Após reunião com familiares, Doria decide afastar PMs envolvidos no massacre de Paraisópolis

Deste contingente de partícipes no massacre, seis já haviam sido afastados, agora 32 outros o serão.

Foto Ponte Jornalismo

Jornal GGN – Massacre é como familiares das vítimas definiram as mortes provocadas pela Polícia Militar no baile em Paraisópolis. E assim foi, pois que nove jovens foram massacrados pela ação dos policiais. E com esta tragédia em mente, os familiares pediram providências ao governador de São Paulo, João Doria. Trinta e oito policiais participaram da ação em Paraisópolis e o governador decidiu afastá-los. Decisão tomada, Doria determinou ao secretário de Segurança Pública, general João Camilo Campos, que o pedido seja atendido.

Deste contingente de partícipes no massacre, seis já haviam sido afastados, agora 32 outros o serão. A mãe de Denis Henrique, de 16 anos e morto pelos policiais, afirmou que o afastamento é uma questão de respeito.

Os familiares, apoiados pela OAB-SP e Condepe, além da Defensoria Pública e a Procuradoria do Estado, acusam os policiais militares de encurralarem os jovens e depois a agressão final, que os matou, quando encurralados em vielas. Vários vídeos circularem pelas redes sociais mostrando cenas de agressão da polícia.

A OAB soltou nota sobre a reunião com o governador. Leia a seguir.

Nota da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP

Reunião com as famílias e lideranças sobre a Tragédia de Paraisópolis

  1. Familiares das Vítimas

2 Governador de São Paulo, João Dória Jr;

  1. Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP;
  2. CONDEPE;
  3. Procuradora Geral de Justiça do Estado;
  4. Defensoria Pública;
  5. Diversos Secretários Estaduais;

Hoje, 09.12.2019, houve uma reunião com familiares das vítimas e o Governador de São Paulo, tendo a Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP e o CONDEPE, como observadores institucionais da reunião, que teve como objetivo ouvir as famílias e tomar medidas para apuração de todos os fatos sobre a tragédia,  assim como as medidas necessárias para que não ocorram novas tragédias como a de Paraisópolis.

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O governador disse que estava solidário com as famílias e que se empenhará para que haja rapidez e transparência nas investigações, com o objetivo de apurar e apontar as responsabilidades e que se puna dentro do estado de direito e do devido processo legal.

Esclareceu que pretende transformar tal tragédia em um marco com melhorias para as comunidades de São Paulo, utilizando todas os instrumentos de governo para atender as necessidades das famílias e da comunidade de Paraisópolis, sempre através do diálogo com a própria comunidade.

O Governador pediu para ouvir a OAB e a Defensoria Pública, antes dos relatos dos familiares e lideranças da comunidade.

A Defensoria Pública de São Paulo se colocou à disposição das famílias para o atendimento jurídico e institucional, bem como na orientação jurídica.

A Dra Ana Amélia Mascarenhas Camargos, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, reportou ao governo e às famílias, o compromisso da CDH de colaborar com todas as investigações para que sejam transparentes, céleres e eficazes. Ainda ressaltou que é preciso garantir aos culpados tenham ampla defesa e que efetivamente se faça justiça.

Que as comunidades periféricas não sejam mais tratadas de forma diferente dos demais cidadãos.

Os relatos emocionados das   famílias clamam por justiça, que a morte dos seus filhos não seja apenas mais números de estatísticas da violência urbana e que a apuração seja rápida e traga a paz às comunidades.

Questionaram a razão da Polícia Militar os enxergarem como inimigos, que não os cumprimentam, que não conhecem quem é quem, pois há um distanciamento no relacionamento e propuseram uma polícia mais humana e comunitária.

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Foi relatado o medo dos familiares de possíveis retaliações e intimidações. O Governador garantiu que nenhuma ação de retaliação acontecerá por parte do governo, nem de policiais.

As famílias solicitaram que os 32 policiais, que também participaram dos trágicos fatos, sejam afastados da comunidade, o que foi aceito pelo Governador, que determinou ao Secretário de Segurança que esses sejam colocados em serviços administrativos até que terminem as apurações.

Com relação às alterações nos protocolos de abordagem policial, para evitar novas tragédias e repressão, o Governador esclareceu que já foram realizadas reuniões sobre segurança pública com esse objetivo, sendo que logo serão anunciadas as mudanças decididas.  Foi reforçado que os projetos sociais sejam a prioridade na comunidade, como melhorias de ruas, iluminação, saneamento e opções de lazer. Para isso o governo de Estado e a Prefeitura estão trabalhando em conjunto.

O CONDEPE protocolou requerimento, assinado pela CDH da OAB/SP e pelos familiares das vítimas, para que seja formalizada uma Comissão Externa com o objetivo de acompanhar as apurações, sem empecilhos legais, garantindo a transparência da mesma. Tal solicitação foi atendida e será formalizada pela Procuradoria do Estado.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, pelo reconhecimento do governo, estará firme e diligente nesse processo investigativo, para que a rapidez e a transparência sejam os nortes, bem como o cumprimento das garantias da ampla defesa e da aplicação de Justiça.

Esse é o compromisso com a comunidade de Paraisópolis, com as famílias das vítimas e com a sociedade e cidadania.

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Ana Amélia Mascarenhas Camargos

Vice-presidente da CDH – OAB/SP

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1 comentário

  1. OAB irá exigir a renuncia e responsabilização de Dória, do Comandante da PM e Secretário de Segurança, que comandaram esta chacina de 9 Jovens? Ou fará como no Carandiru e jogará tudo nas costas de Soldados rasos que cumpriam ordens? Hipocrisia e Canalhice. Encontrou a sua Pátria. .

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