Fórum Brasilianas-Cemig: Estratégias de fortalecimento da indústria criativa em MG

Agência de desenvolvimento P7 – Criativo transformar MG em polo da indústria criativa abrigando empreendedores e startups
 
Foto de Glaucia Rodrigues. Da esquerda para a direita: Leonardo Guerra e Fernanda Machado.
 
Jornal GGN – Com a indústria tradicional a cada dia emprega menos em Minas Gerais e no mundo, cresce o espaço a ser ocupado pela indústria criativa. É o que garante Leonardo Guerra, diretor-presidente da P7 Criativo, – Agência de Desenvolvimento da Indústria Criativa de Minas Gerais, associação independente sem fins lucrativos que reúne Governo de Minas Gerais, Codemge, Sebrae Minas, Sistema Fiemg e Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes).
 
“Com a automação, robótica intensiva e aumento da produtividade homem/hora de trabalho em áreas tradicionais da indústria mineira, como a extrativa mineral, com a modernização dos processos nas mineradoras, desafios se impõem”, completou Guerra durante sua participação no Fórum Indústria Criativa Mineira, realizado pela Cemig e Plataforma Brasilianas na última terça-feira (04), em Belo Horizonte. 
 
Defensor das políticas públicas, ele lembrou que em países como a Austrália, onde a mineração é tão importante para a economia quanto em Minas, em 2012 foi adotada uma estratégia prevendo que as mineradoras mantivessem o mesmo número de empregados até 2020, um total de 1 milhão de postos de trabalho. Apesar da importância da proposta para a manutenção da renda de trabalhadores, ela não foi adotada em outros lugares com características semelhantes. Sem esses cuidados, a sociedade é mais atingida pelos efeitos das inovações tecnológicas de reduçãod e postos de trabalho, enquanto não se prepara para desempenhar outras atividades.
 
Os espaços coletivos de trabalho já são uma realidade. A WeWork – uma empresa americana que fornece espaços de trabalho compartilhados – mantém em Belo Horizonte, com aluguel de R$ 140 mil/mês o andar, um prédio que está completamente ocupado, destacou Leonardo. Em breve o edifício do P7 Criativo estará completamente pronto e também com espaços de trabalho ocupados. Em parceria com a Fiemg e a Fundação João Pinheiro (FJP) foi possível identificar no Radar da Economia Criativa (outubro 2018) quatro grupos produtivos mais expressivos, reunidos em 13 setores incluindo cultura (música), audiovisual, moda e gastronomia.
 
“Precisamos evitar que de cada três jovens formados em Minas Gerais, dois saiam para cidades como São Paulo”, contou. Para isso, projetos são desenvolvidos, como o Centro de Referência em Eficiência Energética, em parceria com a Cemig, para discutir a sustentabilidade em relação à questão climática do século 21, com um Museu para visitas guiadas relacionadas ao tema.
 
Outro importante projeto é o mapeamento nas Regiões Norte, Sul, Leste e Oeste de Minas Gerais, por sugestão do pessoal da música, dos equipamentos existentes, em 24 cidades polo, identificando estruturas de sonorização, casas de show, calendário de datas comemorativas das cidades, eventos, rede de hospedagem, casas de shows com camarins, chuveiros e banheiros, com capacidade de 100 a 1 mil pessoas.
 
Da mesma forma, serão mapeados teatros, cinemas que tenham bilheteria para apoiar atividades que já existem em cidades como Divinópolis, Sete Lagoas, Alfenas, Sabinópolis, Curvelo, Conselheiro Lafayete, Varginha, Poços de Caldas, Ouro Preto, Viçosa, João Monlevade, Ipatinga e muitas outras. Uma base de dados primários é ainda o que falta para o setor.
 
Segundo Fernanda Machado, superintendente executiva da P7 Criativo, que falou sobre o Futuro da Indústria Criativa, com base em um balanço feito para o período 2015-2018, nos últimos quatro anos foram investidos R$ 88,9 milhões, em 276 ações, em 215 cidades mineiras, que envolveram 1,4 milhão de pessoas, com a geração de 42,5 mil empregos diretos, em 17 territórios atendidos com importantes parcerias e apoio de instituições de fomento como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
 
“Era um setor desunido, mas percebeu que era a hora de agregar forças, porque o governo federal investiu pesado nos últimos quatro anos o obteve respostas. O setor de audiovisual em Minas Gerais se tornou um segmento industrial capaz de gerar 0,57% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e com grande potencial de internacionalização”, informou.
 
Foram destinados R$ 25,6 milhões para o setor de audiovisual mineiro, em 105 ações, para 24 cidades, envolvendo 185,9 mil pessoas e gerando 1,04 mil empregos diretos, em oito territórios mineiros. Na moda, foram R$ 5,74 milhões e na música, R$ 2,94 milhões, principalmente com as bandas de música civis, com mais de 20 mil empreendedores. Para Fernanda Machado, é visível o amadurecimento de vários setores da economia criativa, como também se observa na gastronomia.
 
Segundo o secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo, “temos que consolidar essa visão com relação à economia criativa”. A cultura ganha forma antropologicamente e também em sua dimensão econômica. Ele recorda que em 1977, quando prefeito de Ouro Preto, defendeu o patrimônio histórico e três anos depois a cidade foi reconhecida como patrimônio da Humanidade pela Unesco. Na época, chegou a ser criticado por não compactuar com distritos industriais para a histórica cidade, que abrigava a Alcan, uma grande produtora de alumínio canadense, que gerava 4,5 mil empregos.
 
O tempo passou, os arredores da cidade foram descaracterizados por uma ocupação posterior desordenada, e a fábrica foi vendida e depois fechada. Hoje oferece zero emprego e o turismo é o que mostrou permanência e continuidade, valorizado pela cultura local ao longo do período, numa cidade que é um monumento nacional e mundial. Mais um exemplo que serve para alertar qualquer prefeito que por acaso queira atrair indústrias ou criar polos industriais em cidades históricas, como Tiradentes, destacou Ângelo Oswaldo.
 
Muitas vezes, uma pessoa faz toda a diferença em uma cidade ou região, como a produção de vidros em Poços de Caldas, com o imigrante italiano da década de 1950, Aldo Bonara, que veio de Murano (Itália) e levou para a cidade a arte do vidro soprado e fez discípulos como Antônio Carlos e Paulo Molinari. Ou o mestre Bitinho, em Ouro Branco, que trouxe de volta a cerâmica Saramenha ou a palma dourada de Sabará, os chapéus de palha de Morro do Pilar, ou Renato Loureiro, na moda, com o curso que fez no Maranhão para trabalhar a palha de Carnaúba.
 
Tem também a gastronomia, com Dona Lucinha e Maria Stella Libânio Cristo, com as receitas do livro “Fogão de Lenha”, de quando não era errado falar assim, edição 1977. Ou ainda o padre Marsotti, com o Cinema na PUC Minas, ou a Escola de Belas Artes, da UFMG, de onde saem hoje os melhores desenhos animados do país, criados no Centro Audiovisual Mineiro.
 
Nos últimos quatro anos, muito foi feito. De uma dívida encontrada em 2014, de R$ 4 milhões de um edital que não foi pago, a Secretaria da Cultura já no ano seguinte acertou o passivo e ainda repassou R$ 8 milhões pela Lei Rouanet às empresas do setor cultural. Este ano, serão nada menos do que R$ 100 milhões ou um pouco mais, considerando os R$ 17 milhões que serão repassados ao Polo Audiovisual de Cataguases. Ângelo Oswaldo fala dessas conquistas com a segurança de quem sabe bem o que fez pela cultura de Minas Gerais.
 

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