Concessão de linhas do metrô de SP dará prejuízo, alertam metroviários

Metroviários e engenheiros apontam irregularidades no plano de concessão das linhas Lilás e Ouro do Metro de São Paulo, uma delas é que a outorga – o preço que as concessionárias privadas irão devolver ao Estado – não chegará a 0,5% custo da obra paga por contribuintes e usuários 
 
Foto: Agência Brasil
 
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Jornal GGN – Metroviários e engenheiros apontam irregularidades na proposta do leilão de concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro, do Metrô em São Paulo, marcada para acontecer na sexta-feira (19) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Além de suspeitar de cartas marcadas, apontam que o valor de outorga determinado no documento, ou seja, o preço que as concessionárias privadas irão devolver ao Estado, não chegará a 0,5% do custo da obra tirado do bolso do governo. 
 
Durante um encontro aberto para a imprensa, realizado nesta quarta, no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), eles apresentaram entre as irregularidades que a proposta prevê a conectividade de duas linhas que ainda não estão prontas e sem previsão de data de entrega, além disso, o edital de licitação criou um mecanismo de tarifa compensatória por 180 dias, possibilitando para a concessionária um ressarcimento pago pelo Estado por seis meses a um valor de outorga (pago pela companhia privada ao governo) de R$ 270 milhões, considerado baixo para o lucro que o empreendimento irá gerar: R$ 400 milhões por ano.
 
“É um absurdo. O vencedor do leilão vai faturar R$ 400 milhões ao ano. Em 20 anos serão R$ 8 bilhões. E o governo do Estado não divulgou qualquer estudo que demonstrasse a seriedade no processo, com parâmetros técnicos, a vantagem da licitação em relação à operação por uma empresa pública (Metrô de São Paulo) que já vem fazendo isso há décadas e muito bem. É dar um crédito de confiança a quem não tem, as irregularidades são inúmeras”, destacou José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente). 
 
Outra incoerência foi apontada pelo diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), Emiliano Affonso Neto: “A proposta é de concessão de linhas de um dos melhores metrôs do mundo sem garantia de qualidade e de construção de um metro a mais. A outorga é insignificante, não chegará a 0,5% do custo da obra. A cada bilhão de dólares investido no sistema de transporte, voltam seis para a economia.”
 
Já o coordenador do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, suspeita de carta marcada no leilão das duas linhas. “A CCR e a Odebrecht realizaram o estudo de viabilidade e vão receber R$ 204 mil por isso. E temos convicção que se a CCR não vencer, vai operar as linhas.” Isso porque é a empresa que atende os requisitos técnicos, que não por acaso ela própria definiu no estudo.
 
Segundo Gonçalves a coalizão propõe ao governo Geraldo Alckmin um modelo de transporte público mais humano e harmônico, que valorize o projeto e a engenharia contra a lógica que privilegia “o bolso” da iniciativa privada. 
 
Na semana passada o assunto da privatização versus estatização ganhou repercussão no Reino Unido após o Big Innovation Centre apresentar um plano para desfazer privatizações a custo zero. A proposta foi apresentada pelo diretor da instituição no TED, Will Hutton, e virou notícia no The Guardian. Segundo levantamento realizado com a população local, 83% são a favor da nacionalização do serviços de abastecimento e tratamento de água; 77% de eletricidade e gás e 76% a favor da nacionalização das linhas de transporte ferroviário, mostrando que o ‘Estado mínimo’ se mostrou uma bomba-relógio social.
 
 
Greve 
 
O movimento dos metroviários agendou para a zero hora desta quinta-feira (18) uma greve dos trabalhadores da empresa pública Metrô de São Paulo e um ato público na sexta, a partir das 9h, em frente a Bovespa. 
 
“Não somos a favor de nenhuma concessão. Transporte público é direito do cidadão e dever do Estado, a única forma de garantia de qualidade é quando o serviço prestado atende o interesse do usuário, o que só pode ser feito se o metrô se mantiver público e estatal”, disse Fajardo completando que a privatização do transporte público fracassou em cidades de países desenvolvidos, como Londres, Nova York e Paris. Além disso, São Paulo é reconhecida hoje como a metrópole que detém um dos melhores meios de transporte metroviário do mundo administrado por uma empresa pública. 
 
O Sindicato dos Metroviários reforçou no encontro que não são favoráveis a nenhuma forma de concessão. “Transporte público é direito do cidadão e dever do Estado, a única forma de garantia de qualidade é quando o serviço prestado atende o interesse do usuário, o que só pode ser feito se o metrô se mantiver público e estatal”, pontuou Fajardo. 
 

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5 comentários

  1. Prezados camaradas
    Geraldo

    Prezados camaradas

    Geraldo merendão, com seu programa de governo “dickensiano” (se a ralé não consegue arrumar emprego e pagar por tudo, que ande a pé se não tiver grana para pagar o transporte) apenas mostra que é um “jestor” (atenção: O “j” aqui remete a jumento) incompetente;porque se é incapaz de administrar o que é seu (NOSSO, bem dito), para que quer ser candidato?

    É claro que a que “jestão” privada é mais “capa$”

  2. concessão….

    Primeiramente, a CCR é dona de SP. De tudo e de todos. Da nossa liberdade ao nosso ar, que será reprivatizado a partir deste ano, se Picolé não derreter e voltar. Temos Dória como Prefeito, já acredito em qualquer desgraça, inclusive no Apocalipse. CCR é Concessões alguma coisa, que na verdade é Camargo Corrêa…Juntamente com Odebrecht, como diz a matéria. Inacreditável é que na ‘Festa’ de Leniências e Delações Premiadas da Lava Jato, as obras e privatarias dentro de São Paulo, não são investigadas com o afinco de ‘recibos de aluguel’. E o Tucanistão a partir de SP, continua sua política de entregar o país ao Comércio Exterior. Quebraram as Empresas Estatais, 100% nacionais, que foram entregues com superavit orçamentário e de lucro. E acusam estas empresas, e não seus 40 anos de medíocridades, pela tragédia. E afirmam que a saída é continuarem no poder, cometendo as mesmas aberrações, incompetências e corrupções, e detruir o Patrimônio Público que já foi roubado, o entregando ao lucro multinacional estrangeiro. E tem gente que continua acreditando nisto !!!! O Metrô de São Paulo, praticamente todo construído pela competência e excepcionalidade do Governador Paulo Maluf, considerado um dos 3 melhores do Mundo, à sua época, pela pontualidade, limpeza, padrão de conforto, virou este lixo, esta latrina de mal funcionamento, entupido, com problemas diários, sucateado, com preços extorsivos. Políticas socializantes de 40 anos de progressistas esquerdopatas. Um bando de jagunços para botarem ordem dentro das estações.Contratados por Picolé. O Metrô de SP esta aí para qualquer cético ou fanático constatar. ‘A Verdade Vos Libertará”.     

  3. Conclusão certa, meio de convencimento ERRADO

    Acordem, galera: greve NUNCA é meio para convencer o digníssimo púbico, acionista-mor das companhias estatais, a rejeitar privatizações. Quando o cidadão mais precisa, a única linha que funciona (atendendo à função social) é a privada.

  4. Comentário.

    O Sindicato está correto. Para quem se debruçar sobre a forma de arrecadação da Linha Amarela (por exemplo, http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2017/09/remuneracao-da-linha-privada-do-metro-sobe-tres-vezes-mais-que-numero-de-passageiros), vai saber que a concessionária nunca perde. 

    É justamente aí onde aparece o aspecto mais sinistro deste capitalismo á brasileira: na fachada, a privatização, “empreendedorismo”; no seu interior, manobras e mecanismos contratuais, em que o proprietário não se responsabiliza pelo prejuízo (é o que deveria ser de contrato, o vencedor tem que assumir o prejuízo, “nada de mamar nas tetas do governo”, nada de uma “bolsa-família de empresários”, ironizando de quebra a mentalidade tosca do Maia).

    O engraçado é que, mesmo em tempos de Lava Jato, São Paulo ser território livre para esse tipo de coisa, e grande parte da população não desconfiar de nada…

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