A posição de Eugênio Bucci

Recentemente critiquei Eugênio Bucci por entrevista dada à “Folha”, na qual defende que os critérios de distribuição das verbas públicas devem ser os de mercado — eximindo-se de analisar as deficiências do mercado, como a concentração da mídia, os acordos com as agências de publicidade em torno de BVs (bônus de veiculação, uma espécie de “mensalão” pago às agências para veicularem as campanhas nos veículos financiadores).

Bucci me envia entrevista que concedeu a Alberto Dines, no dia 21 de novembro, onde aborda essa questão. Critica a concentração da mídia, e defende que papel de governo é trabalhar na regulamentação para evitar esses abusos.

Disse ele: “Em primeiro lugar, eu acho fundamental que os veículos de imprensa e o jornalismo sejam debatidos. Acho que é dever de vários representantes de organizações sociais, de partidos e instituições criticarem e discutirem os meios de comunicação. (…) Nós precisamos olhar com mais atenção e tomar cuidado para não ter a instituição do Estado – ou do governo – tomando partido exageradamente nesse debate”.

Na continuação: “Nós temos problemas estruturais na comunicação do Brasil. Nós temos a ausência de marcos regulatórios que limitem a concentração de propriedade, que existem nos Estados Unidos e nos principais países europeus. Nós tendemos a correr o risco de ter desequilíbrio nesse setor e de ter, às vezes, um veículo ou uma empresa falando sozinhos. Se formos observar o quadro americano, vemos que existem limitações para que uma mesma empresa, um mesmo grupo econômico, não passe a controlar os principais jornais, emissoras de rádio, a principal emissora de TV aberta numa mesma área geográfica – numa mesma cidade, por exemplo”.

Na entrevista dada à “Folha”, a repórter preferiu explorar as divergências entre Bernardo Kucinsky e Bucci em relação ao apoio à pequena mídia, deixando de lado a discussão muito mais relevante sobre o papel da grande mídia e do Estado, como agente regulador.

Portanto, a falta de uma análise mais abrangente do mercado — conforme cobrei aqui — não foi culpa de Bucci.

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