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Patricia Faermann

Após dois anos e meio, o que motivou uma mudança da PGR em acordos de delação?

 
Jornal GGN - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, já se defendeu da notícia que sequer o acusou sobre a possível relação com o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não quis se manifestar sobre a suspensão do acordo entre o empresário e os investigadores da Lava Jato. Mas neste conflito, quando figuras da Justiça se mesclam às da política e as investigações, o dano tem uma só frente: as contribuições de Léo Pinheiro além do que a Lava Jato tenta restringir.
 
Se a reportagem da revista Veja não faz nenhuma imputação ao ministro, ao contrário, afirma que apesar de manter um contato com o ex-executivo da OAS, Toffoli teria recebido em sua residência engenheiros indicados por Léo, que fizeram um serviço de infiltração, mas teria arcado com todos os custos, ainda assim o ministro reiterou que não cometeu nenhum ilícito e que não recebeu nenhum tipo de ajuda do empreiteiro.
 
Também afirmou que não considera, neste momento, adotar algum tipo de providência em relação às ilações da revista. 
 
Ao GGN, a assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República informou que Janot não se posicionou sobre a suposta suspensão das negociações do acordo de delação premiada com o empresário. Também não confirmou a veracidade da notícia divulgada por O Globo e averiguada pelo Valor, de que o vazamento do trecho que envolve Toffoli teria interferido na continuidade dos depoimentos.
 
Para além do que as tratativas devem ser esclarecidas, nos próximos dias, o impacto do possível envolvimento de um ministro do Supremo e, mais ainda, da interrupção do difícil acordo recém celebrado por Léo Pinheiro traz outras consequências.
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Para agilizar inquéritos contra Lula, Lava Jato oculta processos

 
Jornal GGN - Para ocultar o andamento das investigações que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a força-tarefa da Operação Lava Jato protocola inquéritos e autos sem especificar os indiciados ou partes do processo. O mecanismo possibilita que os delegados da Polícia Federal avancem nas investigações sem interrupções da defesa, na forma de recursos.
 
Foi o que ocorreu na última petição registrada pelos advogados de Lula. Sem conhecimento que o ex-presidente estava sendo investigado pelo apartamento triplex no Guarujá em outro processo - diferente do já concluído na chamada Operação Triplo X -, a defesa pediu o acesso aos documentos.
 
Os criminalistas Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira descobriram a existência do procedimento, que tramita em máximo sigilo, quando analisavam os documentos do inquérito 5003496-90.2016.4.04.7000, finalizado na última sexta-feira (leia aqui). Encontraram uma manifestação de procuradores da Lava Jato fazendo referência a existência de outro inquérito, também sobre o triplex no Guarujá, mas com mira em Lula.
 
"As investigações referentes à aquisição do triplex no município do Guarujá pelo ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva são, por ora, conduzidas nos autos do Inquérito Policial nº 5035245-28.2016.4.04.7000", deixaram passar os procuradores.
 
Ao ter conhecimento dessa nova frente de investigações comandadas por Sergio Moro contra o ex-presidente, a defesa pediu acesso aos autos. A primeira resposta de Sérgio Moro foi afirmar que os advogados de Lula já estavam registrados para ver as peças. 
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Sem provas, Lava Jato não indicia Lula na Triplo X

 
Jornal GGN - Conforme adiantou o GGN na última sexta-feira (12), a Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Triplo X, referente ao edifício Solaris no Guarujá. Até então em segredo de Justiça, o documento foi liberado nesta quinta-feira (18) pelo juiz Sergio Moro. Sem provas, a PF não indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas os investigadores indicam que não tiraram a mira de Lula.
 
Deflagrada com o objetivo de investigar a suspeita de envolvimento do ex-presidente, suposto beneficiado pela construtora OAS, que assumiu a construção do edifício no litoral paulista após a Bancoop decretar falência, o resultado das diligências realizadas desde o dia 28 de janeiros deste ano, com a 22ª fase da Lava Jato, não trouxeram as provas esperadas.
 
Ao contrário, os investigadores se depararam com indícios de uma das maiores lavadoras de dinheiro no mundo, a Mossack Fonseca, que teve uma de suas offshores figurando como detentora de outro dos apartamentos triplex no edifício Solaris. Os depoimentos prestados, coletas de documentos e provas obtidas desde então só apostavam como alvo a possível relação da aquisição desse imóvel com recursos ilícitos obtidos a partir de corrupção da Petrobras.
 
Ainda assim, o fato de o ex-presidente ter tido interesse, inicialmente, em comprar um dos apartamentos do condomínio, a partir da aquisição de cotas da Bancoop, levou a equipe da Lava Jato a publicizar Lula como a mira constante dessa investigação.
 
Não à toa que, agora público o inquérito do caso Triplo X, sem indiciar Luiz Inácio Lula da Silva, nenhum jornal trouxe destaque para a notícia, que foi divulgada como mais uma do noticiário comum.
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João Havelange: a morte de um dos fundadores da corrupção no futebol

 
Jornal GGN - Com um quarto de seus 100 anos de vida na Fifa, morre João Havelange, um dos fundadores da corrupção do futebol e responsável por transformar torneios em grandes contratos por rentabilidades, levando como bandeira subornos velados e como hino complexas estruturas da máfia esportiva. 
 
Com um século de vida, o ex-presidente da Fifa estava internado desde a semana passada no Hospital Samaritano, com pneumonia. Foi a sexta hospitalização, desde 2012, por quadros similares.
 
Durante os 24 anos no comando da Fifa, sendo o único presidente não europeu da história da Federação, o ex-cartola foi o responsável por dobrar o número de seleções na Copa do Mundo, por criar os Mundiais de categorias inferiores, sempre em busca de mercados e alianças polêmicas, marcadas por escândalos e sujeira de bastidores. A característica de visionário no futebol também lhe rendeu a corrupção no peso de sua imagem.
 
A marca deixada na entidade em 1998 foi a herança mantida por seus sucessores, como Joseph Blatter. Considerado o inimigo número 1 da Fifa, o jornalista investigativo escocês Andrew Jennings, esteve no Brasil em setembro de 2014 e, á época, explicou ao GGN a origem da mentalidade criminosa da Fifa.
 
"Começou quando Castor de Andrade foi a Havalange e inseriu essa mentalidade criminosa na FIFA, em Zurique. Depois, contrataram [Joseph] Blatter, que se tornou seu apadrinhado, que toma o poder e continua o mesmo caminho. No Brasil tem os afiliados: [Ricardo] Teixeira e agora vocês tem [José Maria] Marin", afirmou.

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Advogados de Lula reagem à antecipação de inquérito da Lava Jato

 
Jornal GGN - Conforme antecipou o GGN na noite desta sexta-feira (12), jornais veicularam neste sábado que "está tudo pronto para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja indiciado pela Polícia Federal". A frase é da coluna de Murilo Ramos, na Revista Época. Na reportagem, o GGN revelou que o inquérito policial sobre o caso do triplex no Guarujá (5003496-90.2016.4.04.7000), envolvendo Lula, já está pronto, conforme consta nos registros da Justiça Federal do Paraná.
 
A coluna da revista apurou junto a delegados e procuradores da Lava Jato, que informaram "ter provas robustas de que Lula era o chefe do petrolão - e de que recebeu propina das empreiteiras, por meio do sítio em Atibaia e do tríplex no Guarujá".
 
Em nota oficial divulgada neste domingo (14), a defesa do ex-presidente afirmou que as informações da coluna reforçam que Lula "é vítima de uma reprovável perseguição por parte de agentes públicos" e "de versões criadas pelos citados agentes, aparentemente com o objeto de interferir no processo eleitoral, considerando não terem encontrado qualquer prova ou infício de prática de crime, mesmo após realizarem uma devassa na vida de Lula e de seus familiares".
 
Conforme publicamos na reportagem, no sistema online dos autos do TRF-4, o inquérito não traz o nome do ex-presidente Lula como parte do processo. No lugar dos investigados, a PF preferiu restringir-se a escrever: "Indiciado: A Apurar", indicação usada quando ainda faltam informações para concluir o trabalho - o que contradiz com o registro de que o inquérito final está finalizado.
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Inquérito do Triplex no Guarujá foi concluído pela Lava Jato

 
Jornal GGN - O inquérito policial sobre o caso do triplex no Guarujá, envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi concluído. O registro do documento final das apurações da Polícia Federal consta no sistema da Justiça Federal do Paraná, no inquérito 5003496-90.2016.4.04.7000, que investiga os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa pela empresa Mossack Fonseca. 
 
Nos próximos dias, o inquérito deve ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que o transforma em denúncia, então apresentada ao juiz da Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro. O documento é resultado das diligências realizadas pela polícia desde 28 de janeiro deste ano, um dia após a deflagração da 22ª fase da Operação Lava Jato, a Triplo X, com mira no ex-presidente e na suposta compra de um apartamento triplex no edifício Solaris, no Guarujá.
 
Nos autos do inquérito nº 5003496-90.2016.4.04.7000, nem o nome do ex-presidente Lula ou da Mossack aparecem como partes do processo. No lugar dos nomes investigados, a PF preferiu restringir-se a informar: "Indiciado: A Apurar", a exemplo de todos os outros processos em investigação contra Lula, como o do sítio em Atibaia, que também não traz o seu nome entre os indiciados.
 
Inicialmente sob a mira exclusiva na Mossack, que teve uma de suas offshores figurando como detentora de outro dos apartamentos triplex no edifício Solaris, e a possível relação da aquisição desse imóvel com recursos ilícitos obtidos a partir de corrupção da Petrobras, a investigação foi, aos poucos, desviando seu foco de uma das maiores lavadoras de dinheiro no mundo, para redefinir o alvo sobre o ex-presidente.
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Sérgio Moro: a caixa de Pandora, mídia e caso Watergate da Lava Jato

 
Jornal GGN - Antes de passar a fala ao juiz da Lava Jato, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, introduziu afirmando que se as instituições do poder estivessem funcionando adequadamente, o Brasil não precisaria de heróis. "Só se precisa de 'heróis' quando as instituições não funcionam e, parafraseando [Bertolt] Brecht, 'triste é o país que precisa de heróis', nós precisamos mesmo é de instituições", completou.
 
Em seguida, teve a palavra Sérgio Moro, em evento realizado pelo Instituto de Diálogos Constitucionais, nesta terça-feira (09). Com uma apresentação marcada por demonstrações de vaidades, iniciou falando que descobriu que sempre que é convidado para um evento e não aborda a Operação Lava Jato "há uma frustração". 
 
Em mais de uma hora de palestra no Centro Universitário UniCEUB, em Brasília, Moro fez um resumo e balanço dos casos investigados e julgados até agora pela Vara Federal de Curitiba, relacionados à Petrobras, deixando escapar detalhes sobre a forma controversa de conduzir esses trabalhos.
 
Lembrou, por exemplo, que em 17 de março de 2014, ele não teria ideia da oportunidade que viria pela frente, no andamento das investigações. "Como todo caso criminal, começou pequeno. Inicialmente se investigavam quatro indivíduos. A Polícia federal no curso dessa investigação literalmente tropeçou na prova de que um desses indivíduos, suposto lavador profissional, teria conexões e relações com um ex-diretor da Petrobras", disse.
 
Foi nesse momento que, segundo Moro, "o caso foi crescendo e as provas foram se avolumando". 
 
Se já pela metade da explanação o magistrado do Paraná afirma que as delações premiadas, que a seu ver o termo correto seria de "colaboração premiada", são muito importantes para aprofundar a investigação e que não se sustenta a teoria de que elas foram usadas como facilidade para os investigadores alcançarem provas - uma vez que, nas estratégias de procuradores, ainda na fase de acordo com o investigado, são solicitados documentos e provas materiais que corroborem os depoimentos -, Moro ressalta que muitos dos fatos foram descobertos antes do início das delações, no início o juiz deixa escapar outra versão para as colaborações, contraditória à essa visão:
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Maior escândalo de corrupção no futebol é travado na justiça brasileira

 
Jornal GGN - Entre setembro e outubro de 2015, duas decisões de tribunais brasileiros barravam o acordo de cooperação internacional para apurar a corrupção na Fifa. Sem precedentes que justificassem o rompimento na ajuda para as investigações contra cartolas, dirigentes e empresas envolvidas no maior escândalo do futebol, provas estão guardadas a sete chaves no Brasil e a suas remessas ao FBI impedidas por decisão estagnada no Superior Tribunal de Justiça (STJ). E dessa mesma resposta dependem as ações que desaguam na prisão de Del Nero e Ricardo Teixeira. 
 
Já passaram um ano e três meses desde que o maior caso de corrupção do futebol foi deflagrado pelas autoridades suíças e norte-americanas. Mas assim que solicitou documentos da empresa Klefer Produções e Promoções Ltda, do empresário Kleber Leite, e do ex-presidente da CBF e genro de João Havelange, Ricardo Teixeira, as autoridades dos Estados Unidos enfrentaram grandes obstáculos para acessar provas aqui retidas contra os dirigentes brasileiros.
 
A primeira delas partiu da 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo). Em sessão secreta no dia 30 de setembro de 2015, dois dos três desembargadores quebraram a cooperação internacional firmada entre o Brasil e a Promotoria Federal de Nova York para investigar as denúncias.
 
Um Habeas Corpus impetrado pela empresa de marketing esportiva, suspeita de pagar propinas a dirigentes da CBF no Brasileirão, questionava a decisão da 9ª Vara Federal Criminal, de maio de 2015, que realizou buscar e apreensões na Klefer, coletando documentos e que determinou a quebra de sigilo fiscal de Ricardo Teixeira e de sua filha, Antonia, para enviar aos EUA. Naquele despacho, a justiça de primeira instância também havia decretado a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de bens de 15 pessoas, incluindo o empresário e o cartola brasileiro.
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Após Odebrecht incriminar PSDB e PMDB, Lava Jato não está satisfeita

 
Jornal GGN - Uma semana após Marcelo Odebrecht delatar o repasse de R$ 23 milhões de caixa dois à campanha de José Serra (PSDB-SP), à Presidência em 2010, e de R$ 10 milhões em dinheiro vivo para o PMDB, a pedido de Michel Temer, um dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato disse que o acordo com o executivo "ainda não está fechado": "Ainda temos um longo caminho à frente".
 
A revelação dos repasses provenientes de esquema de corrupção, em sistema de caixa dois para campanhas eleitorais, tanto para o PMDB, quanto para o PSDB - partidos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff - não provocou a mesma reação à equipe de Sérgio Moro que o impacto manifestado pelos jornais e opinião pública neste final de semana.
 
Foi a Veja que revelou um jantar, em maio de 2014, na residência oficial de Temer, o Palácio do Jaburu, na presença de outro cacique do PMDB, Ediseu Padilha, braço direito e atual ministro-chefe da Casa Civil do governo interino. Na ocasião, Michel Temer pediu "apoio financeiro" a Marcelo Odebrecht, na forma de caixa dois.
 
Como Marcelo sabe que um dos requisitos exigidos pela equipe de Sérgio Moro para aceitar um acordo de delação é, além de trazer informações "novas" que outros delatores ainda não forneceram, mostrar provas materiais que confirmem os depoimentos, o executivo prometeu à força-tarefa apresentar registro de contabilidade da Odebrecht dos R$ 10 milhões de caixa dois repassados em dinheiro vivo.
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Delação de Marcelo Odebrecht ainda é posta à prova pela Lava Jato

 
Jornal GGN - Em depoimento de cerca de dez horas a procuradores da República da equipe de Sergio Moro, o empresário Marcelo Odebrecht teria explicado detalhes, nesta quinta-feira (05), sobre pagamentos ilícitos feitos a políticos de diversos partidos nos últimos anos. A temida delação envolve cerca de 100 políticos, em negociação realizada desde maio.
 
Apesar de ainda não ser considerada parte do acordo, o depoimento de dez horas adiantou as informações que o executivo pode passar aos investigadores da Lava Jato. O ponto central da conversa foi a motivação da Odebrecht para fazer as transferências: se foram parte de caixa dois de campanha ou propina direta ligada a contratos de obras públicas.
 
O depoimento é um dos últimos feitos por Marcelo na tentativa de alcançar o acordo com os procuradores, que já informaram que a proposta é "satisfatória", exigindo, ainda, detalhamentos dos fatos e documentação.
 
A exemplo do que vem sendo feito pela força-tarefa, os acordos de delação não apenas impõe o testemunho e narrativa de acusações, envolvendo outras empresas e pessoas investigadas, mas também a apresentação de arquivos e documentos, para servir como provas a sustentar as informações prestadas.
 
A tática dos procuradores é que se o delator não oferece tais documentos, não traz benefícios ao Ministério Público Federal (MPF). Já se os investigados fornecem tais provas materiais, mais fácil se torna a condenação de terceiros, sustentadas nas delações.
 
Há, ainda, orientações dos investigadores a respeito do que pode oferecer aquele delator. Se a investigação já está concluída sobre um réu ou se o caso não está na mira dos procuradores da Lava Jato, também o acordo não é acertado.
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Em relatório, Anastasia dá "lições" e critica o governo Dilma

 
Jornal GGN - Em seu relatório de 441 páginas, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) aponta que a presidente afastada Dilma Rousseff deve ser julgada pelo Senado por supostos crimes de responsabilidade cometidos em sua gestão. Mas além do voto, o senador tucano tece críticas à presidente, menciona "impopularidade" e temas que não fazem parte da denúncia de impeachment, cita "delações" em referência à Lava Jato, para, ao final, isentar-se, já que o processo não trata desses elementos. 
 
No documento lido na tarde desta terça-feira (02), em sessão plenária, o parlamentar defende que os decretos de créditos suplementares assinados sem a autorização do Congresso Nacional e as operações de crédito com instituição financeira controlada pela União, as chamadas pedaladas fiscais, são "conduta grave".
 
Para ele, as medidas atentam "não apenas contra a responsabilidade fiscal, mas, principalmente, contra as prerrogativas do Congresso Nacional". "Embora a política fiscal seja executada pelo Poder Executivo, ela somente se legitima pela aprovação do Poder Legislativo, que é o representante maior da sociedade brasileira", enfatizou.
 
Nas páginas, o parlamentar sustentou, ainda, que a crise econômica atual enfrentada pelo Brasil é consequência da "expansão insustentável do gasto público" promovida pela presidente afastada. "O controle da tributação e do gasto público é uma das funções essenciais do Parlamento, que antecede, historicamente, a função legislativa propriamente dita", disse Anastasia.
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Sergio Moro desabafa sobre os insucessos do caso Banestado

 
Jornal GGN - Decidindo sobre últimos recursos do caso Banestado, entre os anos de 1996 e 1997, de remessa de mais de R$ 2 bilhões ao exterior, com a condenação carimbada pela primeira instância há quase 12 anos, o magistrado do Paraná, Sergio Moro, revela toda a insatisfação e críticas ao sistema penal, que permite recursos e instrumentos de defesa.
 
O caso de evasão de divisas e um dos maiores crimes financeiros da história atual do Brasil, que pelo caminho natural dos processos saiu das mãos e controle do juiz do Paraná, após as sentenças de 2004, expõe as razões que levaram Sergio Moro a hoje enfrentar garantias de defesa asseguradas pelo Código Penal.
 
"Há algo de errado em um sistema criminal que leva tanto tempo para produzir uma condenação definitiva", manifestou o magistrado, ao receber autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para executar a pena de prisão de Aldo de Almeida Júnior, ex-funcionário do Banco do Estado do Paraná e um dos principais condenados entre agentes públicos no grande esquema criminoso.
 
Moro foi o responsável na primeira instância por julgar o processo do Banestado, que apurou fraude de, pelo menos, R$ 2.446.609.179,56, entre 1996 e 1997, via recursos para fora do país, por meio de contas de residentes no exterior. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi recebida no dia 6 de agosto de 2003. Moro levou menos de um ano para condenar 14 ex-funcionários do banco por evasão de divisas e quadrilha.
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Por que 179 políticos não serão delatados pela Odebrecht?

A superplanilha apreendida há quase cinco meses trazia um total de 279 nomes. A resposta virá nos próximos dias
 
Jornal GGN - Os acertos finais para o acordo de delação premiada de executivos da Odebrecht, incluindo o ex-presidente Marcelo Odebrecht, envolveu a explicação da "superplanilha" com, no mínimo, 279 nomes ligados a 24 partidos políticos. Apesar de o documento ser apreendido na 23ª fase da Lava Jato, a Acarajé, que tinha como objetivo mirar no suposto pagamento de propina em campanhas petistas comandadas por João Santana e Mônica Moura, a lista não traz o nome da presidente afastada Dilma Rousseff ou de Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Dessa negociação que se empenhou em desvendar se eram originários de caixa 2 os montantes expostos nas tabelas, encontradas na casa de Benedicto Barbosa da Silva Junior, apontado como o encarregado de Marcelo para tratar de doações eleitorais e repasses a políticos, ficou acordado a revelação de cerca de 100 políticos nas delações.
 
Ainda em março deste ano, quando os documentos foram liberados à imprensa, o Estadão fez um levantamento mostrando que, em vários casos, os valores indicados eram superiores aos declarados pelos candidatos, indicando a possibilidade de serem propinas para o financiamento eleitoral de 2012.
 
Os valores mostravam repasses que atingiram o montante de, pelo menos, R$ 75 milhões, quase o dobro do declarado como doações pela Odebrecht nas prestações de contas que os candidatos apresentaram à Justiça Eleitoral, que foram de R$ 38 milhões.
 
Entre os nomes que aparecem como possíveis beneficiários do esquema de caixa 2, estão o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o atual ministro José Serra (PSDB-SP), o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Renan Calheiros (PMDB-AL), Jorge Picciani (PMDB-RJ), deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), Francisco Dornelles (PP), o governador Beto Richa (PSDB), entre outros.
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Em busca da peça final para prender Lula

 
Jornal GGN - Em fins de fevereiro, um conflito entre o Ministério Público Estadual de São Paulo e a força-tarefa da Lava Jato do Paraná colocava em risco a jóia da coroa das investigações de mais de dois anos de trabalho do juiz Sergio Moro: a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
 
Os avanços até então obtidos pelos procuradores e delegados com a revelação do sistemático esquema de corrupção dentro da Petrobras permitiu à equipe não apenas deixar à luz da opinião pública e sociedade a prática reproduzida em outras estatais brasileiras, como também aperfeiçoar a obtenção das provas. 
 
Mas o recorte do que seria investigado e até onde o trabalho dos investigadores avançaria escancarou uma estratégia polêmica: delações premiadas e prisões preventivas, e redução de penas dos delatores, em contraposição ao risco de quebra de importantes empresas para o mercado brasileiro. 
 
Para se chegar ao objetivo, nenhuma dessas medidas poderia ser questionada, abrindo espaço para a anulação da operação.
 
Neste sábado, o GGN revelou que de posse dos grampos há apenas 5 dias, desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Vara Federal de Curitiba a utilizar o conteúdo das conversas de Lula com políticos e aliados nas investigações, Sergio Moro avançou no caso, emitindo inclusive juízo sobre a interpretação dos áudios. [Leia aqui]
 
No despacho, Moro entregou uma das peças-chaves para entender esse processo: admitiu que um dos motivos para determinar a condução coercitiva de Lula, no dia 4 de março deste ano, foi o conteúdo dos grampos, revelados à imprensa no dia 16 de março. Mas por que o juiz do Paraná decidiu levantar o sigilo dos áudios apenas 11 dias depois?
 
O GGN mostra, agora, o orquestramento da investigação.
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Em 5 dias de posse dos grampos, Moro avança em julgamento de Lula

 
Jornal GGN - Ao negar se declarar impedido de investigar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz Sergio Moro indicou que manteve o avanço das apurações contra Lula sobre as interceptações telefônicas, ao afirmar que nos áudios "há indicação de sua intenção de obstruir as investigações, o que por si só poderia justificar, por ocasião da busca e apreensão, a prisão temporária dele".
 
Os grampos telefônicos de Lula voltaram às mãos de Moro nesta segunda-feira (18), após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinar que os grampos envolvendo o ex-presidente permaneçam na Vara Federal de Curitiba. A decisão do ministro em plantão judicial foi resposta a um pedido da defesa de Lula, que contestava o uso das conversas entre ele e políticos pelo magistrado.
 
Contudo, Lewandowski pediu cautela. Decidiu que o caso voltaria para Sergio Moro, apenas enquanto o ministro relator da Lava Jato, Teori Zavascki, estiver de recesso. Com a sua volta, caberá à Zavascki decidir se o conteúdo das gravações pode ou não fazer parte das provas contra o ex-presidente Lula.
 
Mas o despacho divulgado neste sábado (23) mostra que Moro não se conteve a precauções do Supremo sobre o uso ou não dos grampos. A decisão é referente a outro recurso dos advogados de Lula, pedindo que o magistrado se declarasse impedido de investigar o ex-presidente. 
 
Na resposta de quinze páginas, Moro não apenas negou afastar-se do caso, como também fez juízo sobre o conteúdo das conversas telefônicas, ainda que autorizado a usá-las nos autos da Lava Jato há apenas cinco dias e em situação temporária.
 
O juiz da Lava Jato admitiu, ainda, que uma das razões para a condução coercitiva de Lula no dia 4 de março foi "o resultado da interceptação telefônica" de Lula "e de seus associados", que não foi exposta como justificativa na decisão porque estava "mantida em sigilo".
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