Os doces e São Cosme e São Damião

 
 
 
 
“Teus deuses não têm poder algum, nós adoramos o Criador do céu e da terra!”
 
Hoje, dia 26 de setembro, lembramos dois dos santos mais citados na Igreja: São Cosme e São Damião, irmãos gêmeos, médicos de profissão e santos na vocação da vida. Viveram no Oriente (Cilícia, Ásia Menor, entre os séculos III e IV), e, desde jovens, eram reconhecidos por sua habilidade como médicos. Com a conversão, passaram a ser também missionários, ou seja, ao unirem a ciência à confiança no poder da oração, levavam a muitos a saúde do corpo e da alma.
 
Viveram na Ásia Menor, até que, devido à perseguição de Diocleciano, no ano 300 da Era Cristã, foram presos por serem considerados inimigos dos deuses e acusados de usar feitiçarias e meios diabólicos para disfarçar as curas. Tendo em vista esta acusação, a resposta deles era sempre: “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo Seu poder!”
 
Diante da insistência dos perseguidores da fé cristã, com relação à adoração aos deuses, responderam: “Teus deuses não têm poder algum, nós adoramos o Criador do céu e da terra!”
 
Atenção para este recado:
 
Na Igreja muitos santos são estigmatizados pelo misticismo devido ao choque de culturas. Nada contra outras culturas, mas é sempre muito bom lembrar a verdadeira origem dos fatos. Muitos de nossos santos são cultuados também no candomblé e em outras religiões, mas a história é bem diferente. Na época da escravatura no Brasil, os escravos africanos criaram uma maneira criativa e inteligente de enganar os senhores de Engenho. Invocavam os seus deuses Orixá, Oxalá, Ogum como São Sebastião, São Jorge e Jesus, e os negros bantos identificaram Cosme e Damião como os orixás Ibejis em um sincretismo religioso. E fizeram o mesmo com outros santos também, como São Jorge, Santa Barbara, entre outros. O sincretismo religioso é um fenômeno que consiste na absorção de influências de um sistema de crenças por outro.
 
Os negros bantos identificaram Cosme e Damião como os Ibejis: são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos [Cosme e Damião]. A grande cerimônia dedicada a Ibeji acontece no dia 27 de setembro, quando comidas como caruru, vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças, portanto) são oferecidas tanto a eles como aos frequentadores dos terreiros. Para nós, católicos, este é o dia de São Vicente de Paulo. Por isso, há o costume de distribuir doces e comidas às crianças no dia 27, que também foi um costume introduzido pelo candomblé.
 
São Cosme e São Damião jamais abandonaram a fé cristã e foram decapitados no ano de 303. São considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina.
 
Senhor, dai-nos uma fé viva, livre de todas as misturas, uma fé nova, traduzida na vida e no amor aos irmãos. Por isso, proclamamos o Senhorio de Jesus em nossas vidas, pois os santos não precisam de alimentos, pois eles já contemplam o Alimento da Vida, que é o próprio Senhor.
 
Oração:
 
São Cosme e Damião, que, por amor a Deus e ao próximo, vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes. Abençoai os médicos e farmacêuticos, medicai o meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra a superstição e todas as práticas do mal. Que vossa inocência e simplicidade acompanhem e protejam todas as nossas crianças. Que a alegria da consciência tranquila, que sempre vos acompanhou, repouse também em meu coração. Que vossa proteção, São Cosme e Damião, conserve meu coração simples e sincero. Senhor nosso Deus, que dissipais as trevas da ignorância com a luz de Cristo, vossa Palavra, fortalecei a fé em nossos corações, para que nenhuma tentação apague a chama acesa por vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
 
São Cosme e São Damião, rogai por nós!
 
Minha bênção fraterna.
 

 

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4 comentários

  1. Ontem a minha mãe deu alegria

    Ontem a minha mãe deu alegria a muitas crianças, todo ano ela distribui docinhos de São Cosme e Damião! Meus queridos protejam as crianças do Brasil e do mundo inteiro. 

  2. puxa vida………………que história bonitinha

    mas nada a ver com as outras crianças……………………………………………………………………

    com as crianças que se olham, se comunicam e se inspiram a sós, sempre e sem que tudo que aprontam ou que decidam fazer   nada tenha de “vem cá” ou “é assim” ou “tem que ser assim”

    lembrei-me que certa manhã alguém se atreveu só com um “vem cá”, pensando que podia com certa criança, e foi um deus nos acuda entre todos, até entre as filhas e filhos do dono do chão, até entre incorporados

    são forças que se movem e se expandem a sós, justamente para não precisar respeitar ninguém

     

    ouvi dizer que o do “vem cá” precisou se curar em Salvador

  3. Cosme & Damião, e candomblé: Não existe.

     1. Os “Ibejis” não são  ( 2 ) são 3 ( três ) orisás que juntos formam uma unica divindade. ( nação “angola”: Cosme, Damião e Doum – sincretizados pelos umbandistas; nas demais “nações” de tradição nigeriana litoranea, como a Ketú, ou do interior, da matriz Gegê – Nagô e suas variações como a “efã” ou “vodunsi”, o “Ibeji” é unico – um orisá como Ogum, Xango, Oxalá, Exú, etc..

     2. A “criança” no candomblé: Pode-se explicar basicamente, sem entrar no fundamento religioso da nação, através de suas formas:

     2.1.: O “filho de santo” quando recolhido a camarinha (roncó) para “fazer o santo” ( sair de “yaô”), ele fica na “criança”, não por estar em “ibeji” – mas por estar nascendo para o “santo” – trata-se de uma parte do processo de aprendizado.

     2.2.: Orisá Ibeji “de frente” : Muito raro no Brasil e Caribe, encontrar algum nesta condição de santo, nos meus muitos anos, só conheci UMA no Brasil, e duas em Cuba, pois trata-se de um orisá dificil de ser “feito”, alguns dizem que na Africa ( Daomé ) existem muitos nesta tradição, aqui em parte perdida – é cultuada, no Maranhão, em casas Gegê-Efã, como “vodunsis” ou “encantados” crianças, mas não são “feitos” – não saem em yaô – inclusive quando se “dança” para eles, as evoluções dos participantes da festa, são realizadas fora do terreiro – são como, tradição gege-efã-vodunsi, orisás externos, de “tempo”, como esú, dã, gum e outros.

      3. O Caruru dos Ibejis: Diferente do caruru de Xangô (Sangô) ou Yansã ( Aborimessan), na tradição, o caruru do Ibeji, não leva camarão, pimenta e bem pouco dende, mas pode levar no preparo, sem ferver : mel, e em alguns casos leite de coco, os quiabos molinhos (todos do mesmo tamanho), e sem “tirar a baba” – no “roncó” ou em festas, deve ser servido a todos, em folhas de bananeira – pratos de louça nem pensar – comidos com os dedos da mão direita, acompanhados de “farofa de esú ” sem alcool.

       4. O “toque” do Orisá Ibeji: É raro no Brasil, só vi no Maranhão e em Cuba, é semelhante aos toques de “barravento” (rapido e na “varinha” do rum, e na “mão” no lé e no pi), muito similares a toques de Ogum e/ou Exú, com evoluções bem parecidas a estes orisás.

        Sincretismo religioso, ou a adoção de um comportamento e/ou filosofia externa, é um absurdo, uma forma de dominação que deve ser extirpada, negada – trata-se de uma época de opressão, foi uma forma de resistência, bem elaborada para época, mas que hj. já não tem mais sentido.

      

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