O assassinato de Marielle e o medo das vozes insubmissas, por Luis Felipe Miguel

O assassinato de Marielle e o medo das vozes insubmissas

por Luis Felipe Miguel

É difícil reagir à morte de Marielle Franco. Além da brutalidade da execução, há seu simbolismo: o silenciamento de uma mulher negra, a escalada de uma violência política que quer negar à esquerda o direito de existir. Um crime em que tudo aponta, uma vez mais, para o entrelaçamento do Estado com o crime organizado, no Rio de Janeiro e no Brasil.

Mas, paradoxalmente, o assassinato de Marielle Franco é uma demonstração de que, ao contrário do que eles querem fazer parecer, não está tudo dominado. Quando mais eles apelam para as tentativas de intimidação e para a violência, mais fica claro que eles têm medo: medo das vozes insubmissas, medo de quem não baixa a cabeça, medo da luta popular.

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4 comentários

  1. Esses Ratos podem matar uma, duas ou três Rosas

    Mas eles não vão impedir a Primavera.

     

    Atenção
    Ao dobrar uma esquina
    Uma alegria
    Atenção, Menina
    Você vem
    Quantos anos você tem?

    Atenção
    Precisa ter olhos firmes
    Pra este sol
    Para esta escuridão

    Atenção
    Tudo é perigoso
    Tudo é divino maravilhoso
    Atenção para o refrão

    É preciso estar atento e forte
    Não temos tempo de temer a morte

    Atenção
    Para a estrofe, para o refrão
    Pro palavrão
    Para a palavra de ordem

    Atenção
    Para o samba exaltação
    Atenção
    Tudo é perigoso
    Tudo é divino maravilhoso
    Atenção para o refrão

    Atenção
    Para as janelas no alto
    Atenção
    Ao pisar no asfalto mangue
    Atenção
    Para o sangue sobre o chão

    É preciso estar atento e forte
    Não temos tempo de temer a morte

     

    Descanse em Paz, Marielle!

  2. Marielle, porque você pôs o dedo na nossa ferida?

    Cartomante

    (Elis Regina)

     

    Nos dias de hoje
    É bom que se proteja
    Ofereça a face a quem quer que seja

    Nos dias de hoje esteja tranquilo
    Haja o que houver, pense nos seus filhos
    Não ande nos baresç esqueça os amigos
    Não pare nas praças, não corra perigo
    Não fale do medo que temos da vida
    Não ponha o dedo na nossa ferida… Ah…

    Nos dias de hoje
    Não lhes dê motivo
    Porque na verdade
    Eu te quero vivo

    Tenha paciência
    Deus está contigo
    Deus está conosco
    Até o pescoço

    Já está escrito
    Já está previsto
    Por todas videntes
    Pelas cartomantes

    Está tudo nas cartas
    Em todas as estrelas
    No jogo dos Búzios
    E nas profecias… ah…

    Cai, o Rei de espadas
    Cai, o Rei de ouros
    Cai, o Rei de paus
    Cai, não fica nada!!

  3. Estou chocado. Trabalho perto

    Estou chocado. Trabalho perto da Casa das Pretas, na Lapa, onde ela estava numa reunião com a militância. Acompanho o trabalho dessa militância de negros, mulheres e LGBT de perto e vejo como são fortes, corajosas e inclusive de bem com a vida.

    Não sei como esse assassinato vai bater nelas, será duro, um baque. Mas aposto que vão partir para guerra com ainda mais coragem. Tô junto!

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