O militante brasileiro

Do advogado José Roberto Militão, militante e meu guru para assuntos da militância negra, mensagem em uma lista de discussão que estou recebendo.

Caro Marcos, por ora, respondo dois pontos relevantes.

Não vejo nossas discordâncias inconciliáveis, pois tb. sou contrário a ídéia de identidade jurídica de raças pt. milito contra os projetos de ´cotas raciais´, haja vista que tanto raças biológicas qto.raças sociais são conceitos construidos – ambas são ´raças sociais´- inicialmente pela ciência, incluso a antropologia, para justificarem a opressão escravista e a manutençao da cultura racista, conforme Kabenguele Munanga e Henrique Cunha Jr.

Em segundo, a complexidade não pode ser vista exclusivamente sob os princípios da antropologia que, simbolicamente, por ter ajudado a criação do monstro, quer acelerar a sua destruição, mas, tal como a cultura machista, a do racismo – por sua complexidade – exige também que outros ramos da ciência, inclusive a política, a sociológica e a jurídica, pois existem vítimas contemporâneas e produz novas vítimas a cada dia e que esperam e precisam ser contempladas. Isso não equivale a ´racializar´, politicamente, conforme a corrente majoritaria do movimento negro.

Sabemos que será uma longa caminhada. Precisamos destruir o conceito ideal dos racistas. Precisamos impedir que se torne perene e institucionalizado. Mas precisamos também cuidar das vítimas históricas. Eis o problema: como fazê-lo. A experiência humana diante da novidade da plena cidadania das mulheres, negros, analfabetos etc., vivendo num mesmo tempo e território tem construído novas formas de enfrentamento. As políticas de AA, repito, tem sido a mais consensual e de melhores resultados para a aceleração da promoção das igualdades.

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