newsletter

Assinar

Cíntia Alves

Nenhuma democracia é governável com 35 partidos

A cláusula de barreira é inquestionável como resposta à proliferação de partidos políticos e alta fragmentação do Congresso. Mas, uma vez superado esse problema, o ideal é que a cláusula deixe de existir e regras mais duras para a criação de partidos sejam adotadas

Jornal GGN – No último dia 18, o chefe da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, recebeu o GGN. Na ocasião, avaliou os principais pontos da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 36/2016, uma reforma política patrocinada pelo governo do interino Michel Temer (PMDB) para tornar o Congresso menos indomável no futuro do que foi Dilma Rousseff (PT), afastada pelo processo de impeachment.

A proposta, encampada pelos senadores Aécio Neves e Ricardo Ferraço (PSDB), com apoio de petistas, democratas e benção do ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral, trata de dois pontos centrais: o fim das coligações em eleições para o Legislativo e a criação de uma cláusula de barreira como resposta à proliferação de legendas no Brasil. Hoje, há 35 partidos registrados, sendo que 28 conseguiram eleger deputados em 2014.

Leia mais »

Média: 5 (2 votos)

A frágil, mas não para a Lava Jato, delação de Delcídio contra Lula

Até que as provas específicas contra Lula apareçam – onde estão os vazadores nessa hora? – o que Delcídio diz na delação foi que ele próprio e seu assessor entregaram dinheiro à família de Cerveró – com quem tem relação de longa data – numa tentativa de evitar que seu nome caísse na Lava Jato.

Jornal GGN – Ontem, o Ministério Público Federal ratificou a denúncia da Procuradoria Geral da República sobre Lula ter tentado obstruir a Justiça “comprando” o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, um dos principais delatores da Lava Jato. As informações contra o ex-presidente, negadas com veemência por sua defesa, saíram da delação do ex-senador Delcídio do Amaral.

Vazada em março, a delação mostra que o ex-presidente foi citado inúmeras vezes por Delcídio, mas as implicações estão sempre num contexto de “Lula me disse” ou “Lula me pediu” reservadamente.

No capítulo do pagamento à família de Cerveró, Delcídio diz que sempre manteve “bom relacionamento” com o ex-diretor da Petrobras, a quem conhece desde a década de 1990. Tanto que nos depoimentos que deu ao Senado na CPI da Petrobras, Cerveró esteve acompanhado do assessor de Delcídio, Diogo Ferreira, também alvo da denúncia de obstrução de Justiça.

Leia mais »

Média: 4.6 (10 votos)

Santana contraria Lava Jato: caixa 2 não é obra só do PT e nem sempre tem propina

Marqueteiro de Dilma e Lula, João Santana afirmou a Sergio Moro que caixa 2 existe sim, mas como "prática generalizada" no Brasil e no mundo, fruto da "distorção" do sistema eleitoral. Ele não admitiu antes a fraude na campanha de 2010 para não alavancar o impeachment de Dilma. E mandou uma indireta: não existe "projeto de poder" do PT

Jornal GGN – O depoimento do marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), põe em xeque o alcance e a imparcialidade da Lava Jato. Até agora, a operação tem gastado energia para provar que o esquema de corrupção na Petrobras tinha como finalidade injetar recursos no caixa do PT e, assim, perpetuar o "projeto de poder" da legenda (parafraseando o ministro Gilmar Mendes). Mas o que Santana disse ao juiz federal Sergio Moro tem potencial para deflagrar uma devassa em "98% das campanhas" no Brasil, sem distinção entre partidos, pois denota que o esquema é repetido pelas empresas doadoras em todas as instâncias do poder.

Leia mais: A carta surpresa da Lava Jato nas contas da campanha de Dilma

No depoimento divulgado nesta quinta (20), Santana confrontou Moro sobre a tese da Lava Jato, de que todo o dinheiro pago por fora em campahas eleitorais é fruto de corrupção entre empreiteiras e o governo federal. “Eu tinha consciência de prática de recebimento ilegal [por ser caixa2]. Mas dinheiro sujo no sentido de corrupção, até onde alcançava meu conhecimento, não, não é necessariamente ligado a fatos de corrupção. Conversando com profissionais de eleições no mundo, sabe-se que caixa 2 decorre de aposta no mercado pro futuro, de [empresas querendo] fazer amizade com os governos. Existem tetos [para as doações]. Eu não percebo como dinheiro sujo. Vejo mais como dinheiro de negociação política”, disse Santana. Ao que Moro respondeu: “É dinheiro de corrupção mesmo", bom base no depoimento do do operador do repasse.

Leia mais »

Média: 4.3 (18 votos)

Fraude no Datafolha é “coerente com a linha geral da mídia, de apoio a Temer”

Hoje, a imprensa vive um “esforço duplo”, diz João Feres Junior: “Tem que elogiar cada vez mais o Temer ou fazer cobertura neutra, com destaque para política econômica ou coisas que as pessoas possam achar positivas, e ao mesmo tempo tratar a Dilma como se fosse passado.”

Jornal GGN - Um dia após a blogosfera revelar que a Folha de S. Paulo omitiu a parte da pesquisa Datafolha onde 62% dizem que querem que Michel Temer e Dilma Rousseff renunciem juntos e convoquem novas eleições ainda neste ano, o que reina é o silêncio absoluto nos veículos de comunicação consolidados. Para o analista João Feres Junior, isso é sinal de “corporativismo sim, mas menos para proteger a Folha [da denúncia de fraude jornalística] e mais para proteger a linha editorial geral da mídia atual, de apoio ao governo Temer”.

Coordenador do Manchetômetro (laboratório de estudo de mídias), doutor em ciência política e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, João Feres Junior disse ao GGN, em entrevista por telefone, nesta quinta (27), que não há nada de surpreendente neste novo episódio de manipulação por parte da Folha. “A Folha faz isso há muito tempo.”

Leia mais »

Média: 4.5 (8 votos)

Datafolha usou Lava Jato, nunca as pedaladas, para saber se Dilma merecia impeachment

Tanto faz se há crime fiscal que justifique o processo de afastamento, como manda a lei, porque o que Datafolha apura junto ao povo, desde 2015, é a corrupção como justa causa

Jornal GGN - Na semana passada, o Ministério Público Federal tomou mais uma decisão que coloca o processo de impeachment de Dilma Rousseff por crime de responsabilidade fiscal em xeque: analisou seis tipos de pedaladas e concluiu, com ressalvas, que não há dolo pessoal, nem desrespeito ao Congresso e muito menos afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal por parte da presidente eleita.

O jurista Pedro Serrano avaliou, em entrevista à RBA, que se a Justiça Federal concordar com o MPF, a defesa de Dilma pode "matar" o impeachment no Senado, pois ficaria provado que o processo corre à revelia de embasamento jurídico.

Leia mais »

Média: 3.5 (8 votos)

Pesquisa feita por jornal partícipe do golpe pede pé atrás, diz Francisco Fonseca

Jornal GGN - O conjunto dos dados levantados pelo instituto Datafolha, publicados no último final de semana, mostra a "fragilidade" do governo interino, na visão do cientista político Francisco Fonseca, professor da FGV-SP e  PUC-SP. Em entrevista ao GGN, Fonseca avaliou que os números favoráveis a Temer só se justificam se considerados os afagos da imprensa ao peemedebista, para dar contornos de legalidade ao "golpe" do impeachment.

Na visão do analista, Dilma enfrentou um "massacre midiático" e agora é forçada ao ostracismo, pois a grande mídia não dá destaque a assuntos que favorecem a presidente eleita - como a decisão do Ministério Público Federal contrariando a tese de que pedaladas fiscais são crime de responsabilidade.

Leia mais »

Média: 3.9 (12 votos)

Como explicar que 50% preferem Temer à Dilma?

"Bola pra frente. O jogo do impeachment já foi jogado. Não adianta muito ficar insistindo nisso [novas eleições]. É gastar munição com algo que não vai produzir os efeitos esperados. Faz mais sentido pensar no reposicionamento da esquerda mais adiante."

Jornal GGN - A pesquisa Datafolha publicada em 17 de julho, após dois meses de governo do interino Michel Temer (PMDB), traz um dado curioso: mais de um terço dos entrevistados desconhece quem está no comando do País desde que Dilma Rousseff (PT) foi afastada, em 12 de maio, quando o Senado acolheu o impeachment. Ainda assim, 50% dos entrevistados disseram que preferem que Temer continue no poder à volta da petista. Há três meses, os números eram totalmente diferentes: 60% queriam a renúncia de Temer e 58% achavam que ele deveria ser "impeachado" também.

Como explicar, então, que metade dos entrevistados do Datafolha agora prefere um governante cuja agenda - neoliberal na economia e conservadora no social - não foi referendada nas urnas? Um governante forjado na Câmara comandada por Eduardo Cunha, que se lançou na Presidência com tropeços primários - como escalar um ministério com um terço de investigados na Lava Jato.

Leia mais »

Média: 2.8 (9 votos)

Em nome da governabilidade, PSDB retoma batalha por cláusula de barreira

Jornal GGN - Do café da manhã que Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ofereceu apenas a aliados do interino Michel Temer (PMDB) sairam duas missões para o Senado: aprovar uma lei que penalize atos considerados abuso de autoridade - algo que foi visto como uma afronta às investidas da Lava Jato contra a classe política - e aprovar uma reforma política com cláusula de barreira e fim das coligações em eleições proporcionais, numa tentativa de tornar o Congresso menos indomável para os próximos presidentes do que foi para Dilma Rousseff (PT).

Quem decidiu encabeçar a batalha pela aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) com esses traços de reforma política foram os senadores tucanos Aécio Neves e Ricardo Ferraço [foto].

Nesta quinta (14), após receber o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), Aécio divulgou o teor da PEC e sugeriu que as Casas unam forças para aprová-la.

O principal ponto do projeto diz respeito à polêmica imposição de uma cláusula de barreira, também conhecida como cláusula de exclusão ou de desempenho.

Leia mais »

Média: 2.3 (3 votos)

Dilma está "animada" para reverter o impeachment no Senado, diz Jandira

 

Jornal GGN - A deputada Jandira Feghali (PCdoB), líder da minoria na Câmara, esteve nesta quinta (14) com a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e disse que ela está "animada com a perspectiva de votação [do impeachment] no Senado."

"Ela tem feito reuniões semanais com o conselho político. Eu estou achando Dilma muito bem. É impressionante a capacidade de resistência que ela tem. Ela foi forjada na dificuldade, né? Ela está animada, está indo bem com a rua, os movimentos, o Senado. Eu saí de lá animada. (...) Ela nos consultou sobre o manifesto que vai soltar. A visão dela é muito positiva do processo. E ela está muito bem, firme e tranquila. Está construindo uma agenda com o Senado."

Leia mais »

Média: 3.7 (16 votos)

O que a eleição na Câmara representa para o futuro de Temer e Cunha

Sem Eduardo Cunha, o centrão foi implodido e, embora seja o fiador do presidente interino, não é mais garantia de governabilidade

Jornal GGN - A disputa pela presidência da Câmara, encerrada na noite de quarta (13) com a eleição de Rodrigo Maia (DEM), tem duas faces: a de Michel Temer (PMDB), com o sorriso discreto - digno de quem foi relativamente bem sucedido nas jogadas para impedir um adversário no comando da Casa, mas ainda com a governabilidade a ser colocada à prova - e a de Eduardo Cunha (PMDB), que a cada dia acumula novas derrotas.

Cunha, metido até o pescoço com a Lava Jato e em vias de ser cassado por seus colegas de Câmara, faz tempo "perdeu dentes e a embocadura", como escreveu Andrei Meireles. A eleição de ontem foi prova de que o todo poderoso enquanto presidente da Câmara já não tinha muito a oferecer a seus antigos aliados em troca da vitória de Rogério Rosso (PSD), que acabou derrotado por Maia no segundo turno.

Leia mais »

Média: 4.2 (5 votos)

Janot ou Moro: quem faz a Lava Jato mais midiática?

Jornal GGN - Em reportagem especial publicada no dia 27.06.2016, com base em levantamento feito sobre todas as capas da Folha de S. Paulo no último um ano e meio, o GGN mostrou que a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, de onde despacha o juiz federal Sergio Moro, nunca ocupou tanto o noticiário quanto em março de 2016, às vésperas do impeachment de Dilma Rousseff (PT). 

Naquele mês, de 31 edições da Folha, 10 foram dedicadas à Lava Jato, sendo que oito delas dizem respeito a processos que correm na primeira instância. O volume é um verdadeiro recorde desde que a operação decidiu avançar sobre as maiores empreiteiras do País sem poupar a classe política.

Leia mais »

Média: 4.2 (10 votos)

Cachoeira pediu para Temer encaminhar regularização de jogos de azar

Jornal GGN - Março de 2012. O ex-senador Demóstenes Torres, que chegara a estampar reportagens de Veja como um "mosqueteiro da ética", vira o centro das atenções após cair em grampos da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que investigava o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Na edição do dia 31 daquele mês e ano, Folha de S. Paulo publicou um diálogo entre Demóstenes e Cachoeira, no qual o bicheiro pediu que Michel Temer (PMDB) encaminhasse um projeto de lei que regulariza os jogos de azar.

Leia mais »

Média: 4.8 (13 votos)

Como os EUA influenciaram Sergio Moro e a Operação Lava Jato

Jornal GGN - WikiLeaks revelou um documento do governo dos EUA que mostra como a Lava Jato e os trabalhos do juiz federal Sergio Moro sofreram influência de agentes treinadores daquele País, que capacitam profissionais para o combate a "crimes financeiros e terrorismo". O informe diz que os agentes norte-americanos influenciariam brasileiros a criar uma força-tarefa para trabalhar em um caso factual, que receberia assessoria externa em "tempo real".

Segundo o comunicado, após o sucesso de um seminário sobre "crimes financeiros ilícitos" promovido pelo "Projeto Pontes" (bancado com recursos dos EUA), cursos de formação em São Paulo e Curitiba foram solicitados por juizes, promotores e policiais brasileiros interessados em aprofundar o conhecimento sobre como, por exemplo, arrancar, de maneira prática, revelações de acusados de lavagem de dinheiro e outras testemunhas.

Leia mais »

Média: 3.8 (10 votos)

Gilmar, Renan e Jucá: unidos pela punição de vazamentos contra autoridades

Jornal GGN - Um dia após oferecer um café da manhã apenas para poucos aliados do presidente interino Michel Temer (PMDB), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, manifestou total apoio a dois investigados na Operação Lava Jato - os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, ambos do PMDB - que tentam emplacar um projeto de lei que coíbe e pune "abuso de autoridade".

À Folha, Gilmar fez questão de se explicar: não tem nada a ver com a Lava Jato - operação onde um juiz de primeira instância entrega nas mãos de jornalistas, com conhecimento do procurador-geral da República, uma gravação de conversa entre a presidente da República eleita, Dilma Rousseff, e seu antecessor, Lula, evitando, assim, a posse do petista como ministro da Casa Civil, entre outros desdobramentos.

Leia mais »

Média: 2.2 (10 votos)

Lava Jato vaza delação que inocenta Lula

Jornal GGN - Mais um vazamento seletivo da Lava Jato, com o objetivo de acertar a imagem do ex-presidente Lula (PT), entra para as estatísticas. Mas, dessa vez, a leitura é curiosa. Só quem chegou ao final da matéria publicada pelo Estadão, na quarta (29), pôde compreender que trechos de duas delações premiadas mais parecem servir de peça de defesa para Lula nas denúncias de tráfico de influência internacional e recebimento de propina via empresa de palestras, a LILS.

Leia mais: Lava Jato sob Moro atingiu ápice dias antes do impeachment

As delações, obtidas pelo Estadão, são de Flávio Gomes Machado Filho e Otávio Azevedo, executivo e ex-presidente da Andrade Gutierrez.

Consta nos documentos divulgados pelo Estadão os "detalhes" da participação de Lula em negócio da Andrade Gutierrez na Venezuela.

Leia mais »

Média: 4.7 (31 votos)