O câmbio, de FHC a Lula

Ontem gravei uma longa entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que servirá de fecho para o livro que estou lançando, “Os Cabeças de Planilha”, sobre o Plano Real.

Breve resumo sobre o que leva um presidente a persistir em um erro como o do câmbio, que durou de 1994 a 1998:

1. Havia divisão no governo sobre câmbio, um grupo falando uma coisa, outro grupo falando outro. Como não havia consenso, nem segurança sobre os efeitos de uma correção do câmbio, acabava criando um impasse interno.

2. Externamente, todos os analistas diziam que não deveríamos desvalorizar o câmbio. Internamente, toda a imprensa e quase todos os analistas repetiam isso. Eu acreditei.

3. Havia um grupo pequeno de analistas apontando os erros do câmbio, inclusive você. Mas, dentro do dia a dia do governo, os alertas chegavam muito mais como idéia fixa daqueles “chatos insistentes”.

4. A situação do Lula, hoje em dia, é semelhante à que chegamos em 1996. O quadro econômico está aparentemente tranqüilo, então não há pressões por mudanças no câmbio. Os únicos que reclamam do câmbio são os “chatos insistentes”.

5. Com isso, ele irá empurrando com a barriga até que estoure uma crise mais adiante que obrigue à mudança. Se eu, que tinha mais conhecimento que ele, não fui capaz de entender esse processo, ele menos ainda.

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