Igrejas enviam declaração sobre modelo extrativista

Jornal GGN – Diversos líderes das igrejas cristãs se reuniram em Brasília no início de dezembro para o 2º Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineração.  Durante quatro dias eles debateram e na declaração final demonstraram preocupação com o modelo extrativista que agride o meio ambiente e comunidades locais.

Enviado por Almeida

Declaração Final do 2° Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineração

Do Brasil de Fato

Partilhamos com alegria a missão profética de diversos setores e líderes das Igrejas Cristãs, que acompanham as comunidades e pessoas que defendem a Criação, a Vida e o Direito frente ao modelo extrativista, como uma forma concreta de fidelidade à missão eclesial nestes momentos da história

De Diversos Movimentos

Com alegria e esperança, homens e mulheres de fé, provenientes de diversas congregações e confissões religiosas de 13 países da América Latina e Caribe, inspirados na dimensão social e profética do Evangelho e acolhidos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), partilhamos as reflexões, valores e compromissos que temos assumido ao longo do 2° Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineração, celebrado em Brasília de 2 a 5 de dezembro de 2014.

Recolhendo as preocupações e iniciativas de diversas comunidades e igrejas locais do continente inteiro sobre o aumento das agressões à vida e aos bens comuns por causa do modelo extrativista, e em continuidade com o 1° Encontro sobre Igrejas e Mineração realizado em 2013 na cidade de Lima, Peru, reunimo-nos para refletir, compartilhar, celebrar e gerar caminhos que nos permitam, em fidelidade ao evangelho de Jesus Cristo, acompanhar de maneira articulada os povos de nossa América Latina que se sentem ameaçados e condenados à destruição de seus meios de vida e à negação de um futuro possível, em aberta contradição com o projeto de vida proclamado pela visão cristã do mundo.

Durante estes dias, temos reafirmado como a imposição do modelo extrativista, promovido pelas grandes corporações e as economias globais com complacência de quem governa nossos estados nacionais, longe de contribuir ao bem estar de todos e todas, incrementa as desigualdades, as violações aos Direitos Humanos individuais e coletivos, a divisão da família latino-americana e de nossas comunidades, a destruição de zonas privilegiadas por sua riqueza de bens naturais e a diversidade biológica de nosso continente.

Com tristeza reconhecemos que, junto às graves violações aos direitos fundamentais dos povos de nossa América, agravou-se a crise ecológica causada pelo estilo de vida consumista e mercantilista dos bens e por um modelo extrativista que não reconhece nem respeita os limites de nosso planeta. Acelera-se, assim, sua degradação e vulnerabilidade, convertem-se em mercadorias os territórios de nossos povos originários, os minerais, a biodiversidade, os combustíveis fósseis e o gás natural, a energia do vento, da água e do sol e os demais bens naturais.

Tudo isso, nosso Deus Criador nos entregou para o sustento da vida, assim como para o seu desfrute e bem estar coletivo, e não para o enriquecimento desmedido, que desconhece os direitos coletivos que compartilhamos entre todos os seres humanos que habitam este planeta, neste momento histórico, assim como a responsabilidade solidária de entregar a nossas futuras gerações um mundo melhor, como aquele que recebemos.

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A valiosa diversidade cultural dos povos da América, com cosmovisões respeitosas e harmônicas da Mãe Natureza, encontra-se gravemente ameaçada pela imposição deste modelo que se apropria dos territórios a qualquer custo e se converte em um processo ativo de desapropriação, que atropela quem resiste a ele, com mecanismos que vão desde as ameaças, a perseguição, a cooptação, a criminalização, a judicialização e até o assassinato de líderes comunitários, defensores e pastores que acompanham estas lutas.

Os meios de comunicação comerciais contribuem para a promoção da falsidade deste modelo, seduzindo a população com promessas que não são cumpridas, já que, como expressão extrema do modelo neoliberal, seu objetivo é a acumulação de capitais e não a distribuição equitativa de bens.

Partilhamos com alegria a missão profética de diversos setores e líderes das Igrejas Cristãs, que acompanham as comunidades e pessoas que defendem a Criação, a Vida e o Direito frente ao modelo extrativista, como uma forma concreta de fidelidade à missão eclesial nestes momentos da história. Confiamos e esperamos que cada vez mais nossas igrejas, desde as bases até as hierarquias, assumam posições consequentes frente à problemática gerada por este modelo extrativista e depredador de recursos, tal como se reconhece no documento de Aparecida “…há uma exploração irracional que vai deixando um rastro de dilapidação, e até mesmo de morte, por toda a nossa região”(DA  43).

Diante dessa realidade, definimo-nos como uma articulação de pessoas e organizações religiosas, com espírito ecumênico e inter-religioso, fiéis à nossa opção pelos empobrecidos e empobrecidas, lutando em favor da Vida e dos Bens da Criação.

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Em relação com as comunidades, reafirmamos nosso compromisso de trabalho com as bases, expressado através da troca de saberes e conhecimentos, de estratégias de proteção, defesa e solidariedade, do acompanhamento na preparação e apresentação de ações de denúncia local, nacional e internacional, entre outras.

Queremos aprofundar uma mística que anime nossas práticas, nos permita construir propostas de ação e nos ajude a avançar em nossas reflexões e interpretações teológicas.

Comprometemo-nos a continuar promovendo uma articulação internacional para o diálogo, a incidência e a denúncia, em coordenação com outros atores religiosos, como Franciscans International, Vivat International, Mercy International, a rede Cidse, a Rede Eclesial Panamazônica, o Pontifício Conselho de Justiça e Paz, assim como outros atores sociais como o Observatorio de Conflictos Mineros de América Latina e diversas expressões sociais com que compartilhamos propósitos e visões em todo o continente.

Que a mística e o espírito de fraternidade que caracterizaram este encontro nos animem a assumir com maiores energias a missão profética e a responsabilidade coletiva no cuidado da vida e dos bens comuns.

Brasília, 5 de dezembro de 2014. 

Para nos contatar e conhecer nossas propostas concretas: iglesiaymineria@gmail.com

Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade – AFES –

Agenda Latinoamericana Mundial

Amerindia Colombia y Continental

Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo – ASETT –

Associação Madre Cabrini, Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus – Brasil

Caritas de El Salvador, El Salvador

Caritas Jaén, Perú

Centro de Ecología y Pueblos Andinos -CEPA-  Oruro Bolivia

Centro de Justicia y Equidad -CEJUE- Puno, Perú

Centro Franciscano de Defesa dos Direitos, Brasil

Claretianos San José del Sur, Uruguay, Paraguay y Chile

Coalición Ecuménica por el Cuidado de la Creación, Chile.

Consejo Latinoamericano de Iglesias – CLAI-

Consejo Mundial de Iglesias, Justicia Climática -CMI-

Conselho Indigenista Missionário -Brasil-

Coordinación Continental de Comunidades Eclesiales de Base

Comissão Verbita, JUPIC- Amazonía.

Comitê em Defesa dos Territórios frente à Mineração, Brasil.

Comunidades Construyendo Paz en los Territorios – Fe y Política -Conpaz- Colombia.

Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB-

Comisión Intereclesial Justicia y Paz -Colombia-

Comissão Pastoral da Terra -CPT- Brasil.

Comunidades de Vida Cristiana -CVX-

Comunidades Eclesiales de Base, Colectivo Sumaj Kausay, Cajamarca, Argentina.

Coordinación Continental de Comunidades Eclesiales de Base.

Coordinadora Nacional de Derechos Humanos, Perú.

CPT Diocese de Óbidos, Pará, Brasil.

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Departamento de Justicia y Solidaridad de la Conferencia Episcopal Latinoamericana – DEJUSOL, CELAM.

Derechos Humanos Sin Fronteras, Perú.

Derechos Humanos y Medio Ambiente de Puno -DEHUMA-, Perú

Diálogo Intereclesial por la Paz en Colombia, DIPAZ, Colombia

Diocesis de Copiapó- Alto del Carmen – Chile

Diocese de Itabira- Fabriciano Minas Gerais, Brasil

Dirección Diocesana Cáritas  de Choluteca, Honduras

Equipe de Articulação e Assessoria as Comunidades Negras do Vale do Ribeira, EAACONE, Brasil.

Equipo Investigación Ecoteología, Universidad Javeriana, Bogotá.

Equipo Nacional de Pastoral Aborigen, ENDEPA, Argentina.

Franciscans International.

Hermanas de la Misericordia de las Américas, Argentina.

Iglesia Evangélica Presbiteriana de Chigüinto, Chile.

Irmãos da Misericórdia das Américas Juventude Franciscana do Brasil – JUFRA-

Justiça, Paz e Integridade da Criação Verbitas – JUPIC SVD – Província BRN

Mercy International

Mesa Ecoteológica Interreligiosa de Bogotá D.C. – MESETI –

Misioneros Claretianos  Centro América y San José del Sur, Argentina

Misioneros Combonianos, Brasil e Ecuador

Movimento dos Atingidos por Barragens no Vale do Ribeira -MOAB- Brasil.

Observatorio de Conflictos Mineros de América Latina -OCMAL-

Oficina de JPIC OFM, Roma.

Oficina de JPIC Sociedad Misionera San Columbano, Chile

Orden Franciscana Seglar, Uruguay

Organización de Familias de Pasta de Conchos,  México

Pastoral de Cuidado de la Infancia, Bolivia

Pastoral Indígena, Ecuador

Pastoral Indigenista  de Roraima -Brasil-

Pastoral Social Cáritas Oruro, Bolivia

Pastoral Social Diócesis de Duitama Sogamoso, Boyacá, Colombia

Pastoral Social Diócesis de Pasto, Nariño, Colombia

Radio el Progreso Yoro-ERIC-  Honduras

Red de Educación Popular de América Latina y el Caribe de las Religiosas del Sagrado Corazón

Rede de Solidariedade Missionárias Servas do Espírito Santo, Brasil

Red Muqui, Perú

Red Regional  Agua Desarrollo y Democracia, Piura, Perú

Secretariado Diocesano de Pastoral Social, Garzón Huila, Colombia.

Servicio Interfranciscano de Justicia, Paz y Ecología -SINFRAJUPE-, Brasil.

Servicio Internacional Cristiano de Solidaridad con América Latina, Oscar Romero, -SICSAL-

Servicios Koinonia

Vicaría de la Solidaridad, Oficina de Derechos Humanos, Jaén, Perú.

Vicariato Apostólico San Francisco Javier, Jaén, Perú.

Vivat International.

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2 comentários

  1. Cielo Abierto, documentário de Carlos Ruiz, sobre Famatina.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=kx_LjttZnow%5D

    Do canal do autor, Carlos Ruiz:

    Publicado em 15 de out de 2012

    Los pobladores de Famatina y de Chilecito, en la provincia de La Rioja (Argentina), resisten la instalación de una mina de oro a cielo abierto en el Nevado del Famatina (6.250 msnm). En medio de una convulsión política, logran echar a la empresa Barrick Gold y sancionar una Ley Provincial que prohíbe este tipo de minería, pero nada es seguro. Pocos días después, la ley es desconocida por los mismos que la sancionaron.

    http://www.cieloabiertofilm.com.ar

    CARLOS RUIZ

    Carlos Ruiz es cineasta egresado de la Escuela Nacional de Experimentación y Realización Cinematográfica (ENERC), del Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) de Argentina. Antes estudió cine en La Metro, escuela de cine y televisión (Córdoba) y en la Escuela de cine de la Universidad Nacional de Córdoba (UNC). Es además Licenciado en Comunicación Social, egresado de la UNC.

    Contacto: qarlosruiz@gmail.com

    FABIÁN LUELMO

    Es montajista y cámara de Cielo Abierto. Estudió en “Cine Escuela Buenos Aires” creada por Simón Feldman, en Buenos Aires (Argentina). Estudió también televisión en VIACOM, Estudios Teleinde y trabajó más de diez años en un laboratorio cinematográfico como “color timer”. Hizo cámara en “Testigos en cadena” de Fernando Spiner, ganador del mejor corto en Oberhausen. Realizó el cortometraje “TransAnimas” basado en cuento de Cortázar y fue Director Técnico en el canal de televisión “TV Vida”, de La Rioja (Argentina).

    Contacto: fabianluelmo@yahoo.com.ar

    MÚSICA ORIGINAL

    La música de Cielo Abierto fue compuesta por Santiago Ruiz quien es además productor de espectáculos, fotógrafo profesional, Productor General de Revista Random. Es Licenciado en Publicidad, egresado de la Universidad Siglo XXI (Córdoba – Argentina).

    Contacto: santiago_ruiz@hotmail.com

    EQUIPO TÉCNICO

    Guión y Dirección: Carlos Ruiz
    Producción Ejecutiva: Carlos Ruiz / Fabián Luelmo
    Cámara y Montaje: Fabián Luelmo
    Música Original: Santiago Ruiz
    Asistente de Cámara: Lucas Luelmo
    Producción: Claudia Illanes / Sebastián Ruiz
    Diseño Gráfico: Estudio Varela Díaz Parada Larrosa
    Archivo Periodístico: Omar Alarcón
    Otros Archivos: Carlos Larrache (“Famatina Resiste”), Patricio Schwaneck (“Asecho a la ilusión”), Gringa Crabbé, Miguel Arca Ruiz, Ismael Fuentes Navarro, Revista Random, pobladores de Famatina y Chilecito

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