19 de junho de 2026

Poema ao namorado que se foi

Revendo velhos arquivos do Blog, encontrei esse poema, colocado em um comentário de 2007

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De Barbarela

Caro Nassif ,
O poema é uma singela homenagem ao meu namorado que perdi no grave acidente da gol.

O amanhecer me traz lembranças…
Memórias de tuas pernas sobre as minhas,
Dos teus dedos alinhavando a nossa presença,
De corpos unidos, ocupando o mesmo espaço.
O vento quente que entra pela minha janela me lembra tua respiração,
A aquecer-me os sentidos…
O rádio entoa canções conhecidas por nós dois,
Cantarola teus sussurros,
Tuas palavras ditas a mim, quase como uma prece.
Sem querer, torno à lembrança da clareza dos teus olhos,
Dos teus sorrisos alvos,
Da guerra amorosa de nossas palavras infantis.
Me povoam as recordações das águas claras,
Do chuveiro dividido,
Das refeições compartilhadas,
Da cerveja sorvida;
Dos abraços apertados;
Do carinho que nos envolveu…
Dia após dia.
E me corta o peito uma dor fina, branca,
Fria como uma adaga a rasgar-me as promessas não feitas.
Do silêncio vazio da tua ausência,
Da minha dor ao saber que tuas risadas transformaram-se em eco;
Ressoando dentro dos meus cânions interiores…
De sentir-me uma ilha…
De saber-me tua e apenas tua.
De saber-te teu e apenas teu.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Odonir Oliveira

    15 de junho de 2015 10:26 pm

    Que dizer?

    Também quero dizer … Não, não vou.

    Não vou comentar

    Nada será mais relevante do que as palavras de Barbarela.

    (Até porque também perdi 3 pessoas naquele acidente. Uma delas estava para se aposentar e queria vir viver em Tiradentes)

  2. Demarchi

    15 de junho de 2015 11:22 pm

    Me fez lembrar dessa aqui, de Camões

    Alma minha gentil, que te partiste
    Tão cedo desta vida descontente,
    Repousa lá no Céu eternamente
    E viva eu cá na terra sempre triste.

    Se lá no assento etéreo, onde subiste,
    Memória desta vida se consente,
    Não te esqueças daquele amor ardente
    Que já nos olhos meus tão puro viste.

    E se vires que pode merecer-te
    Alguma cousa a dor que me ficou 
    Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

    Roga a Deus, que teus anos encurtou,
    Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
    Quão cedo de meus olhos te levou.

     

     

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