Rio: a ‘operação de inteligência’ em que, de repente, ‘não deu para cumprir mandados de prisão’, por Hugo Souza

De repente, PMs e policiais federais, até um minuto antes empenhados numa “operação de inteligência” cuidadosa e longamente planificada, invadem a favela e matam 22 pessoas.

do Come Ananás

Rio: a ‘operação de inteligência’ em que, de repente, ‘não deu para cumprir mandados de prisão’

por Hugo Souza

Há algo muito errado com a “narrativa”, como está na moda dizer, sobre a operação policial desta terça-feira, 24, que resultou no massacre de mais de 20 pessoas numa favela da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro – mais de 20 “CPFs cancelados” para Jair Bolsonaro e Claudio Castro pendurarem em seus colares de escalpe.

O comando da Polícia Militar do Rio disse à imprensa que a operação na Vila Cruzeiro, no complexo de favelas da Penha, vinha sendo planejada há meses.

O comandante do Bope, o tenente-coronel Uirá do Nascimento Ferreira, afirmou que “é uma operação de inteligência, nós tínhamos conhecimento das lideranças dessa facção, era um monitoramento para que a prisão fosse feita fora da comunidade. Não foi possível devido ao ataque da facção. Foi uma ação emergencial que não tinha como objetivo cumprir mandados de prisão, apesar de muitos deles já possuírem mandados em aberto”.

O secretário de Polícia Militar do Rio, coronel Luiz Henrique Marinho Pires, disse que “durante a madrugada identificamos uma grande movimentação de criminosos, e por conta disso desencadeamos essa ação”.

Então vamos combinar:

As polícias planejavam há meses – ou foi “durante a madrugada”? – uma operação na Vila Cruzeiro para prender lideranças de uma facção criminosa. De repente, um paisana vacilão põe tudo a perder; de repente, acontece o que via de regra se passa oficialmente momentos antes de carnificinas levadas a cabo pelas polícias do estado do Rio de Janeiro: “nossa equipe foi atacada”. De repente, PMs e policiais federais, até um minuto antes empenhados numa “operação de inteligência” cuidadosa e longamente planificada, invadem a favela e matam 22 pessoas.

De repente, “não tinha como cumprir mandados de prisão”. De lambuja, um alto comandante da PM fluminense culpa o STF.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro que conte outra. Quem sabe seu intrépido porta-voz, o major Ivan Blaz, figura conhecida no Rio de Janeiro, possa arranjar outra explicação bem caveira, bem cavernosa, para mais uma chacina levada a cabo não por um adolescente pirado do motherfucking Texas, mas pelo Estado brasileiro.

O major Ivan Blaz, no entanto, está ocupado fazendo campanha para Cláudio Castro:

Quem mais usando farda está fazendo campanha no Rio de Janeiro, e com derramamento de sangue?

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