A mídia, os linchamentos e a ignorância

Por Ruy Alkmin Rocha Filho

“Não se pode acreditar em tudo que se lê na internet.”

Sandra Annenberg

“As pessoas que fizeram isso são ignorantes.”

Evaristo Costa

As duas frases foram comentários à primeira notícia do Jornal Hoje, de 6/05/2014. Referiam-se ao linchamento de Fabiane, a dona de casa que foi vinculada a sequestros de crianças que nem mesmo foram registrados. Um boato foi publicado na página Guarujá Alerta, no Facebook.

Uma mulher foi torturada e morta por um crime que não existiu. E agora? Vão linchar os linchadores?

Chegamos a este nível de truculência. Parece que uma parte de nossa sociedade cultua a violência e a ignorância. Percebendo que a violência é um problema, alguns querem resolvê-lo com… mais violência.

Impossível ignorar que essa ignorância brutalizante foi legitimada pelo comentário de Raquel Sherazade, num telejornal do SBT, no qual ela afirma que a “atitude dos vingadores é até compreensível”.

Insatisfeita, ela ainda declarou que justiçamentos são uma espécie de “legítima defesa coletiva”. Porém devemos ser justos. A musa do obscurantismo niilista apenas deu voz a algo que se dissemina pela mídia, por vezes de forma velada, outras vezes de forma obscena. Inúmeros apresentadores de programas policialescos têm posturas semelhantes.

Somos forçados a concordar com a afirmação do Evaristo. Mas convém perguntar, como a ignorância se sustenta na sociedade da informação. A TV é, desde os anos 1970, a principal fonte de informações, assumindo um papel de destaque na educação do brasileiro.

Apenas recentemente, a internet tem ameaçado o domínio da TV sobre a agenda pública. Ainda assim, é necessário considerar que a maior parte dos assuntos discutidos nas diversas redes digitais é pautada pela televisão, conforme a teoria do agendamento.

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Quanto à Sandra Annenberg, deveria ir ao fundo de sua crítica. Não basta criticar os conteúdos da internet, sem questionar a própria televisão. Bem antes das palavras de Sherazade, eis o exemplo da escola de Base, que simboliza tantos episódios em que a mídia atropelou a ética, direitos individuais e interesse público.

Se é inegável a contribuição da TV em diversos aspectos, também é inquestionável o prejuízo à sociedade, empobrecendo debates, sacralizando consumismos, realimentando preconceitos.

As emissoras de TV e suas afiliadas deveriam apostar na autocrítica, como forma de reduzir às contribuições que oferecem para justificação da idiotice.

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9 comentários

  1. Linchamento?

    Quem acompanhou o julgamento do mensalão viu outro preocupante linchamento feito por alguns ministros ao se referirem a reus de maneira jocosa, pejorativa e humilhante, adjetivando os principais reus com palavras e motes dignos e conversa de bar de quinta categoria.

    E o linchamento em escolas, linchamentos físicos e via Bullying?

    Programas como BBB de grande audiêcia? Datena e similares; brincadeira?

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=1lk0yMCCWso%5D

    O linchamento diário em telejornais, afirmado e confirmado por um dos grandes jornalistas que faz parte da principal delas.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=NwCDt26E8yc%5D

     

    • Eu sempre tive a natureza

      Eu sempre tive a natureza mais passiva do que meus colegas de infancia e era por muitas vezes encarnado por isso. O primneiro video que voce mostra Assis, remete as piores covardias que criancas junts podem fazer com um colega. Perceba como a reporte se saboreia. Isso eh a triste constatacao de que o brasileiro de uma forma geral ve comedia na desgraca humana, e pior, acha que isso eh saber “levar a vida”.

  2. E interessante notar que toda

    E interessante notar que toda a discussao gerada depois do espisodia lamentavel gira apenas em torno da midia. Eu sou critico ferrenho desses mentecaptos que acham que estao fazendo um bem ao reiterar diversas vezes que a justica com as proprias maos eh passivel de compreensao. Passivel coisissima nenhuma. Primeiro, emos que comecar a olhar o porque das coisas serem assim. Nao eh soh a midia que faz as pessoas seem estupidas, elas o sao tambem por natureza e conveniencia. Nada justifica uma agressao, quem apoia esse e outros tipos de atitude sabe que estah errado, e o faz por que eh mal e nao apenas por causa da midia. A midia inciota? Eh claro, mas todos sabemos que isso eh errado, entao nao adianta a gente soh ficar teclando nisso.

  3. Meu avô sempre dizia que quem

    Meu avô sempre dizia que quem cria cobras venenosas embaixo da cama acaba sendo picado por elas ao levantar.

    Quem pensa que pode conduzir ou controlar uma massa desvairada e violenta geralmente se engana. Em algum momento ela sempre se volta contra seus instigadores originais despedaçando-os. E quando isto ocorre os homens sensatos apenas riem.

    Como não sou nem sábio como meu avô nem muito sensato, rirei desde logo dos jornalistas que criam as cobras venenosas que os picarão em breve. Ha, ha, ha…

  4. ¨ A TV é, desde os anos 1970,

    ¨ A TV é, desde os anos 1970, a principal fonte de informações, assumindo um papel de destaque na educação do brasileiro. ¨  Está aí o porquê da ignorancia.

    O Brasil só vai avançar verdadeiramente quando  a TV aberta  ( a  paga  , salvos 5 ou 6 canais, também é  lixo )   mesmo despejando porcaria em cada casa brasileira, deixe de ter papel de destaque nessa educação.

  5. A Fátima Bernardes foi “linchada” no texto, pelo que não fez

    No início há uma frase destacada de comentário da apresentadora do jornal hoje, Sandra Anenberg, que o autor do texto, ao final do mesmo, se enganou e pediu uma reflexão a ela, por algo que não fez, ainda que tenha sido apresentadora de telejornal. Engano pequeno, mas que esteja destacado.

  6. No mesmo dia que mataram a mulher…

      …tava um reporter da globo, o mesmo que foi pego por petistas inventando uma notícia na rua, dando entrevista no Jô sobre a falta de combate ao crime repetindo a mesma ladainha dos seus colegas da Band e SBT.

  7. Que vergonha esta repórter

    Que vergonha esta repórter despreparada. Quanta arrogância ao humilhar o pobre coitado. E ainda ri do rapaz.

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