Estudando apometria com um preto-velho, parte 3, por Marcos Villas Boas

Estudando apometria com um preto-velho, parte 3

por Marcos Villas Boas

Nos 2 últimos textos, foram analisadas as 7 primeiras leis da apometria com base na obra “Espírito / Matéria: Novos horizontes para a Medicina”, de José Lacerda de Azevedo, e no diálogo havido entre Jefferson Viscardi e o preto-velho Pai Joaquim de Aruanda:

https://www.youtube.com/watch?v=fCPrrmRB7Is&feature=youtu.be]

Neste artigo, analisaremos mais 3 leis (8a, 9a e 10a), deixando as 3 últimas (11a, 12a e 13a) para o texto final, a ser publicado na próxima semana.

8a lei da apometria: “Lei do ajustamento de sintonia vibratória dos espíritos desencarnados com médiuns ou entre espíritos desencarnados, bem como sintonizar esses espíritos com o meio onde forem colocados, para que percebam e sintam nitidamente a situação vibratória destes ambientes”.

Como se sabe, as ligações entre seres costumam acontecer por afinidade vibratória. É daí que surgem as obsessões espirituais. Muitos obsessores, que costumam ter energia mais densa, ficam acompanhando o obsidiado até que ele, em algum momento, se irrite, se culpe, tenha medo ou entre em qualquer outro nível de sentimento que baixe suas vibrações, permitindo, assim, a ação do espírito desencarnado sobre o encarnado.

Outros casos de obsessão se devem a tamanha afinidade de vibração e de pensamentos, como entre um encarnado com vícios iguais aos de um desencarnado, que o próprio encarnado “chama” o desencarnado para perto de si. Não é incomum que espíritos relatem em reuniões de desobsessão que eles podiam nem estar ali, mas foram quase que “grudados” ao encarnado por conta dos pensamentos deste último.

A Terra é um planeta no qual é possível encontrar espíritos das mais variadas vibrações, diferentemente de muitos outros planetas. Fala-se num cruzeiro vibratório, que permite uma maior compreensão das faixas energéticas da Terra. Risca-se uma cruz com um marco zero/zero bem ao centro dela. Há 7 planos para baixo (polaridade negativa) e 7 planos para cima (polaridade positiva). Do mesmo modo, haveria 7 planos para a esquerda (polaridade negativa) e 7 planos para a direita (polaridade positiva).

Se, na reunião de desobsessão, for perguntado ao espírito o quadrante ao qual ele pertence, boa parte deles saberá responder por dois números, referindo-se o primeiro à régua vertical e o segundo à régua horizontal. Em caso de ele não saber, é possível pedir à equipe espiritual da casa que apresente os números a eles em uma tela mental. Saber esses números permite identificar qual a vibração daquele espírito, sendo mais fácil construir uma metódica de tratamento dele.

Como visto, a apometria, no seu cerne, é um conjunto de técnicas que usa o animismo dos trabalhadores, mas, juntando essas técnicas a boas faculdades mediúnicas, o resultado pode ser muito mais eficiente. A 8a lei refere-se à possibilidade de ajustar vibratoriamente espírito e médium para que haja incorporação durante o trabalho e, assim, seja dado um choque anímico no espírito, haja diálogo de esclarecimento e outras técnicas possam ser aplicadas.

Lacerda lembra que, após o espírito ser desacoplado do médium, é importante elevar novamente a vibração deste, para que ele não fique sentindo por mais tempo as sensações deixadas pelo espírito tratado, que, em regra, é um irmão em sofrimento ou um irmão em maior ignorância, que se encontra nos planos mais baixos os quais se chama normalmente de “trevas”. Para uma crítica a respeito de termos como “trevas”, “trevoso” e afins, ver os últimos textos publicados neste blog.

No diálogo com o Pai Joaquim de Aruanda, ele pede à moça ao seu lado que dê um comando para que seja melhorado o ajuste vibratório entre ele, o guia espiritual, e a sua médium Camila Weinmann. Após dado o comando verbal, com contagem de 1 a 7, Pai Joaquim relata que, de fato, houve um aperfeiçoamento da sintonia entre eles.

Ele também explica que os médiuns daquela casa costumam cantar o mantra “Om” antes dos trabalhos, o que ajuda na afinização vibratória. Isso é comum, ainda, no início ou ao final de práticas de Yoga e de meditação, permitindo uma harmonização dos praticantes com as vibrações do ambiente, dos demais praticantes ou permitindo uma elevação do padrão vibratório se houver pensamento dirigido a seres como, por exemplo, o Buda.

Muitos questionam os trabalhos na Umbanda com atabaque, cantos, palmas etc., mas desconhecem que todos esses elementos contribuem vibratoriamente, gerando afinização e produção de energia a ser utilizada pelos guias espirituais com o objetivo de descarregar os médiuns e os assistidos que vão à chamada “gira”.

Muitos que vão às giras, pelo fato de, em diversos casos, terem sido influenciados por uma formação religiosa imposta pelo meio, pela família ou escolhida por eles mesmos, têm dificuldades de compreender o que ali se passa. Contribuem para isso os preconceitos, tendo em vista que a Umbanda é normalmente praticada em locais mais pobres, por pessoas mais humildes e as suas características de origem africana transmitem para alguns um ar de tribalismo que foge ao que se tem por superior em muitas mentes humanas. Nada que se deva julgar, mas são fatos que precisam ser enfrentados.

Sem estudos e sem a participação em repetidas giras, ou seja, sem uma experiência mais substancial, não é possível, como acontece com quase tudo na vida, compreender bem o que acontece, havendo boas chances de o indivíduo sair acreditando que ali há apenas uma festa rústica com música e incorporações, na qual espíritos usam bebidas alcoólicas e fumo, o que revelaria supostamente inferioridade dos desencarnados e encarnados presentes.

Alguns guias da umbanda já vêm trabalhando sem álcool e fumo. No entanto, a imensa maioria diz que a eficiência do trabalho é muito maior com esses elementos, pois, além de fins magísticos, o álcool ajuda a deixar a consciência do médium mais adormecida, permitindo uma comunicação do espírito com menos interferência do seu animismo.

O fumo permite a emissão de fumaça e o direcionamento dela conforme a vontade do espírito que está incorporado, facilitando carregar miasmas, larvas, amebas etc. espirituais que atrapalham o espírito dos encarnados. Além da defumação com ervas, que limpa e prepara o ambiente, o fumo permite um direcionamento específico da fumaça para as limpezas que acontecem na gira.

O álcool e o fumo têm, portanto, fins magísticos e bioenergéticos, como lembram inúmeros espíritos que participaram do programa Diálogo com os Espíritos, inclusive um sábio espírito mago que nem sequer atua na umbanda:

[video:https://www.youtube.com/watch?v=VXjjH1djWG4

Quando os guias incorporam nos médiuns nas giras, como a vibração dos espíritos é maior do que a dos encarnados, ao contrário do que acontece em reuniões de desobsessão, é necessário um adensamento vibratório dos guias para que se afinizem com os médiuns. Devido a isso, às questões fluídicas e outras, há na umbanda as chamadas giras de desenvolvimento mediúnico, ao longo das quais os guias vão se afinizando com os médiuns, às vezes ao longo de vários meses.

Parte do trabalho na gira é simplesmente um tratamento espiritual e energético semanal do médiuns. Como os guias são bem preparados em cursos no plano astral para, dentre outras coisas, realizarem limpezas energéticas em seus médiuns e nos consulentes, não é incomum que, num dia em que o médium esteja muito carregado, o guia incorpore nele apenas para descarregar o excesso de energias negativas.

Como se sabe a partir da literatura e da prática, há Espíritos elevadíssimos trabalhando na Umbanda. Muitos guias da Umbanda são guias espirituais famosos em outras religiões, alguns são, inclusive, espíritos que foram “santificados” pela Igreja Católica. No entanto, muitos outros guias pouco ou nada conhecidos do grande público encarnado são tão ou mais elevados.

Infelizmente, ainda hoje, a limitada mente humana faz as pessoas idolatrarem nomes famosos e crerem que as suas religiões são as melhores, o que lhes dá uma sensação de superioridade, causando algum conforto. São tiradas conclusões precipitadas sem nem mesmo buscar estudos teóricos e experiências mais detidos, pondo as pessoas em posição de comodismo e de preconceito, fazendo-as erradamente acreditar que estão ascendendo vertiginosamente quando estão apenas recaindo nos mesmos erros do passado.    

9a lei da apometria: “Lei do deslocamento de um espírito no espaço e tempo – Se ordenarmos a um espírito incorporado a volta a determinada época do Passado, acompanhando-a de emissão de pulsos energéticos através de contagem, o espírito retorna no Tempo à época do Passado que lhe foi determinada”.

O tempo e o espaço são vistos, dentro da atual experiência sociocultural humana, de forma bastante simplista, o que é natural. Tem-se, por exemplo, uma noção apenas linear de tempo, sem se atentar para que passado, presente e futuro estejam completamente interligados. Ainda que o passado já não exista mais e o futuro ainda não exista, as conexões permitem acesso a eles.

Para esclarecimento de um espírito, é possível comandar que ele retorne seu pensamento ao passado, lembrando-se, por exemplo, de atos irrefletidos que cometeu e levaram-no a passar mais tarde por determinado sofrimento cuja causa ele imputa apenas a outro sujeito, normalmente justificando, em seu mental, uma vingança. Daí surgem muitas obsessões espirituais.

Ao se fazer isso, muitos espíritos, que se julgavam simples vítimas de algozes odiados por eles, chegam até a passar mal e a desmaiar, tamanho o “baque” emocional causado pela descoberta de que ele foi também algoz, não sendo um pobre coitado. Isso facilita demovê-lo dos seus sentimentos de ódio, raiva e afins, abrindo espaço para o tratamento. Esse tipo de prática terapêutica também é comum entre encarnados, que costumam criar realidades nas quais são vítimas das relações, quando também têm ou somente têm nelas papel de algoz.

O deslocamento do espírito no espaço e no tempo permite que ele compreenda melhor o ocorrido ou o que está acontecendo com ele, entendendo, assim, que tudo é consequência da Lei de Causa e Efeito (ou Lei Cármica).

10a lei da apometria: “Lei da Dissociação do Espaço-Tempo – Se, por aceleração do fator Tempo, colocarmos no Futuro um espírito incorporado, sob comando de pulsos energéticos, ele sofre um salto quântico, caindo em região astral compatível, com seu campo vibratório e peso específico kármico (Km) negativo – ficando imediatamente sob a ação de toda energia Km de que é portador”.

Do mesmo modo, é possível comandar ao espírito que observe como ele estaria no futuro dentro de alguns anos, para que entenda quanto mal está se fazendo por conta dos comportamentos que vêm realizando. Espíritos que se recusam a reencarnar, pois querem ficar fazendo o mal no plano astral, começam, por uma força da natureza, a ter o seu perispírito deformado.

Seria muito fácil se os espíritos pudessem escolher por encarnar ou não eternamente. Assim, eles não passariam pelo aprendizado necessário em encarnações, que costuma ser mais difícil, porém também mais proveitoso.

Espíritos que estão nos planos mais baixos, chamados de trevosos, tocando planos contra as leis naturais, contra a evolução, como muitos que querem destruir o planeta e/ou causar a balbúrdia, ficam, às vezes, séculos sem encarnar e isso começa a lhes afetar. Por estarem tão cegos pelos seus objetivos, terminam não notando isso e não se dando conta de como poderão estar no futuro.

Por conta disso, leva-se, em reuniões de desobsessão e de apometria, os espíritos ao futuro para que eles vejam o estado lamentável em que ficarão, se continuarem pelo mesmo caminho, ocasionando, em regra, um susto neles e uma mudança das suas intenções.

Tenha-se claro o seguinte: esse deslocamento do espírito ao futuro não é uma premonição, mas uma real movimentação do espírito no espaço e no tempo. Isso não acontece de uma forma linear, pois o tempo não é uma linha reta como se pensa. O espírito dá um salto quântico e vai parar em outras dimensões espacial e temporal.

Segundo as palavras de Lacerda, quem passou muitos anos estudando e praticando essas leis até que fosse possível registrá-las em livro:

“Nesses casos de dissociação do Espaço-Tempo ocorre fenômeno sobremaneira interessante. Ao acelerar-se o Tempo, a carga kármica a resgatar – que normalmente seria distribuída ao longo do Tempo, 300 anos, por exemplo – fica acumulada, toda ela e de uma só vez, sobre o espírito. Esta é a causa da sensação de terrível opressão, de que começa a se queixar. Deste incômodo mas momentâneo mal-estar podemos nos servir, apresentando-as como provas das consequências dos seus atos e de sua repercussão negativa na harmonia cósmica

(…) Explicamos melhor. É como se esse espírito possuísse um caminhão de tijolos a ser descarregado ao longo de sucessivos amanhãs, mas que tivesse atirada toda essa carga, de uma só vez, sobre sua cabeça – por acidente. O esmagamento seria inevitável” (p. 88).

Esperamos que esteja clara a importância do estudo da apometria para tratamento de encarnados e desencarnados. Neste atual momento de transição planetária, é muito importante que o máximo de espíritos sejam esclarecidos sobre as leis da natureza que dizem respeito a aspectos espirituais.

As reuniões de desobsessão e de apometria são ambientes de trabalho excelentes para tal fim. Não se deve compreendê-las como atividades pontuais de ajuda a encarnados, mas, numa perspectiva bem mais ampla, elas servem de ajuda também aos desencarnados ligados àqueles e de prestação de esclarecimentos, tanto a encarnados (médiuns e assistidos) quanto a desencarnados, que poderão servir para uma nova postura deles ao longo de toda a sua eternidade.  

 

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