O dia seguinte

Após as eleições, se vitorioso Lula, haverá três grupos políticos em sinuca.

O primeiro, o próprio grupo do presidente da República. Mal terminadas as eleições, terá que dar provas concretas de que conseguirá mudar a gênese de seu governo, despoluir o Estado das infiltrações espúrias, enquadrar as milícias do PT e acenar com um projeto legítimo de desenvolvimento.

O segundo grupo será o próprio PSDB, que, assim como o PT, sairá rachado da atual campanha. Como se reconstituirá? Aceitará o canto de sereia do radicalismo de direita e da visão preconceituosa e elitista, que emana de Fernando Henrique Cardoso? Ou conseguirá reconstituir-se como um autêntico partido social-democrata, de classe média, de intelectuais e empresários progressistas, recuperando valores que marcaram sua fundação? Será Casa das Garças, Tasso, FHC, ou ressurgirá no legado de Covas, Sérgio Motta e Montoro? Essa será a segunda grande incógnita.

O terceiro grupo é a chamada grande mídia. Como se comportará em caso de vitória de Lula? Terá fôlego jornalístico e assunto para guerrear 365 dias por ano o governo, ou entenderá seu papel de fórum de discussão de saídas para o impasse nacional?

Trata-se, sem dúvida, do fim de um ciclo em que três agentes centrais terão que rever seu papel. E, nos três casos, parece haver carência de definições e de lideranças.

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