lugar do país?????

  5. Quando o procurador geral do MPRJ encaminha ao Willian Bonner toda a movimentação bancária e fiscal do Senador Flávio Bolsonaro, você comemora né Nassif? Sigilo bancário, fiscal, telefônico e sigilo funcional é ficção. É muito bem-vinda as ilicitudes de funcionários públicos, desde que contra o inimigo da hora, contra quem não concordamos. Seria legal e salutar que o site GGN e Luis Nassif fossem de fato pró-legalidade e pró cumprimento dos preceitos constitucionais.

    • Concordo com voce que deve ter tido abusos no caso do senador. Mas no caso do ministro eh a fofoca da fofoca da fofoca. Ou seja, eh intimidacao baseado em absolutamente nenhum indicio. O amigo do amigo pode ser tranquilamente eu, voce, Nassif e outros. Ja o caso do senador, se houve abusos, houve tambem protecao. Por exemplo, onde estah o Queiroz?

    • Mas aí, além das diferentes posições políticas, devemos “filtrar” os problemas pessoais entre os responsáveis pelos sites GGN e Antagonista. Infelizmente.

  6. Acho que o STF ja foi engolido pela farsa jato. De fato sao corruptos e parciais. Apoiaram todos os abusos da farsa jato e agora o sao refens dos abusos. E nao tera volta. Nao duvido que os proximos passos da farsa jato seja colocar parentes ou amigos dos ministros em cana.

  7. E se o papa fosse amigo do Lula e o Odebrecht dissesse que o amigo do amigo do meu pai é o papa, isso significa que o Papa estaria envolto em maracutaias?

    • Jesus Cristo teve medo. Ele devia?

      Se você andar numa estrada deserta, de madrugada, você sente medo, mesmo que não deva.

  8. A putaria começou nos domínios dos fatos. quando a CF foi relega ,e os abutres acreditavam que estavam acima de tudo. Só o que importava era o palco. E uma grande parte da platéia sem noção e eufórica torciam e achavam que poderiam destruir O PT do LULA. E os canalhas fora da lei e inimigos da justiça extasiavam. Agora começam a colherem o fruto de suas canalhices.

  9. que permite a duas corporações se insurgirem contra o próprio STF, amparadAS nas milícias digitais

    Do jeito que está, o que está escrito é que o STF está amparado nas milícias digitais. Se o que se quer dizer é que Polícia Federal e Ministério Público se amparam nas milícias digitais, então é preciso escrever “amparadas” – as duas corporações, amparadas nas milícias digitais, se insurgem contra o STF.

    Corretores ortográficos são péssimos corretores sintáticos, construídos que são por gente que não tem a mínima ideia de como funciona a gramática da língua portuguesa.

  10. De fato, quem montou a verdadeira industrializacao do vazamento (E talvez a comercializacao), foi o patético “juiz” Sérgio Moro e seus asseclas do MP, começando por Dallagnol. Ao STF, a nossa corte de anoezinhos, coube apenas a leniencia. Agora, justiça e lixo são duas coisas muito parecidas aqui no Brasil.

  11. + comentários

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