Baby, a celebridade esquecida

Um pequeno livro organizado por Alcy Cheuiche, traz alguns elementos sobre a vida do Hugh Hefner brasileiro, o mais famoso play-boy-empresário brasileiro de todos os tempos, Baby Pignatari.

Neto do Conde Francesco Matarazzo, o fundador das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Baby foi um personagem singular na vida econômica e social do país.

No início da década de 1910, já industrial poderoso no Brasil, Francesco decidiu retornar à Itália, devido às suas ligações com o Banco de Nápoles. Lá, sua filha Lyidia conheceu o médico Giulio Pignatari. Casam-se em 1915. Em 11 de fevereiro de 1917, nasce Baby, na verdade Francisco Pignatari. Pouco depois, a Primeira Guerra traz a família Matarazzo de volta ao Brasil.

Giulio resolveu se virar por conta própria e, com o apoio do sogro, tornou-se dono da Laminação Nacional de Metais, empresa que cresceu rapidamente.

Durante o carnaval de 1937, perdeu o avô, no dia exato em que Baby completava vinte anos. Um mês depois, morreu o pai. Desde então, a boemia teve que conviver com o trabalho pesado.

Sua vida sentimental foi entremeada de grandes paixões e enormes galinhagens. A era das paixões foi inaugurada em 1939, quando conheceu Marina, a mulher mais bela da Ilha de Ischia, filha do proprietário da Vila Zavota, onde Garibaldi ficara em convalescença quando ferido na campanha pela unificação da Itália. Marina ganharia o apelido de “Mimosa” e lhe daria o único filho, Giulio Cesare, que teria uma vida trágica.

Por aquele tempo, Baby começara a fabricação dos famosos aviões Paulistinha, impulsionado por uma campanha de Assis Chateaubriand, de incentivo à criação de aeroclubes pelo país. Em 1942, foi convidado para uma conversa com Getúlio Vargas, que lhe ofereceu participação na recém-criada Companhia Brasileira de Cobre, para explorar as minas de Caçapava do Sul. Baby aceitou, depositou o valor correspondente à sua parte e tornou e seria, dali para a frente, o rei do cobre no Brasil.

Bem sucedido como empresário, Baby voltaria a investir na carreira de boêmio, tornando-se membro honorário do famoso Clube dos Cafajestes do Rio de Janeiro. O casamento com Mimosa havia acabado. Mas, logo depois, veio a segunda paixão, Nelita Alves de Lima. Para ela, prometeu a famosa casa na Chácara Tangará, depois adquirida pela Bunge para a construção do complexo Panamby. O casamento com Nelita durou até 1957.

Solto novamente, Baby retomou sua carreira de conquistador internacional, tendo um caso rumoroso com Linda Christian, ex-Tyrone Power. Foi um caso tumultuado, com direito a troca de sopapos em público e um fim de caso inesquecível: da suíte de seu apartamento, no Hotel Excelsior, em Copacabana, Linda é acordada por uma passeata de vinte táxis lotados de mendigos, portando cartazes onde estava escrito “Linda, Go Home”.

O grande caso de Baby, que chegarias a se rivalizar com as desventuras do casal Liz Taylor-Richard Burton, foi com a princesa Ira de Furstenberg, filha do Príncipe Tassilo von Furstenberg e de Clara Agnelli. Linda, casou-se muito jovem com o príncipe espanhol Alfonso von und zu hohenlohe Langenburg.

Baby acaba se separando poucos anos depois. Seu último casamento foi com Regina Fernandes, trinta anos mais moça, e que tinha apenas 18 anos quando se casaram.

O fim de Baby foi inglório. Com resistências no regime militar, enfrentou enormes dificuldades com sua mina de cobre em Camaçari, a abertura indiscriminada das importações de cobre. Depois, a doença que o matou com pouco mais de 60 anos.

Morto, a herança foi pilhada. O filho Júlio era dependente de drogas e interditado. Advogados conseguiram levantar a interdição e assumiram a sua guarda, praticamente desaparecendo com seus bens. Pela venda da Chácara Tangará, o filho recebeu o equivalente a um carro Aero-Willys.

Depois, morreu o filho de morte súbita, morreu Regina, de morte estranha, e morreram outros mais, em uma história policial que ainda não foi contada.

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