Vaticano estuda criar pecado ecológico com as discussões do Sínodo da Amazônia

"Foi prenunciada uma conversão ecológica que faça perceber a gravidade do pecado contra o meio ambiente como um pecado contra Deus", diz relatório sobre o tema

Papa Francisco no Sínodo da Amazônia. Foto: TIZIANA FABI / AFP

Jornal GGN – “A defesa do meio ambiente não é uma questão do Partido Verde, de uma ONG ou de alguém que se encantou. É uma questão vital. Ou nós cuidamos da nossa natureza ou estamos comprometendo a condição da nossa vida, estamos fazendo uma coisa séria: pecando contra o criador”, disse o arcebispo de Palmas, dom Pedro Brito Guimarães, no último dia 11 para jornalistas, em uma das entrevistas coletivas diárias organizadas pelo Vaticano.

A proposta de criar um pecado ecológico é uma das discussão no Sínodo da Amazônia, reunião que começou no dia 6 e termina em 27 outubro. Sínodo é o nome de uma reunião episcopal, convocada e presidida pelo papa, para discutir temas gerais da Igreja Católica.

O papa Francisco anunciou a convocação do Sínodo da Amazônia em 2017. Segundo dados do Vaticano, cerca de 260 pessoas participam desta edição, representando os nove países abrangidos pelo bioma, entre arcebispos, bispos, cardeais e especialistas, incluindo leigos.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, a proposta de criar um pecado ecológico foi levantada na tarde do dia 8 de outubro no Sínodo, por um dos religiosos que não teve a identidade revelada.

“Foi prenunciada uma conversão ecológica que faça perceber a gravidade do pecado contra o meio ambiente como um pecado contra Deus, contra o próximo e as futuras gerações”, explica ainda um relatório divulgado pelo Vaticano sobre o tema.

“A conversão ecológica já está bem trabalhada, falta mesmo formular concretamente como isso será na prática da vida do sujeito”, disse um dos participantes do sínodo e que atua na redação final do texto.

À reportagem da Folha, participantes do Sínodo da Amazônia relataram que é muito provável que ao final do encontro o grupo reconheça a existência de “pecados ecológicos”, definindo quais são essas transgressões, para que os fiéis sejam alertados.

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“É preciso ter consciência, formação ecológica, desde a criança na catequese, desde a escola. As pessoas vão aprendendo a respeitar e a crescer na sua fé sabendo que quanto mais nós contribuirmos para um mundo melhor, melhor para todo mundo”, disse dom Pedro Brito Guimarães.

Ele explicou que, além de ser apresentado no catecismo, os “pecados ecológicos” serão incorporados no sacramento da confissão e penitência. O arcebispo destaca que o tema já é abordado no “instrumentum laboris”, ou instrumento de trabalho, texto base para as assembleias do Sínodo que foi elaborado ao longo de 2018, a partir de encontros com moradores da região amazônica e membros das igrejas locais. O documento foi divulgado em junho deste ano.

O capítulo nove do “instrumentum laboris” é todo dedicado ao tema da ecologia, apontando para a necessidade de mudar aquilo que não está de acordo com o projeto de Deus.

O tema da conversão ecológica também é mencionado na encíclica “Laudato Si”, também conhecida como a “encíclica verde”, lançada pelo papa Francisco em 2015.

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1 comentário

  1. Em qualquer ponto futuro…
    por 3 vezes a própria natureza já se encarregou de nos mostrar………………………………..me perdi no tempo

    não devemos ser incompatíveis com a vida em qualquer sítio do planeta, por menor que ele seja, porque quem tomará para si a tarefa de nos punir……………………………..me perdi no universo

    deixa como pecado mesmo o que vislumbrei como perda de uma proteção quântica, um crime universal

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