A Universidade, segundo o IPEA

No documento “Uma Agenda Para o Crescimento Econômico e Para a Redução da Pobreza”, do inacreditável grupo de conjuntura do IPEA, a incrível incapacidade dos autores de ir além dos números está na proposta de trocar a universidade pública por subsídios individuais a alunos, que poderiam escolher onde estudar.

Os autores simplesmente atropelaram todos os estudos contemporâneos sobre as modernas políticas tecnológicas, a importância da massa crítica de pesquisadores e de pesquisas, a importância dos ambientes de troca de conhecimento e de informações.

A Universidade pública é o grande centro de pesquisas do país. Pode-se e deve-se aprimorá-la, introduzir elementos de avaliação, formas de interação com o setor privado, e até formas de pagamento para os alunos.

Mas reduzir toda a complexidade da produção e da formação acadêmica a uma questão de realocação das verbas para que os alunos escolham onde estudar é um contra-senso que só ganha espaço devido à profunda ignorância da cobertura, em geral, para tratar assuntos contemporâneos mais complexos.

Tudo se resume ao padrão do “in” e “out”, o que é da moda e o que não é. E pega-se a moda da “privatização” e aplica-se indiscriminadamente ao que aparece pela frente, sem analisar as características e os fundamentos de cada setor.

Um dos temas fundamentais para o desenvolvimento – a produção científica e tecnológica – é tratado com uma ligeireza que choca qualquer pessoa medianamente informada, mas que conquista a mídia como um todo (!).

Esse mesmo besteirol coloca como prioridade o investimento público em infra-estrutura, em um momento em que investimentos ferroviários, rodoviários, em energia estão sendo bem tocados pelo setor privado ou por empresas públicas, mas com lógica privada. Ou seja, o Estado define investimentos em infra-estrutura, que poderiam ser bancados pelo setor privado; e os alunos definem, individualmente, as políticas acadêmicas de pesquisa, extensão e ensino.

O maior custo que o país enfrenta não é o custo Justiça, nem o custo trabalhista. É o custo mídia, o desconhecimento amplo sobre aspectos que vão além das manchetes, e que faz com que se transforme em verdade científica um besteirol desse quilate.

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