Dos abusos e das reações

É claro que se tem que condenar com veemência o reajuste auto-concedido pelos parlamentares. Mas é incrível a desproporção das críticas ao reajuste confrontada com a passividade com que se aceita, em um ato de masoquismo cívico, as transferências infinitamente maiores para o capital financeiro especulativo.

Conseguiu-se blindar de tal maneira esse processo, recorrendo a supostos argumentos “científicos”, que o sujeito paga, paga, e acha que está ajudando a preparar o futuro do país.

É inacreditável! Depois de doze anos do mais prolongado programa de estabilização de toda a história da economia, o presidente do Banco Central (pela 12o ano) anunciar que “desta vez estamos preparados para crescer”. Para chegar ao ponto de bala, o país sacrificou estradas, investimentos em infra-estrutura em geral, liquidou com a classe média, criou uma carga tributária portentosa, abortou dois esforços de arrancada na exportação, abortou várias arrancadas no crescimento. No período, cresceram apenas empresas com perfil oligopolista e o crime organizado.

Mas, segundo os cabeções, desta vez vai. E se não for, no ano que vem vai. E se nao for, no ano que vem vai. O melhor ano da história recente do país foi 2004, fruto dos problemas que ocorreram em 2002 e 2003. No dia em que uma crise desvalorizou o real e tirou a economia do controle do BC, o país cresceu. Quando o BC retomou o controle, minguou.

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