Raio X da notícia: caso Daslu

Vamos entender melhor o comportamento de manada e o caso Daslu. Quando explodiu a operação da Polícia Federal contra a Daslu, a loja tinha uma blindagem: o exagerado e vergonhoso incensamento feito por parte relevante da mídia e da elite emergente paulistana. Os policiais – que montaram uma operação primorosa – foram alvos de críticas acerbas de políticos, imprensa e outras autoridades.

Em 15 de julho de 2005, sob o título “O esquema Daslu”, descrevi em detalhes o esquema montado pela empresa. A coluna começava assim: “Pode-se criticar ou não o caráter espetacular da ação da Polícia Federal no caso Daslu. Mas todos os sinais indicam efetivamente a montagem de uma quadrilha para dupla sonegação de impostos”. A coluna tentava explicar didaticamente como o golpe da sonegação era montado.

No dia 17 de julho, com a Daslu ainda mantendo sua blindagem, escrevi “Os vários Brasis e a Daslu”, denunciando o esquema de fundos “offshore”, que permitiu a montagem dessas estruturas criminosas.

No dia 19 de julho, sob o título “Por dentro da operação Daslu”, descrevi em detalhes – com base no e-mail que me foi enviado por um policial – a maneira extremamente profissional com que se montou o flagrante para apreender os documentos incriminadores da Daslu.

No dia 21 de julho, na coluna “Lições do caso Daslu”, mostrava a dimensão do golpe da Daslu e estranhava o fato de que, sendo do tamanho que era, não tivesse sido detectado há mais tempo pela Secretaria da Fazenda de São Paulo (onde ocorria a maior sonegação, de ICMS) e pela Receita.

Repare que, nesse período todo, a Daslu ainda era vista como vítima. E isso por conta do efeito-manada, que fazia com que quem remasse contra a maré fosse malvisto.

Bom, agora o efeito-manada é contra a Daslu. Deixou de ser “in” elogiar a Daslu, e passou a ser “in” malha-la. E surge essa última autuação, com a prisão do irmão da dona da Daslu, sem que haja evidências – pelo menos em tudo o que foi publicado – de que tivessem repetido o crime.

A situação, claramente, é a seguinte:

1. A Daslu montou um esquema de quadrilha esses anos todos.

2. O esquema foi brilhantemente desbaratado por uma atuação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público e Receita. Como conseqüência, estão sendo levantados os impostos sonegados e será aplicada uma enorme e merecida multa na empresa.

A partir daí, a empresa precisa recuperar o fôlego para sobreviver e pagar a dívida. Os argumentos levantados para justificar a nova operação – diferença de preços pago pela trading importadora, e dos produtos vendidos nas lojas – não são convincentes. Fala-se em importação de R$ 1,5 milhão e em preço no varejo de R$ 5 milhões. A importadora é empresa tradicional do ramo. E as margens são adequadas, ainda mais para uma loja de luxo, com uma estrutura cara. Pode ser que existam outras evidências para justificar a operação. À falta delas, fica a sensação de perseguição.

Do mesmo modo que defendi a operação da PF, quando praticamente toda a opinião pública a condenava, condeno a atual operação, a menos que apareçam outras evidências não divulgadas.

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