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Serra e PSDB trabalham para evitar CPI da Privataria antes das eleições

 

Por: Redação da Rede Brasil Atual  -  20/03/2012, 17:59

São Paulo e Brasília – Para o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), a CPI da Privataria Tucana se transformou, no Congresso, em moeda de troca entre parlamentares da base de apoio ao governo e oposicionistas. Setores mais conservadores da Casa têm feito “uma ação pesada para postergar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”, disse o parlamentar.

A constatação do autor do pedido para a instalação das investigações sobre desvios bilionários ocorridos durante o processo de privatização das principais empresas públicas brasileiras no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi declarada ontem (19) ao portal Correio do Brasil.

"Agora é inexorável. A CPI já foi instalada”, afirmou Protógenes Queiroz, ao lembrar que o pedido já foi protocolado e aceito pela presidência da Câmara. “Não tem mais como voltar atrás. O que se discute são os nomes dos integrantes, mas há uma pressão muito grande, por parte de setores conservadores na Casa, na oposição e em parte do PMDB, para que os trabalhos comecem mesmo somente depois das eleições", completou.

CONTINUA:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2012/03/serra-e-psdb-trabalham-para-evitar-cpi-da-privataria-antes-das-eleicoes

 

 

NÚMEROS, FATOS E CURIOSIDADE SOBRE OS 6 ANOS DO TWITTER por BIA GRANJA | 21 março 2012 7

Foi em 21 de Março de 2006 que Jack Dorsey, um dos fundadores do Twitter, postou o primeiro tuite.

Pela revolução que o Twitter causou na maneira como as pessoas se comunicam, produzem e consomem informação na web, essa pequena mensagem de menos de 140 caracteres já entrou pros anais da história e, ouso dizer, foi mais importante até do que a proferida quando o homem chegou na lua (se é que chegou, né?).

Como rede social e canal de comunicação, o Twitter teve três funções que, juntas e combinadas, foram ESSENCIAIS pra mudar toda a internet e a relação do usuário com a informação: o broadcast, a democratização da opinião e o real time.

Nunca antes na história da internet houve site ou rede social que tivesse tudo isso junto ao mesmo tempo e combinado. O Orkut era democrático mas não ninguém emitia MUITA opinião relevante, não era real time e era fechado. Fóruns e comunidades tinham opinião, mas não tinham real time e nem broadcast. Blogs eram opinativos, mas eram complicados de atualizar, não tinham real time e, na grandíssima maioria da vezes, não tinham audiência.

Foi a combinação de tudo isso e a simplicidade absurda de postagens que fez com que o Twitter mudasse radicalmente as regras do jogo como nenhuma outra rede antes… Facebook included!

Se o Twitter vai ter vida longa eu não sei (cadê modelo de negócios, gente?), mas de 2006 pra cá, muita coisa já rolou. Conheça os fatos marcantes, os números e as curiosidades que fizeram
a história dessa querida ~rede de microblogs~.

 

 

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Briga que gerou crise na base começou na campanha Histórias de bastidores mostram que Dilma começou a se insurgir contra a “política tradicional” ainda como candidata, quando idealizou um núcleo à margem da cúpula do PT

por Rudolfo Lago | 21/03/2012 07:00 - Congresso em Foco

Já desde a montagem inicial de sua estrutura de campanha, Dilma procurou criar mecanismos que a afastassem das estruturas políticas tradicionais - Abr As histórias abaixo foram contadas por alguém que acompanhou muito de perto a montagem da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República. Elas mostram uma clara disposição da presidenta de preservar um núcleo de comando que ficasse à margem das influências das cúpulas formais dos partidos que formavam a aliança, notadamente o PT. Uma disposição de poder atuar sem ficar amarrada ao que chama de “política tradicional”. E que ajuda a explicar por que Dilma, agora, resolveu enfrentar os caciques tradicionais da política brasileira, mesmo correndo o risco de perder apoio no Congresso. Leia também: Romero Jucá não é mais líder do governo Vaccarezza não é mais líder do governo População não quer mais “velhas práticas” Tudo sobre a crise na base Outros destaques hoje no Congresso em Foco Resquício da sua formação política inicial nos movimentos clandestinos que combateram a ditadura militar, Dilma resolveu montar um “aparelho” – um grupo de pessoas próximas, de sua máxima confiança – para atuar com ela na campanha. Para ajudá-la na tarefa, recorreu a um companheiro de clandestinidade, o hoje ministro do Desenvolvimento Social, Fernando Pimentel. Os dois conheceram-se em 1967. Pimentel com o codinome de Oscar. Dilma com o codinome de Estela. Integravam o Comando de Libertação Nacional (Colina). A pedido de Dilma, Pimentel começou a montar discretamente o comando da campanha, sem que a cúpula do PT soubesse. Uma casa no Lago Sul, que antes era usada pelo marqueteiro João Santana, foi escolhida como sede. A equipe começou a ser montada por Pimentel. Mesmo a contratação da empresa americana Blue State Digital, de Ben Self, marqueteiro que trabalhou na campanha de Barak Obama, para cuidar da internet, foi acertada por Pimentel sem a participação da cúpula petista. Quando a direção nacional do PT enviou, então, seus interlocutores para se integrarem à campanha – o então vice-presidente e diretor de comunicação do partido, Rui Falcão, e Antonio Palocci, para cuidar da arrecadação –, encontraram o “aparelho” de Dilma já inteiramente montado. Surgiu, então, o temor de que as principais decisões sobre a campanha fossem tomadas, assim, à margem da direção petista. E que isso, naturalmente, continuaria sendo assim no governo. Reação está na Privataria A reação a essa constatação é contada em parte no livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Segundo Amaury, vazamentos de informações que visavam comprometer esse núcleo criado por Dilma começaram a aparecer na imprensa. E ele teria sido chamado para ajudar a identificar de onde partiam tais vazamentos. Amaury tenta incorporar nesse trabalho os arapongas Idalberto Matias de Araújo, o Dadá (que é um dos presos na Operação Monte Carlo, que prendeu também o bicheiro Carlinhos Cachoeira), e Onésimo Souza. Amaury afirma, em seu livro, que o grupo petista que se incomodava com o núcleo formado por Pimentel fez com que chegasse à imprensa a versão de que a tentativa de incorporação de Dadá e Onésimo destinava-se a formar um grupo de inteligência na campanha, montado para fazer dossiês contra adversários. A informação valia-se do fato de que Amaury antes investigara o candidato adversário de Dilma, José Serra, do PSDB, como repórter do jornal O Estado de Minas e para o que viria a ser o livro que escreveu. De fato, porém, na reunião com Onésimo e Dadá falou-se em dossiês. Mas em dossiês que o ex-deputado e ex-delegado da Polícia Federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) teria feito, para José Serra, contra os principais caciques do PMDB, partido que oficialmente se aliava a Dilma na campanha. A informação sobre os supostos dossiês foi levada por Dadá e Onésimo para a conversa. Não se sabe se algo dos conteúdos dos tais dossiês em algum momento chegou ao conhecimento da campanha petista. Leia também: Amaury Ribeiro Jr.: assim caminhou a privataria O fato é que as denúncias sobre a criação do tal “núcleo de inteligência” desestabilizaram a força do comando montado por Dilma com Fernando Pimentel. Rui Falcão foi eleito presidente do PT, e Palocci tornou-se o ministro da Casa Civil, responsável pela articulação política do governo. Até cair, envolvido em denúncias de enriquecimento ilícito. Após a queda de Palocci, ao escolher Gleisi Hoffmann para a Casa Civil e Ideli Salvatti para as Relações Institucionais, Dilma reformulou, com outros nomes, seu núcleo pessoal, que governaria com ela. Um núcleo que neutraliza a força das estruturas partidárias tradicionais. Como o próprio vice-presidente Michel Temer, e os presidentes dos partidos, como Falcão. Ao trocar os líderes do governo na Câmara e no Senado, Dilma completa essa disposição. Na campanha, o movimento de Dilma gerou reações, e ela levou um golpe. Se agora conseguirá passar incólume, só o tempo dirá. Saiba mais sobre o Congresso em Foco (2 minutos em vídeo) Voltar ao topo Share Compartilhar Imprimir Sobre o autor Rudolfo Lago Rudolfo Lago * É o editor-executivo do Congresso em Foco. Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1986, atua como jornalista especializado em política desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do país, foi editor de Política do jornal Correio Braziliense, editor-assistente da revista Veja e editor especial da revista IstoÉ, entre outras funções. Vencedor de quatro prêmios de jornalismo, incluindo o Prêmio Esso, em 2000, com equipe do Correio Braziliense, pela série de reportagens que resultou na cassação do senador Luiz Estevão.

 

na Folha.com

21/03/2012 - 07h30

Espanha realiza exposição sobre relação entre cultura judaica e quadrinhos

DA EFE

Uma exposição montada na Biblioteca Provincial de Jaén, no sul da Espanha, chama atenção ao buscar traços da cultura judaica na origem e na narrativa de alguns dos super-heróis mais conhecidos dos quadrinhos.

Organizada pela delegação da Sefarad-Israel em Andaluzia e pela Associação Cultural "Vinheta 6", a mostra, intitulada "Super-heróis: Identidade Secreta", ficará aberta ao público até o dia 16 de abril.

Através de uma série de painéis, com imagens e dados dos super-heróis, a exposição apresenta analogias entre Hulk e Golem, Homem-Aranha e Rei David - ambos protegidos por uma aranha -, e o nome de Superman no idioma kryptoniano: Kal-El, que significa "A voz de Deus" em hebraico.

A exposição também se destaca ao esmiuçar a identidade de ilustradores e desenhistas judeus, como Stan Lee, Jack Kirby, Jerri Siegel e Joe Schuster, e suas expressões nos próprios super-heróis.

Estes desenhistas eram jovens judeus americanos, filhos de imigrantes judeus europeus, que deram origem a uma série de personagens, como Superman, Batman, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Thor, Demolidor, Surfista Prateado, Mulher Gato, A Liga da Justiça e Os Vingadores.

De acordo com os organizadores, outros dois nomes também são capazes de exemplificar a relação existente entre a cultura judaica e os quadrinhos, caso de Will Eisner e Art Spiegelman, autor de "Maus, Relato de um Sobrevivente", o primeiro quadrinho a ganhar o prestigiado Prêmio Pulitzer.

Além da origem dos super-heróis, a exposição também aborda a atuação de outros criadores judeus nos quadrinhos, como o roteirista de "Asterix", René Goscinny, o autor de "Corto Maltese", Hugo Pratt, e o autor de "O gato do Rabino", "Klezmer" e "Chagall na Rússia", Joann Sfar.

 

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/decreto-autoriza-ministro-e-nomear-diretores-interinos-para-a-antt-20120321.html

 

Decreto autoriza ministro a nomear
diretores interinos para a ANTT

Após veto a diretor-geral, agência ficou sem quórum suficiente para tomar decisões

Um decreto publicado na edição desta quarta-feira (21) do Diário Oficial da União autoriza o ministro dos Transportes, Paulo Passos, a nomear diretores interinos para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

A medida foi tomada porque a falta de quórum na direção do órgão vinha impedindo que ela exercesse suas funções e tomasse decisões normalmente. De acordo com o texto, servidores da própria ANTT poderão ser designados.

“Durante o período de vacância de cargo de Diretor que impeça a existência de quórum para as deliberações da Diretoria, o Ministro de Estado dos Transportes poderá designar servidor do quadro de pessoal efetivo da ANTT como interino até a posse do novo membro da Diretoria”, diz o decreto, assinado pela presidente Dilma Rousseff, pelo ministro dos Transportes e pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
Neste mês, o Senado rejeitou a manutenção de Bernardo Figueiredo, indicado por Dilma, como diretor-geral da ANTT. A decisão, que contou com votos da base aliada do governo, surpreendeu a presidente, que decidiu retirar a indicação de outros dois diretores.
Após o veto a Figueiredo, a diretoria da ANTT ficou com apenas dois integrantes, sendo que o mínimo necessário para que ela possa deliberar é de três membros.

Ao defender a edição de um decreto para nomear interinos, Passos lembrou que solução semelhante foi usada pelo governo no ano passado para o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte).

Na ocasião, devido à saída de diretores supostamente envolvidos em fraudes em licitações, um decreto presidencial autorizou o Conselho Administrativo do Dnit a nomear interinamente alguns servidores para assumirem as responsabilidades da diretoria.

- Como a ANTT não tem conselho administrativo, a autoridade responsável em nomear diretores, no caso, seria o próprio ministro dos Transportes

 

Chrome supera Internet Explorer no fim de semana, diz empresa

 

HELSINQUE (Reuters) - O browser Chrome, do Google, superou o Internet Explorer, da Microsoft, e se tornou o líder global pela primeira vez no último domingo, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela empresa StatCounter.

 

"Apesar de ter acontecido em apenas um dia, isso é um marco", disse Aodhan Cullen, presidente-executivo da StatCounter. "Nos finais de semana, quando as pessoas estão livres para escolher que browser querem usar, muitas delas estão selecionando o Chrome em vez do IE."

 

Em 18 de março, o Chrome teve um índice de utilização de 32,7 por cento, enquanto o IE teve participação de 32,5 por cento. Quando as pessoas retornaram ao trabalho na segunda-feira, a fatia do IE cresceu para 35 por cento e a do Chrome recuou para 30 por cento.

 

"Ainda não está claro se o Chrome poderá assumir a liderança na guerra de browsers no longo prazo, entretanto, a tendência em direção ao uso do Chrome no fim de semana é inegável", disse Cullen.

 

Em termos mensais, a participação do Chrome subiu para 31 por cento em março até agora ante 17 por cento um ano atrás. Enquanto isso, o IE recuou de 45 para 35 por cento.

 

A participação de mercado do Firefox, que é popular na Europa, é de cerca de 25 por cento no mundo.

 

O browser Safari, da Apple, está em um distante quarto lugar, com participação de 7 por cento e o Opera aparece em seguida, com 2 por cento.

 

As estatísticas da StatCounter são baseadas em dados agregados de mais de 3 milhões de sites, com uma amostra de mais de 15 bilhões de visualizações de páginas por mês.

 

http://br.reuters.com/article/internetNews/idBRSPE82K04420120321

 

O Brasil é um dos países onde o Chrome é mais usado:

 

http://gs.statcounter.com/#browser-BR-daily-20120318-20120318-bar

 

 

 

http://amanditas.wordpress.com/2012/03/21/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-corrupcao-e-vai-continuar-sem-saber/ Tudo o que você queria saber sobre corrupção e vai continuar sem saber

 

Em tese todo mundo é contra a corrupção nem que seja pra ser simpático, ganhar votos, parecer uma pessoa bacana…. E se todo mundo é contra a corrupção, todo mundo sabe o que é corrupção. Certo?

 

Errado. Para o Fantástico, ninguém sabe o que o corrupção.

 

Então vamos analisar o texto do site da Globo que trata do Fantástico de um domingo qualquer:

 

“Licitações com cartas marcadas, negociatas, combinações indecorosas de suborno, propinas, truques para escapar da fiscalização. Certamente, você já ouviu falar muito de corrupção. Mas hoje você vai conhecer a cara dela. E do jeito mais deslavado”.

 

Veja bem: você sempre ouviu falar de corrupção e agora, UAU, você vai conhecer A CARA da corrupção. Sim. A corrupção tem UMA CARA! Eu pensei que fossem várias caras, vários tipos de corrupção, mas agora sei que corrupção tem uma cara e que, puxa, eu preciso conhecer essa cara! Afinal… Pelas palavras do Fantástico:

 

“Entre quatro paredes, o que a gente paga em impostos e que deveria ser destinado à saúde, à educação e outros serviços vai parar no bolso de empresários inescrupulosos e funcionários públicos corruptos. Uma vergonha”.

 

Olhem a sutileza da redação: o seu trabalho é pagar imposto. Quer dizer, monitorar, cobrar, sugerir mecanismos de participação e transparência, pensar (!), reivindicar ou qualquer coisa parecida já é sofisticado demais pra você, cidadão de bem afinal tu é homer simpson ou é rebelde/comunista/petralha. Outra sutileza: os empresários  são inescrupulosos,  funcionários públicos são corruptos. É sutil. Pode parecer uma bobagem, mas… Vamos acompanhar o restante do texto, que bate na tecla da “novidade”.

“O Fantástico mostra agora o mundo da propina, da fraude, da corrupção. De um jeito como você nunca viu. E vale a pena você ver: É o seu dinheiro que eles estão roubando. “

 

É o voyerismo da informação: não basta você saber pelo portal do TCU, pelo Ministério Público, pela Polícia Federal ou o que seja.Você precisa de uma câmera escondida pra ver a cara da corrupção. Afinal, só a TV pode mostrar a corrupção, nenhum outro órgão ou entidade tem credibilidade pra ver esse problema e combatê-lo!

 

Daí você lê mais um pouco e descobre que na verdade não existe notícia! Explico:  o repórter em questão não “descobriu” possíveis corruptos, mas sim escolheu quatro empresas, sendo que três delas já eram investigadas pelo Ministério Público, por diferentes irregularidades. Em bom português: que denúncia é essa que o Fantástico está fazendo, que até o Ministério Público já está apurando? Como andam essas apurações? O que o Ministério Público tem de concreto e já pode divulgar pra imprensa sem prejudicar sua própria investigação?

 

É claro que o Fantástico não explicou nada disso, afinal… A pauta não era “as empresas investigadas pelo Ministério Público”, a pauta era “vamos brincar de mostrar a corrupção?”. Quer dizer você tem uma puta pauta matéria super relevante pra fazer, investigar os meandros das investigações que cercam os crimes relacionados à corrupção e tal, mas isso tudo é deixado de lado pra satisfazer a platéia.

 

Daí que o Fantástico conseguiu filmar a(s) cara (s) da corrupção! UAU! E o circo estava pronto, com as caras dos “empresários safados” e  a declaração de uma fonte da CGU:

“Existe uma noção pré-concebida contra o funcionário público, que ele é o mau, ele é o corrompível. Enquanto que o empresário, o setor privado, é puro, é eficiente, é eficaz. Associada à noção de que a empresa tem que entrar nesse jogo, porque senão ela não leva vantagem porque as outras vão fazer. Isso distorce o mercado, distorce a competição e no longo prazo prejudica todo mundo”

Sério, Fantástico? Cêjura? Engraçado, quer dizer que precisa de um cara da CGU pra chegar a essa brilhante conclusão?

 

Mas o Fantástico é o show da vida, a matéria não podia terminar com esse incrível chavão, tinha que ter uma gracinha:

 

“Eles [os corruptos] não sabiam que estavam sendo filmados. Mas sabiam bem o que estavam fazendo.”

 

Moral da história: se não é a Globo pra mostrar pra gente o que é corrupção a gente nunca saberia o que é isso, não é verdade?!?

 

Quer dizer, a reportagem acabou e você se sente bem informado pois tudo o que você já sabia sobre corrupção se confirmou: a reportagem apenas reiterou uma série de clichês mais ou menos disseminados na população sem apresentar nada de novo do que você já está careca de saber.

 

Questões que a Globo não aborda – e que poderiam ser exploradas:

- Como os órgãos/instituições/instâncias lidam com denúncias de corrupção? Há eficiência desses órgãos? Como ela é mensurada?
- Que riscos correm as pessoas que denunciam determinados tipos de corrupção?
- Quantas pessoas já foram presas por crimes relacionados à corrupção?
- Como eu faço pra saber quanto de recurso um hospital público recebeu e quanto ele está gastando? Quais dados são abertos, quais são fechados?
- Qual o papel do Ministério Público? Ele está investigando as empresas que foram apontadas na matéria como corruptas, mas como está investigando? Quem denunciou?

- Qual o papel da Polícia Federal? Qual é a dificuldade em se obter dados de crime de colarinho branco no Brasil?
- Qual o papel dos movimentos sociais organizados que lutam para combater os diversos tipos de corrupção ou pra criar mecanismos dêem mais transparência ao uso dos recursos públicos?

Enfim, o Fantástico acha que está informando. E eu não duvido que muita gente termine de assistir à matéria e se sinta plenamente informado com aquilo.

Mas eu acho que Fantástico está, na verdade, deseducando: porque a pessoa tem a sensação de que está informada quando na verdade não está. E isso é mais perigoso do que se supõe! Reiterar lugares-comuns não faz pensar, não mobiliza, não envolve a sociedade, não promove mudanças.

É possível que o Fantástico tenha conseguido a proeza de conscientizar alguém que sempre achou que empresário é santo e funcionário público é que é sempre corrupto… É possível.

Mas será que essa foi a única coisa que se salvou na reportagem inteira, de vários minutos? A única coisa que precisava ser dita sobre corrupção era isso “empresários também corrompem”?

Ok. Desculpem meu desabafo, talvez eu seja mesmo uma criatura muito estressada.

 

 

 

Teresa Silva

Um texto e tanto, Teresa.  Voce tambem matou essa charada abaixo?

"repórter em questão não “descobriu” possíveis corruptos, mas sim escolheu quatro empresas, sendo que três delas já eram investigadas pelo Ministério Público, por diferentes irregularidades. Em bom português: que denúncia é essa que o Fantástico está fazendo, que até o Ministério Público já está apurando?"

A investigacao "policial" ja estava bem adiantada, vazou para a rede golpe -muito provavelmente atravez de politico- e a rede golpe pulou na frente da camera pra fazer papel de heroi --embora esteja efetivamente avisando todos os investigados pra tomar mais cuidado, claro.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

..Rastros de ódio no Comitê Executivo da Fifa

Por Fernando Vives | De Olho na Copa – 11 horas atrás - Yahoo
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O ex-presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local da Copa 2014) Ricardo Teixeira anunciou nesta terça-feira 20 que também deixa o Comitê Executivo da Fifa - ele estava no orgão desde 1994. Imagino que essa decisão deva ter doído mais ao cartola que deixar o comando do futebol brasileiro.

O motivo: o Comitê Executivo da Fifa é a mais alta instância da entidade que controla o futebol mundial. Só quem faz parte dele pode se candidatar a presidente, que era o sonho de Ricardo Teixeira - ele concorreria contra Joseph Blatter em 2015.

Aqui cabe uma contextualização sobre o deus-nos-acuda que é o comando da Fifa.

Quando presidente da entidade, João Havelange costumava dizer que a instituição era uma família do futebol, frase repetida a torto e a direito por seu sucessor, o suíço Blatter. De família, só se for aquelas da máfia, porque nenhum dos principais personagens dela gostam uns dos outros.

Vejamos. Em 1994, João Havelange tinha relações cordiais com Blatter, mas este último achou que poderia derrota-lo nas eleições. Articulou na surdina para que conseguisse derrotar Havelange, pelas costas deste último. Idoso, porém ainda muito influente, Havelange conseguiu debandar a tentativa de Blatter, que sempre declarou tudo não passar de futrica da imprensa. Não era. E desde então Havelange passou apenas a aturar Blatter.

Em 1998, no novo pleito da Fifa, o sueco Leonard Johansson iria sair candidato. Trata-se de figura rara na política do futebol mundial, pois tinha fama de honesto. Na sua candidatura, prometeu vasculhar abusos de Havelange na entidade. Havelange rapidamente engoliu o orgulho e se juntou a Blatter, supostamente conivmente com as maracutaias que Johansson gostaria de investigar. E Blatter venceu.

Ricardo Teixeira é genro de Havelange e sonhava seguir os passos dele - foi presidente da CBF e queria mandar na Fifa. Era aliado de Blatter até que, nas últimas eleições, resolveu apoiar o catariano Mohammed bin Aman, que bancou uma candidatura contrária a Blatter. O suíço ficou furioso. Aman declarou, na campanha, que havia compra de votos, e Blatter ficou duas vezes mais furioso. Conseguiu caçar a candidatura de Aman e concorreu sozinho, obviamente vencendo o pleito. O efeito colateral: Teixeira passou a ser inimigo de Blatter.

Outro personagem importante na Fifa é o atual secretário-geral da Fifa, o francês Jerome Valcke, aquele um do chute no traseiro. Este é odiado por Blatter, o presidente. É. Valcke era um reles repórter francês e, por saber demais, acabou virando cartola importante na instituição. Ele tem Blatter na manga. Valcke chegou a ser demitido por suspeita de corrupção, mas, como sabia demais, foi readmitido e... eleito secretário-geral.

Então tem-se aí uma situação que remete ao poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, só que ao contrário: Havelange que odeia Blatter que odeia Valcke que, no entanto, é aliado e amigo pessoal de Ricardo Teixeira (e todos odeiam Johansson, claro). Acontece que ficar ao lado de Valcke e não de Blatter acabou sendo um tiro no pé do brasileiro. Para o bem do futebol, Teixeira jamais será presidente da Fifa. Não que os nomes que hoje lá estão sejam melhores.

 

FFabíola Reipert - Do R7

 

Empresa denunciada pela Globo presta serviços para a emissora

Chegou ao blog uma informação (confirmada pela própria Globo), que causou surpresa...

A Toesa, empresa de atendimento médico pré-hospitalar que foi denunciada peloFantástico por fazer parte do esquema de fraudes em licitações na área da saúde no Rio, trabalha para a Globo.

Mesmo depois da denúncia, neste domingo (18), ambulâncias e funcionários da Toesa continuaram circulando pelo Projac.

Curiosamente, as ambulâncias estavam descaracterizadas, sem o logotipo, mas os funcionários trabalhavam devidamente uniformizados.

A Globo diz, por meio de sua assessoria: "A Toesa presta, sim, serviços de ambulância e primeiros-socorros no Projac. Todos os veículos levam o logotipo da empresa e os funcionários andam uniformizados."

Já governo e a Prefeitura do Rio de Janeiro, após a denúncia, cancelaram contratos com a Toesa e as outras empresas denunciadas pela Globo.

 

Clipping do Dia (www.cloudnews.com.br)

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http://www.cloudnews.com.br/


 

Oposicionistas também cometeram abusos na Síria, diz ONG

 

Membros de grupos oposicionistas da Síria, que há mais de um ano pedem a renúncia do presidente Bashar al-Assad, também cometem abusos e violações de direitos humanos como tortura, sequestros e execuções, acusou nesta terça-feira a ONG internacional Human Rights Watch (HRW).

Em carta aberta ao Conselho Nacional Sírio (CNS), que congrega os oposicionistas, a organização diz que as “táticas brutais” do regime não justificam os abusos cometidos pelos braços armados da oposição.

A HRW também deixa claro que não há indícios de que os responsáveis pelos abusos pertençam a estruturas organizadas da oposição ou que estejam seguindo ordens do CNS. Sarah Leah Whitson, diretora de Oriente Médio da ONG, diz que o CNS deveria deixar claro que os rebeldes não deveriam, sob hipótese alguma, torturar, sequestrar ou executar.

Entre os alvos dos abusos estariam integrantes das forças de segurança do governo, apoiadores de Assad, e pessoas identificadas como membros das Shabiha, as milícias pró-regime acusadas de levar a cabo execuções de civis como parte das técnicas de repressão aos protestos. Segundo a ONU, que já descreveu a crise no país como uma guerra civil, mais de 8 mil pessoas já morreram desde o início dos confrontos há mais de um ano.

Na esteira da Primavera Árabe, onda de protestos que derrubou os ditadores da Tunísia, Egito e Líbia e promoveu reformas no Marrocos, na Jordânia e a transição política no Iêmen no ano passado, os rebeldes sírios querem a saída de Assad do poder. Embora as potências ocidentais venham pressionando o regime, esforços para condenar o governo na ONU vêm sendo barrados por China e Rússia.

Um ano
Na semana passada, quando a revolta completou um ano, 200 grupos humanitários de 27 países – entre eles Human Rights Watch, Christian Aid, Instituto de Estudos de Direitos Humanos do Cairo (CIHRS, na sigla em inglês), Civicus e a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) – apelaram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para se unir e aprovar uma resolução condenando o regime sírio pelo uso de violência, tortura e prisões arbitrárias de civis. ”Durante um ano inteiro vimos o aumento do número de mortos na Síria, que chegou ao total horripilante de mais de 8 mil, incluindo centenas de crianças”, disse Ziad Abdel Tawab, vice-diretor do CIHRS. ”Já não é chegada a hora de o mundo se unir e tomar medidas efetivas para interromper isso agora?”, questiona.

Outro motivo de preocupação é a fuga dos sírios para países vizinhos, levando à formação de campos de refugiados. ”O número de refugiados sírios atualmente na Turquia aumentou em mil em apenas um dia e subiu para um total de 14.700″, disse na última quinta-feira o porta-voz da diplomacia turca, Selcuk Unal.

Mediadores
Na segunda-feira, uma equipe de cinco mediadores despachada pelo enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria Kofi Annan ao país para negociar um cessar-fogo diário. O objetivo é prestar auxílio humanitário no intervalo da ofensiva das tropas do regime. Assad recebeu o ex-secretário-geral da ONU, Koffin Annan, mas não fechou nenhum acordo

Jakob Kellenberger, chefe da Cruz Vermelha Internacional, disse que há indicativos de que a Rússia possa apoiar a iniciativa de um cessar-fogo diário de duas horas.
Suas declarações chegam após um encontro com o chanceler russo, Sergei Lavrov, em Moscou. Ainda na sexta-feira, uma semana após se reunir com o presidente sírio, Bashar al-Assad, o enviado das Nações Unidas manifestou que poderia enviar uma nova equipe de monitores ao país.

A Liga Árabe já enviou uma primeira missão de monitoramento ao país ainda no fim do ano passado, com espectro de ação limitado e sob intensa vigilância do regime. As mortes de civis não foram interrompidas e, segundo ativistas, mais de 400 morreram durante a visita dos diplomatas.

 

Mercadante lança programa para melhorar ensino no campo e diz que descaso na área foi “equívoco histórico” 

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse hoje (20) que foi um “equívoco histórico” o descaso do país com as escolas do campo. O governo lançou, em solenidade no Palácio do Planalto, um pacote de medidas para melhorar a qualidade do ensino oferecido nas escolas localizadas em áreas rurais, que apresentam índices educacionais bastante inferiores aos verificados no restante do país.

“O Brasil hoje é o segundo produtor mundial de alimentos, o campo brasileiro exporta quase US$ 95 bilhões. O campo é o grande responsável pela melhora das contas externas e é um equívoco não dar prioridade para a educação no campo como aconteceu durante toda a nossa história. É muito mais inteligente para o Brasil estimular que esses jovens e famílias permaneçam no campo em vez de serem acomodados nas periferias das grandes das cidades como vem acontecendo”, defendeu Mercadante.

As escolas localizadas em áreas rurais respondem por 12% das matrículas de educação básica no país. Enquanto a taxa de analfabetismo no país – na população com mais de 15 anos – é 9,6%, na zona rural o índice sobe para 23,2%. Apenas 15% dos jovens de 15 a 17 anos do campo estão no ensino médio e só 6% das crianças até 3 anos têm acesso à creche.

O Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo) prevê ações para melhorar a infraestrutura das escolas e a formação dos professores, além de ampliar o tempo de permanência dos alunos nos colégios. Uma das metas é garantir o abastecimento de água e energia elétrica até 2014 para cerca de 11 mil escolas que não têm rede de esgoto nem luz elétrica. O plano também prevê a construção de 3 mil escolas. De acordo com Mercadante, o investimento anual no Pronacampo será R$ 1,8 bilhão.

Estão previsas também a distribuição de 180 mil bolsas de estudo de educação profissional e a produção de material didático específico com temas que tratam da realidade do campo. As obras chegarão às escolas em 2013. Para melhorar o transporte escolar, o programa prevê a compra de 8 mil ônibus escolares, 2 mil lanchas e 180 mil bicicletas. Prefeituras e governos estaduais irão aderir às ações do Pronacampo por meio de edital.

Edição: Juliana Andrade

http://www.oreconcavo.com.br/2012/03/20/mercadante-lanca-programa-para-melhorar-ensino-no-campo-e-diz-que-descaso-na-area-foi-equivoco-historico/

 

Do Blog Minas Sem Censura

 

A insegurança de Aécio

         Em caráter preventivo, Aécio escreve hoje sobre segurança (FSP, 19/03). Como de costume, publicamos abaixo, seu texto.

Ele escreveu de Washington (que chique), já que estaria em “missão” solicitada por Anastasia, buscando recursos para a área de segurança em Minas.

Melhorou um pouco: jornais mineiros noticiaram, semana passada, o pseudo fato político, excluindo Anastasia da citada transação. Agora, ele pelo menos diz que foi lá por solicitação do governador mineiro. Menos mal. Permanece uma contradição: ele diz que os recursos que foi buscar (nunca diz que foi empréstimo) são para a promoção da segurança para a juventude; a imprensa local divulgou matéria, enviada por sua assessoria, falando da aplicação de tais recursos no sistema prisional.

Quem conhece a máquina de promoção pessoal de Aécio Neves sabe que seus integrantes não conhecem limites políticos e morais. Tentam, agora, mostrar o senador mineiro de nascença como interlocutor de órgãos financeiros internacionais.

Pura balela: ele “atropelou” o governador Anastasia e foi lá negociar a partir da autorização da presidenta Dilma, dada ao governo mineiro, ampliando as possibilidades de novos empréstimos no exterior. Como o factóide não prosperou, nem mesmo na imprensa mineira, ele agora usa o espaço do jornal paulista para repercutir o que não conseguiu antes.

Eis um contraexemplo de responsabilidade fiscal: Minas deve mais de 70 bilhões de Reais, e ele ainda corre para pegar mais empréstimos. Tranquilo. Não é ele quem vai pagar.

Além do mais, seu factóide é noticiado quando é exonerado o secretário de Defesa Social do governo Anastasia, Lafayette Andrada, em meio a um escândalo de maquiagem de dados sobre a violência em Minas. A fraude foi revelada agora, mas desde quando isso vem ocorrendo? Sem falar dessa conduta fraudulenta, que contamina as estatísticas sobre a criminalidade no país, isso só revela o quão sério é o “modelito” de gestão tucana.

Evidentemente, para fazer sua crítica ao governo federal, ele, mais uma vez, usa números aleatórios: “Pelos dados disponíveis, em 2009, 83% dos investimentos neste campo foram feitos por Estados e municípios.” Mesmo que esse número cabalístico fosse correto, uma análise séria teria de decompor responsabilidades dos entes federados, e, dentro deles, as respectivas correlações. Exemplo: em Minas Gerais as prefeituras custeiam combustível e manutenção de viaturas policiais, cessão de funcionários municipais em auxílio às atividades de segurança, aluguel de imóvel para a instalação das delegacias (às vezes, até mesmo de moradia de policiais). Segundo prefeitos, até mesmo papel higiênico tem de ser comprado com recursos municipais.

Fora que esse dado que ele apresenta fala de cifras supostamente gastas. E não das estatísticas de criminalidade, que seu governo em Minas maquia.

A sua desfaçatez se completa com um autoelogio: ao seu próprio programa “Fica Vivo”, que seria uma referência internacional, segundo ele. Por obrigação, ele cita as UPP´s, no Rio de Janeiro. Este é Aécio Factóide Neves. 

Vídeo imperdível :

http://www.youtube.com/watch?v=Y_R76FD7fVg&feature=player_embedded

 

 

Fantastico, Gardenal!  Da introducao do youtube:

"Em reunião da Comissão Especial da ALMG para discutir a dívida de Minas, o dep. Sávio Souza Cruz faz um relato de como surgiu a dívida do Estado de Minas. Déficit Zero, Pib da China Choque de gestão alardeados em 8 anos de gov. Aécio agora, da noite pro dia, Minas está quebrada. Quem explica?"

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Imagine agora, Ivan, esse senador Playboy levando essa prática ao nível da União. É por isso que insisto no meu mantra : O PERIGO MORA EM MINAS E, pior, dirige bêbado.

 

PF começa a ouvir amanhã representantes de empresas flagrados em reportagem do Fantástico20/03/2012 - 22h42

Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O titular da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvio de Recursos Públicos, da Polícia Federal, Victor Poubel, começa a ouvir, a partir de amanhã (21), 17 pessoas de quatro empresas que aparecem na reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, negociando fraudes em contratos de prestação de serviço no Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A Polícia Federal instaurou quatro inquéritos envolvendo as empresas Locanty Soluções, Toesa Service, Bella Vista Refeições Industriais e Ruffolo Serviços Técnicos e Construções. Entre os citados estão: a gerente da Ruffolo, Renata Cavas; o diretor Rufolo Villar; o gerente da Locanty, Carlos Sarras; o presidente da Toesa, Davi Gomes; e o representante da Bella Vista Refeições Industriais, Jorge Figueiredo. Eles aparecem na reportagem negociando os contratos de prestação de serviço para a unidade de pediatria da UFRJ.

Hoje (20), ao rebater notícias divulgadas na imprensa, as quais chama de “informações truncadas”, o governo do estado divulgou nota negando que o governador Sérgio Cabral tenha recebido doação da empresa Locanty, durante a campanha eleitoral à reeleição em 2010. A nota diz que os dados oficiais podem ser confirmados, inclusive, na Justiça Eleitoral. A nota destaca ainda que “o governador não recebeu na então campanha à reeleição nenhuma doação da Locanty; a campanha majoritária tem um comitê próprio; a referida doação foi ao PMDB e para uso que cabe ao PMDB informar”.

Já o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) esclareceu, por meio de nota, com relação às denúncias veiculadas na reportagem sobre irregularidades na contratação de fornecedores para órgãos federais que não tem "contrato vigente com as empresas Locanty Soluções, Bella Vista Refeições Industriais, Ruffolo Serviços Técnicos e Toesa Service”.

 

Edição: Aécio Amado

 

Campanha publicitária pós-carnaval estimula jovem a fazer teste de aids20/03/2012 - 20h09

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Ministério da Saúde iniciou na TV aberta a segunda parte da campanha de combate à aids, que começou antes do carnaval. A ideia agora é estimular o folião que teve relação sexual sem preservativo nos dias da festa do Rei Momo a procurar uma unidade de saúde para fazer o teste de aids.

No vídeo, um rapaz encontra um bilhete de uma pessoa com quem teve relação sexual e um pacote de camisinha, em alusão à possibilidade de a relação ter sido desprotegida. Ele, então, pede ajuda a um elefante para ir ao local onde pode fazer o exame de diagnóstico da doença, em referência à crença popular de que o animal tem boa memória. O filme pode ser visto na página na internet do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério.

Estima-se que mais de 250 mil brasileiros não sabem que estão infectados pelo vírus HIV, conforme dados de 2010, do Ministério da Saúde. Em 2012, o governo federal prevê fazer 3,4 milhões de exames rápidos antiaids, que dão o resultado dentro de 10 a 15 minutos.

O público-alvo da campanha é o jovem homossexual de 15 a 24 anos. Dados do ministério mostram que o número de casos de aids entre gays dessa faixa etária cresceu 10%. Em 2010, para cada 16 homossexuais com a doença existiam dez heterossexuais. Em 1998, a relação era 12 para dez respectivamente.


Edição: Lana Cristina

 

do JORNAL da TARDE

Paraisópolis ganha ‘UPP à paulista’

Categoria: Polícia, Segurança Pública

CAMILLA HADDAD
GIO MENDES
Após investir em operações repressoras para combater crimes no Morumbi, na zona sul, a Polícia Militar agora aposta no policiamento comunitário dentro de Paraisópolis. No último sábado (dia 17), duas novas bases móveis passaram a funcionar nas ruas da favela. Os equipamentos foram utilizados como exemplo para a polícia carioca na criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Outra base já existente, na entrada da comunidade, continuará aberta para melhorar a sensação de segurança do bairro. O Morumbi enfrenta uma onda de violência desde o ano passado, quando PMs de outros bairros foram chamados para a região. No último final de semana, pelo menos sete pessoas foram presas por roubar pedestres e tentar atacar residências. Nos primeiros três meses de 2011, 62 casas foram invadidas. Este ano, segundo o tenente coronel Ulisses Puosso, do 16° Batalhão, o número não passa de 20. Os arrastões a restaurantes também preocupam: desde janeiro foram quatro ocorrências assim.

O coronel explica que as bases são inéditas no local e terão seis policiais que não serão trocados. O objetivo é que eles criem um vínculo com a população e até sejam chamados pelo nome. “Queremos dar uma referência para as pessoas e ouvi-las, para criar um elo de confiança. Fazer o policial ser um mediador de conflitos”, explica o oficial. Além dessas missões, o PM poderá registrar boletins de ocorrência de furtos e receber denúncias.

Nos anos de 2005, 2009 e 2011, Paraisópolis foi palco de três operações Saturação – quando a Tropa de Choque da PM ocupa as ruas e faz um ‘pente-fino’ entre moradores. No ano passado, outra tática foi adotada: a Operação Colina Verde – montada para reduzir os roubos.
Para Puosso, a saturação não é suficiente. “Isso só não resolve, é uma solução imediatista. Estamos num momento à frente. O ideal é utilizar o policiamento comunitário”, acredita.
Julia Titz, presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi, afirma que a operação Colina Verde foi fundamental para reduzir crimes. “O clima de segurança ficou muito melhor e houve um estreitamento entre a polícia e os moradores”, conta. Já o presidente do Conseg Portal do Morumbi, Celso Cavallini, diz que a chegada das bases móveis vai “irradiar segurança” em Paraisópolis.

O coronel Puosso acrescenta que os índices de violência no Morumbi apresentam queda. Entre 1º de janeiro e 10 de março, foram registrados 20 roubos a residência, ante 62 no ano passado. “Ainda é muito, concordo, mas houve redução significativa.”

Segundo o capitão Sergio Marques, porta voz da PM, o uso de bases móveis é uma tendência na capital. Atualmente, são 93 em operação e outras 47 fixas. O oficial explica que, para trabalhar nesses locais, todos os PMs passaram por um treinamento que varia de uma semana a um mês na Diretoria de Polícia Comunitária e Direitos Humanos (DPCDH).

“A PM de outros Estados vem fazer curso com a gente. Os oficias das UPPs do Rio aprenderam aqui, mas nessa ação, primeiro eles pacificam a área com o Exército e Bope. Isso em São Paulo não acontece. A PM entra em qualquer favela”, lembra.

 

 ‘FT’: Brics cogitam criar um banco de desenvolvimento comum

20 de março de 2012 | 18h41

Sílvio Guedes Crespo- http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, países emergentes que formam a sigla Brics, levantaram em fevereiro a ideia de criar um banco de desenvolvimento conjunto e pretendem dar prosseguimento ao projeto em uma reunião em Nova Deli, Índia, marcada para a semana que vem, noticia o “Financial Times“.

O diário britânico disse ter obtido a informação com uma autoridade brasileira. A fonte acrescentou que os países ainda estão em um “estágio muito inicial da discussão”.

Os Brics, apesar de inúmeras diferenças entre si, têm em comum o fato de serem economias grandes e deterem uma grande parte das reservas em moeda forte do planeta. Com o banco de desenvolvimento, diz o “FT”, a poupança dos países poderia se movimentar melhor entre os membros do grupo.

Uma autoridade indiana disse que a China está pouco propensa a aderir a não ser que ganhe o posto de controladora da futura instituição. Mas, para os chineses, um banco de desenvolvimento ajudaria a promover o yuan entre os Brics.

No dia 8, o mesmo “Financial Times” noticiou que a China vai propor aos demais quatro países, na mesma reunião em Nova Deli, a criação de uma linha de empréstimos em moeda local entre eles.

“Para o Brasil, cujo banco de desenvolvimento tem quatro vezes mais recursos que o Banco Mundial, uma instituição comum para o grupo poderia ajudar a formar novos laços comerciais, particularmente com a Rússia e a China”, afirma o jornal.

 

Do Observatório da Imprensa

 

As novas formas de leitura

 

Por Washington Araújo em 20/03/2012 na edição 686

 Nem todas as invenções (e descobertas) da humanidade têm sua história devidamente registrada, seu passo a passo detalhado com fotografias e elaboração de precisa linha do tempo. Por exemplo, pouco sabemos como se deu a invenção da roda, mas podemos imaginar algo rolando pela primeira vez de uma caverna... há milhares de anos.

Menos ainda sabemos sobre a descoberta do fogo, mas podemos inferir como verossímeis a realização filmíca de Jean-Jacques Annaud, A Guerra do Fogo, de 1981. O filme trata de coragem, busca e bravura na pré-história e narra a saga de um homem das cavernas que é mandado para longe de seu povo para procurar fogo. Motivo: a única chama da sua tribo, de onde faziam fogueiras, se apagou.

Agora, se olharmos à nossa volta com olhos realmente curiosos, logo descobriremos quão extensa é nossa ignorância acerca da história da invenção do grampeador, das folhas de papel que enfeixadas de certa maneira atendem pelo nome de livro, ou desse pequeno pedaço de metal, com algumas ranhuras, a que chamamos chave. E por aí vai; nos transformamos em espectadores do avanço de incansável dízima periódica a mapear milhares de pontos obscuros, seja à gênese ou à história deste e daquele objeto, invenção ou descoberta.

Camaleão pós-moderno

Mas a invenção mais impactante e que mudou por completo a vida ordenada da sociedade como a conhecemos é, certamente, o computador pessoal. E o bom: sua história está minuciosamente escrita, seja porque é algo bem mais recente, remonta a fins dos anos 1970, seja porque boa parte dos inventores, promotores e impulsores do formidável invento encontram-se ainda vivos e são nossos contemporâneos. Melhor seria se ainda não existisse a lacuna Steve Jobs.

Segundo o Computer History Museum, em 1971 foi lançado o primeiro “computador pessoal”: o Kenbak-1. E era uma engenhoca ousada: possuía 256 bytes de memória, não tinha CPU e o preço conforme anúncio na revista Scientific American eram exatos 888. Dólares.

Em 1975, surge o Altair 8800, um computador pessoal baseado na CPU Intel 8080. Custava cerca de 400 dólares e se comunicava com o usuário por meio de luzes que piscavam. Dentre os primeiros usuários estavam o calouro da Universidade Harvard Bill Gates e um jovem programador, Paul Allen, que juntos desenvolveram uma versão da linguagem “Basic” para o Altair. Pouco tempo depois, a dupla resolveu mudar o rumo de suas carreiras e criar uma empresa chamada Microsoft. Pronto, esta é a gênese do computador pessoal.

Mesmo sem nos darmos conta, muitas coisas deixaram de existir para que houvesse espaço para o computador e suas quase inumeráveis “habilidades”:

** Livros – Ainda tem gente que diz que jamais deixaria o prazer de manusear um livro tal como o conhecemos (papel, lombada, capa, miolo e orelhas) por um livro digital (alimentado por energia elétrica, com páginas, entrelinhas, luminosidade, tipo e tamanho de caracteres) moldado para atender o gosto do freguês. Também pensava assim até que em 2009 comprei meu primeiro Kindle, leitor digital produzido pela Amazon e dependente de luz externa, e em 2010 adquiri meu primeiro iPad, leitor digital vendido pela Apple Computers que apresenta paleta de cores quase ilimitada e dispensa iluminação externa. Ainda não conseguiram duas coisas necessárias a satisfazer o velho e gostoso hábito de leitura: preservar o característico cheiro de papel, emanando da tela de cristal líquido e... poder visualmente observar o volume das páginas lidas e aquele que falta para terminar a leitura do livro.

Mas, se perdemos algo lúdico, essa sensação do toque, da memória da pele, ganhamos em outras comodidades, como poder navegar na livraria online e até mesmo ler um capítulo do livro desejado antes de comprar. E um detalhe gigantesco: o preço é inferior a metade do preço que pagaria por um livro-papel, por um livro tradicional.

Nesse sentido o computador é o próprio camaleão da pós-modernidade: pode ser um livro, depois uma tela de pintura, depois um jogo, depois um aparelho de som, em seguida uma tela para assistir tevê, filmes, seriados. No fundo, o camaleão começa e termina com o que existe desde o início: um equipamento eletrônico.

O que não muda

Jornais – É fato e ultrapassa as fronteiras dos gostos e fantasias: as novas gerações simplesmente deixaram de ler jornais. A começar pela recusa em não mais fazer assinatura de jornais impressos. E desapareceu com a mesma “serenidade” com que deixou de existir o leiteiro que entregava o produto de casa em casa e o empregado da lavanderia que buscava a roupa suja de casa para lavar. Sumiu também o datilógrafo e, por motivos óbvios, o que temos mais próximo dessa antiga profissão das empresas e escritórios é o que atende pelo nome de digitador.

As pessoas nascidas no limiar dos anos 1990, hoje na faixa dos 20 anos de idade, cultivam de forma quase instintiva o novo hábito de ler jornais, revistas e livros através da internet, acessível em computador de mesa, notebook, netbook, tablet ou smartphone conectado à Grande Teia.

A tendência natural é que, diante do rápido aumento de dispositivos móveis de acesso à internet, a leitura eletrônica finque raízes profundas no imaginário humano que abarca tudo o que seja atinente à prática da leitura. E para que tal realidade se consolide não tardará o dia em que em nível planetário os editores de jornais e revistas se associem comercial e financeiramente com os gigantes da web (Apple, Microsoft, Google, Amazon) e também as mais importantes empresas de telefonia celular para desenvolver um modelo pago de assinatura digital. É só esperar para ver.

Na última cena do filme de Jean-Jacques Annaud, os dois personagens centrais aparecem olhando para uma grande lua no céu e a barriga de uma mulher grávida é iluminada, mostrando que a vida naquela tribo continuou, apesar de modificada por integrante de uma tribo distinta. E, também, graças a tudo o que foi aprendido pelo herói do fogo.

Assim também já começa a acontecer com nosso hábito de leitura. Novas tecnologias logo são assimiladas e as fronteiras do conhecimento são novamente ampliadas mais e mais. O que permanecerá como imutável, e ainda por muito tempo, é que sempre será um humano que recolherá, buscará e zelará pela veracidade das informações a ser transmitidas pelos meios mais diversos.

É com essas informações que alimentaremos nossa fornalha mental, aguçaremos nosso senso crítico e levamos avante uma civilização em constante evolução.

***

[Washington Araújo é mestre em Comunicação pela UnB e escritor; criou o blog Cidadão do Mundo; seu twitter]

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed686_as_novas_formas_de_leitura

 

webster franklin

PúblicosLei de Acesso à Informação20.março.2012 17:08:10 Cartilha do governo combate cultura do sigilo no setor público

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Os colegas do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas revelaram que a Controladoria Geral da União, em parceria com a Unesco, produziu uma cartilha sobre a Lei de Acesso à Informações Públicas. O texto, dirigido aos servidores que terão de atender às requisições de dados dos cidadãos, pode ser baixado aqui.

É uma iniciativa importante para combater a praga da cultura do sigilo no setor público.  Aqui vai um trecho do texto:

“Em uma cultura de segredo, a gestão pública é pautada pelo princípio de que a circulação de informações representa riscos. Isto favorece a criação de obstáculos para que as informações sejam disponibilizadas, devido a percepções do tipo:

* O cidadão só pode solicitar informações que lhe digam respeito direto

* Os dados podem ser utilizados indevidamente por grupos de interesse

* A demanda do cidadão é um problema: sobrecarrega os servidores e compromete outras atividades

* Cabe sempre à chefia decidir pela liberação ou não da informação

* Os cidadãos não estão preparados para exercer o direito de acesso à informação

Na cultura de segredo a informação é retida e, muitas vezes, perdida. A gestão pública perde em eficiência, o cidadão não exerce um direito e o Estado não cumpre seu dever. Em uma cultura de acesso, os agentes públicos têm consciência de que a informação pública pertence ao cidadão e que cabe ao Estado provê-la de forma tempestiva e compreensível e atender eficazmente às demandas da sociedade. Forma-se um círculo virtuoso:

* A demanda do cidadão é vista como legítima

* O cidadão pode solicitar a informação pública sem necessidade de justificativa

* São criados canais eficientes de comunicação entre governo e sociedade

* São estabelecidas regras claras e procedimentos para a gestão das informações

Na cultura de acesso, o fluxo de informações favorece a tomada de decisões, a boa gestão de políticas públicas e a inclusão do cidadão. Pesquisas mostraram que a confiança da população no serviço público aumentou em países nos quais há lei de acesso.”

(Daniel Bramatti)

 

Radar políticoQuestão Indígena20.março.2012 20:23:43 Governistas adiam na CCJ votação de proposta dos ruralistas sobre homologação de terras indígenas

Agência Brasil

Em uma sessão tensa da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara, de ânimos acirrados, os deputados governistas, exceto os do PMDB, conseguiram adiar nesta terça-feira, 20, por falta de quorum, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere para o Congresso Nacional a competência para demarcar e homologar terras indígenas e quilombolas. Atualmente, essa competência é do Poder Executivo, mas a bancada ruralista quer colocar a PEC em votação para ter mais influência sobre as homologações.

Não faltaram vaias e aplausos da plateia que acompanhou a votação, formada principalmente por representantes indígenas. O adiamento da votação se deu após uma série de manobras regimentais utilizadas principalmente pelos deputados do PT, PV, PSB e PSOL. Para protelar a votação, os petistas pediram a leitura da ata da reunião anterior e a discussão do documento. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) deu início a leitura do documento às 15h10, em ritmo lento, que fez consumir meia hora da reunião.

A leitura da ata anterior é prevista no Regimento Interno da Câmara, mas, geralmente é dispensada pelos deputados na abertura dos trabalhos das comissões. Os deputados ruralistas ficaram irritados com a atitude dos governistas. “É, no mínimo, vexatória essa leitura tartaruga”, reagiu o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), a favor da aprovação da PEC.

Houve ainda a discussão da ata, a apresentação de mais três requerimentos, um de audiência pública feito pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), na tentativa de encerrar a reunião pela ordem do dia. O que ocorreu, às 17 horas, com um pedido de verificação de quórum apresentado pelo deputado Luiz Couto (PT-PB) que constatou não haver número suficiente de deputados para a votação. O PT, o PV, o PSB haviam entrado em obstrução, fazendo com que a presença de seus parlamentares não fosse computada. Já os ruralistas contaram com o apoio principalmente do DEM, do PMDB, do PP e do PPS, mas o número dos deputados presentes não foi suficiente.

A proposta entrou na pauta de votação da comissão por causa da pressão da bancada ruralista que deseja barrar as homologações de terras no Brasil e retomar os processos de demarcações já iniciados. Um dos argumentos defendidos pelos deputados ruralistas para aprovar a PEC é que “há um descontrole” do Executivo na homologação de terras.

“Há um descontrole e falta de critérios para a homologação de terras hoje no Brasil. Este País está vivendo uma crise de cumprimento de regras em relação ao direito à propriedade”, disse o vice-líder do PP, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Para ele, o argumento dos povos tradicionais e do governo, de que, caso essa atribuição seja transferida para o Congresso, nenhuma terra será mais demarcada, é injusto. “Não serão homologadas mesmo, talvez porque não tenham mesmo que ser. É uma medida injusta para quem tem a propriedade da terra registrada”, declarou o deputado.

Um grupo de índios da etnia Xacriabá, de Minas Gerais, permaneceu durante todo tempo na reunião. Vestidos com trajes típicos e munidos de chocalhos e apitos, antes de começar a votação, eles dançaram em círculo e cantaram músicas com letras em defesa de suas terras.

A entrada da proposta na pauta da CCJ resultou da pressão feita pela bancada ruralista, que está articulada para aprovar o parecer do relator Osmar Serraglio (PMDB-PR), a favor da admissibilidade da PEC. Além da transferência de competência, a proposta também prevê a revisão dos processos fundiários e estudos antropológicos encerrados e já publicados.

Em 2004, o deputado Luiz Couto (PT-PB) emitiu parecer contrário à admissibilidade, que não chegou a ser votado. No ano passado, já com relatoria do deputado Osmar Serraglio, a votação foi adiada duas vezes, com influência direta do governo. Na primeira reunião, na semana passada, o assunto não estava na pauta e os ruralistas pressionaram para que o presidente da CCJ, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), o incluísse na reunião desta terça.

 

Ministra nega saída de Ana de Hollanda da CulturaTitular do MinC enfrenta críticas de artistas, intelectuais e militantes, que pedem publicamente sua saída da pasta; queixas vão de despreparo à envolvimento com instituição suspeita de fraude20 de março de 2012 | 14h 47

 

 Tânia Monteiro, da Agência Estado

BRASÍLIA - O forte abraço dado nesta terça-feira, 20, pela presidente Dilma Rousseff na ministra da Cultura, Ana de Hollanda, no encerramento da cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Educação no Campo (Pronacampo), acabou provocando uma rápida intervenção preventiva de outra ministra, a de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas. Imediatamente após o abraço, Helena fez questão de declarar para a imprensa que Ana de Hollanda "não está saindo do governo", antecipando-se a quaisquer novas especulações que o abraço poderia suscitar sobre a saída da titular da Cultura.

Veja também:
link Intelectuais pedem, em manifestos, saída de Ana de Hollanda do MinC
link 'Despreparo é dolorosamente evidente', dizem intelectuais sobre gestão do MinC

A mais recente baixa no primeiro escalão do governo Dilma foi a de Afonso Florence, que deixou o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) este mês sob críticas a respeito do ritmo que imprimiu à reforma agrária, para ser substituído por Pepe Vargas. Ambos são petistas. Ana de Hollanda também já enfrentou - e enfrenta - rumores de que estaria prestes a ser substituída por Dilma Rousseff.

Desde o final da semana passada, manifestos de artistas e intelectuais começaram a circular pedindo abertamente sua substituição à presidência Dilma Rousseff. Os signatários são críticos da gestão de Ana e argumentam que a ministra é despreparada para ocupar o cargo.

A ministra acumula momentos de mal-estar desde o primeiro ano de governo e o mais recente envolve denúncias de que o ministério teria agido em favor do Escritório de Arrecadação e Distribuição de Direitos (Ecad) em um processo no qual a instituição é acusada de cartelização e gestão fraudulenta. O Ecad é alvo de CPI no Senado, que deverá propor o indiciamento de quatro dos seus diretores por formação de quadrilha, cartel e apropriação indébita.

 

SP terá até 4 redes de aluguel de bicicletas

 

Paulistano, porém, não poderá retirar bike da área de uma empresa e devolver em outras

 

20 de março de 2012 | 22h 35

 

 

Adriana Ferraz e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO - Os sistemas de empréstimo de bicicletas que serão instalados em São Paulo atraem cada vez mais empresas interessadas no serviço de mobilidade. Além de Bradesco e Itaú, que já prometeram colocar ao menos 3,3 mil bicicletas nas ruas da capital, a AES Eletropaulo e a Ambev também afirmaram à Prefeitura que vão apresentar propostas. Como os sistemas vão operar separadamente, os paulistanos não poderão pegar a bicicleta da área de uma empresa e devolver no bicicletário de outra.

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sistemas de empréstimo de bicicletas atraem cada vez mais empresas - Clayton de Souza/AEClayton de Souza/AEsistemas de empréstimo de bicicletas atraem cada vez mais empresas

 

O primeiro modelo a entrar em operação deve ser o do Itaú. O banco já opera um sistema parecido no Rio, onde 600 bicicletas estão espalhadas em 60 pontos de empréstimo e os usuários podem checar pela internet e celular qual é o bicicletário mais próximo com bicicletas disponíveis. Hoje, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) autorizou a assinatura do termo de cooperação com o Itaú, o que deve ocorrer nos próximos dias e, após essa oficialização, a previsão de início do serviço é de dois meses.

 

O acordo, que será válido por três anos, prevê a oferta de 3 mil bicicletas em 300 estações. Segundo a Prefeitura, a distância entre cada uma delas será de 1 quilômetro. O banco deve adotar o mesmo nome do sistema carioca, Samba, mas reduzir pela metade o período grátis para o ciclista: em São Paulo, serão 30 minutos sem custo. O valor excedente ainda não foi definido.

 

Ciclofaixa. O próximo parceiro a assinar com a Prefeitura deverá ser a Bradesco Seguros, que já coordena a Ciclofaixa de Lazer. Inicialmente, a empresa queria oferecer 300 bicicletas somente aos domingos e feriados, quando a faixa funciona, mas a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão que analisa o uso de publicidade externa na capital, exigiu que o sistema funcionasse diariamente. Com a mudança, uma nova proposta deverá ser apresentada ao Município.

 

A AES Eletropaulo e a Ambev fizeram contato inicial com o órgão e afirmaram que vão apresentar propostas, mas não detalharam o número de bicicletas nem o modelo pretendido. Dessa maneira, os paulistanos terão quatro sistema diferentes de empréstimo, que não serão interligados uns aos outros. "Cada um deve ter uma boa capilaridade e estações próximas, para compensar a falta de interligação", afirma Regina Monteiro, presidente da CPPU.

 

Para contornar essa questão e atrair mais usuários, a Prefeitura já planeja lançar seu próprio sistema de aluguel de bicicletas, mas só daqui a três anos, quando a maioria dos termos de cooperação deverá ter expirado.

 

"Nesse primeiro momento, estamos autorizando as empresas a instalarem seus sistemas. Mas, daqui a dois ou três anos, quando a população já tiver se acostumado com esse serviço, a ideia é que a própria Prefeitura faça uma concessão para o empréstimo de bicicletas, que aí seria operado por uma só empresa", afirma Regina.

 

Da Carta Maior

Redescobrindo a pobreza nos EUA

 

Há 50 anos, os estadunidenses, ou ao menos os não-pobres entre eles, “descobriram” a pobreza, graças a um livro de Michael Harrington, que falou sobre a existência de uma "Outra América". Cinquenta anos depois, uma nova descoberta da pobreza está muito atrasada. E se olharmos bem de perto, teremos de concluir que a pobreza não é, afinal, uma aberração cultural ou uma falha de caráter, como a "cultura da pobreza" sustentou nos EUA. A pobreza é a falta de dinheiro. O artigo é de Barbara Ehrenreich.

Faz exatamente 50 anos que os estadunidenses, ou pelo menos os não-pobres entre eles, “descobriram” a pobreza, graças ao envolvente livro de Michael Harrington, The Other America (A Outra América). Se atualmente esta descoberta parece um pouco exagerada, como a “descoberta” de Colombo da América, é porque os pobres, de acordo com Harrington, estavam tão “escondidos” e “invisíveis” que foi preciso a imprensa de esquerda fazer uma cruzada para descobri-los.

O livro de Harrington chocou uma nação que até então se orgulhava de sua ausência de classes e até mesmo queixava-se dos efeitos da riqueza abundante. Ele estimava que um quarto da população vivia na pobreza – negros dos bairros pobres, brancos da região de Apalaches, trabalhadores agrícolas e os americanos idosos entre eles. Os estadunidenses não poderiam mais vangloriar-se, como o Presidente Nixon fez em seu “debate doméstico” com o primeiro ministro soviético Nikita Khrushchev em Moscou apenas três anos antes, sobre os esplendores do capitalismo americano.

Ao mesmo tempo em que deu seu soco no estômago, The Other America também ofereceu uma visão diferente da pobreza, que parecia destinada a confortar os que já estavam confortáveis. Os pobres eram diferentes do resto de nós, alegou. Radicalmente diferentes, e não apenas no sentido de que eles foram privados, prejudicados, mal alojados ou mal alimentados. Eles se sentiam diferentes, pensavam diferente, e buscavam estilos de vida caracterizados por uma visão estreita e pela intemperança. Como Harrington escreveu “Existe... uma linguagem dos pobres, uma psicologia dos pobres, uma visão de mundo dos pobres. Ser pobre é ser um estrangeiro em seu próprio país, para crescer em uma cultura que é radicalmente diferente da que domina a sociedade”.

Harrignton realizou um trabalho tão bem feito, ao fazer os pobres parecerem “diferentes”, que quando li seu livro em 1963 não reconheci nele meus próprios antepassados e familiares. Tudo bem, alguns deles levavam vidas desordenadas pelos padrões da classe média, envolvendo bebida, brigas e filhos fora do casamento. Mas eles também eram trabalhadores e em alguns casos ferozmente ambiciosos - qualidades que Harrington parecia reservar para os economicamente privilegiados.

De acordo com ele, o que distinguia os pobres era sua singular “cultura da pobreza”, conceito que pegou emprestado do antropólogo Oscar Lewis, que o obteve a partir de seus estudos a respeito de moradores de favelas mexicanas.

A cultura da pobreza deu a The Other America um toque moderno acadêmico, mas também deu ao livro uma mensagem dupla e conflitante: "Nós" - os leitores sempre presumivelmente ricos - precisávamos encontrar alguma forma de ajudar os pobres, mas também precisávamos entender que havia algo errado com eles, algo que não podia ser curado com uma simples redistribuição da riqueza. Pense em um liberal fervoroso que encontra um mendigo, e é movido por pena pela óbvia miséria do homem, mas se recusa a oferecer um trocado - uma vez que o mendigo pode, afinal, gastar o dinheiro em bebida.

Em sua defesa, Harrington não quis dizer que a pobreza foi causada pelo que ele chamou de tendências distorcidas dos pobres. Mas ele certamente abriu as comportas para essa interpretação. Em 1965, Daniel Patrick Moynihan – um liberal esporádico e um dos companheiros de bebida de Harrington na famosa taberna no Cavalo Branco em Greenwich Village – jogou a culpa da pobreza do centro da cidade no que ele viu como sendo a estrutura precária da “Família Negra”, abrindo caminho para décadas de culpabilização das vítimas. Poucos anos depois do Relatório Moynihan, Edward C. Banfield urbanista de Harvard, que passou a servir como um conselheiro de Ronald Reagan, sentiu-se livre para afirmar que:

“As vidas individuais de classe baixa cada vez mais... impõem ao governo seu comportamento. Ele é portanto radicalmente imprudente: o que ele não pode consumir imediatamente considera sem valor... [Ele] tem uma percepção frágil, atenuada de si mesmo.”

Nos casos mais difíceis, opinou Banfield, o pobre pode ter de ser cuidado em “semi-instituições”... E aceitar certa vigilância e supervisão de um semi-assistente-social-semi-policial.

Na era Reagan, a "cultura da pobreza" tornou-se o ponto nevrálgico da ideologia conservadora: a pobreza não foi causada por baixos salários ou pela falta de empregos, mas por más atitudes e estilos de vida defeituosos.
Os pobres eram imorais, promíscuos, mais propensos aos vícios e ao crime, incapazes de demonstrar gratidão, ou possivelmente até mesmo de ajustar um despertador. A última coisa que poderia ser confiada a eles era dinheiro. Na verdade, Charles Murray argumentou em seu livro Losing Ground, em 1984, que qualquer tentativa de ajudar aos pobres com as suas circunstâncias materiais só teria a consequência inesperada de aprofundamento da sua depravação.

Por isso, foi com um espírito de justiça e até mesmo compaixão que Democratas e Republicanos se uniram para reconfigurar programas sociais para curar, não a pobreza, mas a “cultura da pobreza”. Em 1996, a administração Clinton promulgou a regra “One Strike” banindo das moradias públicas qualquer pessoa que cometesse um crime. Poucos meses depois, o benefício foi substituído por Assistência Temporária a Famílias Carentes (TANF) que na sua forma atual fornece assistência financeira disponível apenas para aqueles que têm emprego ou são capazes de participar da política de trabalho imposta pelo governo.

Em mais uma concessão para a teoria da “cultura da pobreza” o projeto inicial de reforma do bem-estar destinou 250 milhões de dólares em cinco anos para o “controle de natalidade” para mães solteiras pobres. (Este projeto de lei, deve ser salientado, foi assinado por Bill Clinton).

Ainda hoje, mais de uma década depois e há quatro anos em um grave declínio econômico, como as pessoas continuam a cair das classes médias para a pobreza, a teoria mantém sua força. Se você é carente, você necessita de correção, supõe-se; portanto, os que recebem a Assistência Temporária são frequentemente instruídos a melhorar suas atitudes e os candidatos aos crescentes programas da rede de segurança são submetidos a testes de drogas.

Legisladores em 23 estados estão considerando testar as pessoas que se candidatam para tais programas de treinamento de trabalho, vale-alimentação, habitação pública e assistência de aquecimento doméstico. Com base na teoria de que os pobres são suscetíveis a abrigarem tendências criminosas, os requerentes de programas de segurança estão sendo cada vez mais submetidos à impressão digital e a investigações na web com padrões excepcionais de exigências de garantias.

O desemprego, com suas amplas oportunidades de “malandragem”, é outra condição obviamente suspeita, e no ano passado 12 estados cogitaram a exigência de testes de urina como condição para receber benefícios de desemprego. Tanto Mitt Romney quanto Newt Gingrich sugeriram teste de drogas como condição para todos os beneficiários dos programas do governo, inclusive, presumivelmente, o Social Security. Se a vovó insistir em tratar sua artrite com maconha, ela poderá ter de passar fome.

Como Michael Harrington julgaria os atuais usos da teoria da “cultura da pobreza” que ele tanto popularizou? Trabalhei com ele na década de 1980, quando fomos co-presidentes do Socialistas Democráticos da América, e suspeito que ele se sentiria desapontado, se não mortificado. Em todas as discussões e debates que tivemos, ele nunca dirigiu sequer uma palavra depreciativa para designar os necessitados e assim proferiu a expressão “cultura da pobreza”. Maurice Isserman, biógrafo de Harrington, disse-me que ele provavelmente agarrou-se a isso em primeiro lugar, só porque " não queria parecer um estereotipado agitador marxista preso aos anos trinta."

A artimanha – se é que se pode chamar assim – funcionou. Michael Harrington não protestou no anonimato. Na verdade, seu livro se tornou um bestseller e uma inspiração para a batalha de Presidente Lyndon Johnson contra a pobreza. Mas ele havia fatalmente remendado a “descoberta” da pobreza.

No entanto, o que os estadunidenses ricos encontraram em seu livro, e em todas as ásperas críticas conservadoras que o seguiram, não foi o pobre, mas uma nova forma agradável de pensar em si mesmos – disciplinados, cumpridores da lei, sóbrios e concentrados. Em outras palavras, não pobres.

Cinquenta anos depois, uma nova descoberta da pobreza está muito atrasada. Desta vez, teremos de levar em conta não só os estereótipos dos cidadãos sem-teto de Skid Row e Apalaches, mas o direito dos moradores de subúrbios privados de resgatar suas hipotecas, trabalhadores do setor de tecnologia desempregados, e o cada dia maior exército americano de trabalhadores pobres. E se olharmos bem de perto, teremos de concluir que a pobreza não é, afinal, uma aberração cultural ou uma falha de caráter. A pobreza é a falta de dinheiro.

(*) Barbara Ehrenreich é a autora de Nickel and Dimed: On (Not) Getting By in America (agora em uma edição de aniversário de 10 anos com novo epílogo).

Fonte
http://www.tomdispatch.com/blog/175516/tomgram%3A_barbara_ehrenreich%2C_american_poverty%2C_50_years_later/

Tradução: Isabela Garcia e Lucia Dal Corso.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19795

 

 

webster franklin

do DW-de

União EuropeiaInvestigadores buscam imagens da tragédia de Toulouse na internet

Atirador tinha uma câmera de vídeo no pescoço e pode ter filmado o atentado, dizem autoridades francesas. Escolas respeitam um minuto de silêncio pelas vítimas. Procurador não descarta novos ataques.

O atirador que abriu fogo em frente a uma escola judaica em Toulouse, na França, pode ter gravado o atentado. Segundo o ministro francês do Interior, Claude Guéant, imagens de câmeras de segurança mostram o atirador com uma pequena câmera de vídeo no pescoço.

Os investigadores estão agora procurando vídeos postados recentemente na internet, considerando que o autor do ataque pode colocar as imagens por ele filmadas na rede de computadores.

O atirador, provavelmente o mesmo homem que matou outras três pessoas em dois ataques na semana passada, ainda não foi identificado. O procurador da República de Paris, François Molin, não descartou que novos ataques venham a ocorrer e classificou o caso como atentado terrorista de cunho antissemita e racista.

No ataque à escola em Toulouse, o atirador tinha no pescoço uma câmera utilizada para a prática de esportes radicais. "Mas não sabemos se ele filmou tudo", disse Guéant. O rosto do atirador estava coberto por um capacete na hora dos disparos.

"Isso mostra mais um elemento do perfil do criminoso. Ele é frio e cruel o suficiente para filmar tudo", disse o ministro. "É o perfil de um assassino que é muito frio, muito determinado, com gestos precisos e, acima de tudo, muito cruel."

 

Policiais em frente à escola

Policiais em frente à escola

Mais de 200 policiais estão à procura do atirador, que também é o principal suspeito de assassinar três paraquedistas de origem árabe em dois ataques na semana passada, em também em Toulouse e o outro em Montauban.

Um aluno que sobreviveu ao atentado falou sobre o terror que sentiu durante o ataque. "Nós estávamos nos preparando para as orações quando o diretor entrou e gritou que havia um tiroteio na escola. Eu entrei em pânico, fugi para a antiga cantina e fiquei ouvindo os tiros, mas eu não via nada", disse o menino de 11 anos. "Eu achava que ele podia vir a qualquer minuto e acabar conosco", contou o menino.

As quatro vítimas do ataque serão enterradas em Jerusalém nesta quarta-feira, confirmou o ministro do Exterior de Israel. Os corpos do rabino Jonathan Sandler, de Gabriel Sandler (4 anos), de Arieh Sandler (5 anos) e de Miriam Monsonego (7 anos) chegarão na cidade as 03h20.

Hoje, escolas de toda a França fizeram um minuto de silêncio em homenagens às vítimas do atentado. Na frente da escola, parentes e moradores do local deixaram cartazes, flores e velas. Além dos quatro mortos, o atentado deixou vários feridos.

KR/rtr/afpdpa
Revisão: Alexandre Schossler

 

do DW-de

BrasilGoverno brasileiro faz nova tentativa para reduzir número de cesarianas

Mais da metade dos bebês brasileiros vêm ao mundo por meio de cesarianas, um índice bem acima dos 15% recomendados pela OMS. Criação de centros de parto normal é uma das apostas do governo para desestimular as cirurgias.

Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que no máximo 15% do total de partos realizados num sistema de saúde sejam cesarianas, em países como Brasil, Estados Unidos e Alemanha esse índice é mais do que o dobro.

O Brasil é um dos campeões mundiais em números de cesarianas. No país, 52% dos bebês vêm ao mundo por meio da cirurgia – ou seja, 1,5 milhão dos mais de 2,8 milhões de partos realizados em 2010. Dez anos atrás, o índice era de 37,8%.

Tendência ruim

Para o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, o aumento global do número de cesarianas é uma tendência ruim no mundo, e os números brasileiros são alarmantes. Uma das soluções para reduzir o percentual é o financiamento à criação de centros de parto normal. Atualmente existem 25 em funcionamento, e o objetivo é chegar a 200 até 2014.

"É algo que vários países adotam. Não sendo uma doença, o parto pode ser feito por profissional não médico", diz Magalhães, ressaltando que, nos casos em que não há risco à vida da mãe ou do bebê, os procedimentos podem ser feitos por enfermeiros obstetras.

Os centros de parto normal fazem parte do projeto Rede Cegonha, o qual, segundo o ministério, já recebeu 213 milhões de reais em recursos públicos destinados a vários estados. A previsão de investimento chegará a 9,4 bilhões de reais, que deverão ser aplicados, por exemplo, no reforço ao atendimento pré-natal e na ampliação de espaços em leitos.

"Um pré-natal de qualidade tende a induzir as mulheres a confiarem no parto normal com todos os direitos, como acompanhante e analgesia", diz Magalhães.

Ele ressalta ainda que, atualmente, médicos da rede pública recebem mais pelos partos normais do que pelas cesarianas. No caso de gravidez sem risco, o profissional ganha 175 reais por cada bebê que ajudam a vir ao mundo sem cirurgia. No caso da cesariana, o pagamento é de apenas 150 reais.

A grande dificuldade de reduzir o índice de cesarianas no Brasil, porém, reside no grande volume desse tipo de parto na rede privada, que ultrapassa os 82% do total de nascimentos. De acordo com o ministério, cerca de um terço das crianças brasileiras nascem em hospitais e clínicas particulares.

Mães mais velhas optam pela cesariana

"São feitas mais cesarianas do que realmente necessário", afirma Susabbe Steppat, da associação alemã de parteiras. Apesar da facilidade de planejamento, diz Steppat, a cesárea seria uma alternativa ruim para mãe e filho.

Segundo dados divulgados pelo Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha nesta segunda-feira (19/03), um terço dos bebês alemães nascem por cesarianas. Nos últimos 20 anos, os partos por meio de cirurgias saltaram de 15,3% do total registrado em 1991 para 31,9% em 2010, quando foram realizadas 209 mil cesarianas no país.

Para o professor Ulrich Gembruch, da Universidade de Bonn e integrante da Sociedade Alemã de Ginecologia e Obstetrícia, a explicação para o aumento do índice de cesáreas no país é simples: "quanto mais velha a mulher, maior a possibilidade de uma gravidez com risco". Segundo Gembruch, a idade média das mães aumentou muito nos últimos anos.

No Brasil, um estudo que vem sendo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz pretende descobrir o motivo pelo qual as brasileiras têm optado pela cesariana. O levantamento pretende ajudar o governo a orientar melhor as políticas públicas.

Autora: Mariana Santos
Revisão: Alexandre Schossler

 

do DW-de

MundoVaticano acusa bispos irlandeses de negligência em casos de abuso sexual

Relatório de uma comissão de investigação reconhece problemas passados, mas vê avanços na maneira como a Igreja Católica da Irlanda lida com casos de abuso sexual e pedofilia.

Um relatório divulgado nesta terça-feira (20/03) pelo Vaticano acusa os bispos católicos da Irlanda de negligência em casos de abuso sexual de crianças no país, ao mesmo tempo que vê avanços na proteção das crianças.

Segundo o relatório, os bispos irlandeses se comprometeram a prontamente comunicar novos casos de abuso sexual às autoridades locais e à Congregação para a Doutrina da Fé, bem como a tomar medidas para evitar que eles se repitam. O relatório é o resultado do trabalho de uma comissão de cinco bispos e cardeais indicados pelo papa Bento 16.

"Com um grande sentimento de dor e vergonha, é necessário reconhecer que, dentro da comunidade cristã, jovens inocentes foram abusados por clérigos e religiosos a cujos cuidados haviam sido confiados", diz o documento.

O país majoritariamente católico foi abalado por vários relatos de abusos sexuais, que remontam a décadas, e por acusações de cumplicidade por parte de líderes da Igreja Católica, que teriam acobertado os fatos. No ano passado, o governo irlandês acusou a igreja de bloquear as investigações das autoridades.

A comissão de investigação os quatro arcebispados do país, bem como seminários e outras instalações da Igreja Católica irlandesa. Eles também conversaram com vítimas. A comissão se declarou bem impressionada com os esforços feitos para implementar novas diretrizes do Vaticano para casos de abusos sexual e pedofilia. "Os resultados desses esforços foram considerados excelentes", diz o relatório.

AMS/kna/afp/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

 

da BBC BRASIL

 

'Nunca mais vou pisar em um ônibus', diz motorista que ganhou R$ 8,5 mi na loteriaAtualizado em  20 de março, 2012 - 09:43 (Brasília) 12:43 GMT PA

Grupo de motoristas britânicos venceu R$ 110 milhões na loteria; nenhum voltou ao trabalho

Após ganhar R$ 8,5 milhões na loteria na última sexta-feira, o motorista de ônibus britânico John Noakes, 49, pretende nunca mais pisar em um ônibus. Seus planos incluem ainda comprar um carro de luxo e visitar Memphis, a cidade natal de Elvis Presley.

Noakes foi um de 12 felizardos que ganharam um prêmio de 38 milhões de libras (cerca de R$ 110 milhões). Ironicamente, há pouco tempo o grupo que dividiu o prêmio pensou em interromper as apostas coletivas depois de dois anos de azar.

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Nenhum integrante do grupo foi trabalhar no sábado de manhã. Alguns estavam na empresa de transporte há três anos, e outros até 20 anos.

O mais novo do grupo tem 34 anos e o mais velho 64.

"Sem ofensa, eu gosto do que faço, mas sou realista. Não faz sentido um homem que tem um Aston Martin dirigir um ônibus", disse Noakes ao lado da mulher, Jean.

"Quero ir a Memphis, quero casar com minha mulher de novo", acrescentou.

Chris Smith, 34, líder do grupo, disse que eles sempre apostaram na mesma sequência de números durante dois anos. Cada um jogava em média 2 libras (cerca de R$ 5) toda semana. "Estou feliz por termos ganhado juntos", disse.

Ele conta que sua mulher conferiu metade dos números e ele a outra metade, ao acompanhar o sorteio pela TV. "Não podíamos acreditar que todos os números batiam".

Conforme a notícia se espalhou, seus 11 colegas foram à sua casa.

"Por volta da 1h da manhã, minha casa estava cheia de motoristas de ônibus e suas mulheres. Todos ficaram bebendo chá e foi só de manhã cedo que nos demos conta de que tínhamos sido os únicos vencedores", relembra.

"Esta vitória mostra que as pessoas podem viver seus sonhos e ajudar suas famílias", avalia.

 

da BBC BRASIL

Israelenses e iranianos declaram amor mútuo em campanha no FacebookAtualizado em  20 de março, 2012 - 12:39 (Brasília) 15:39 GMT Divulgação

Campanha de casal ganhou adesão no blog www.israelovesiran.com

A campanha de um casal israelense com o blog "Israel ama o Irã" já conquistou o apoio de milhares de internautas ao redor do mundo e ganha popularidade agora no Facebook.

Ronny Edry e sua mulher Michal Tamir criaram um cartaz na escola Pushpin Mehina, que oferece cursos de iniciação a pessoas que querem estudar design gráfico.

 

A imagem dos dois ganhou os dizeres "Iranianos, nós nunca vamos bombardear seu país" e abaixo a frase "nós amamos vocês", com um coração.

No blog, algumas das imagens postadas contêm ainda uma mensagem que resume a intenção da campanha.

"Ao povo iraniano, a todos os pais, mães, crianças, irmãos e irmãs, porque para haver uma guerra entre nós, primeiro nós precisamos ter medo uns dos outros, nós precisamos nos odiar. Eu não tenho medo de vocês, eu não odeio vocês. Eu nem conheço vocês. Nenhum iraniano jamais me fez mal".

Diálogo

Embora tenha sido criticado inicialmente, o casal manteve a iniciativa com o objetivo de difundir a ideia entre israelenses mas também tentar um diálogo com iranianos.

"Nunca imaginei que dentro de 48 horas já estaria conversando com o outro lado", disse Edry ao jornal israelense Haaretz.

O blog e o grupo criado no Facebook começaram a receber manifestações de iranianos e já contam com mais de 3 mil membros.

"A maior parte dos israelenses se opõe a uma aventura deste tipo que pode ter consequências catastróficas. Muitos especialistas alertam sobre os efeitos de um ataque contra o Irã e o que uma declaração de guerra deste tipo poderia causar. A expectativa é que o Irã revide, o que implicaria em muitas mortes de israelenses", disse o casal ao Haaretz, citando Meir Dagan, ex-chefe do Mossad, o serviço secreto de Israel, que também se opõe a um potencial ataque contra a República Islâmica.

Nas últimas semanas, aumentou a tensão entre os governos de Israel e Irã. O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, vêm cogitando a possibilidade de um ataque preventivo contra instalações nucleares do país persa.

Teerã levanta suspeitas entre as potências ocidentais sobre os objetivos de seu programa nuclear. Para a comunidade internacional, o governo iraniano busca a tecnologia usada na fabricação da bomba atômica. O país nega e afirma que os fins são pacíficos.

 

Juristas querem regulamentar comércio eletrônico no Brasil

:: Da redação
:: Convergência Digital :: 14/03/2012

 

A regulamentação do comércio eletrônico e a preservação de novos consumidores integrados ao mercado com a ascensão de classes menos favorecidas estão entre as principais propostas contidas em estudo entregue nesta quarta-feira, 14/03, ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por uma comissão especial de juristas. As propostas serão submetidas aos parlamentares na forma de projetos de lei.

Na entrega dos anteprojetos de lei a Sarney, o coordenador dos trabalhos e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, ressaltou que os 40 milhões de novos consumidores, que ascenderam socialmente e têm hoje mais acesso a crédito e ao consumo, também criaram a figura dos "superendividados".

"Com mais crédito apareceu o fenômeno do superendividado. As propostas da comissão [especial de juristas] foram no sentido de estabelecer mecanismos de prevenção para evitar que se chegue a esse ponto. É necessário assegurar ao consumidor o [recurso] mínimo existencial. Não é admissível que, para pagamento de contas, o consumidor tenha que reduzir a compra de alimentos ou tirar o filho da escola", disse o ministro do STJ.

Para isso, os juristas estabelecem a proibição de se promover publicidade de crédito com a utilização de termos como crédito gratuito, sem juros e sem acréscimo. Também é proposta a criação do "assédio de consumo", fenômeno definido como pressão ao consumidor, em especial se for idoso, analfabeto, doente ou em estado de vulnerabilidade agravada.

O assédio de consumo será caracterizado no caso de contratação de produtos, serviço ou crédito, especialmente se essas contratações forem feitas a distância, por meio eletrônico ou se envolver prêmios. Ele acrescentou que os trabalhos da comissão especial permitiram apresentar propostas para regular o comércio eletrônico, um novo modelo não abrangido pela legislação em vigor e que, segundo Benjamin, já movimenta R$ 30 bilhões. O ministro destacou que a comissão promoveu uma "atualização cirúrgica" com o objetivo de assegurar ao consumidor do mercado na internet sigilo aos seus dados e maior segurança.

Entre essas medidas está a proibição ao fornecedor de produtos e serviços de encaminhar spams – mensagens eletrônicas não solicitadas enviadas em massa – e outras não requeridas pela pessoa com quem tem relação de consumo. Os juristas também propõem ao Congresso Nacional a pena de suspensão e proibição do comércio eletrônico a fornecedores reincidentes em práticas abusivas contra consumidores.

No caso de descumprimento dessa pena, o juiz terá prerrogativa para determinar o bloqueio das contas bancárias e a suspensão do repasse de pagamentos e transferências financeiras desses comerciantes. Sarney disse que encaminhará as propostas entregues hoje "com a maior brevidade" para que sejam analisadas pelos senadores. Ele ressaltou que o trabalho legislativo será o de aperfeiçoar e avançar nesses direitos do consumidor, "sem jamais retroagir".

Fonte: Agência Brasil

 

 

Brasil está entre os piores na taxa de entrega de e-mails

:: Da redação
:: Convergência Digital :: 20/03/2012

 

Apenas 64,5% dos emails comerciais foram entregues nas caixas de entrada dos brasileiros no segundo semestre de 2011. É o que concluiu o “Estudo Global de Entregabilidade de Email, Segundo Semestre de 2011”, realizado pela Return Path, empresa especializada em certificação de email e monitoramento de reputação, que analisou dados de 1,1 milhão de mensagens e 142 provedores de acesso (ISPs) de 34 países na América do Norte, Central e América Latina, Europa, África, Ásia e Ásia-Pacífico entre julho e dezembro de 2011.

Comparado com o primeiro semestre, a melhoria foi de irrisórios 0,5%, período em que a entregabilidade das mensagens foi de 64%. Do total dos emails trafegados no País, 22,4% foram direcionados para pasta de spam ou lixo e 13,1% foram bloqueados pelos provedores (ISPs). A média mundial, indica o levantamento, foi de 76,5% dos emails sendo entregues aos destinatários, o que coloca o Brasil entre os países com os índices mais baixos de entregabilidade.

“O Brasil continua sendo um dos países com uma das piores taxas de entrega de email do mundo. Este levantamento mostrou, mais uma vez, que os profissionais de marketing seguem enfrentando sérias dificuldades na adoção das melhores práticas para envio de mensagens, o que reduz o alcance das campanhas de email marketing junto aos destinatários”, assinala Louis Bucciarelli, Diretor Geral da Return Path no Brasil.

Uma grande novidade desse estudo foi a análise da entrega de e-mails considerando os segmentos da economia Brasileira. Dentro do cenário local, a indústria de games foi a que registrou o pior índice de entrega de emails no Brasil (apenas 40,1%), seguida por Saúde (68,6%), Telecomunicações (76,9%), Varejo (79,4%), Redes Sociais (87,4%), e Bancos (94,8%).

O cenário mundial também não apresentou resultados positivos, segundo o levantamento da Return Path. Historicamente, as taxas globais de entrega das mensagens foram de cerca de 80%, com um em cada cinco emails sendo direcionados para pasta de spam ou bloqueados.

O estudo mostra que, pela primeira vez em três anos, houve uma sensível queda de 6% no segundo semestre do ano passado, trazendo a média global para 76,5% contra 81% no primeiro semestre de 2011, a pior já registrada desde que o estudo começou a ser feito pela companhia.

Spams em alta

O volume de emails encaminhados para pasta de spam foi recorde no segundo semestre, chegando a 8,4%, e as mensagens não entregues ou bloqueadas pelos filtros dos provedores alcançou 15,1%, um índice 20% pior que nos seis primeiros meses do ano.

Em uma análise por região, a América do Norte reverteu a tendência de crescimento da taxa de entrega registrada no primeiro semestre de 2011, experimentando um declínio de 8%, o que levou a cerca de 79% dos emails chegando efetivamente aos destinatários.

As mensagens encaminhadas para pasta de spam saltaram 19% na região no período, chegando a 7,4%, enquanto os emails perdidos ou bloqueados aumentaram 38%, atingindo 13,3%. Já na Europa, 15% dos emails não foram entregues, sendo 5% identificados como spam e 10% bloqueados pelos provedores.

No caso da América Central e Latina, 30% das mensagens foram classificadas como spam ou bloqueadas e somente 70% foram efetivamente entregues. A região alcançou o maior índice de emails baixados na pasta de spam, com 18%.

A região Ásia-Pacífico apresentou índices piores do que a América Central e Latina: as taxas de entrega despencaram 14%, fazendo com que somente 67% das mensagens chegassem aos destinatários, e os emails bloqueados cresceram impressionantes 75% no período.

Para Bucciarelli, o segundo semestre de 2011 mostrou que todas as regiões têm grandes desafios pela frente para melhorar suas taxas de entregabilidade, o que afeta fortemente os resultados financeiros de empresas que têm no email marketing uma das principais estratégias para geração de leads e conversão de vendas.

“O Brasil mostrou que ainda precisa dar um grande passo para melhorar seus índices de entrega. Para isso, as empresas e agências de publicidade precisarão cuidar com muito mais atenção da reputação dos remetentes das mensagens, acompanhar continuamente os dados de entregabilidade para avaliar quais fatores levam aos baixos índices, bem como as permanentes mudanças de critérios que levam os provedores e fornecedores de serviços de email a bloquear ou classificar as mensagens como spam”, alertou.

 

Política

Clube Militar faz debate sobre 1964, com general que contestou tortura a Dilma

 

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

Publicado em 20/03/2012, 18:47

Última atualização às 18:47

 

São Paulo – A proximidade dos 48 anos do golpe que derrubou o presidente João Goulart inspirou o Clube Militar a promover um debate com o tema “1964 – A Verdade”. Foi marcado para o próximo dia 29, às 15h, no salão nobre da entidade, instalada na avenida Rio Branco, região central do Rio de Janeiro. Deve-se usar traje esporte fino. Um dos expositores será o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, o mesmo que, no início do mês, deu entrevista ao jornal O Globo pondo em dúvida se a presidenta Dilma Rousseff foi torturada e questionando a responsabilidade do Estado na morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

É provável que não encontre oposição entre seus companheiros de mesa. Um deles é o médico e psicanalista Heitor De Paola, articulista do blog Mídia sem Máscara e membro da ONG Terrorismo Nunca Mais. Em seu site, pode-se ver uma imagem do revolucionário argentino Che Guevara marcada por um carimbo de “liquidado”. O outro painelista é o jornalista Aristóteles Drummond, que começou na carreira exatamente em 1964. Hoje, informa, apresenta programas de entrevistas na Rede Vida, é debatedor da Rádio Catedral do Rio e colaborador de diversas publicações. Foi assessor do Ministério das Minas e Energia (1980-1984), diretor da Light e presidente do Conselho Fiscal da Vale, entre outros cargos.

O mediador do debate será o advogado Ricardo Salles, presidente do Movimento Endireita Brasil e defensor, como explica em sua página na internet, de uma “nova direita, liberal-conservadora”. Foi candidato a deputado federal pelo PFL em 2006 e pelo DEM (nova denominação do partido) em 2010.

O debate ocorre em um contexto de críticas de militares da reserva à Comissão da Verdade. Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode reabrir julgamento sobre a Lei da Anistia, de 1979. E na semana passada a Justiça Federal no Pará rejeitou denúncia do Ministério Público Federal contra o militar Sebastião Curió, por crimes cometidos durante a Guerrilha do Araguaia, nos anos 1970.

O Ministério da Defesa informou que não está tratando do assunto.

 

Interessante que, neste assunto, os militares não venham conseguindo apoio amplo e irrestrito das mídias tradicionais. O artigo de Roberto Amaral, da Carta Capital, postado ontem aqui pelo Luis Nassif (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-verdade-e-a-construcao-do-pais-por-roberto-amaral) citava um outro artigo, de Miriam Leitão, no qual se critica oposição dos militares à Comissão da Verdade. 

 

COLUNA NO GLOBOCírculo militar

O país tem discutido, nos últimos dias, o passado do regime militar. É tarde, mas não tarde demais. A sociedade decidirá o alcance desse reencontro, mas o passado deve ser revisitado se o país escolheu jamais repetir aquele erro. Novas informações surgem sobre histórias antigas, novos caminhos jurídicos. Os militares repetem o velho enredo de vetar o debate. O governo ainda não nomeou os integrantes da Comissão da Verdade.

Vladimir Herzog foi morto há 36 anos, com apenas 38 anos, horas depois de entrar no DOI-Codi, no II Exército. Tinha endereço certo, dirigia o jornalismo na TV Cultura, não demonstrou qualquer intenção de fugir, apresentou-se para depor, nunca houve culpa formada, não se sabe do que foi acusado, não se sabe até hoje como o mataram.

Uma nova foto, omitida na época, mostra o que sempre soubemos e dá mais clareza à farsa montada para tentar esconder a verdade. Foi publicada nos últimos dias no site organizado pelo deputado Miro Teixeira (www.leidoshomens.com.br). Pelo ângulo se vê que se quisesse cometer suicídio ele amarraria a faixa na grade superior. O site mostra também uma carta do general Newton Cruz ao então chefe do SNI, João Figueiredo, revelando a luta intestina dentro do aparelho repressor.

Nestes 27 anos de democracia já deveria ter havido a busca da verdade sobre as circunstâncias das mortes e dos desaparecimentos políticos. Não é revanchismo. É uma obrigação do Estado para com as famílias e a História. Sempre que o assunto retorna, os militares calam a discussão. A fórmula é conhecida: os da reserva fazem notas com protestos e ameaças veladas, os comandantes da ativa fazem pressão por dentro, usando como prova da insatisfação da tropa as notas dos aposentados. Assim se forma o círculo do veto. O poder civil recua.

Herzog é uma das tantas feridas que não cicatrizam porque não é uma questão de tempo, e sim de prestar contas do crime que o Estado cometeu. O governo democrático não buscou os fatos com a diligência que a construção institucional exige. Essa falha permite que os militares mantenham sua versão. O general Luiz Eduardo Rocha Paiva afirmou na entrevista que me concedeu que “ninguém pode dizer que ele (Herzog) foi morto pelos agentes do Estado. Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar”. O Instituto Vladimir Herzog reagiu com nota de repúdio.

Por que um general que estava até 2007 em postos importantes é capaz de levantar tal dúvida? Porque sempre que eles mandaram o país interromper a conversa sobre Herzog e qualquer outro foram obedecidos. Em outubro de 2004, o “Correio Braziliense” publicou fotos que supostamente eram de Herzog. Isso detonou uma crise militar. O serviço de comunicação do Exército publicou uma nota em que justificava torturas e mortes. “As medidas tomadas pelas Forças Legais foram uma legítima resposta à violência dos que se recusaram ao diálogo, optaram pelo radicalismo e pela ilegalidade e tomaram a iniciativa de pegar em armas e desencadear ações criminosas.”

O então ministro da Defesa, José Viegas, exigiu do comandante do Exército, Francisco Roberto de Albuquerque, uma nota de retratação. O general optou por uma nota na primeira pessoa em que dizia que aquela forma de abordar o assunto não era adequada. O Exército jamais se retratou. O ministro Viegas deixou o posto dizendo que o pronunciamento provava a persistência do “pensamento anacrônico” da “doutrina de segurança nacional” em plena vigência da democracia.

Esse não foi o primeiro nem o último evento em que os militares constrangeram o poder civil. Foi o mais explícito porque Viegas deu transparência aos fatos. Ele disse em sua saída que achava inadmissível que as Forças Armadas não demonstrem “qualquer mudança de posicionamento e de convicções”. Disse que considerava inaceitável que se usasse o nome do Ministério da Defesa para “negar ou justificar mortes como a de Vladimir Herzog”.

Lembrar esse episódio nos ajuda a ver como é persistente o veto militar a duas providências fundamentais: procurar as informações que à época foram negadas pela ditadura; promover uma renovação do pensamento das Forças Armadas sobre seu papel naquele período.

O general Rocha Paiva não é um ponto fora da curva; ele representa o pensamento majoritário dos militares da ativa e da reserva. Isso fica provado também no número de oficiais, que estavam no comando até recentemente, que assinaram a nota de protesto dos clubes militares contra a Comissão da Verdade. Eles pensam hoje o que sempre pensaram. Rocha Paiva disse, por exemplo, que não há provas do crime do Caso Riocentro (a transcrição na íntegra da entrevista está no post abaixo).

Como o pensamento das Forças Armadas não foi atualizado, novas gerações estão sendo formadas nessa convicção. O desvio tem se perpetuado. Eles ainda defendem como legítimo o que houve nos 25 anos de exceção, ainda cultuam os ditadores como heróis, ainda protegem os torturadores e sonegam informações. Se o governo se deixar intimidar na Comissão da Verdade estará capitulando diante da pressão do círculo militar.

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2012/03/11/circulo-militar-435448.asp

 

Oswaldo Alves

20/03/2012 17h15 - Atualizado em 20/03/2012 19h40

Supremo concede liberdade ao ex-líder do MST José RainhaEx-líder do MST é suspeito de desvio de verbas da reforma agrária.
Rainha foi preso em junho de 2011, durante operação da PF. 

Débora Santos Do G1, em Brasília*

   Rafael Neddermeyer / Agência Estado)Em 2002, José Rainha em acampamento do MST
em Goiás (Foto: Rafael Neddermeyer/AE)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (20) soltar o ex-líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Junior e dois outros integrantes do movimento, que estavam presos em São Paulo desde junho do ano passado. À época da prisão, o MST disse que ele fazia parte de outro movimento sem-terra, a Federação dos Trabalhadores Acampados e Assentados de Teodoro Sampaio.

A advogada do líder sem-terra, Giane Alvares, informou que o alvará de soltura do Centro de Detenção Provisória, no Bairro Pinheiros, em São Paulo, deve sair até esta quarta (21). Ela disse ainda que Rainha está "esperançoso" e considera que sua prisão foi "injusta".

Rainha e os colegas de militância são acusados de suposta participação em organização criminosa e pela prática de crimes contra o meio ambiente, peculato, apropriação indébita e extorsão, com desvio de verbas públicas.

O ex-líder do MST foi preso durante a Operação Desfalque, da Polícia Federal, que investigou um suposto esquema de desvio de dinheiro público destinado a assentamentos de reforma agrária. A investigação aponta Rainha como suposto chefe de uma organização criminosa que atuava na região do região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo.

Outro advogado de Rainha, Juvelino Strozake, alega não há provas para sustentar a acusação de desvio de dinheiro público e a expectativa é de que o ex-líder e os outros integrantes do movimento sem-terra sejam absolvidos. Ele disse que outros pedidos para prender o ex-líder foram derrubados há cerca de 6 meses.

Pedido de liberdade
O pedido de liberdade foi feito ao STF no dia 28 de dezembro do ano passado, depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve Rainha e outros integrantes do movimento presos.

saiba mais

O pedido, no entando, foi negado, em janeiro deste ano, durante o recesso do Judiciário, pelo presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso. Ele afirmou que Rainha e um dos integrantes do MST teria ameaçado testemunhas.

A defesa dos acusados nega que tenha havido ameaças a testemunhas e, portanto, não haveria motivo para manter a prisão preventiva.

Uma das justificativas para a soltura foi de que a prisão preventiva não poderia ser mantida considerando a falta de uma data para julgar a ação penal em que são acusados os militantes do MST.

De acordo com a ministra Rosa Weber, para manter a prisão é preciso que haja "fatos concretos" que sinalizem a periculosidade e a possibilidade de que os acusados possam voltar a praticar o crime.

Na turma, os ministros Marco Aurélio Mello e Luiz Fux concederam a liberdade apenas ao ex-líder do MST e outro acusado. Enquanto, os ministros Dias Toffoli e Rosa Weber votaram pela libertação de todos os suspeitos. Na falta de maioria, de acordo com o regimento interno do STF, prevaleceu a decisão que beneficiou os três acusados.

*Colaborou o G1 SP

 

O Globo Vídeos

Tudo o que tenho devo a Deus e ao lixo

http://oglobo.globo.com/videos/t/todos-os-videos/v/tudo-o-que-tenho-devo...

 

 

Da Carta Maior

Assassinatos racistas deixam França em estado de alerta

 

A França entrou em alerta máximo nesta segunda-feira. Um homem assassinou a tiros quatro pessoas, três crianças e um adulto, na porta de uma escola judaica, em Toulouse, no sul da França. O indivíduo repetiu a cenografia que havia empregado entre 11 e 15 de março quando assassinou três soldados franceses de origem magrebina e feriu gravemente um quarto, oriundo das Antilhas francesas. A polícia investiga três militares franceses ligados a grupos neonazistas.

Paris - Um lobo solitário, adepto da eliminação racial, assassinou a tiros quatro pessoas, três crianças e um adulto, na porta de uma escola judaica, em Toulouse, no sul da França. O indivíduo repetiu a cenografia que havia empregado entre 11 e 15 de março quando assassinou três soldados franceses de origem magrebina e feriu gravemente um quarto, oriundo das Antilhas francesas. A polícia já apurou que o criminoso usou a mesma arma nos dois atentados. Segundo adiantou o semanário Le Point, as autoridades estão buscando três militares franceses ligados a grupos neonazistas que pertenciam ao mesmo regimento que os três militares assassinados a sangue frio nas localidades de Toulouse e Montauban.

O atentado desta segunda-feira foi um ato de barbárie completo: um pouco antes das oito da manhã, o indivíduo, a bordo de uma potente motocicleta branca, chegou às portas do colégio judaico Ozar Hatora, de Tolouse. Ele disparou contra as pessoas que estavam na porta e matou a queima-roupa um professor de religião de 30 anos, suas duas filhas de três e seis anos e uma outra menina de oito anos, filha do diretor do colégio. Esta última vítima morreu nos braços de seu pai. A matança continuou logo em seguida dentro do colégio. O indivíduo entrou no colégio para perseguir os alunos, disparando para todos os lados. Outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas um jovem de 17 anos que se encontra em estado crítico.

O caráter racista das ações não deixa lugar a dúvidas. O até agora desconhecido matou em dois dias pessoas de origem magrebina, judeus e feriu um negro. No atentado de segunda, atirou para matar, não importando se fossem crianças ou adultos. O ministro francês do Interior, Claude Guéan, declarou que o sentimento de impunidade do assassino preocupa o governo. A descrição feita por testemunhas e as imagens registradas pelas câmeras de vigilância dão conta de um homem frio, perfeitamente treinado no uso das armas e sem qualquer compaixão. Após matar o professor, sua primeira vítima, o homem perseguiu a menina de seis anos e matou-a a tiros. “Disparou contra tudo que tinha pela frente”, disse o promotor Michel Valet. Ele tinha duas armas, uma calibre 11,43 e outra de 9 milímetros. Usou primeiro a pistola de 9 milímetros e, em seguida, sacou a outra a arma, com a qual continuou a matança. A arma calibre 11.43 foi a mesma empregada nos assassinatos dos três militares.

Nestes crimes anteriores, o homem atuou com a mesma metodologia e frieza. O semanário conservador Le Point adiantou que as investigações apontam para a participação de três militares neonazistas pertencentes ao 17º regimento de engenheiros paraquedistas de Montauban. Em 2008, o seminário satírico Le Canard Enchaêné e outros jornais publicaram uma foto na qual se viam estes militares fazendo a saudação nazista diante de uma suástica. Dois dos três militares assassinados na semana passada pertenciam a este regimento. O perfil dos três soldados neonazistas coincide com o retrato que surge dos testemunhos dos crimes: grandes, musculosos, cheios de tatuagens e vestidos com roupas pretas. Esta não é, contudo, a única pista explorada pelos investigadores.

As semelhanças entre os três assassinatos são muito eloquentes: a moto, a arma, as descrições das testemunhas e o fato de que todas as vítimas têm origem étnica e confessional distinta. O presidente francês foi imediatamente ao local dos fatos, mesma atitude tomada pelo candidato socialista François Hollande. Nicolas Sarkozy decretou um minuto de silêncio para esta terça-feira. “Toda a República francesa foi afeta por este drama abominável”, disse Sarkozy. O massacre no colégio de Toulouse interrompeu a campanha eleitoral para as eleições presidenciais do próximo 22 de abril e 6 de maio (segundo turno). A campanha entrava nesta segunda-feira em sua fase oficial com a lista final dos 10 candidatos. Sarkozy e Hollande cancelaram seus atos de campanha, que recomeçará na quarta-feira, após a realização dos funerais dos três soldados assassinados em Toulouse e Montauban.

A França entrou em alerta máximo nesta segunda-feira. O assassino segue solto. À noite, milhares de pessoas realizaram uma caminhada em Paris da Praça da República até a Praça da Bastilha. Os sete assassinatos provocaram uma sensação de horror e uma união nacional. Os crimes ocorreram em um clima exacerbado pela campanha eleitoral. Os estrangeiros tem sido alvo de incontáveis ataques por parte de candidatos como a ultradireitista Marine Le Pen e autoridades do Estado. O rosário de agressões e referências ofensivas alcançou níveis muito baixos na campanha. O gesto de um louco reclama prudência e a evitar interpretações rápidas e abusivas. A democracia racial é uma marca desses tempos, seja qual for o continente. Os fundamentalistas de todas as confissões sempre o mesmo no final: a desintegração.

Tradução: Katarina Peixoto

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19792

 

webster franklin

Notícias / celular Tatuagem vibra junto com seu celular   A Nokia registrou a patente de uma tatuagem que vibra quando você recebe uma chamadapor Redação Galileu

 

Editora GloboVocê usaria uma tatuagem vibratória? // Crédito: Shutterstock

 

Você odeia deixar o celular no silencioso porque não percebe quando o aparelho está vibrando? A Nokia acaba de registrar uma patente que pode resolver seu problema: uma tatuagem que vibra quando seu telefone está tocando.

A tinta com a qual a tatuagem seria feita pode detectar campos magnéticos, por conter compostos ferromagnéticos. Ou seja, ela é capaz de perceber quando um celular está sendo chamado e, a seguir, estimular sua pele, fazendo com que ela vibre.

Diferenças no campo magnético também provocariam sensações diferentes, para que o usuário seja capaz de distinguir uma chamada de um alerta de sms ou de email, por exemplo. Outra aplicação é um tipo de vibração único para cada contato de sua agenda.

Via The Wall Street Journal

 

Chevron: Justiça dá prazo para receber passaportes de executivos

Por Bruno Rosa (bruno.rosa@oglobo.com.br) | Agência O Globo – 7 horas atrás....

DESTAQUES EM ECONOMIA.
Agência Estado - 15 minutos atrás

RIO - A 1ª Vara Federal de Campos decidiu no fim da tarde desta terça-feira que os executivos e funcionários da Chevron e da Transocean terão 24 horas para entregar seus passaportes. O prazo começa a valer a partir do recebimento da intimação, que deve ocorrer na quarta-feira.

A decisão só não vale para Gary Marcel Slaney e Brian Mara, ambos da Transocean, que tiveram autorização para deixar o país. A decisão é do Juiz Claúdio Girão Barreto.

Representantes da empresa petrolífera norte-americana Chevron terão que prestar esclarecimentos à Comissão de Meio Ambiente do Senado sobre o vazamento de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, identificado na semana passada.

A audiência pública, na próxima quinta-feira, convocada pelo presidente da comissão, senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), também vai ouvir representantes da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Ministério Público Federal (MPF) e o delegado de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal, Fábio Scliar.

No último dia 4, a Chevron comunicou o derramamento de óleo próximo do local onde ocorreu o primeiro vazamento em novembro do ano passado. A ANP criou um comitê formado por técnicos da petrolífera, da Petrobras e da Frade Japão Petróleo - que detêm participação na concessão - para avaliar os novos pontos de vazamento de óleo no solo marinho.

Técnicos da agência constataram na última quinta-feira (15), por meio de filmagens submarinas, cinco pontos de vazamento ao longo de uma fissura de 800 metros de extensão. Foi identificado o aparecimento de gotículas de óleo, em uma vazão reduzida.

Uma liminar - concedida na semana passada pelo juiz Vlamir Costa Magalhães, da 4ª Vara Federal Criminal, no Rio de Janeiro - impede a saída do país de 17 executivos e profissionais da Chevron Brasil e da Transocean Brasil, sem que haja autorização judicial.

Entre os nomes está o do presidente da Chevron Brasil Petróleo, George Raymond Buck III, de origem americana. A decisão atende a pedido do procurador da República em Campos, Eduardo Santos de Oliveira. Segundo o MPF, os 17 executivos e profissionais ligados à companhia devem ser denunciados à Justiça e processados. Caso isso ocorra, eles terão que entregar os passaportes em Campos.

Sobrevoo verifica extensão da mancha

Um inspetor da Marinha brasileira sobrevoou na manhã desta terça-feira o Campo de Frade, na Bacia de Campos, para verificar a extensão da mancha de óleo decorrente de novos vazamentos da Chevron na área, detectados este mês. A empresa e ANP ainda analisam as causas do vazamento.

Segundo a Marinha, o sobrevoo foi feito em uma aeronave da petrolífera americana.

Em novembro do ano passado, a Chevron provocou o vazamento de mais de 2,4 mil barris de óleo. No último dia 4, a Chevron constatou um novo derramamento de óleo, mas estimou que o volume vazado foi de apenas 5 litros de petróleo desta vez.

Só que em sobrevoo da Marinha durante o fim de semana foi detectada uma mancha de 1 km de extensão no mar.

 

 

 Nos EUA, empregadores agora exigem que candidatos informem a senha do Facebook Legalidade da prática é questionada, e projetos de lei querem proibi-la

O Globo, com agência AP

Publicado: 20/03/12 - 20h08Atualizado: 20/03/12 - 20h08  Steve Ruark / AP

O órgão de segurança pública de Maryland pediu que o guarda Robert Collins informasse sua senha na rede social para investigar se ele possuia conexões com membros de gangues Steve Ruark / AP

SEATTLE - Pouco antes de chegar a uma entrevista de emprego recente, o que Justin Bassett esperava eram as perguntas usuais sobre experiência profissional. Mas ele foi surpreendido pelo entrevistador, que queria saber também a sua senha do Facebook.

Bassett, que é estatístico e vive em Nova York, recusou-se a informá-la e desistiu da vaga, alegando que não queria trabalhar para uma empresa que fuça esse tipo de informação. Mas seu caso não é isolado, pois várias empresas americanas vêm exigindo a mesma coisa de seus candidatos, e muitos não podem se dar ao luxo de dizer não.

Foi o que aconteceu com o guarda Robert Collins em 2010, quando voltava de uma licença após a morte de sua mãe. O Departamento de Segurança Pública de Marylan pediu que ele informasse a sua senha na rede social para checar se ele possuía alguma conexão com membros de gangues.

—Eu precisava do meu emprego para alimentar minha família. Eu tinha que dar (a senha) - afirmou Collins.

A prática vai além da checagem que departamento de recursos humanos já faziam sobre o conteúdo publicado por quem busca um emprego na companhia a pretexto de conhecer melhor o futuro funcionário. Pedir a senha de um candidato é mais comum entre órgãos públicos, especialmente entre polícias e serviços de atendimento a emergências.

— É como exigir as chaves da casa de alguém — disse Orin Kerr, professor de direito da Universidade George Washington e ex-promotor federal, que classificou a prática de "uma flagrante violação de privacidade."

A legalidade do expediente está sendo questionada, e projetos de lei no Illinois e em Maryland querem proibir órgãos públicos de fazerem isso.

Empresas que não chegam a exigir as senhas têm tomado outras medidas, como pedir aos candidatos que adicionem na rede social funcionários do departamento de recursos humanos da companhia ou acessem o site na frente do entrevistador. Alguns profissionais já empregados também têm sido obrigados a assinar um acordo que os proíbe de criticar o empregador nas redes sociais.

Outras companhias também estão usando programas de computador que vasculham os perfis dos candidatos no Facebook. Entre elas está a gigante Sears, que solicita aos proponentes a uma vaga na varejista que acessem a página da empresa por meio do login no Facebook. Dessa forma, o aplicativo consegue informações como a lista de amigos do candidato. Um porta-voz da Sears, Kim Livremente, disse que o programa permite que a companhia atualize as informações de experiência do profissional no mercado de trabalho.

O Facebook não quis comentar os casos, dizendo apenas que proíbe "a solicitação de informações de login e acesso às contas por terceiros". Repassar senhas também é proibido pelos termos de uso da rede social. O Departamento de Justiça americano considera crime federal o acesso irregular a uma rede social, mas o próprio órgão disse recentemente no Congresso que esse tipo de violação não está sujeita a processo.



 

de Revista Bula

POR EM 20/03/2012 ÀS 09:04 PMUm dia ideal para os peixes-bananapublicado em

Publicado originalmente na revista “The New Yorker”, em 1948, “Um dia ideal para os peixes-banana” é considerado uma das obras-primas do conto mundial

J. D. SalingerJ. D. SALINGER

Noventa e sete agentes de publicidade de Nova York estavam hospedados no hotel e, do jeito que vinham monopolizando as linhas interurbanas, a moça do 507 teve de esperar do meio-dia até quase às duas e meia para completar sua ligação. Mas ela tratou de aproveitar bem o tempo. Leu um artigo numa revista feminina, intitulado "O Sexo é Divertido... ou um Inferno". Lavou o pente e a escova. Tirou uma mancha da saia do conjunto bege. Mudou de lugar um botão da blusa que comprara nas Lojas Saks. Arrancou dois cabelinhos que haviam acabado de aflorar numa verruga. Quando a telefonista afinal ligou para seu quarto, estava sentada no sofá ao lado da janela e quase terminado de pintar as unhas da mão esquerda.

Era uma dessas moças que não se afobam nem um pouquinho porque o telefone está tocando. Dava a impressão de que seu telefone estava chamando desde o dia em que atingira a puberdade.

Com o pincelzinho de esmalte — enquanto o telefone tocava — retocou a unha do dedo mínimo, acentuando a meia-lua. Feito isso, tampou o vidro de esmalte e, levantando-se, ficou abanando a mão esquerda para fazer o esmalte secar mais depressa. Com a outra mão apanhou de cima do sofá um cinzeiro cheio até a borda e o levou até a mesinha de cabeceira, onde estava o telefone. Sentou numa das camas-gêmeas, que a essa hora já estavam arrumadas, e — era a quinta ou sexta vez que o telefone tocava — levantou o fone do gancho.

— Alô — disse, mantendo os dedos da mão esquerda bem estendidos e afastados de seu robe de seda branca, que era tudo que estava vestindo, além dos chinelos. Os anéis estavam no banheiro.

— Sua ligação para Nova York está pronta, Sra. Glass — a telefonista anunciou.

— Obrigada — a moça respondeu, abrindo lugar para o cinzeiro na mesinha de cabeceira.

Ouviu-se uma voz de mulher.

— Muriel? É você que está falando?

A moça afastou ligeiramente o fone do ouvido. —Sou eu sim, mamãe. Como vai você?

— Tenho estado preocupadíssima com você. Por que você não me telefonou? Você está bem?

— Tentei falar para você ontem à noite, e anteontem também. O telefone aqui tem andado...

— Você está bem, MurieI?

A moça aumentou a distância entre o fone e seu ouvido.

— Estou muito bem. Estou com calor. Hoje é o dia mais quente que faz na Flórida nos...

— Por que é que você não me telefonou? Tenho andado muitíssimo preocupada...

— Mamãe, querida, não precisa gritar. Estou te ouvindo perfeitamente. Telefonei duas vezes ontem de noite. A primeira vez logo depois...

— Eu disse a seu pai que você provavelmente ia telefonar ontem de noite. Mas não, ele tinha que... Você está bem, Muriel? Fala a verdade.

— Estou ótima. Por favor, para de ficar me perguntando isso.

— Quando é que vocês chegaram aí?

— Sei lá. Quarta-feira de manhã, bem cedinho.

— Quem é que dirigiu o carro?

— Foi ele — a moça respondeu. —E não precisa ficar toda nervosa. Ele dirigiu muito direitinho. Fiquei até espantada.

— Ele dirigiu? Muriel, você me deu sua palavra de...

— Mamãe —a moça interrompeu —já te disse. Ele dirigiu muito direitinho. O tempo todo a menos de cinquenta, se te interessa saber.

— Ele tentou fazer aquela brincadeira com as árvores?

— Já disse que ele dirigiu muito bem, mamãe. Agora, por favor... Pedi a ele para ficar perto da linha branca e tudo, e ele entendeu o que eu queria dizer. E ficou. Procurou até não olhar para as árvores, dava pra se ver. Por falar nisso, papai já consertou o carro?

— Ainda não. Eles querem quatrocentos dólares só para...

— Mamãe, o Seymour disse a papai que pagava o conserto. Não há nenhuma razão para...

— Está bem, vamos ver. Como é que ele se comportou... no carro e tudo?

— Muito bem.

— Ele continuou a te chamar daquela coisa horrorosa...

—Não. Agora inventou outro troço.

— O quê?

— Ah, quê que interessa, mamãe?

— Muriel, eu quero saber. Seu pai...

— Tá bem, tá bem. Ele me chama de Miss Vagabunda Espiritual de 1948 — a moça disse, e deu uma risada.

— Não acho graça, Muriel, não acho a mínima graça. É horrível. Na verdade, é triste. Quando eu penso como...

— Mamãe —a moça interrompeu —Escuta. Você se lembra daquele livro que ele me mandou da Alemanha? Você sabe... aqueles poemas em alemão. Onde é que eu enfiei aquele livro? Tenho me danado de pensar...

— Está contigo.

— Tem certeza?

— Claro. Quer dizer, o livro está comigo. Está no quarto do

Freddy. Você deixou aqui e eu não tinha lugar na... Por quê? Ele está querendo o livro?

— Não. Só me perguntou sobre ele, quando estávamos vindo para cá. Queria saber se eu tinha lido.

— Mas era em alemão!

— Eu sei, querida. Isso não importa — disse a moça, cruzando as pernas. —Ele disse que os poemas foram escritos pelo único grande poeta deste século. Disse que eu devia ter comprado uma tradução ou coisa parecida. Ou ter feito o favor de aprender alemão.

— Horrível. Horrível. É triste, na verdade, isso é que é. Seu pai disse ontem à noite...

— Espera um instantinho, mamãe — a moça falou. F0i até a janela apanhar o maço de cigarros, acendeu um e voltou para seu lugar na cama.

— Mamãe? —ela falou, soltando a fumaça.

— Muriel. Escuta agora o que eu vou dizer.

— Estou ouvindo.

— Seu pai conversou com o Doutor Sivetski.

— Sei.

— Contou tudo a ele. Pelo menos me disse que contou... Você sabe como é o seu pai. As árvores. Aquele negócio da janela. As coisas horrorosas que ele disse a sua avó, sobre os planos que ela fazia para morrer. O que ele fez com aquelas lindas fotografias das Bermudas... Tudo.

— Sei. E daí?

— Bem. Em primeiro lugar, o Doutor disse que foi um verdadeiro crime o exército deixar sair do hospital... Palavra de honra. Disse a seu pai, com toda a clareza, que é possível — muito possível, foi o que ele disse — que o Seymour perca inteiramente o controle. Minha palavra de honra.

— Tem um psiquiatra aqui no hotel—a moça falou.

— Quem? Qual o nome dele?

— Sei lá. Rieser ou coisa parecida. Dizem que é muito bom.

— Nunca ouvi falar nele.

— Bem, apesar disso dizem que ele é muito bom.

— Muriel, não seja malcriada, por favor. Nós estamos muito preocupados com você. Seu pai queria te telegrafar ontem de noite, pedindo para você voltar pra casa.

— Eu não vou voltar para casa agora, mamãe. Por isso, trata de ficar calminha.

— Muriel. Palavra de honra, o Doutor Sivetski disse que o Seymour pode perder inteiramente o controle...

— Acabei de chegar aqui, mamãe. São minhas primeiras férias em muitos anos. Não vou agora fazer todas as malas e voltar para casa. De qualquer maneira, não ia mesmo poder viajar agora. Estou tão queimada que mal posso me mexer.

— Você se queimou muito? Não usou aquele vidro de óleo que botei na tua mala? Pus o vidro bem...

— Usei sim. E me queimei assim mesmo.

— Mas isso é horrível. Onde é que você está queimada?

— Em tudo quanto é lugar, querida, por todo lado.

— Isso é horrível.

— Não vou morrer por causa disso.

— Me diga, você conversou com o tal psiquiatra?

— Bem, mais ou menos —a moça respondeu.

— O que é que ele disse? Onde estava o Seymour quando você falou com ele?

— No Salão Oceano, tocando piano. Nessas duas noites, desde que chegamos aqui, ele tem tocado piano.

— Bom, o quê que ele disse?

— Ah, pouca coisa. Ele é que veio falar comigo. Eu estava sentada ao lado dele ontem à noite, no bingo, e ele me perguntou se não era o meu marido que estava tocando piano na outra sala. Disse que sim, que era, e ele me perguntou se o Seymour tinha andado doente ou coisa que o valha. Aí eu contei.

— Por que ele perguntou isso?

— Sei lá, mamãe. Acho que é porque ele está tão pálido e tudo. Seja como for, depois do bingo ele e a mulher me convidaram para tomar um drinque. Aí eu fui. A mulher dele era um horror. Você lembra daquele vestido de noite pavoroso que vimos na vitrina da Bonwit? Aquele que você disse que, para se usar, a gente tinha que ter uma...

— O verde?

— Esse mesmo. E olha que ela tinha umas cadeiras imensas. Ficou me perguntando se o Seymour era parente daquela tal de Suzanne Glass que tem uma chapelaria na Avenida Madison.

— Mas o que é que ele disse? O médico.

— Ah, bom, nada de mais, realmente. Quer dizer, estávamos no bar e tudo. Uma barulheira tremenda.

— Sei, mas você contou... contou o que ele tentou fazer com a cadeira de sua avó?

— Não, mamãe. Não entrei em detalhes. Provavelmente vou ter outra chance de conversar com ele. Ele passa o dia todo no bar.

— Ele falou se achava que era possível o Seymour ficar... você sabe... esquisito ou qualquer coisa assim? Fazer alguma coisa contigo?

— Não exatamente. Ele precisa saber de mais coisas, mamãe. Eles têm de conhecer a infância da gente e esse troço todo. Já te disse, mal podíamos conversar de tão barulhento que era o lugar.

— Bem. E o teu casaco azul?

— Ficou bom. Mandei tirar um pouco do enchimento.

— E como é que estão as roupas esse ano?

— Horrorosas. Mas pavorosas mesmo. A gente vê lantejoulas, tudo...

— E o quarto de vocês?

— Bonzinho. Quer dizer, razoável. Não conseguimos o quarto em que estivemos antes da guerra. A frequência esse ano está péssima. Você devia ver as pessoas que sentam perto de nós na sala de jantar. Na mesa ao lado. Parece até que vieram para cá de caminhão.

— O que é que se vai fazer, é assim em todo lugar. E teu vestido de baile novo?

— Ficou muito comprido. Eu te falei que ia ficar comprido.

— Muriel, só vou te perguntar mais uma vez. Você está mesmo bem?

— Estou, mamãe. Pela nonagésima vez.

— E não quer voltar para casa?

— Não, mamãe.

— Seu pai disse ontem à noite que teria o maior prazer em te pagar uma viagem, se você quisesse ir a algum lugar sozinha, para pensar um pouco sobre isso tudo. Você bem que podia fazer uma bonita viagem de navio. Nós achamos...

— Não, obrigada — disse a moça, descruzando as pernas. 

— Mamãe, essa chamada vai custar uma for...

— Quando eu penso como você esperou por esse rapaz a guerra toda... Quando a gente pensa em todas essas mocinhas malucas que...

— Mamãe, é melhor nós desligarmos. O Seymour pode entrar a qualquer momento.

— Onde é que ele está?

— Na praia.

— Na praia? Sozinho? Ele se comporta direito na praia?

— Mamãe, você fala como se ele fosse um louco furioso...

— Eu não falei nada disso, Muriel.

— É, mas do jeito que você fala... Ele só fica deitado na areia. Sem tirar o roupão.

— Ele não tira o roupão? Por quê?

— Sei lá. Acho que é porque está tão branco.

— Meu Deus, mas ele precisa de sol. Será que você não consegue fazer tirar o roupão?

— Você conhece o Seymour —disse a moça, e cruzou as pernas outra vez. — Ele diz que não quer que um bando de idiotas fique olhando a tatuagem dele.

— Mas ele não tem nenhuma tatuagem! Ele arranjou alguma tatuagem no exército?

— Não, mamãe. Não, minha querida —respondeu a moça, levantando-se. —Escuta, talvez eu telefone para você amanhã.

— Muriel, agora presta atenção.

—Sim, mamãe — ela falou, pondo o peso do corpo sobre a perna direita.

— Me telefona no instante em que ele fizer, ou disser, qualquer coisa esquisita. Você sabe de quê que eu estou falando. Está me ouvindo?

— Mamãe, eu não tenho medo do Seymour.

— Muriel, quero que você me prometa.

— Tá bem, prometo. Até logo, mamãe. Dá um beijo no pai – ela disse, e desligou o telefone.

* * *

— Viu mais vidro? — disse Sybil Carpenter, que estava hospedado no hotel com sua mãe. —Viu mais vidro? (*)

— Queridinha, para de dizer isso. Você está deixando sua mãezinha maluca de tanto repetir isso. Agora fica quieta, por favor.

A Sra. Carpenter estava passando óleo de bronzear nos ombros de Sybil, espalhando-o em direção às costas, por sobre as delicadas espáduas que mais pareciam duas pequenas asas. Sybil estava precariamente equilibrada sobre uma grande bola de praia, de frente para o mar. Usava um maiô amarelo-canário de duas peças, uma das quais só seria realmente necessária dentro de uns nove ou dez anos.

— De fato, era só um lenço de seda comum. Dava para se ver, quando a gente chegava perto — falou a mulher que estava sentada numa espreguiçadeira de lona, ao lado da Sra. Carpenter. —Eu queria saber é como ela amarrou o lenço. Estava uma gracinha.

— Devia estar mesmo — a Sra. Carpenter concordou. — Sybil, fica quieta, queridinha.

— Você viu mais vidro?

A Sra. Carpenter suspirou.

— Pronto — disse, fechando o vidro. — Agora, corre e vai brincar, meu bem. Mãezinha vai até o hotel tomar um martini com a Sra. Hubbel. Depois eu trago a azeitona para você.

Liberada, Sybil imediatamente correu para a parte lisa da praia e começou a andar na direção do Pavilhão dos Pescadores. Parando apenas para enfiar o pé num castelo em ruínas, já minado pela água do mar, em pouco tempo saíra da área reservada para os hóspedes do hotel.

Caminhou mais algumas centenas de metros e aí, de repente, disparou numa corrida oblíqua, subindo para onde a areia era macia. Parou de chofre quando chegou ao lugar onde um homem ainda moço estava deitado de costas.

— Você vai entrar n'água, viu mais vidro? — ela perguntou.

O rapaz teve um sobressalto, sua mão direita correndo para a gola do roupão. Virou-se de bruços, deixando cair a toalha enrolada que lhe cobria os olhos. Olhou para cima, em direção a Sybil.

— Ei. Como vai, Sybil?

— Você vai entrar n'água?

— Estava te esperando. Quê que há de novo?

— O quê? — Sybil perguntou.

— Quê que há de novo? Qual é a novidade no programa?

— Papai chega amanhã, num avião — ela respondeu, chutando a areia.

— Na minha cara não, queridinha — o rapaz disse, segurando o tornozelo de Sybil. — É, estava mesmo na hora do teu pai chegar. Tenho aguardado a chegada dele a cada minuto. A cada minuto.

— Onde é que está a moça? — Sybil disse.

— A moça?

O rapaz sacudiu um pouco da areia que se prendera a seus cabelos já ralos.

— Isso é difícil de dizer, Sybil. Ela pode estar em mil lugares. No cabeleireiro, pintando o cabelo cor de vison. Ou fazendo bonecas para as crianças pobres, no quarto dela.

Já agora deitado ao comprido, ele fechou as mãos e pôs uma sobre a outra, como apoio para o queixo.

— Me pergunta outra coisa, Sybil. Esse teu maiô é bonito. Se há uma coisa que eu gosto é de maiô azul.

Sybil olhou-o, espantada, e depois baixou os olhos em direção à sua barriguinha protuberante.

— Esse maiô é amarelo — ela falou. — É amarelo.

— É? Chega aqui mais perto.

Sybil avançou um passo.

— Você tem toda a razão. Sou mesmo um bobo.

— Você vai entrar n'água?

— Estou considerando seriamente essa possibilidade. Acho que você vai gostar de saber que estou pensando cuidadosamente no assunto, Sybil.

Sybil cutucou a boia de borracha que o rapaz às vezes usava orno travesseiro.

— Tá precisando de ar — ela disse.

— Isso mesmo. Ela está mais precisada de ar do que eu estou disposto a admitir — falou, afastando as mãos e deixando o queixo repousar sobre a areia. — Sybil, você está muito bonita. Dá gosto te ver. Me fala sobre você.

Estendeu os braços para a frente e segurou os tornozelos da menina.

— Eu sou Capricórnio — ele falou. Quê que você é?

—A Sharon Lipschutz disse que você deixou sentar no banco do piano ao teu lado.

— A Sharon Lipschutz disse isso?

Sybil assentiu vigorosamente com a cabeça.

O rapaz soltou os tornozelos de Sybil, recolhendo as mãos, e deitou o lado do rosto sobre o antebraço direito.

— Bem, você sabe como são essas coisas, Sybil. Eu estava sentado lá, tocando. E você nem estava por perto. E a Sharon Lipschutz veio e se sentou ao meu lado. Eu não podia empurrar ela pra fora, podia?

— Podia.

— Ah, não. Não podia fazer isso. Mas eu te digo o que é que eu fiz.

— O quê?

— Fiz de conta que ela era você.

Sybil imediatamente curvou-se e começou a cavar a areia. — Vamos pra água — ela disse.

— Está bem. Acho que a gente pode dar um jeitinho nisso.

— Na próxima vez, empurra ela pra fora.

— Empurra quem pra fora?

— A Sharon Lipschutz.

— Ah, a Sharon Lipschutz. Como esse nome aparece a toda hora. Misturando memória e desejo.

O rapaz subitamente levantou-se. Olhou para o mar.

— Sybil, sabe o quê que nós vamos fazer? Vamos ver se pegamos um peixe-banana.

— Um quê?

— Um peixe-banana — ele disse, desfazendo o laço do cinto do roupão. Despiu o roupão. Tinha a pele muito branca, os ombros estreitos, e usava um calção azul-pavão. Dobrou o roupão, em dois e em três. Desenrolou a toalha de que se servira para cobrir os olhos, estendeu-a sobre a areia e pôs sobre ela o roupão dobrado. Abaixou-se para pegar a boia e enfiou-a sob o braço direito. Feito isso, deu a mão livre para Sybil e saíram andando em direção ao mar.

— Imagino que você já tenha visto muitos peixes-banana na tua vida — disse o rapaz.

Sybil fez que não com a cabeça.

— Não viu? Afinal, onde é que você mora?

— Não sei.

— Claro que sabe. Tem que saber. A Sharon Lipschutz sabe onde é que ela mora, e só tem três anos e meio.

Sybil parou e desprendeu-se, com um arranco, da mão dele.

Pegou uma concha comum de praia e examinou-a com exagerado interesse. Jogou-a fora.

— Whirly Wood, em Connecticut — ela disse, e recomeçou a andar, barriga estufada para a frente.

— Whirly Wood, em Connecticut — ele repetiu. — Será que, por acaso, essa cidade fica perto de Whirly Wood, em Connecticut?

Sybil olhou para ele.

— É lá que eu moro — falou, impaciente. — Eu moro em Whirly Wood, Connecticut.

Correu alguns passos à frente dele, agarrou o pé esquerdo com a mão esquerda e deu uns dois ou três pulos.

— Você não faz ideia como isso esclarece tudo — o rapaz disse. Sybil largou o pé e perguntou: — Você já leu "Sambo, o Negrinho"?

— Gozado você me perguntar isso. Acontece que eu acabei de ler esse livro ontem de noite — ele respondeu. Estendeu o braço e tomou novamente a mão de Sybil. — Você gostou?

— Os tigres todos ficaram correndo em volta daquela árvore?

— Pensei que nunca mais iam parar. Nunca vi tanto tigre.

— Tinha só seis — ela falou.

— Só seis! Você chama isso de só?

— Você gosta de cera? — Sybil perguntou.

— Gosto de quê?

— Cera.

— Gosto muito. Você não gosta?

Sybil concordou com a cabeça.

— Você gosta de azeitona? — Sybil perguntou.

— Azeitona? Adoro. Azeitona e cera. Nunca vou a lugar nenhum sem levar um estoque de azeitonas e cera.

— Você gosta da Sharon Lipschutz?

— Gosto. Gosto sim — o rapaz respondeu. — O que eu mais gosto nela é que ela nunca maltrata os cachorrinhos no saguão do hotel. Por exemplo, aquele buldoguezinho da moça do Canadá. Você provavelmente não vai me acreditar, mas algumas menininhas gostam de espetar aquele cachorrinho com um pedaço de pau. A Sharon não. Ela nunca faz nenhuma maldade. É por isso que eu gosto tanto dela.

Sybil ficou calada.

— Eu gosto de mastigar vela — ela disse, finalmente.

—Quem não gosta? — o rapaz falou, molhando os pés. — Opa! A água tá fria.

Jogou a boia dentro d'água.

— Não, espera um instante, Sybil. Espera até a gente entrar mais um pouco.

Foram andando até a água atingir a cintura de Sybil. Aí o rapaz levantou-a e a deitou de bruços sobre a boia.

—Você nunca usa uma touca de cabelo nem nada? — ele perguntou.

—Não me larga! — Sybil ordenou. — Agora me segura.

— Senhorita Carpenter, por favor. Eu entendo do riscado. Trata só de ficar olhando para ver se descobre algum peixe-banana. Hoje está fazendo um dia ideal para os peixes-banana.

— Não tou vendo nenhum — Sybil disse.

— Isso é compreensível. Eles têm uns hábitos muito estranhos —disse o rapaz, enquanto continuava a empurrar a boia. A água ainda não chegava à altura de seu peito. — Levam uma vida muito trágica. Você sabe o quê que eles fazem?

Ela fez que não com a cabeça.

— Bem, eles entram nadando num buraco onde tem uma porção de bananas. São iguaizinhos a qualquer peixe normal quando entram, mas mal se veem lá dentro eles se comportam como uns porcos. No duro. Já vi um peixe-banana entrar num buraco e comer setenta e oito bananas — ele falou. Empurrou a boia e sua passageira um pouquinho mais em direção ao horizonte. — Naturalmente, depois disso eles ficam tão gordos que não conseguem mais sair do buraco. Não passam pela porta.

— Não vamos muito para longe, não — Sybil disse. — O quê que acontece com eles?

— O que acontece com quem?

— Com os peixes-banana.

— Ah, você quer dizer, depois que comem tantas bananas que não conseguem mais sair do buraco de banana?

— É.

— Bem, sinto muito dizer isso a você, Sybil. Eles morrem.

— Por quê?

— Porque pegam a febre da banana. É uma doença terrível.

— Aí vem uma onda — ela disse, nervosa.

— Vamos ignorá-la. Vamos esnobar essa onda — o rapaz falou. —Dois esnobes.

Segurou os tornozelos de Sybil e os empurrou para a frente e para baixo, fazendo a boia deslizar por cima da crista da onda. A água empapou os cabelos louros de Sybil, mas o grito que ela deixou escapar veio carregado de prazer.

Quando a boia voltou a estabilizar-se, ela afastou com a mão uma mecha de cabelos molhados que lhe caíra sobre os olhos e informou:

— Acabei de ver um.

— Viu o quê, meu bem?

— Um peixe-banana.

— Deus meu! Não diga! Ele estava com alguma banana na boca?

— Tava — ela respondeu. —Com seis.

O rapaz de repente segurou um dos pés molhados de Sybil, que pendia da beirada da boia, e o beijou.

— Ei! —disse a proprietária do pé, virando-se para trás.

— Ei coisa nenhuma! Agora vamos voltar. Você já brincou bastante? -Não!

— Sinto muito — disse ele, e empurrou a boia até a praia, onde Sybil desembarcou. Puxou a boia até onde tinha deixado suas coisas.

— Té logo — ela falou, e correu sem remorso na direção do hotel. O rapaz vestiu o roupão, fechou cuidadosamente a gola e enfiou a toalha no bolso. Apanhou a boia molhada e escorregadia, incômoda de carregar, e ajeitou-a sob o braço. Seguiu sozinho, devagar pela areia fofa e quente, a caminho do hotel.

No subsolo do hotel, por onde os banhistas eram obrigados a entrar, uma mulher com o nariz coberto de pomada tomou o elevador junto com o rapaz.

— Por que você está olhando para os meus pés? — ele lhe perguntou, quando o elevador se pôs em movimento.

— O que o senhor disse?

— Perguntei por que é que você está olhando para os meus pés.

— O senhor vai me desculpar, mas acontece que eu estava olhando para o chão — a mulher falou, e encarou a porta do elevador.

— Se quer olhar para a droga dos meus pés, diga logo. Mas não precisa ficar olhando escondido.

— Deixa saltar aqui mesmo, por favor — a mulher disse rapidamente para a ascensorista.

As portas se abriram e a mulher saiu, sem olhar para trás.

— Eu tenho dois pés normais, pomba, e não admito que ninguém fique olhando para eles — o rapaz falou. — Quinto, por favor.

Tirou a chave do bolso do roupão. Desceu no quinto andar, caminhou ao longo do corredor e entrou no 507. O quarto cheirava a mala de couro nova e a removedor de esmalte de unhas.

Olhou de relance na direção da moça que dormia numa das camas-gêmeas. Caminhou até uma das malas, abriu-a e, sob uma pilha de roupas de baixo, apanhou uma Ortgies automática, calibre 7.65. Soltou o pente de balas, examinou-o e enfiou de novo no lugar. Armou a pistola. Feito isso, foi sentar-se na cama desocupada, olhou para a moça, apontou a pistola e deu um tiro em sua própria têmpora direita. 
 

*N. dos T. — No original, see more glass, cuja pronúncia é idêntica à do nome do personagem principal, Seymour Glass. 

Conto publicado no livro “Nove Estórias”, 1967, Editora do Autor. Tradução de Jorio Dauster e Álvaro Gurgel.

 

Da Deutsche Welle

 

CulturaAlemanha debate exibição de filmes nazistas

Aproximadamente 40 filmes feitos durante o nazismo estão na lista de "restritos" e sua exibição é proibida para o grande público. Alguns especialistas defendem uma reavaliação da conduta frente a essas obras.

Qual deve ser a conduta, hoje, em relação a materiais de propaganda nazista? Deve-se trancar em algum lugar e proibir livros e textos, símbolos e filmes produzidos no período? Ou deve-se disponibilizá-los, a fim de que se possa perceber como os nazistas disseminavam naquela época suas mensagens entre a população? E em caso positivo, quem deveria ter acesso a esse material? Só pesquisadores? Ou qualquer pessoa? Não há perigo de que estes escritos acabem em mãos de nostálgicos do nazismo ou de jovens ligados à extrema direita?

Mais debate

Não há e nem poderá haver nenhuma resposta satisfatória a estas questões complexas. O debate em torno do Minha Luta, de Hitler, voltou à tona. No próximo ano, vence o prazo de proteção de direitos autorais sobre o texto. Mais complicada ainda é a situação dos filmes nazistas, em torno dos quais deverá se iniciar em breve uma discussão no país.

O cinema Zeughaus, no Museu Histórico de Berlim, exibe dentro de sua programação atual alguns filmes nazistas. No Museu do Cinema de Munique, também será exibida em breve uma série de filmes do período. Além disso, acontece em Munique um simpósio sobre o assunto, que começa nesta sexta-feira (16/03) e vai até domingo.

Trata-se, sobretudo, de aproximadamente 40 "filmes restritos". Esta denominação um tanto quanto prolixa diz respeito a obras que só podem ser exibidas com determinadas restrições, ou seja, apenas no contexto de discussões científicas, mantendo-se proibidas para o acesso comum. Entre elas estão o conhecido filme antissemita Jud Süss e documentações de mesmo teor como Der ewige Jude.

O expectador comum do cinema de hoje nem conhece estes filmes. Todos eles têm em comum a apologia à guerra, uma postura avessa à Polônia e à Inglaterra, além de serem filmes que incitam o ódio e disseminam conteúdos de propaganda antissemita.

Acervo perigoso

 

Goebbels com Veit Harlan e Wolfgang Liebeneiner, diretores de Jud Süss

Com o fim da Segunda Guerra, mais de 1.200 filmes, produzidos na Alemanha entre 1933 e 1945, foram a princípio confiscados pelos aliados e divididos em três categorias. A maioria foi liberada a seguir sem quaisquer restrições. Outros foram liberados apenas com cortes e alguns poucos classificados como "filmes restritos".

Este contingente foi sendo modificado no decorrer das últimas décadas, em adaptação ao tempo presente. Por fim, sobraram aproximadamente 40 "filmes restritos". A Fundação Wilhelm Murnau, sediada em Wiesbaden, bem como o Arquivo Federal, em Koblenz, administram este acervo – a fundação é responsável pelos filmes de ficção e o arquivo, pelo material documental.

Recentemente, surgiram acusações de que os filmes restritos estariam sendo injustamente mantidos fora de circulação pelas duas instituições. Um jornalista do diário Die Welt, por exemplo, afirmou que o procedimento seria de "censura pela porta dos fundos, passando em cima do direito autoral".

Uma acusação que Ernst Szebedits, diretor da Fundação Wilhelm Murnau, não deixa passar: "A fundação tem a incumbência de zelar por estes filmes e não torná-los acessíveis ao público", diz ele. Segundo Szebedits, trata-se de uma incumbência pública, recebida do governo federal. "Direito autoral não é uma medida de censura", completa.

Conduta aberta

 

Fundação Wilhelm Murnau, em Wiesbaden

Szebedits, que dirige a Fundação Murnau há apenas poucos meses, tem, todavia, uma postura aberta frente à futura conduta no que diz respeito aos filmes restritos. Para ele, a fundação manteve uma posição muito defensiva nos últimos anos com relação ao tema. Para os políticos, diz ele, os filmes nazistas sempre foram uma batata quente, da qual eles preferiram se manter distantes.

Szebedits defende uma nova base na conduta frente aos polêmicos filmes e sugere a criação de um grêmio de especialistas que possa debater o assunto e criar novas diretrizes. Pois, afinal, o efeito dos filmes nazistas sobre o expectador mudou muito no decorrer das últimas décadas. Segundo Szebedits, muitos dos filmes banidos pelos aliados e pelas gerações posteriores como propaganda nazista perigosa não trariam hoje, devido a seu caráter grosseiro, nenhum perigo.

Alguns dos filmes da lista de restritos poderiam, na opinião do diretor da Fundação Murnau, ser liberados. Por outro lado, há obras liberadas, que não pertencem à lista dos filmes restritos, mas que do ponto de vista psicológico ou temático são muito mais perigosas por serem mais sutis.

Diálogo com o expectador

Jörg Friess, do Museu Histórico Alemão, também defende uma nova conduta frente aos filmes nazistas. O cinema Zeughaus exibirá em breve "filmes restritos", como Ein schöner Tag (Um belo dia) ou Mein Sohn, der Herr Minister (Meu Filho, Senhor Ministro) – não são comparáveis a filmes de propaganda explícita como Jud Süss, por exemplo. "Nós nos encontramos em meio a um processo de abertura", diz Friess. Deveria-se, segundo ele, voltar a assistir a estes filmes, para, em diálogo com o espectador, formar uma opinião a respeito.

 

Jörg Friess, diretor do Cinema Zeughaus, em Berlim

"O conjunto de filmes restritos não é genuinamente independente da história, mas algo sempre em movimento, o isso irá continuar para sempre", teoriza Friess. Para o especialista, deveria ser conduzida uma discussão a respeito do conteúdo político e do poder destes filmes sobre o expectador. E principalmente no que diz respeito ao gênero da comédia, que permite interpretações muito distintas: "O contexto de recepção é hoje totalmente diferente daquele dos anos 1930 ou 1940", acentua Friess.

Reações diversas

Ele observa dois tipos diferentes de posições e reações entre os expectadores no Cinema Zeughaus. Muitos entre os mais velhos apontam a força desses filmes e defendem a manutenção das regras restritivas para os mesmos. Já os expectadores mais jovens, segundo Friess, têm uma relação completamente diferente com essas obras, ao afirmarem que "nossa democracia é forte o suficiente para que haja uma conduta aberta frente a esses filmes".

As novas gerações relutam, na maioria das vezes, a introduções que antecipam determinadas leituras dos filmes. O "gesto didático, da introdução, da pedagogia da mídia e do cinema" não é bem visto, relata Friess. Uma reação que Ernst Szebedits da Fundação Murnau também observa e compreende. Com devidas exceções, ressalta o especialista, obras de incitação ao ódio e de conteúdo antissemita como Jud Süss ou Der ewige Jude devem ser mantidas na categoria de "restritos", segundo ele.

Autor: Jochen Kürten (sv)
Revisão: Mariana Santos

 

Cynara Menezes

Defesa

20.03.2012 12:03

Pimenta nos olhos7

Banana, café, cacau, jogadores de futebol, Havaianas e… armas não letais. Nação conhecida por ser pacífica, o Brasil caminha para ser uma das grandes potências do mundo na exportação de balas de borracha, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e outros artefatos utilizados para o controle de multidões e repressão a manifestações. Enquanto fabricantes argumentam que os equipamentos diminuem a letalidade, defensores dos direitos humanos criticam o uso dessas armas contra manifestantes como uma medida antidemocrática.

A curta distância, as balas de borracha machucam muito e podem até matar. Foto: Reuters/Latinstock
Em janeiro, ativistas do Bahrein denunciaram que bombas de gás lacrimogêneo fabricadas no Brasil eram utilizadas para reprimir protestos pró-reforma no País, encabeçados pela maioria xiita contra a monarquia sunita do rei Hamad bin Issa al-Khalifa. No YouTube apareceu um vídeo onde se pode ver claramente balas de borracha de fabricação brasileira utilizadas pelas forças policiais.

Os ativistas denunciaram inclusive a morte de um bebê de 5 dias, que teria sido asfixiado pelo gás. Sites internacionais de defesa dos direitos humanos apontaram ainda, além da criança, outra pessoa no Bahrein, um senhor de 73 anos, que teria falecido por inalar o gás lacrimogêneo made in Brazil. Levantou-se, inclusive, a suspeita de que o produto brasileiro seja mais tóxico do que os produzidos fora.

O uso de armas não letais brasileiras para reprimir protestos não é exclusividade de regimes ditatoriais do Oriente Médio. Também nas manifestações em virtude da crise na Europa foram identificadas cápsulas de gás lacrimogêneo brasileiro jogadas para conter as multidões. Em junho do ano passado, um blogueiro do Egito divulgou na internet a foto de uma cápsula com a bandeira do Brasil lançada contra manifestantes em Atenas, na Grécia, onde ocorrem protestos contra o governo.

Além da bandeirinha verde e amarela, facilmente reconhecida pelos fãs de futebol, os artefatos têm em comum o fato de ser produzidos pelo mesmo fabricante, a Condor Tecnologia Não-Letal, de Nova Iguaçu (RJ). A empresa diz exportar armas não letais para cerca de 40 países na América Latina, África, Ásia, Oriente Médio e Europa, mas as cláusulas de confidencialidade nos contratos a impediria de especificar quais exatamente. Quando a denúncia sobre o uso de gás brasileiro no Bahrein foi publicada, a Condor negou que tivesse vendido o produto diretamente para o país.

O Itamaraty chegou a afirmar a disposição de investigar o assunto, mas agora nega ter tal poder. Segundo a assessoria do Ministério das Relações Exteriores, o único papel que cabe ao órgão é o de dar pareceres políticos sobre determinado país, a pedido dos órgãos envolvidos, antes que a transação comercial aconteça. O ministério informou ainda que não existe registro de consulta específica sobre o Bahrein.

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Brasileiro é morto em perseguição policial

A Condor afirma a importância da utilização de armas não letais pelas Forças de Paz da Organização das Nações Unidas no Haiti e na pacificação dos morros cariocas, como ocorreu no Alemão, em novembro de 2010. A empresa defendeu a utilização dos produtos como “alternativa entre o cassetete e o fuzil”. “Projetadas para imobilizar temporariamente sem causar morte ou danos permanentes, a sua correta utilização evita que a contenção de conflitos ou a reação a um meliante de baixo teor ofensivo (uma pessoa portando um canivete, por -exemplo) se transforme em banhos de sangue”, responde a fabricante. “Exemplos no Brasil, onde o uso de não letais poderia ter evitado tragédias, são os -casos do Carandiru e Carajás.”

A empresa lembrou que o uso de tecnologias não letais foi incentivado pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, do Ministério da Justiça, que coloca o emprego desses artefatos no combate ao crime como “um dos pilares do conceito de segurança pública cidadã”. Uma portaria de 2010 do ministério prevê que todo agente deve portar ao menos duas armas não letais. “No âmbito dos estados da Federação e mesmo dos municípios, o emprego de produtos não letais é uma realidade benéfica que ajuda a combater a violência de todos, inclusive a policial, reduzindo a -letalidade”, defende a Condor.

Nos últimos três anos, os contratos do governo federal com a companhia carioca para a

No Bahrein e na Grécia, foram encontradas cápsulas de gás lacrimogênio Made in Brazil
aquisição de armas não letais cresceram de forma impressionante. Até 2007, de acordo com o Portal da Transparência, não havia nenhum contrato. No ano seguinte, após a criação do Pronasci, as compras de armas não letais alcançariam 2,9 milhões de reais, valor que subiu para 13 milhões em 2009 e saltou para 24,7 milhões em 2011. Os estados também adquiriram da Condor artefatos do gênero. O governo do Distrito Federal, por exemplo, gastou 841 mil reais com armas não letais, e o governo do Paraná, 1,1 milhão, sempre com inexigibilidade de licitação.

Para que tanta bala de borracha, tanto gás lacrimogêneo e tanto spray de pimenta? Estariam os governos se armando contra manifestações? Na criticada reintegração de posse da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), até o secretário nacional de Arti-culação Social, Paulo Maldos, foi atingido por uma bala de borracha. Na ocupação da Cracolândia, em São Paulo, também foi noticiado o uso do artefato. O mesmo ocorreu durante a greve dos PMs na Bahia, no mês passado. No carnaval de Salvador, noticiou-se que integrantes da Força Nacional que reforçavam o policiamento iriam utilizar armas “taser”, aquelas dos choques elétricos.

Até mesmo os agentes do Instituto Chico Mendes, que trabalham na proteção de parques nacionais, ganharam kits com gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. De acordo com o Centro de Comunicação do Exército, o aumento do emprego de tropas em missões de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), como as recentes greves das PMs, incrementou a demanda por armas não letais. O Ministério da Justiça, por sua vez, diz que a utilização dos artefatos serve justamente para “evitar o uso desnecessário, des-proporcional ou abusivo da força”.

O problema é que, apesar do nome, a não letalidade dessas armas é posta em dúvida. No que diz respeito às balas de borracha, os próprios fabricantes aconselham atirar nas pernas a uma distância de ao menos 20 metros, o que não é levado exatamente ao pé da letra nos momentos de conflito. Se mais de perto, o disparo pode ferir gravemente e até matar. Há quatro anos, a Anistia Internacional divulgou um estudo no qual afirma que as armas “-taser” foram responsáveis pela -morte de 334 pessoas nos Estados Unidos, entre 2001 e 2008. •

 

Presidente do TJ-SP desafia ministra do CNJ a mostrar contracheque

 

Ivan Sartori promete divulgar seus vencimentos caso Eliana Calmon faça o mesmo

 

20 de março de 2012 | 22h 30

 

 

 

 

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

 

SÃO PAULO - Com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no encalço do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, presidente da maior corte do País, com 360 desembargadores, fez nesta terça-feira, 20, um desafio à ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça: “Eu até me disponho, se ela quiser mostrar o holerite junto com o meu, eu mostro, os dois juntos. Por que vocês não propõem isso?”, disse a jornalistas que recebeu em seu gabinete.

Veja também:
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Sartori diz que não aceita o termo ‘investigação’, que coloca todos sob suspeita - Marcio Fernandes/AE - 02/12/2012Marcio Fernandes/AE - 02/12/2012Sartori diz que não aceita o termo ‘investigação’, que coloca todos sob suspeita

 

A sugestão se deu em meio a um longo desabafo por causa da apuração do CNJ, que mira contracheques milionários concedidos a alguns magistrados paulistas. A verificação do conselho incluirá pesquisas por amostragem no quadro de desembargadores em todo o País. “Não admito ser colocado como suspeito”, reagiu Sartori.

 

Calmon não quis comentar. Por sua assessoria informou que seu holerite é público. O CNJ decidiu em fevereiro retomar o levantamento na folha de pagamento dos tribunais, depois que venceu no Supremo Tribunal Federal (STF) a queda de braço com as entidades da toga, que se opõem ao rastreamento.

 

A inspeção havia sido deflagrada em dezembro com base em dados do Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf)- essas informações, no entanto, não mais poderão ser usadas pelo CNJ, por decisão do ministro do STF Luiz Fux.

 

A atuação do CNJ abrange diversos tribunais, não apenas o de São Paulo. O Conselho destacou que não são todos os desembargadores que serão analisados. O trabalho será por amostragem.

 

‘Todos bandidos’. Sartori não aceita o termo “investigação”, que em sua avaliação implica suspeitas sobre ele e seus pares.

 

“Investigar é indício, quer dizer que todos somos suspeitos? Estamos sendo indiciados? Eu vou ser investigado?” Ele disse que “a Justiça está conspurcada”. “Talvez sejamos todos bandidos.”

 

O desembargador tem um encontro marcado na quarta-feira, 21, com a ministra. Eles vão tratar de precatórios, imbróglio que atormenta multidão de credores. “Amanhã estarei lá, estarei com a ministra. Vou ver o que ela falou”, declarou Sartori, referindo-se às informações sobre os próximos passos do CNJ. “Isso vai ser apurado muito bem.”

 

Sartori tem procurado agir em parceria com a corregedora nacional da Justiça. Logo que tomou posse, em janeiro, tomou a iniciativa de abrir procedimentos de caráter administrativo para apurar as condições em que foram concedidos pagamentos antecipados a 211 magistrados.

 

Desse grupo, 29 receberam acima de R$ 100 mil. Cinco foram contemplados com somas superiores a R$ 600 mil - um ex-presidente do TJ recebeu R$ 1,44 milhão; outro ex-presidente embolsou R$ 1,26 milhão. “As verbas são devidas, têm natureza trabalhista, não houve lesão ao erário”, ressalva o presidente do TJ.

 

As apurações que Sartori comanda estão na fase das explicações por parte dos 29 desembargadores que receberam as quantias mais vultosas. O prazo para que apresentassem suas justificativas expirou segunda-feira, mas foi esticado em mais 15 dias porque surgiu informação de que assessores desses magistrados também receberam pagamentos.

Isonomia. Os dados já identificados por Sartori estão sob o crivo do Órgão Especial do TJ. Ele pondera que o tribunal de São Paulo não pode mesmo ser excluído da inspeção do CNJ, para não haver quebra de isonomia.

“O CNJ está fazendo uma aferição, verificação de rotina nas folhas de pagamento em todos os tribunais. Mas isso não quer dizer que todos são suspeitos. Se houve desvios de conduta podemos decretar a compensação e talvez medida sob a ótica da infração disciplinar.” Compensação significa congelamento dos créditos a que os desembargadores ainda pleiteiam.

Sartori foi taxativo. “Não temos receio de nada, o tribunal é transparente , podem mandar (as informações) para o Ministério Público. Aqui não devemos e não tememos nada.”

Ele enumerou procedimentos em curso no TJ, como a interrupção de desembolsos relativos à licença-prêmio para desembargadores que chegaram ao tribunal pela via do quinto constitucional da advocacia.

 

 

do Vermelho.org.br

20 de Março de 2012 - 19h51 

Preservativos femininos chegam aos postos de saúde do país

 

O Ministério da Saúde começa a distribuir em maio o primeiro lote dos 20 milhões de preservativos femininos que serão entregues ao longo do ano. As populações prioritárias serão definidas de acordo com critérios de vulnerabilidade a doenças sexualmente transmissíveis (DST), incluindo a aids e as hepatites virais.

 

 

 No público-alvo, de acordo com a pasta, estão profissionais do sexo, mulheres em situações de violência doméstica e/ou sexual, pessoas com HIV/aids, usuárias de drogas e seus parceiros e pacientes do DST. Também se enquadram pessoas de baixa renda e usuárias do serviço de atenção à saúde da mulher que tenham dificuldade em negociar o uso do preservativo masculino com o parceiro.

 

 Segundo o ministério, esta é a primeira aquisição feita pelo governo de camisinhas femininas de terceira geração – fabricadas com borracha nitrílica. Foram gastos R$ 27,3 milhões, sendo o preço unitário R$ 1,36.

 

 O preservativo feminino chegou ao mercado brasileiro em 1997, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a comercialização do produto no país. As 20 milhões de unidades a serem distribuídas este ano representam um aumento de 25% em relação à compra de toda a série histórica, que totaliza 16 milhões de camisinhas.

 

 Uma pesquisa feita pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais em 2008 mostrou que cerca de 90% das mulheres sexualmente ativas no Brasil conhecem ou pelo menos já ouviram falar da camisinha feminina.

 

 De acordo com a pasta, estudos demostram ainda que saber onde conseguir a camisinha é um fator essencial para o seu uso e que mulheres que não sabem onde encontrar o preservativo têm 81% a menos de chance de fazerem sexo protegido. 

 

 Fonte: Agência Brasil

 

terça-feira, 20 de março de 2012

Globo e Folha têm medo da verdade

Por Altamiro Borges

Em editoriais ontem (19), que até parecem combinados, O Globo e Folha criticaram os setores de sociedade que pretendem, com a instalação da Comissão da Verdade, apurar os crimes da ditadura militar. Na avaliação dos dois jornais, que deram apoio ao golpe de 1964 e às barbáries do regime, não cabe analisar o passado – seja discutindo a Lei da Anistia ou a chacina no Araguaia.

O diário da família Marinho é mais descarado. No editorial “Sem vencidos e vencedores”, até suavizava os crimes da ditadura. “Os militares trataram de manter, mesmo que só formalmente, ritos da democracia representativa... Prendia-se por motivos políticos, cassavam-se vereadores, deputados, senadores, ministros do Supremo, mas procurava-se manter um lustro de ‘democracia’”.

Jornal compara algozes com vítimas

Essa singularidade, segundo o jornal, resultou no “perdão recíproco, dos agentes envolvidos na repressão e participantes da luta armada. Uma fieira de crimes foi cometida por ambos os lados naquela guerra suja e, muitas vezes, subterrânea”. O Globo, na maior caradura, compara os torturadores com os torturados e os golpistas com os democratas que resistiram à ditadura.

Com base nesta leitura histórica, o jornal conclui que “não se sustenta a campanha que volta a ganhar força, com a proximidade da indicação dos nomes da Comissão da Verdade, para a punição de militares, policiais, agentes de segurança em geral que atuaram nos porões da repressão... Do ponto de vista da Lei de Anistia, a verdade é que não houve vencidos nem vencedores”.

Frias decreta o fim da polêmica

Já Folha, que sempre posa de eclética para enganar os mais ingênuos, foi mais marota no editorial intitulado “Respeito à Anistia”. Ela não suaviza nas críticas à ditadura, evitando usar novamente o termo “ditabranda”. Mas, na prática, defende a mesma tese do jornal carioca e tenta se amparar na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento de 2010, sobre a lei da anistia.

“O Supremo encerrou de vez, para o bem da sociedade, toda polêmica sobre o alcance da anistia”. Portanto, decreta a Folha, não cabe à Comissão da Verdade reabrir este debate. O jornal também critica o Ministério Público Federal que pediu a reabertura do caso sobre o coronel da reserva Sebastião Curió, o carrasco acusado de vários assassinatos na Guerrilha do Araguaia.

O temor da Comissão da Verdade

Para o jornal, o pedido da Justiça Federal “tensiona o ambiente já dificultoso para instalação da Comissão da Verdade. O escopo da comissão é dar acesso a documentos do período de 1946 a 1988 para clarear o registro histórico. Não se deve sacrificar esse objetivo maior, ainda que a pretexto de repudiar crimes contra direitos humanos que a Lei da Anistia tornou página virada”.

Os editoriais dos jornais O Globo e Folha, além de patéticos, revelam o temor das famiglias Marinho e Frias com a reabertura dos debates sobre os crimes cometidos pela ditadura militar. Afinal, ambas as empresas jornalísticas apoiaram os golpistas. A Folha até cedeu seus veículos para o transporte de presos políticos para a tortura. Já Roberto Marinho costumava frequentar o Dops.

Rabo preso com a ditadura

No facebook, o dirigente petista Renato Simões foi rápido na resposta. “A Folha lança manifesto em legítima defesa de ré confessa de colaboração com os crimes da ditadura. O editorial é um libelo em causa própria, da Folha e de todos os meios de comunicação e outras empresas privadas que financiaram e defenderam a tortura e as violações de direitos humanos durante a ditadura”.

“Cláusula pétrea da impunidade, a ilegítima lei de anistia autoconcedida pelos militares no começo do declínio de seu regime é invocada pela Folha e pelos cúmplices dos Curiós da vida, frequentadores dos porões dos Doi-Codis e outros centros de repressão e tortura sempre que a verdade começa a vir à tona. Mais uma prova do rabo preso da Folha com o regime militar, e mais uma prova da urgência e necessidade históricas da instalação da Comissão da Verdade”.

 

Respeito que negam a Lula sobra entre o povo e ficará na história

Posted by eduguim on 19/03/12 • Categorized as Crônica - Blog da Cidadania

Ah, injustiça, velha decrépita, cínica, de boca desdentada, língua afiada e olhar míope. Acredita-se exuberante, esguia, vigorosa, sábia e imortal, mas é disforme, obesa, frágil como um castelo de areia, incapaz de se entender e fugaz como a vida de seus profetas.

Coleciona certos inimigos poderosos, outros nem tanto, mas todos eternos e infatigáveis. O tempo e a espada da verdade estarão eternamente sobre a sua cabeça, assim como aqueles que não a toleram jamais lhe deixarão os calcanhares.

Jamais se move por moto próprio, tendo que ser empurrada, mesmo sendo por um preposto do autor. E quantos se acotovelam a querer a preposição do injusto…

Leio um entre essa chuva de textos que inundam a comunicação todos os dias para tentar, como por mágica, desfazer a realidade. Não há dia em que um escriba não trate com abissal desrespeito aquele que, por mérito intransferível, ganhou o coração do povo e o panteão da história.

Esses escribas tratam-no como a um criminoso. Não fazem nenhuma concessão à sua exitosa passagem pelo governo da República, não lhe admitem um só mérito, negam-lhe o mínimo respeito.

O pobre diabo que escreveu o texto revoltante por certo será esquecido dez minutos após o passamento, à exceção de amigos e parentes. Mas se refere àquele que se tornou a uma lenda como se não lhe chegasse aos pés. Talvez por acreditar que um homem seja menos do que outro.

Eis que a indignação arrefece. Lembrar aos profetas da injustiça que nada furtam além da própria oportunidade de terminar os dias ombreados à justiça e à verdade é um bálsamo para a alma. Escrevi estas linhas em causa própria. Refeito, agradeço a atenção.

 

Marcadores: Afeganistão, Geopolítica, Intervenção EUA-OTAN, M K Bhadrakumar, Paquistão, Russia, Vila Vudu
O infindável horrendo legado da Guerra ao Terror

"Arapongagem" generalizada (nos EUA, por enquanto!)

19/3/2012, Karen J. Greenberg, TomDispatch
Ever More and Ever Less: "The Unstoppable Legacy of the War on Terror"
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Karen Greenberg é diretora do Centro de Estudos de Segurança Nacional, da Faculdade de Direito de Fordham, EUA.

Agora, seria de supor que estivéssemos chegando ao fim da era 11/9. Uma guerra mal acabada no Oriente Médio Expandido, outra que se arrasta desastrosamente rumo ao fim, e a al-Qaeda tão reduzida que nem moveria a agulha do medidor norte-americano de ameaças. Seria de supor, sim, que chegara o momento de os norte-americanos voltarem os olhos, afinal, para seus próprios princípios: a Constituição e a proteção que só ela assegura a direitos e deveres.

Mas o que se vê são abundantes sinais de que 2012 será mais um ano no qual, em nome da segurança nacional, aqueles direitos e liberdades serão ainda mais capados e Guantanamizados. Exemplo disso é que, apesar de ainda haver inimigos poderosos pelo mundo, os EUA só temos olhos agora para ‘candidatos’ da oposição que denunciam ‘vazadores’, acusados de pouco menos que crimes de alta traição, porque revelaram a jornalistas e cidadãos interessados o que faz e como age o governo dos EUA.

Aqui e por todos os cantos, tudo sugere que só possamos esperar que o governo Obama continue a pavimentar o caminho que já nos levou tão longe do país que nos acostumáramos a ser. E ano que vem, se houver outro presidente na Casa Branca, só esperem que nos leve para ainda mais longe.

Com isso em mente, eis aqui cinco categorias na esfera da segurança nacional, nas quais, provavelmente, 2012 será ainda mais tenebroso que 2011.

1. Cada vez mais punições (e menos equilíbrio)

Os que suponham que a era de reações desmedidas em nome da segurança nacional estaria chegando a algum fim próximo, melhor farão se lembrarem dos espetaculosos julgamentos em tribunais de segurança nacional que estão no horizonte – e de que podemos estar-nos aproximando de uma nova era de vingancismo governamental. Dentre os mais espetaculosos: as comissões militares em Guantánamo, que julgarão Khalid Sheikh Mohammed, suposto ‘cérebro’ do ataque de 11/9 e seus co-conspiradores; além de Abd al-Rahim al-Nashiri, suposto ‘cérebro’ dos ataques suicidas de 2000, contra o porta-aviões U.S.S. Cole no porto de Aden. Aí haverá acusações de crimes que preveem execução, a serem julgados em espírito de desforra.

Esse espírito de desforra não se saciará com linchar chefetes e operadores da al-Qaeda. Vários casos que não envolvem nem ataque a nem morte de norte-americanos também chegarão aos tribunais em nome da segurança nacional e, em todos, reinará o mesmo espírito de desforra. Para começar, está em pauta a corte marcial do cabo Bradley Manning, acusado de copiar documentos secretos do governo dos EUA e entregá-los a WikiLeaks. E, claro, há também o possível julgamento de Julian Assange, fundador de WikiLeaks, por uma corte federal – uma corte federal analisa atualmente se acolhe a denúncia contra ele – por suposta colaboração com Manning.

Os dois casos tem sido apresentados em tom de ira viciosa que, aos olhos de outros povos deve soar como um murro na boca. Altos funcionários insistem em que os materiais publicados por WikiLeaks ameaçaram vidas de norte-americanos, o que teria "manchado de sangue" as mãos de ambos, Assange e Manning (embora até hoje ninguém tenha apresentado prova de que um único ser humano foi fisicamente agredido em consequência da publicação daqueles documentos).

No polo mais sanguinolento do espectro político nos EUA, o ex-governador do Arkansas e aspirante a candidato presidencial, Mike Huckabee, e o deputado Mike Rogers (R-MI), dentre outros, já clamaram pela execução de Manning. Nas palavras de Rogers, "insisto em que se considere a pena capital nesse caso, dado que [Manning] claramente colaborou com o inimigo, no que pode resultar em morte de soldados dos EUA e aliados. Se isso não é crime capital, não sei o que é".

Bradley Manning

Desejo semelhante, embora talvez menos assassino, oculta-se na determinação com que o governo Obama persegue e pune qualquer tipo de vazamento de informações, do interior do governo para a imprensa, mesmo quando não envolve roubo de documentos oficiais. Obama, como se sabe, entrou na Casa Branca proclamando uma política "Raio de Sol", em matéria de transparência nos serviços públicos e governamentais. Hoje, já ultrapassou George W. Bush nas tentativas de punir ‘vazadores’.

Dois julgamentos em andamento, de dois ex-agentes da CIA, exemplificam esse padrão. Jeffrey Sterling foi acusado de vazar documentos secretos para James Risen do New York Times sobre planos para dar informações falsas ao Irã, num esforço contraproducente para subverter o programa nuclear iraniano; e John Kiriakou acaba de declarar-se inocente da acusação de ter entregado à mídia informações sobre práticas de tortura na era Bush. Tudo somado, o governo dos EUA está caçando seis supostos ‘vazadores’ – mais do que todos os casos desse tipo, em todas os governos dos EUA – servindo-se para isso da lei "Antiespionagem", Espionage Act, draconiana.

No que tenha a ver com ‘vazadores’, a mensagem não poderia ser mais clara, nem mais vingancista. O estado, nos EUA, mantém-se na seguinte posição: exponha o Estado, e cairemos sobre você com fúria inimaginável. Assim como os terroristas foram avisados de que se criariam novas leis e sistemas legais específicos para eles, assim também os acusados de vazar informações (mesmo que verídicas!) para a mídia estão sendo avisados de nem toda a lei vigente limitará o castigo que desabará sobre eles.

Basta considerar o tratamento dado a Bradley Manning no primeiro ano de prisão, quando ainda sequer estava acusado de qualquer crime: foi mantido numa masmorra da Marinha, em total isolamento, obrigado a dormir nu. Ou considere-se a tentativa, não de fazer justiça, mas de destruir a vida de Thomas Drake, ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança. Drake foi acusado de vazar informação sigilosa de caso que, para Drake, não passava de programa no qual havia desperdício devastador de recursos da Agência. No fim, embora acusado nos termos da Lei Antiespionagem, Drake declarou-se culpado da contravenção de ter tomado emprestado um computador do Estado – mas, isso, depois de sua vida ter sido destruída, sua carreira arruinada e já demitido.

2. Um limbo ‘legal-ilegal’ cada vez mais sombrio (e cada vez menos consideração à Constituição)

Hoje, denúncias da ilegalidade da detenção indefinida dos acusados de "combater pelo inimigo", já denominados "inimigos beligerantes sem privilégios", já viraram normais. É tema considerado tão tipicamente norte-americano quanto a torta de maçã. Como, antes, o governo Bush, o governo Obama insiste na necessidade de manter presos em Guantánamo cerca de 50 homens, contra os quais não há qualquer acusação formal.

Em maio de 2009, em discurso nos National Archives, o presidente Obama não poderia ter sido mais claro: a detenção indefinida, disse ele, continua a ser utensílio para uso do aparelho da segurança nacional, também em seu governo. Assim, garantiu que uma versão norte-americana da (in)justiça além fronteiras, e traço essencial de Guantánamo – que, em campanha, Obama prometera fechar – continuaria intocada.

Mas em 2012, está surgindo outra categoria de gente que também pode ser presa sem acusação e por tempo indefinido: cidadãos norte-americanos. Antes, os norte-americanos estavam isentos do risco de serem encarcerados em Guantánamo e, portanto, da política de prender sem julgamento, sem sentença e sem, sequer, acusação. Em 2002, descobriu-se que Yaser Hamdi, cidadão norte-americano-saudita, estava também preso em Guantánamo Bay; foi imediatamente removido, de avião, na calada da noite, e encarcerado noutro lugar, sinal de que o Estado, nos EUA, ainda reconhece direitos aos cidadãos norte-americanos. E o mesmo aconteceu ao "Talibã norte-americano", John Walker Lindh, preso no Afeganistão, no campo de batalha, e encarcerado no sistema prisional oficial dos EUA.

John Walker Lindh

Depois disso, contudo, o Congresso mostrou bem menos respeito à diferença entre direitos garantidos aos cidadãos e aos não cidadãos norte-americanos. Mês passado, o Congresso aprovou a Lei de Defesa Nacional 2012 (2012 National Defense Authorization Act, NDAA). Os debates parlamentares refletiram empenho ativo em converter cidadãos norte-americanos, assim como cidadãos não norte-americanos, em alvos de detenção militar por tempo ilimitado.

No fim dos debates, concluiu-se que os cidadãos continuariam supostamente protegidos contra o ataque da nova lei, mas, foi sinal bem claro da direção na qual podemos estar caminhando. Como recente relatório do Serviço de Pesquisas do Congresso explicou, sobre a lei NDAA: a lei "não visa a afetar poderes relacionados à detenção de cidadãos ou residentes estrangeiros ilegais, nem qualquer pessoa capturada ou presa nos EUA".

Ainda assim, restam muitos justificados temores e grande confusão sobre que proteções ainda existem aos direitos dos cidadãos norte-americanos, depois da aprovação da lei NDAA. Nem a declaração assinada pelo presidente Obama, garantindo que o presidente "não autorizaria a detenção militar indefinida sem julgamento e sentença de cidadãos norte-americanos" ajudou a aplacar aqueles temores ou a diminuir a confusão. Se os cidadãos norte-americanos continuavam a gozar de proteção legal contra detenção indefinida, depois de aprovada a nova lei... que necessidade haveria de o presidente divulgar aquela declaração assinada?

Há ainda outro campo em que a lei parece mergulhada no mais sombrio limbo, sem nada que dê proteção aos cidadãos: em águas internacionais. No início desse ano, o governo Obama anunciou que mantinha sob detenção 15 piratas capturados na costa da Somália – e que não havia qualquer fundamento legal para aquela decisão. Nas palavras de C.J. Chivers do New York Times: "onde a lei acaba começa um problema sem solução: o que fazer com piratas capturados por barcos estrangeiros?".

Segundo o Departamento de Estado, os piratas serão julgados. Mas onde? Nas palavras do vice-almirante Mark I. Fox, "Falta-nos uma cobertura prática e legal confiável." Em outras palavras, os EUA ainda não encontraram país sob cujas leis possam levar os piratas a julgamento legal. Enquanto procuram, segundo relatórios recentes, a Marinha dos EUA mantém os detidos em celas em navios. Quer dizer: em termos conceituais, é uma Guantánamo flutuante, para inimigos da rede ‘para fins lucrativos’.

3. Cada vez mais sigilo (e menos transparência)

"Sigilo necessário" é a sempre repetida explicação para a informação mantida longe do escrutínio dos eleitores desde 11/9. As comissões militares em Guantánamo prosseguem, por exemplo, em parte sob a alegação de que, se os acusados, muitos dos quais já detidos há uma década, forem julgados por corte federal, surgirão revelações que, de algum modo, comprometerão a segurança nacional.

Para responder às declarações dos grupos de defesa de direitos civis, segundo os quais o sigilo serve exclusivamente para tentar esconder comportamento desviante ou criminoso das autoridades, o governo Obama prometeu "transparência" na atuação das comissões militares agendadas para começar a julgar os acusados no final de 2012. Entre os esforços de transparência anunciados no outono passado, havia uma página na internet, na qual documentos – cobertos de tarjas negras – ficariam acessíveis ao público; e outros documentos, com delay de 40 segundos, em circuito para leitura controlada, para a mídia e para as famílias das vítimas.

Spencer Ackerman

Mas durou pouco. Imediatamente o governo suspendeu os anseios de transparência, porque, nas palavras polidas de Spencer Ackerman, do blog "Danger Room", da revista Wired, Guantánamo "não é lugar para aberturas". Toda a correspondência entre os detidos e seus advogados (militares) de defesa é examinada e censurada, prática que, compreensivelmente, tem provocado a indignação (até) dos advogados militares.

Na categoria transparência-zero e crescente obscuridade como princípio básico do governo Obama, há também a elaborada dança de ocultamento de um memorando produzido pelo Gabinete de Assessoramento Legal (Office of Legal Counsel, OLC) do Departamento de Justiça. Foi evidentemente redigido para justificar o assassinato, em que os assassinos usaram como arma um avião-robô, drone, no Iêmen, em setembro passado, de um cidadão norte-americano, Anwar al-Awlaki, que seria "o bin Laden da Internet" [1].

Até recentemente, o governo evita perguntas sobre o assassinato de al-Awlaki, e de outro cidadão norte-americano, Samir Khan, editor da revista Inspire, da al-Qaeda. Em janeiro, o governo anunciou que o Advogado Geral Eric Holder divulgaria o memorando do Office of Legal Counsel (OLC), que legalizava o assassinato, mas adiou a divulgação da explicação da Advocacia Geral dos EUA até o início de março. Enquanto isso, o New York Times e a American Civil Liberties Union (ACLU) requereram oficialmente a divulgação do documento, amparados na Lei da Liberdade de Informação (Freedom of Information Act, FOIA). Dia 5/3/2012, Holder finalmente divulgou explicação detalhada do tortuoso argumento que justificaria o assassinado pré-determinado [orig. targeted killing] de al-Awlaki, mas, até hoje, nem sinal do documento oficial o OLC que o legalizaria.

Durante o ano passado, a imposição de cerrado sigilo a todos os tipos de atividades do governo só se tornou cada vez mais acentuada (...), sempre em nome da "segurança nacional".

Passada uma década, os americanos sabemos cada vez menos sobre os atos do governo que elegemos. (...) Não fossem as reclamações oficiais permitidas pela Lei de Liberdade de Informação, impetradas pela ACLU e outras organizações, bem pouco do pouco que se sabe sobre tortura, vigilância ilegal e outras práticas ilegais do governo Obama teria vindo à tona. E o número sempre crescente de processos contra ‘vazadores’ é apenas mais um modo de tornar invisíveis as ações do estado, ocultado do olhar dos cidadãos.

4. Cada vez mais suspeitas (e menos privacidade)

Durante anos, a perspectiva de gravações ilegais, feitas ilegalmente, em nome da segurança nacional, vem aterrorizando os americanos que fazem oposição às políticas do estado norte-americano na guerra ao terror. Em 2008, o presidente Bush assinou nova lei da Civil Aviation Safety Authority (agência de segurança da aviação civil), FISA, que autoriza o estado a escanear corpo e bagagem de cidadãos nos aeroportos, com praticamente nenhuma fiscalização assegurada, pelo menos, por outra instância legal também carregada de sigilos, as Cortes de Vigilância da Inteligência Estrangeira (Foreign Intelligence Surveillance Courts, instaladas em 1978 para legalizar a vigilância sobre suspeitos de espionar a serviço de outros países.) O governo Obama jamais abriu mão do poder de gravar comunicações eletrônicas entre pessoas fora dos EUA e pessoas em território norte-americano, em nome da segurança nacional.

As mais recentes revelações, de casos de cada vez menos privacidade e mais suspeitas, têm a ver com programas que teriam sido implementados pelo Departamento de Polícia Municipal de New York (New York City Police Department, NYPD), para vigiar cidadãos norte-americanos de religião muçulmana que vivem na cidade. A NYPD infiltra agentes em mesquitas e universidade, recolhe informes sobre cidadãos sobre os quais não há nenhum tipo de denúncia ou suspeita, em associação com a CIA, que treina policiais em métodos e técnicas que tradicionalmente são recursos exclusivos daquela agência.

Há aí flagrante violação da lei que rege a CIA, autorizada a fazer a vigilância de suspeitos exclusivamente em países estrangeiros; e não se vê qualquer sinal de que algum agente da CIA corra risco de ser processado. Não bastasse, a própria polícia de New York tem investigado e vigiado cidadãos norte-americanos, de religião muçulmana, bem longe dos limites de sua jurisdição – de New Haven, Connecticut, a Newark, New Jersey.

Para piorar, o governo Obama acaba de aprovar o uso de aviões-robôs, drones, como parte do arsenal de armas para recolher informação nos EUA. Dia 14/2, o presidente Obama sancionou lei que autoriza o uso dos drones em vários espaços, de atividades comerciais a investigação de crimes civis.

A mensagem é bem clara: esse ano (e o seguinte e o seguinte e o seguinte) serão anos de arapongagem generalizada. Para os agentes da lei, ao que parece, a vida privada dos cidadãos deve ser um livro aberto.

5. Cada vez mais matança (e menos paz)

Não passa um dia, sem notícias de que drones Predator e Reaper mataram gente em países estrangeiros – nos anos recentes, predominantemente no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Iêmen, Somália, Líbia e Filipinas. É como se a CIA e os militares tivessem posto as mãos num brinquedo novo, que não se cansam de usar, ou de propagandear. Segundo Atlantic, "Estimativas tímidas sugerem que centenas de civis não combatentes foram motos, só no Paquistão".

E seguem os tambores de guerra, clamando por ataque militar ao Irã. Ante a possibilidade de ataque israelense à República Islâmica do Irã, o governo Obama continua a recusar-se a rejeitar com clareza a possibilidade de ser parte de mais essa guerra.

"Os líderes iranianos devem sabem que não tenho qualquer política de contenção" – disse o presidente Obama. "Tenho uma política para impedir o Irã de obter uma arma nuclear. E já deixei claro várias vezes, ao longo do meu governo, que não hesitarei em usar a força quando necessária para defender os EUA e seus interesses" [2].

De fato, a urgente necessidade de impedir um confronto potencialmente desastroso, que afetaria gravemente o preço do petróleo e a economia global, já pôs a cúpula dos militares e altos funcionários do governo a voar, de um lado para outro, entre Israel e os EUA, com alertas contra qualquer ataque ao Irã. Apesar disso, diplomatas e outros especialistas continuam a discutir a questão como se a guerra já fosse evento decidido.

O futuro é certamente sombrio, todos andando claramente na mesma direção – usar a lei, ou, pelo menos, o que o Departamento de Estado supõe que seja a lei nos EUA, para justificar qualquer tipo de ação que o governo Obama considere necessária, contra quem quer que o governo decida que seja o inimigo. O Advogado Geral Holder resumiu claramente a situação, na defesa que apresentou do assassinato de al-Awlaki.

Holder explicou, com detalhes significativos, que o assassinato de um cidadão norte-americano (e suspeito de ser terrorista) seria legal, embora obrigasse a discutir o próprio sentido do que seja "o devido processo legal" nos termos da 5ª Emenda, e apesar da proteção que a lei da guerra assegura também aos inimigos. "Devido processo legal", disse ele, "não significa processo judicial". Espantosa teoria essa, de algo absolutamente inexistente na lei! Agora, "devido processo legal" é o que o presidente e seu círculo mais íntimo decidam que é! Recriação do direito constitucional, para justificar o assassinato premeditado ("targeted killing") de um cidadão norte-americano.

Em resumo, a zona nebulosa em que Washington, ao longo de uma década, lançou a lei norte-americana – e todas as consequências que daí advêm, inclusive medidas punitivas, tentativas de burlar garantias constitucionais, o sigilo que tudo encobre e acoberta, a desconfiança cada vez maior, que torna suspeitos todos nós, e o assassinato – não são coisas que veremos desaparecer tão cedo. É bem claro o movimento pelo qual estamos nos afastando cada vez mais dos direitos e liberdades que temos, enquanto a Constituição for respeitada, e que os norte-americanos estamos perdendo rapidamente, nessa nova era em que mergulhamos, uma era de inimigos.

Notas dos tradutores

[1] Sobre o caso, ver 7/11/2010, Ocidente em pânico: uma voz norte-americana pró-"Jihad", Patrick Cockburn, The Independent, UK, em português ; e "Assassinato de Awlaki: Obama mata quem bem entenda", 1/10/2011, Robert Dreyfuss, The Nation, em português.

[2] O discurso (ao AIPAC, dia 4/3/2012, pode ser lido em: "Obama's Speech at AIPAC, March 2012". Sobre o discurso, ver " ‘Bibi’ continua a sacudir o cachorro americano? ", 4/3/2012, Pepe Escobar
Postado por Castor Filho às 3/20/2012

 

""Arapongagem" generalizada (nos EUA, por enquanto!)":

Pode contar com isso, Marco:  vai se espalhar pelo mundo todo.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.