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http://movv.org/2012/04/14/sobre-a-necessidade-imperativa-e-urgente-de-e...

Sobre a necessidade imperativa e urgente de estabilizar militarmente a Guiné-BissauPublicado em 2012/04/14 por Clavis Prophetarumhttp://www.portaldeangola.com

http://www.portaldeangola.com

O último golpe de estado militar na Guiné-Bissau é apenas o último de uma sucessão aparentemente interminável de intentonas e golpadas militares que assolam regularmente este país lusófono desde o fim do regime monopartidário do PAIGC.

A última golpada militar teve lugar há alguns dias quando por volta das oito horas da noite algumas dezenas de militares armados com AK-47 e RPG-7 atacaram a residência do primeiro-ministro e candidato presidencial do PAIGC Carlos Gomes Júnior. Vários foguetes terão sido lançados contra as paredes da residência e houve troca de tiros, aparentemente entre polícias e paraquedistas que defendiam o edifício e os militares golpistas. Sem que se saibam detalhes, os defensores parecem ter-se rendido, abandonando as instalações sem serem detidos, já que o primeiro-ministro está agora detido num quartel a cerca de 60 kms de Bissau.

Como é usual neste tipo de eventos, as rádios foram ocupadas ou silenciadas e o mesmo aconteceu à sede do maior partido guineense, o PAIGC.

Na direta razão deste último golpe militar estão as declarações do antigo presidente (ironicamente deposto, também ele, num golpe militar) e agora candidato presidencial, Kumba Yala que terá apelado ao boicote militar na segunda volta das eleições… Estas declarações, contudo, não teriam sido suficientes para fazer eclodir este golpe, o qual encontra de facto as suas maiores motivações no fim abrupto da missão militar angolana na Guiné-Bissau, a MISSANG.

Os eventos que precipitaram o golpe terão começado em 3 de abril, quando num conselho de ministros, o Governo guineense decidiu manter em solo guineense a missão militar angolana de apoio à reforma dos setores de Defesa e Seguranca guineenses, recusando assim ceder às pressões das chefias militares que então já se faziam sentir de forma particularmente aguda. Nesse conselho de ministros, ter-se-á mesmo decidido expandir o âmbito da missão angolana, dotando-a de meios e objetivos mais amplos e que passariam inclusivamente… pela defesa das instituições democraticamente eleitas e, caso de golpe militar. Mas no dia seguinte, tudo parece ter sido anulado, com um recuo governamental em toda a linha às pressões dos militares: ao contrário do previsto, os 200 militares angolanos já não receberiam – como previsto – o seu armamento individual nem haveria extensão alguma do seu quadro de missão. Confrontado com esta inesperada cedência, Eduardo dos Santos terá dado ordem para o cancelamento total da MISSANG e decretado o regresso de todos os militares angolanos a Luanda.

Em suma: as chefias militares guineenses só estão dispostas a tolerar a presença de militares estrangeiros no seu solo desarmados e desprovidos de um mandato que possa interferir com o seu poder absoluto e liberdade plena para anularem ou suspenderem a democracia a seu belprazer, capricho ou em defesa das suas ligações ao narcotráfico colombiano e nigeriano que hoje recruta varias altas patentes guineenses, autênticos “senhores da guerra” completamente independentes e mais fiéis às máfias nigerianas e colombianas que à República Guineense.

Os militares guineenses parecem assim irredutiveis nos seus objetivos de se manterem acima de toda a legalidade e – devida – submissão ao poder político democraticamente eleito.

Chegados a este ponto, os comandos militares guineenses provam que só resta uma saída para este país lusófono e que esta passa pela total desmobilização do exercito guineense.

Recordemos assim Francisco Fadul, antigo primeiro ministro da Guiné-Bissau e ex-Presidente do Tribunal de Contas que em 2009 defendeu o envio de uma força lusófona de estabelecimento de paz (que tecnicamente teria uma missão mais alargada que uma missão de “manutenção de paz”) e que fosse capaz de garantir a vigência da legalidade e da constituição guineense.

Urge assim organizar rapidamente a Força Lusófona de Manutenção de Paz e trabalhar em prol da Construção de um Estado de Direito Democrático na Guiné-Bissau.

 

Do Fernando Brito /  Tijolaço - O Blog do Brizola Neto

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Marco Maia rasgou o “Cortinão”

 

A nota do presidente da Câmara, Marco Maia, por mais que a imprensa a esteja escondendo, acaba de reduzir praticamente a zero a possibilidade de abafarem-se as ligações entre Carlinhos Cachoeira e as campanhas de mídia que se desenvolveram (ou se desenvolvem, melhor dizendo) contra os governos Lula e Dilma.

 

Aliás, não é outra a razão de terem mandado sua nota pública para “a Sibéria do esquecimento”. Não a publicam.

 

Porque é o primeiro e mais forte gesto de oposição a uma estratégia perversa que, com um roteiro fácil de adivinhar, vinha sendo seguido pelos jornalões.

 

Tão fácil que foi antecipado aqui, há dias:

 

“Anotem aí: falta pouco, muito pouco, quase nada, nada mesmo para que se atribua a Lula e a José Dirceu o escândalo Cachoeira.”

 

Cabe hoje a Ricardo Noblat assumir que a CPI do Cachoeira não é uma imposição da dimensão do escândalo, mas uma conspiração perversa para encobrir o caso do “mensalão” e, pasmem, desestabilizar o Governo Dilma.

 

Conspiração de Lula e de José Dirceu, claro.

 

Folha, Estadão e O Globo, no final de semana, tiveram a mesma ideia, claro que casualmente.

 

Imprensar o novo presidente do STF, Carlos Ayres Brito, contra a parede, para colocar o caso do “Mensalão” sumariamente em julgamento.

 

Aliás, de preferência, um julgamento também sumário.

 

Que independa de provas, de contraditório. Afinal, o STM – Supremo Tribunal da Mídia – já condenou aquele que quer condenar: José Dirceu. Os outros 37 acusados nenhuma importância tem.

 

Porque a estratégia é simples: se Dirceu era o homem de confiança de Lula, condená-lo é condenar seu chefe.

 

Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, apareceu a ligação entre Cachoeira e o centro da campanha de acusações contra o governo Lula. Apareceu a cumplicidade entre o bicheiro e o centro do “Comando Marrom”, a Veja.

 

Num movimento de manada, foram todos correr atrás de uma improvável proteção: a da presidente Dilma.

 

Eles, que “adoram” a Presidenta – todos recordam como provaram isso na campanha, não é? – estão preocupadíssimos com os efeitos que a CPI possa causar a seu governo… Chegam a psicografar diálogos privados entre a Presidenta e Lula, onde ela suplicaria para que o “malvado” não deixasse a CPI sair.

 

Só um completo pateta pode acreditar nessa história. Claro que Lula e Dilma podem ter visões diversas sobre o timing político, mas é muito mais evidente que Dilma sabe que tudo que atinge o ex-presidente a atinge e vice-versa, porque ambos são protagonistas e alicerces de um único processo de transformação da vida brasileira.

 

Mas o “Comando Marrom” julga o caráter das pessoas pelas suas próprias deformidades. Vive num mundo de troca de vantagens e privilégios, onde o heroi de hoje é o lixo de amanhã. Não foram a Veja e a Globo que tiraram Fernando Collor do anonimato e fizeram dele presidente da República, para depois lançarem-no à vala, acusado dos mesmos esquemas que o envolviam antes, quando era um simples oligarca local?

 

Marco Maia furou este balão.

 

A CPI sai e não esconderá  as ligações entre Cachoeira e a Veja.

 

Não é uma cortina de fumaça, mas o fim de uma cortina de fumaça com que se encobria objetivos políticos inconfessáveis.

 

Se houve ou não o “mensalão”, cabe ao Supremo, livremente, julgar. Mas à CPI cabe, agora, revelar o submundo de promiscuidade entre a Veja e um bandido.

 

O Brasil está na iminência de tornar-se uma República.

 

 

Do blog Doladodelá (http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/04/teria-globo-ali-kamel-se-banhado-nas.html)


Teria a Globo (Ali Kamel) se Banhado nas Águas Lindas de Cachoeira? Assim o Fantástico de 15 de maio de 2011 vendia seu peixe: A máfia dos caça-níqueis conta agora com mais uma arma: a internet. Para mostrar como é fácil adquirir peças e até mesmo máquinas inteiras, o Fantástico encomendou e recebeu um desses caça-níqueis. O resultado de dois meses de investigação você vê na reportagem especial de Guilherme Portanova e Diego Moraes. "O Fantástico encontrou este vendedor na internet. Para mostrar como o esquema é simples, nós conseguimos comprar em São Paulo uma das máquinas dele. (...) Na divisa de Goiás com o do Distrito Federal, é como se a lei não existisse. Fica até difícil acreditar que uma estrutura de um bingo funcione sem o conhecimento das autoridades." Permitam-me testar hipóteses, a exemplo do que faz o jornalismo da maior emissora do país. Assim reagiram os comparsas de Cachoeira: Até se certificarem de que o assunto morreria: O que podemos depreender da conversa é que havia interesse em retaliar um concorrente, mas a repressão ao jogo não podia fugir ao controle dos "donos do negócio". Tem mais grampos a caminho, vamos aguardar...

 

da Folha.com

Espanha faz reunião de emergência sobre petroleira argentina

 

O presidente de governo da Espanha, Mariano Rajoy, realiza nesta segunda-feira uma reunião de emergência após o anúncio da expropriação das ações da petroleira Repsol na argentina YPF, revelada pela presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Na Argentina, Kirchner envia ao Congresso projeto para nacionalizar YPF
Para analistas, intervenção na YPF vai afugentar investimentos

O premiê chamou os ministros de Indústria, José Manuel Soria, e de Relações Exteriores, Manuel García-Margallo, para definir as medidas a serem tomadas. De acordo com o jornal argentino "Clarín", o encontro foi decidido após o anúncio de Cristina.

A publicação informa que Rajoy afirmou que defenderá os interesses da Repsol como se fossem os do governo e que será dada "uma resposta adequada", que deverá ter a colaboração dos países da União Europeia.

A declaração foi confirmada pela secretária geral do Partido Popular, que comanda o país, María Dolores de Cospedal. "Não tenho a menor dúvida que o governo dará a resposta devida à essa situação. Será uma resposta suficiente e completa para defender os interesses das empresas espanholas na Argentina".

Já o secretário de Cooperação Internacional, Jesús Gracia, disse que o governo estudará a decisão argentina, que considerou "muito pessoal".

TOMADA

Funcionários do governo argentino tomaram o controle da empresa petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, e substituíram os executivos espanhóis e nativos da companhia.

A intervenção foi encabeçada pelo subsecretário de Coordenação do Ministério do Planejamento da Argentina, Roberto Baratta.

Barata, que até hoje o único representante do Estado argentino na direção da YPF, apresentou uma lista de diretores-executivos que, segundo o governo, devem renunciar. O subsecretário também ordenou a troca da segurança do edifício, segundo fontes da petrolífera ouvidas pela agência Efe.

O alto funcionário argentino se apresentou hoje na sede da companhia, no bairro portenho de Puerto Madero, minutos depois do anúncio em cadeia nacional da presidente Christina Kirchner a respeito da intervenção imediata da YPF, e o envio ao parlamento de um projeto de lei para expropriar 51% da empresa, que tem participação (57% do capital social) da espanhola Repsol.

A presidente decretou que o ministro do Planejamento, Julio de Vido, assuma a intervenção da companhia, com o auxílio do ministro da Economia, Axel Kicillof.

A negociação das ações da YPF Repsol foram suspensas na Bolsa de Buenos Aires após o anúncio da expropriação pelo governo, que declarou a empresa de "utilidade pública e sujeita à expropriação".

PROJETO

De acordo com o jornal argentino "Clarín", o projeto, intitulado "Da soberania hidrocarborífera da República Argentina", tem vários pontos em comum com o texto que havia sido divulgado na semana passada e era analisado por legisladores, mas incorpora pedidos das províncias produtoras de hidrocarbonetos.

O primeiro ponto do projeto, de um total de 19, declara que é "de interesse público nacional e objetivo prioritário o auto-abastecimento de hidrocarbonetos", além do controle da "exploração, industrialização, transporte e comercialização" no setor.

Além da desapropriação de 51% da YPF, o projeto estabelece que o Estado passará a decidir sobre a "conversão de recursos em reservas e sua exploração"; sobre a "integração do capital público e privado, nacional e internacional, em alianças estratégicas"; sobre a "promoção da exploração e comercialização dos hidrocarbonetos de alto valor agregado e a exploração racional" dos recursos.

Será criado ainda um "Conselho Federal de hidrocarbonetos", do qual participarão os ministérios da Economia, Planejamento, Trabalho e Indústria, que promoverá "a atuação coordenada do Estado nacional e dos estados provinciais".

 

Não sei em que pé parou o debate sobre a Revista de História da Biblioteca Nacional aqui no "blog sujo".

A seguir, mais uma pequena contribuição que talvez ajude a elucidar a atuação da Sabin.

Quem tiver acesso ao conteúdo da Falha, por favor, complemente.

Abraços e obrigado.

 

Bibliotecas
Crise expõe racha na Biblioteca Nacional
Folha de S. Paulo - 11/04/2012 - Por Marco Aurélio Canônico

Confrontado com uma crise que levou o conselho editorial da Revista de História da Biblioteca Nacional a ameaçar renunciar em apoio ao ex-editor Luciano Figueiredo, demitido no mês passado, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Galeno Amorim, decidiu "zerar a conta". Ele pretende lançar nas próximas semanas um edital que convocará interessados em coeditar suas publicações – inclusive a Revista de História, atualmente editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin) –, definindo critérios e funções para cada parte. Os conselheiros ameaçaram renunciar após a Sabin demitir Figueiredo "por razões administrativas internas" não especificadas, sem consultar o conselho. Veja aqui os fatos que marcam a crise na revista.

 

da Sala de Imprensa USP

- 13/04/2012 - 

Mais alunos da rede pública de ensino ingressaram na USP em 2012

A pró-reitora de Graduação, Telma Maria Tenório Zorn, apresentou os resultados do Inclusp

Em 2012, mais alunos da rede pública de ensino ingressaram na USP, segundo os dados apresentados pela pró-reitora de Graduação da Universidade, Telma Maria Tenório Zorn, hoje, dia 13 de abril. Este ano, a porcentagem de ingressantes de alunos da escola pública foi de 28%, registrando aumento de três pontos percentuais em relação ao ano passado.

Do total de 10.852 vagas oferecidas no Vestibular, 3.038 foram preenchidas por oriundos da escola pública, beneficiados pelo Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp).

Em março do ano passado, o Conselho de Graduação aprovou mudanças no Inclusp. O Programa de Avaliação Seriada (Pasusp), uma das mais importantes ações do Inclusp, passou a proporcionar bônus de até 15% aos estudantes que cursaram o ensino fundamental em escola pública e matriculados no 2º ou 3º ano do ensino médio também em escola pública.

Para os alunos do 2º ano, apenas se inscrevendo no Vestibular e fazendo a prova, estes receberam 2% de bônus. Alcançando 40 dos 90 pontos possíveis na prova, receberam os 5% de bônus integralmente e podem carregar esses bônus para o ano seguinte, quando prestarem o vestibular. Quando esse aluno estiver no 3º ano, o teto da bonificação é de 10%, de acordo com o número de pontos alcançados na primeira fase.

Como o novo sistema foi implantado este ano, somente para este vestibular, na prova da primeira fase, os estudantes do 3º ano puderam obter até 15% de bonificação. Essa bonificação foi concedida de acordo com o número de questões acertadas, com o mínimo de 22 pontos  (nota mínima para passar para a segunda fase) e o máximo de 60 pontos para obter os 15% integralmente.

Das 3.038 vagas preenchidas por alunos da escola pública neste ano, 10,5% são de  alunos beneficiados diretamente pelos bônus concedidos pelo Programa de Avaliação Seriada (Pasusp). Esse índice foi comemorado pela pró-reitora, já que são estudantes que tiveram toda sua formação escolar em escola pública – do ensino fundamental ao médio.

“A nossa meta é sempre incluir com qualidade. Queremos que os alunos das escolas públicas ingressem na USP por mérito, com condições de acompanhar o curso e vivenciar plenamente sua vida acadêmica. Isso já está comprovado pelo desempenho que esses alunos têm alcançado”, afirmou a pró-reitora, referindo-se à análise da média global desses estudantes, entre os anos de 2007 e 2010, em comparação ao desempenho do total geral de alunos da Universidade.

Perfil socioeconômico

Todos os cursos de graduação da USP registraram o ingresso de oriundos da escola pública, beneficiados pelo Inclusp

Outros dados apresentados pela pró-reitora referem-se ao perfil socioeconômico dos ingressantes da rede pública, beneficiados pelo Inclusp/Pasusp.

A renda familiar mensal da maior parte dos alunos beneficiados pelo Inclusp — 28% — que ingressaram na Universidade, está entre três e cinco salários mínimos. Projetando esse mesmo dado para os alunos do Pasusp, esse índice chega a 34,8%. Na média geral dos ingressantes na USP, essa porcentagem é de 19,2%.

Quanto ao grau de instrução da mãe dos alunos que optaram pelo Inclusp, 31,9% declararam ter ensino médio completo e 25,2% nível universitário completo. Na média geral da USP, 21,6% das mães tem ensino médio completo e 48% com nível universitário completo.

Dos alunos beneficiados pelo Pasusp, quase a totalidade dos aprovados – 99,1% – prestou o Vestibular da FUVEST pela primeira vez em 2012 e 35,1% também se inscreveram para o vestibular da Unicamp e da UNESP.

Cursos Inclusp

A pró-reitora ressaltou que todos os cursos de Graduação, sem exceção, tiveram ingressantes oriundos de escolas públicas e beneficiados pelo Inclusp. Alguns cursos, entretanto, mereceram destaque pelo maior número de alunos desse segmento e sua relação com o número de vagas oferecidas.

Na área de Humanas, os cursos de Letras (42,8%), Pedagogia (40%), Jornalismo (39%), Ciências Sociais (34,5%) e Direito (21,7%) tiveram a maior porcentagem de ingressantes da escola pública, beneficiados pelo Inclusp.

No campo das Biológicas, os destaques foram os cursos de Farmácia-Bioquímica (45,3%), Enfermagem (33,7%), Medicina Veterinária (27,5%), Ciências Médicas – campus de Ribeirão Preto (22%) e Medicina (17,7%).  Em Exatas, Matemática (51%), Licenciatura em Física (50%) e Bacharelado em Sistemas da Informação (42,5%).

Embaixadores e tutores

Telma também anunciou a expansão da edição 2012 do Programa Embaixadores USP, em que alunos e docentes visitam escolas públicas para relatar suas experiências acadêmicas. Neste ano, alunos de graduação e de pós-graduação, professores e funcionários de toda a Universidade poderão participar do programa, antes restrito aos alunos que ingressaram na USP beneficiados pelo Inclusp.

Outra novidade apresentada pela pró-reitora foi a criação do Programa de Tutoria Científico-Acadêmica, que visa à integração do estudante no ambiente de ensino e pesquisa da Universidade, desde o início de sua entrada na USP.

Serão oferecidas 300 bolsas, no valor mensal de R$ 400, preferencialmente aos alunos ingressantes nos cursos de graduação que tenham renda familiar mensal comprovada no valor de até  cinco salários mínimos, conforme dados do questionário socioeconômico da Fuvest.

Um professor-mentor fará o acompanhamento do alunos, auxiliando a enfrentar seus primeiros semestres na Universidade, levando-o à criação de seu primeiro projeto de pesquisa e a oferecer ao bolsista a oportunidade de realizar atividades práticas experimentais básicas, compatíveis com o primeiro ano de graduação.

Segundo a pró-reitora, o mentor deverá concordar em atuar também como um conselheiro, um guia que auxilie o aluno a integrar-se de modo pleno na Universidade.

 

Gilberto .    @Gil17

Bom dia Nassif e comentaristas.

Meu clipping do dia vai para a série politica "Onde está Wally?"

Direto do caderno Poder da Folha de São Paulo - 16/03/2012

Por Vera Magalhães ( Porque será que ela só colocou lá no finalzinho da matéria?)

Boquinha Derrotado na tentativa de reeleição em 2010, o ex-senador Heráclito Fortes (DEM-PI) ganhou assento no conselho de administração da Saneago, a estatal de saneamento de Goiás.

 

"Como culpar o vento pela desordem feita, se fui eu que esqueci as janelas abertas?"

 

A mídia tenta envolver o deputado Protógenes Queiroz no escândalo Cachoeira.

 

Como é de se esperar, a resposta do deputado à acusação está sendo mantida em silêncio, para mantê-lo sob o manto da dúvida -- afinal a estratégia da mídia consiste em lançar sujeira para todos os lados, com o objetivo de impedir a CPI.

 

Aqui está a resposta do deputado do dia 11/04, que não recebeu o devido destaque da mídia:

 

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Em ofício enviado hoje (11/04/2012) ao Procurador-Geral da República,  Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, o Deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) solicita informações da investigação sobre o caso “Cachoeira” que possam incriminar sua atuação parlamentar, conforme matéria tendenciosa veiculada no jornal “O Estado de São Paulo”.

 

No documento, o Parlamentar questiona a existência  de dados, além de  áudios e vídeos envolvendo  seu nome  e se os mesmos evidenciam conduta criminosa relacionada com o esquema de contravenção do empresário goiano “Carlinhos Cachoeira”, desbaratado pela Polícia Federal através da Operação Monte Carlo.

 

Por fim, Protógenes   pede o encaminhamento das supostas informações com urgência, uma vez que é o autor do pedido de criação da CPI do Cachoeira, que tem como objetivo investigar o envolvimento de parlamentares nos negócios ilícitos do contraventor de Goiás.

 

http://www.youtube.com/watch?v=5j1RatACweI

 

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Qual é a acusação que a mídia faz contra Protógenes? Ele não aparece em nenhuma gravação.

 

Mas em duas gravações feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, um dos arapongas do Cachoeira, o Dadá, afirma ser muito amigo do deputado. Aqui está a gravação completa, de 5 minutos, de onde foi retirada a frase de 3 segundos:

 

http://www.youtube.com/watch?v=y27F8LHuhYI

 

No meio da conversa ele diz: "...aí eu liguei para o Protógenes, eu sou muito amigo do Protógenes, ele está na Bahia, na Bahia. Falei Protógenes em seu gabinete como é que tá? Ele disse, tá fechado, não tem jeito de botar mais ninguém."

 

Protógenes e Dadá trabalharam juntos na Operação Satiagraha, em 2008, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas; e, pelo que podemos ver da gravação, Dadá queria colocar alguém no gabinete do deputado, o que não conseguiu.

 

O fato do araponga dizer que é amigo de Protógenes não é crime; assim como não é crime a amizade de Demóstenes Torres com Carlinhos Cachoeira. O problema de Demóstenes é ter recebido ordens de Cachoeira, e, assim como a revista Veja, ter servido a seus interesses.

 

As gravações que a mídia lança contra Protógenes não mostram nenhum sinal de que ele tenha movido uma palha em favor da quadrilha -- ao contrário, ele pediu a abertura de uma CPI para investigá-la.

 

Isto deveria ser o suficiente para eliminar qualquer dúvida, se a grande imprensa tivesse interesse na abertura desta CPI; mas nós já sabemos que a imprensa não quer a CPI.

 

Todas as evidências indicam que a grande imprensa tem menos interesse na CPI do que o deputado que acusam.

 

 

 

da Folha.com

Cachoeira emagrece quase 15 quilos em prisão no RN

 

O empresário Carlinhos Cachoeira emagreceu quase 15 quilos na prisão de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte, informa a coluna "Mônica Bergamo", publicada naFolha desta segunda-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Mãe de Cachoeira morreu, diz deputado amigo do contraventor

Deprimido, não consegue se alimentar direito e chegou a passar mal há alguns dias, precisando de ajuda médica. Sua mulher, Andressa, que o visita uma vez por semana, tem feito relatos que preocupam amigos e familiares.

No presídio, o cabelo de Cachoeira foi raspado. Ele fica trancafiado sozinho numa cela por 22 horas seguidas. Tem direito a duas horas de sol. Só lê publicações disponíveis na biblioteca do lugar e não vê quase ninguém.

 

 

16
AprMaia reduz a Veja a pó. E a mídia inteira silencia

 

Há, até agora, um silêncio completo dos sites dos grandes jornais sobre a nota emitida ontem, às 19 horas, pelo presidente da Câmara dos Deputados – a terceira posição na hierarquia de poder deste país – sobre o comportamento da revista Veja, que lhe imputa atitudes conspiratórias (?) ao defender a instalação de uma CPI sobre o caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A nota não podia ser mais clara e lúcida, a partir de seu título: “Por que a Veja é contra a CPMI do Cachoeira?”.

Nela, Maia diz o óvio, que toda a grande imprensa nega-se a admitir: que a CPI sairá por agordo quase unânime de todas as forças políticas.

- a decisão de instalação de uma CPMI, reunindo Senado e Câmara Federal, resultou do entendimento quase unânime por parte do conjunto de partidos políticos com representação no Congresso Nacional sobre a necessidade de investigar as denúncias que se tornaram públicas, envolvendo as relações entre o contraventor conhecido como Carlinhos Cachoeira com integrantes dos setores público e privado, entre eles a imprensa;

Qual é o problema, é chamar Cachoeira de contraventou e não de “empresário do ramo de jogos”, como faz a Veja? Ou é dizer que suas ligações com a imprensa devam ser também investigadas? A imprensa (ou a Veja, claro) está acima da lei?

O presidente da Câmara dá um basta a essa indignidade de dizer que apurar notórias irregularidade seria “cortina de fumaça”:

- não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública no momento em que o judiciário prepara-se para julgar as responsabilidades de diversos políticos citados no processo conhecido como “Mensalão”;

E não tergiversa, como é comum acontecer no mundo da política, nem entra na conversa fiada de que conhecer a verdade é ameaçar a imprensa. Ora, isso só seria ameaça se a imprensa mente, não é verdade?

- também não é verdadeira a tese, que a revista Veja tenta construir (também de forma totalitária), de que esta CPMI tem como um dos objetivos realizar uma caça a jornalistas que tenham realizado denúncias contra este ou aquele partido ou pessoa. Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem;

Maia manda o recado: ínvestigar isso é próprio de países civilizados e das democracias. E vai onde dói:

- vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos;

O presidente da Câmara porta-se com uma altivez cada vez mais rara de encontrar-se nos homens públicos e brinda o país com um raríssimo momento em que se vê um deles indignar-se e reagir contra o abuso sistemático de uma publicação que se arvora em dona do país:

- afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI? Por que a Veja, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos (destaco “todos”) os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja!;

- o que mais surpreende é o fato de que, em nenhum momento nas minhas declarações durante a última semana, falei especificamente sobre a revista, apontei envolvidos, ou mesmo emiti juízo de valor sobre o que é certo ou errado no comportamento da imprensa ou de qualquer envolvido no esquema. Ao contrário, apenas afirmei a necessidade de investigar tudo o que diz respeito às relações criminosas apontadas pelas Operações Monte Carlo e Vegas;

- não é a primeira vez que a revista Veja realiza matérias, aparentemente jornalísticas, mas com cunho opinativo, exagerando nos adjetivos a mim, sem sequer, como manda qualquer manual de jornalismo, ouvir as partes, o que não aconteceu em relação à minha pessoa (confesso que não entendo o porquê), demonstrando o emprego de métodos pouco jornalísticos, o que não colabora com a consolidação da democracia que tanto depende do uso responsável da liberdade de imprensa.

O deputado Marco Maia vai ser jurado de morte por essa organização, como diz ele, autoritária e totalitária.  Mas abre, à custa de seu próprio pescoço, uma gigantesca esperança de que a verdade possa surgir e que este país seja, de verdade, libertado das máquinas de poder político que, derrotadas sucessivamente nas eleições, continuam a impingir, pela via da manipulação, a decisão sobre que é ou não é honesto.

E que não se acanha em fazer, sobre as instituições políticas e judiciais, o lobby do terror, do medo, da intimidação.

É escandaloso que o restante da imprensa mantenha este silêncio. Gostem ou não do que disse Marco Maia isso é notícia e notícia das mais importantes.

Se esse silêncio orquestrado não é golpismo, o que é?

Postado por Fernando Brito

 

Morre a mãe de Cachoeira. Efeito pode ser devastador

 

Morre a mãe de Cachoeira. Efeito pode ser devastador Foto: Folhapress Notícia ainda nem foi dada ao contraventor, que está preso em Mossoró (RN), onde teve a cabeça raspada e ficou 15 quilos mais magro; revoltado, ele pode entregar os nomes de todos os políticos a quem ajudou, apostam amigos; leia reportagem especial do Goiás 247, direto de Anápolis

16 de Abril de 2012 às 10:12

Henrique Morgantini_Goiás247 - A morte de Maria José de Almeida Ramos aos 79 anos pode ir bem mais além que a perda da matriarca de uma família no interior de Goiás. Isto porque Dona Zezé, que estava há meses lutando pela vida em várias internações hospitalares, é a mãe de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

As primeiras informações dão conta de que seria uma opção familiar nem mesmo comentar com o contraventor, preso em Mossoró (RN), sobre o ocorrido, com o objetivo de “evitar um sofrimento a mais”. Quem confirma esta tese é um sobrinho de Carlinhos, em entrevista à Rádio CBN.

No entanto, não é isto que preveem outras pessoas próximas a Cachoeira. Muitos apostam que poderá haver uma reação enérgica e desastrosa do contraventor. “Ele vai ficar revoltado ao saber disto, e se sentir culpado de alguma forma, achando que sua prisão prejudicou o estado de saúde de sua mãe”, afirma um antigo amigo dos tempos de escola e ainda hoje próximo a Carlinhos.

Outro vai mais longe. Acredita que este é o ponto crítico de sua prisão e que ele pode querer “dividir este momento com parceiros que estão soltos”. “Ele passa o dia pensando em como está vivendo enquanto todos os políticos que ajudou a enriquecer estão vivendo como querem, com luxo e conforto. A perda da mãe pode fazer com que ele tenha um momento de sobriedade nisto tudo e queira contar sobre o que sabe de todos os políticos de Goiás e do Brasil envolvidos em seus negócios e que ate agora estão nas sombras”, afirma um dos colaboradores nas atividades de Carlinhos. Por razões óbvias, todos falaram com o Goiás_247 mediante o compromisso de não terem seus nomes revelados pela reportagem.

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/54096/Morte-da-m%C3%A3e-de-Cachoe...

 

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"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer", Geraldo Vandré.

da Folha.com

Estudantes da USP debaterão drogas em 'semana do baseado'

 

Alunos da USP (Universidade de São Paulo) promovem, de hoje a sexta-feira, a "Semana de Barba, Bigode e Baseado". A organização é de alunos da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

O objetivo é discutir a proibição do uso de drogas ilícitas com debates, palestras e exibição de vídeos.

"Porque droga não é demônio. Porque o que está em pauta é a autonomia sobre o próprio corpo e a liberdade de escolha", diz trecho da descrição do convite do evento, feito via Facebook.

Amanhã ocorrerá uma noite do fumo coletivo, que, "para efeitos jurídicos", será feita com "apenas orégano, substância lícita", segundo o texto do convite.

Alguns professores da USP participarão da semana como palestrantes.

Uma festa de arrecadação de fundos para a Marcha da Maconha --movimento que defende a legalização da droga no Brasil--, na sexta-feira, encerra a semana.

As atividades (incluindo a festa) acontecerão, sempre à noite, no espaço verde, uma sala da FFLCH.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da USP afirmou que a reitoria não vai se manifestar sobre o assunto.

ASSUNTO POLÊMICO

O tema é polêmico na universidade. Em novembro, alunos invadiram a reitoria após um confronto entre estudantes e policiais militares.

A briga ocorreu após a PM deter três alunos com maconha dentro de um carro, no campus.

Eles foram levados à delegacia e liberados em seguida. Os estudantes, no entanto, passaram a protestar pela saída da PM do campus.

Logo após os eventos, alunos da universidade fundaram o Fuma (Frente Uspiana de Mobilização Antiproibicionista), movimento que participa da organização da "semana do baseado".

 

Ulisses  Guimarães, Dona  Mora   e os cães:

 

Ulysses à PM baiana: ‘Violência estúpida, inútil e imbecil’ No capítulo 18 de “A História de Mora”, o relato de quando o político enfrentou os policiais

Jorge Bastos Moreno

Publicado: 11/02/12 - 11h30Atualizado: 11/02/12 - 11h30

 Arquivo O Globo

Ulysses Guimarães enfrenta policiais e cães durante campanha em Salvador Arquivo O Globo

RIO - Quando a edição do “Fantástico” do dia 14 de maio de 1978 mostrou cenas do meu marido enfrentando fuzis e metralhadoras da Polícia Militar da Bahia, experimentei um sentimento misto de orgulho e pavor. Orgulho por ver Ulysses jogando para o alto as baionetas que se cruzavam para impedir sua passagem. E pavor por perceber, 24 horas depois, que, por muito pouco, não me tornei viúva na noite anterior.Graças ao Senhor do Bonfim, continuei sendo apenas uma “viúva de marido vivo”, como costumava me chamar meu marido.

Ulysses deve, e muito, sua consolidação política de líder da oposição à ditadura aos cavalos do então governador de Pernambuco, Moura Cavalcanti, em 1973, e aos cachorros do governador Roberto Santos, em 1978.

Cavalos e cachorros eram as armas preferidas da ditadura para combater meu marido.

Mas essas duas agressões ganharam o mundo, tiveram repercussões internacionais e, repito, fortaleceram a liderança política de Ulysses.

Meu marido, acompanhado dos então líderes do MDB na Câmara, Tancredo Neves, e no Senado (interino), Roberto Saturnino, foi à Bahia lançar a candidatura do economista Rômulo Almeida ao Senado. Além de todo o MDB baiano, fazia parte também da comitiva o deputado Freitas Nobre (SP).

Rompendo o cerco

“A PM cercou a praça. Ao todo, eram 400 homens armados, 30 viaturas e dezenas de cães”

O evento estava marcado para as 20h, na Praça Dois de Julho, em frente à sede do partido, no Campo Grande. A PM cercou a praça desde as 14 horas, impedindo a concentração de populares. Ao todo, eram 400 homens armados, 30 viaturas e dezenas de cães. Mas toda a polícia militar estava de prontidão nos quartéis.

A operação foi comandada pessoalmente pelo então secretário de Segurança Pública, Luís Arthur de Carvalho, e pelo comandante da PM baiana, coronel Filadélfio Damasceno.

Depois de romper o cerco policial, Ulysses, Tancredo e outros bravos heróis do MDB conseguiram entrar na sede e, de uma janela, fizeram discursos inflamados para uma plateia de soldados com armas apontadas em suas direções.

Meu marido — só de lembrar, eu me arrepio toda —, com camisa rasgada e molhada de suor, posta-se na janela e discursa à PM da Bahia. A voz de Ulysses ecoa pela praça, provocando um impressionante silêncio naquela balbúrdia toda. Só se ouviam os latidos dos cães.

— Soldados da minha pátria!

Assim clamou solenemente o líder da oposição brasileira, dirigindo-se à tropa, como se fosse seu comandante. E prosseguiu:

— ...Que foram aqui convocados — contra a consciência de vocês, que são do povo — para impedir que o povo aqui chegasse. Mas agora vocês nos ouvem como assistência e são juízes de que quem defende vocês somos nós, porque a verdadeira autoridade não vem dos homens, vem da lei, que é igual para todos e não pode discriminar os brasileiros. Enquanto ouvíamos as vozes livres que aqui se pronunciaram, ouvíamos também o ladrar dos cães policiais lá fora! O que se falou aqui é a linguagem da nossa História, dos nossos Tiradentes, dos nossos mortos e dos nossos cassados, em cuja frente está o exemplo extraordinário de Alencar Furtado. O ladrar, essa manifestação zoológica, é do arbítrio, do autoritarismo que haveremos de vencer, não nós do MDB, mas o povo brasileiro. Meus amigos, foi uma violência, foi! Mas uma violência estúpida, inútil e imbecil. Saibam que baioneta não é voto, e cachorro não é urna."

Antes do meu marido, falou Tancredo Neves, apontando para os soldados:

— Eu não sei se a Bahia se comprime para conter-se neste recinto ou se estas paredes se ampliam para conter aqui a Bahia, porque a Bahia aqui está, no seu sentimento, na sua vocação libertária, no seu inconformismo, contra o arbítrio, na sua fidelidade aos valores dos direitos humanos. Tiraram-nos a televisão, tiraram-nos o rádio, tiraram-nos a praça pública e agora tentam nos tirar até os recintos fechados, mas não conseguirão extirpar o MDB do coração do povo (palmas). Não conseguirão porque hoje o Movimento Democrático Brasileiro é a própria consciência da nação. E não conseguirão porque nos corações de cada brasileiro, na sua sístole e diástole, dizem apenas: viva o Movimento Democrático Brasileiro! É que nós somos instrumentos da restauração democrática em nossa pátria. Nós somos aquela trincheira onde se encontram aguerridos todos aqueles que lutam por uma pátria livre. Por uma pátria mais nobre, mais justa e mais humana. A nossa luta é, sobretudo, contra o arbítrio que nos oprime. E, por mais candentes, por mais veementes, por mais calorosas que sejam as minhas palavras na sua condenação, eu não conseguiria superar este espetáculo degradante que hoje se nos apresenta no cerco desta sede partidária, com toda a sua violência ostensiva, no cinismo alvar de suas metralhadoras, dos seus fuzis, das suas bombas de gás lacrimogênio e dos seus cães ferozes e famintos! Famintos, minto eu! Comem da melhor carne! Bebem do melhor leite. Carne e leite que faltam à mesa do trabalhador brasileiro.

Vejam! Ulysses e Tancredo poderiam ter morrido nessa confusão. Nenhum deles deixou barato a violência policial. Foram à tribuna denunciar tal arbitrariedade.

Esse episódio é muito curioso. O governador, politicamente enfraquecido, alegara a Tancredo que havia perdido o controle da PM no estado. Tudo porque havia se recusado a posar com o seu futuro sucessor no Palácio da Ondina, Antonio Carlos Magalhães...

Roberto Santos fora escolhido governador contra a vontade do ACM, e, logo nos primeiros anos de mandato, os dois romperam. Quando soube que ACM iria suceder a ele, Roberto Santos praticamente rompeu com a ditadura. E recusou-se a tirar foto ao lado do seu sucessor. A partir daí, perdeu totalmente sua condição de governador.

Provocação de Tancredo

“O governador da Bahia (...) acabou se revelando, nos episódios de sábado, chefe de beleguins armados”

Ulysses, em nota, sabendo da delicada situação do governador, isentou-o pelo episódio. Mas Tancredo, não!

Em discurso como líder do PMDB, depois de condenar a violência policial, Tancredo provocou Roberto Santos:

— Voltaremos à Bahia, senhor presidente e senhores deputados, novamente, dentro em breve, para prosseguir na nossa pregação e esperamos que, dessa vez, o governador da Bahia, senhor Roberto Santos, professor universitário, que sempre fez praça dos seus sentimentos democráticos — mas que acabou se revelando, nos episódios de sábado, chefe de beleguins armados —, esteja à altura das suas responsabilidades e se porte em consonância com o passado de grandeza e de opulência democrática do seu glorioso estado.

Por ironia do destino, dois anos depois, o “chefe de beleguins armados” estava no Partido Popular (PP), partido que Tancredo fundaria, com a extinção do MDB. E, meses depois, acompanharia Tancredo na incorporação do PP ao PMDB. Resumindo, o governador que jogou cachorros em cima do meu marido passou depois para o nosso lado. Às vezes, essas coisas me deixam totalmente desorientada. É melhor não querer entender.

Ah, só um detalhe: já nem cito o Ulysses porque sou suspeita, mas o discurso de Tancredo também foi de improviso, no calor do momento. Nada escrito.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/ulysses-pm-baiana-violencia-estupida-inutil-  imbecil-3948230#ixzz1sDA0N0M7  http://oglobo.globo.com/pais/ulysses-pm-baiana-violencia-estupida-inutil-imbecil-3948230

 

do globo.com

Unirio tem novo caso de estudante que se matriculou irregularmente

RIO - Uma semana após O GLOBO ter denunciado uma fraude na Escola de Medicina e Cirurgia da Unirio — em que cinco estudantes usaram números de inscrição cancelados para se matricular ilegalmente —, a universidade inicia nesta segunda-feira uma nova investigação para apurar irregularidades na Escola de Nutrição. Apesar de uma aluna com matrícula irregular ter frequentado aulas em 2011, o caso só veio à tona este ano. Além disso, a sala da direção do curso foi arrombada na Semana Santa e os computadores, vasculhados.

As denúncias chegaram ao GLOBO na última quinta-feira e foram confirmadas pelo reitor Luiz Pedro San Gil Jutuca no dia seguinte. Ele informou que já tinha instaurado uma nova comissão de sindicância, no dia 26 de março, presidida pelo professor Marcos Miranda, diretor do Departamento de Documentação e Registro Acadêmico, da Pró-Reitoria de Graduação. Nesta segunda, Miranda vai ouvir os depoimentos de Maria Aparecida Campos e Rosa Maria de Sá Alves, diretora e vice-diretora da Escola de Nutrição, respectivamente.

Reitor vai enviar lista de funcionários à PF

As informações serão repassadas à Polícia Federal (PF), que já apura o caso da Escola de Medicina e Cirurgia. Jutuca também disse que encaminharia à PF uma lista com os nomes e CPFs de todos os servidores da universidade.

— Tomei conhecimento hoje (sexta-feira) de que houve o arrombamento, e as professoras (a diretora e a vice-diretora do curso) serão perguntadas sobre isso. Assim que houver esses depoimentos, farei o encaminhamento à PF. Quero municiar a Polícia Federal de elementos que facilitem os procedimentos. Toda irregularidade que chegar formalmente ao meu conhecimento, abrirei comissão de sindicância, levarei ao conhecimento da PF e, se for o caso, vou instaurar processo administrativo para exonerar aquele que está em descompasso com o serviço público. Estou ficando tão preocupado com isso, que fiz um pedido formal a todos os diretores para que realizem uma varredura nos seus cursos: alunos com entrada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), por transferência, reingresso, todos os tipos de entrada em cada um dos cursos — afirmou Jutuca.

De acordo com ele, o caso da aluna que frequentou irregularmente a Escola de Nutrição não tem relação com o dos estudantes que usaram matrículas canceladas para entrar na Escola de Medicina e Cirurgia. Segundo o reitor, ela ingressou no curso no segundo semestre de 2010, sem ter sido aprovada no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), única forma de acesso à graduação, começou a frequentar as aulas no início de 2011 e sumiu depois que a secretaria pediu sua documentação pela terceira vez. A fraude foi detectada pela direção ao se constatar que havia um estudante a mais na turma que começou a estudar no primeiro semestre de 2011.

— Ela já entrou na universidade trancando todas as disciplinas (no segundo semestre de 2010), o que não é um ato legal. Pelo que pude perceber até o momento, ela era um estudante a mais no curso, que tinha 57 alunos e passou a ter 58. Isso foi acusado pela diretora, chegou ao conhecimento da Pró-Reitoria de Graduação, e nós abrimos uma sindicância. Ela não estava no Sisu, não houve transferência nem reingresso. Como ela entrou no sistema, não sei — disse o reitor. — Há um controle, mas com esses casos esporádicos pode parecer o contrário

Há suspeita de compra de vagas na instituição

Apesar de o reitor não ver relação entre os casos, as principais suspeitas apontam para a compra de vagas. Estima-se que uma vaga na Escola de Medicina e Cirurgia da Unirio custe R$ 70 mil. Um estudante que denunciou ao GLOBO os problemas no curso de nutrição dá pistas de como funcionaria o esquema.

— Na Semana Santa, arrombaram a sala da professora que denunciou o caso, invadiram o computador dela e fizeram outras coisas para intimidar. Essa aluna pode ter sido matriculada na nutrição para num futuro próximo se transferir para medicina. Na Unirio, há uma resolução da Pró-Reitoria da Graduação que facilita transferências internas de cursos. Daí a não divulgação, por parte da universidade, de vagas remanescentes — informou o estudante, que pediu para ter sua identidade preservada.

Há mais de dez dias, O GLOBO solicita à Unirio as listas públicas de classificação e reclassificação de 2011, bem como informações sobre vagas ociosas e os processos de transferências internas e externas. Há suspeitas de que quatro vagas não ocupadas no curso de medicina em 2011 tenham relação com a fraude detectada na Escola de Medicina e Cirurgia. Além da PF, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro investigam o caso.

Na semana passada, os cinco estudantes envolvidos foram convocados por telegrama, duas vezes, para depor na comissão de sindicância, mas não apareceram. A universidade não conseguiu contato com eles, e o reitor acredita que os estudantes tenham cadastrado endereços e telefones falsos. Também há denúncias de fraudes nos cursos de administração e direito, não confirmadas por Jutuca.

 

Audiência vai avaliar direito dos usuários da internet

Da Agência Câmara


http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/CIENCIA-E-TECNOLOGIA/414662-AUDIENCIA-VAI-AVALIAR-DIREITO-DOS-USUARIOS-DA-INTERNET.html


 

Audiência pública nesta terça-feira (17) vai discutir o direito dos usuários da internet e a responsabilidade civil de terceiros por conteúdos publicados na rede. É o primeiro debate da comissão especial que analisa o projeto de lei do Marco Civil da Internet (PL 2126/11). Duas audiências públicas e seis seminários estão programados até junho.


O relator da proposta, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), quer envolver especialistas e a sociedade na discussão da proposta. Ele explica que é preciso avaliar que direitos o usuário da internet deve ter reconhecidos, protegidos, respeitados. “Direito à privacidade, à proteção dos seus dados, por exemplo, à sua navegação. De que maneira isso deve ser tratado pela lei brasileira? Muitas vezes hoje blogs têm receio de publicar opiniões com medo de depois serem responsabilizados por terem publicado a opinião de um terceiro e eventualmente ter que responder na Justiça por danos à imagem de alguém que se sinta prejudicado com aquilo."


e-Democracia
Nesta terça-feira, também será inaugurada a comunidade virtual no portal e-Democracia dedicada ao Marco Civil da Internet. No site www.edemocracia.camara.gov.br serão oferecidos diferentes instrumentos de interação, em parceria com a Coordenação de Participação Popular da Câmara, e ainda orientações quanto ao andamento da proposta no Congresso Nacional.


A gerente do portal, a servidora Alessandra Muller, explica como os cidadãos poderão contribuir com sugestões ao projeto, que vai estar disponível no wikilégis. “A pessoa vai poder participar fazendo sugestão de texto ou comentário, de artigo por artigo. Isso facilita a compreensão das pessoas, os próprios parlamentares também podem trabalhar de uma forma mais sistematizada. Diferentemente de fórum, que é uma participação mais aberta, o wikilégis orienta a participação no ponto exato que a pessoa deseja que seja alterado."


Convidados
A audiência pública vai contar com a participação de especialistas e representantes do mercado e da sociedade. O debate será realizado às 10h30, no Plenário 13.

Foram convidados:
– o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira;
– o advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Guilherme Varella;
– o professor doutor da Universidade Federal do ABC (UFABC) Sérgio Amadeu da Silveira;
– o advogado e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Direito da Informática e Telecomunicações – ABDI, do Advisory Board do Cybercrime Research Institute, com sede em Colônia, Alemanha Gilberto Martins de Almeida;
– o mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB) Paulo Rená da Silva Santarém.
– a mestre em direito pela Universidade de Harvard Laura Fragomeni; e
– o sócio fundador do videolog.tv Edson Mackenzy.

Íntegra da proposta:


 

 

Esquema Cachoeira atuou também no caso Lunus. José Serra é tido como o mentor intelectual do caso.

Ruy Falcão

No início de 2002, o antigo PFL havia encomendado ao publicitário Nizan Guanaes que produzisse diversos filmes sobre Roseana Sarney. O resultado parecia promissor: a filha de José Sarney começava aparecer como alternativa real à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Assim como decolou, o balão de Roseana despencou. O motivo foi uma denúncia estampada nas páginas da revista Época, com fotos de uma pilha de dinheiro que havia sido apreendida na empresa Lunus, em São Luís do Maranhão. Neste domingo, surgiram indícios consistentes de que o esquema do bicheiro Carlos Cachoeira também agiu para implodir a candidatura Roseana. Tucanos graúdos têm agido nos bastidores para impedir que Cachoeira revele, na CPI, que sua equipe de arapongas participou dos grampos e dos filmes realizados contra Roseana.

 

Ao que tudo indica, o bicheiro Cachoeira foi o “agent provocateur” de vários escândalos recentes, como o caso Maurício Marinho, que deu origem ao mensalão, em 2005. O caso Lunus, três anos antes, até hoje é debitado na conta de José Serra, que foi candidato à presidência pelo PSDB e necessitava agir contra a candidatura própria do PFL – após o escândalo, o partido desistiu de lançar candidato e decidiu apoiar o tucano.

 

Lembrando: documentos apreendidos pela Polícia Federal na sexta feira 1º de março de 2002 em São Luís, no escritório da Lunus, reforçam as suspeitas de que ainda existe uma conexão entre a firma de Roseana Sarney, seu marido Jorge Murad e empresas campeãs de fraude da Sudam, como a Agrima – Agricultura e Pecuária Ltda e a Nova Holanda Agropecuária. Segundo a PF, “uma pasta traz farta documentação que pertence à Usimar Componentes Automotivos S/A, empresa criada em São Luís e financiada pela Sudam, mas que jamais saiu do papel. A Usimar (…) recebeu R$ 44 milhões e nunca comprovou a aplicação do financiamento para a montagem de uma fábrica de auto-peças”.

 

A PF apreendeu na sede da Lunus RS$ 1,34 milhão em nota de cinquenta reais, numa operação conjunta com a Abin.

 

Nos últimos cinco dias, gente graúda da tropa de elite de José Serra passou a telefonar, enlouquecidamente, para meia dúzia de policiais federais. A pergunta era uma só: a elite da “tchurma” ao entorno de Serra quer saber se Carlinhos Cachoeira vai de fato contar a verdade. Que é a seguinte, disseram esses policiais à reportagem do 247: Carlinhos Cachoeira teria trabalhado o vazamento do caso Lunus não só para o PSDB serrista, como também para ao PT. Ou seja: uma aliança kafkiana e de ocasião, entre inimigos os figadais do PT e PSDB, foi fundida para pulverizar Roseana Sarney.

 

O PSDB não tem medo que Cachoeira entregue os tucanos: mas torce para que o bicheiro entregue os petistas no caso Lunus. E quem teria passado os grampos da Abin , contra Roseana, para ambos os partidos? O mesmo sargento Dadá, que atuou na Satiagraha e agora está preso por ser o homem de confiança de Cachoeira no mundo da espionagem.

 

Só para lembrar: o repórter que deu o furo do caso Lunus nasceu em Goiás e tinha Carlos Cachoeira como fonte.

 

Publicamente, o caso Lunus faz parte do carma negativo da carreira política de José Serra. Mas a tese de que Cachoeira tenha produzido os filmes e tentado negociá-los para PT e PSDB não é improvável. Em agosto de 2010, em entrevista ao matutino O Estado de S. Paulo, o sindicalista Wagner Chinchetto revelou que o caso Lunus foi plantado na mídia pelo PT.

 

Confira a reportagem:

 

“Antigos companheiros do presidente Lula formaram um núcleo de arapongagem em 2002 para espionar e promover ataques a adversários do petista que, na ocasião, disputava pela quarta vez consecutiva o Palácio do Planalto. A denúncia é do sindicalista Wagner Cinchetto.

 

Ele afirma ter integrado o grupo que teria como principal estratégia atribuir à campanha de José Serra (PSDB) a autoria de ações clandestinas.

 

Uma dessas investidas, afirmou Cinchetto à revista Veja, foi a polêmica operação da Polícia Federal que, naquele ano, recolheu na sede da empresa Lunus R$ 1,34 milhão, dinheiro vivo e sem origem declarada que seria do caixa 2 da campanha de Roseana Sarney (PMDB), hoje governadora do Maranhão e então pré- candidata à sucessão de Fernando Henrique Cardoso.

 

“O Lula sabia do núcleo e deu autorização”, afirma Cinchetto. “Tinha um plano para detonar a campanha da Roseana”, disse ele ao Estado, ontem. “A gente tinha uma pessoa infiltrada na operação Lunus. Orientamos para ligar ao Palácio do Planalto para dizer que tinha dado tudo certo. Ficou a impressão digital do Serra. Quando a Roseana atacou o Serra o grupo festejou, teve comemoração. O PT estava nessa. Todo mundo acha que os tucanos planejaram.”

 

O sindicalista conta que “quem dava a palavra final às vezes eram o Berzoini (Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT) e o Luiz Marinho (prefeito de São Bernardo do Campo)”. “Quando a gente precisava de dinheiro falava com o Carlos Alberto Grana, tesoureiro da CUT, ou com o Marinho e o Bargas (Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho).”

 

Cinchetto relata que o grupo trabalhou para inviabilizar as candidaturas de Anthony Garotinho (PDT) e de Ciro Gomes. “O Ciro era um dos favoritos. Centramos em seu ponto mais fraco que era o vice da chapa, o Paulinho da Força. Eu trabalhava para a CUT e já tinha preparado dossiê sobre o Paulinho, trabalho de profissional. Fotografamos até uma fazenda do Paulinho. A candidatura do Ciro foi minando. O Ciro achava que era coisa dos tucanos, do pessoal do Serra.”

 

“Quero ver se eles têm coragem de desmentir, quero ver se o Lula desmente”, desafia Cinchetto. “Estou fazendo isso porque achava que o Lula ia fazer uma operação mãos limpas no sindicalismo, mandasse investigar corrupção nos sindicatos. Mas esse bando convenceu o Lula a não fazer nada. Eles dobraram o Lula. Estou só cobrando uma fatura, é a minha contraparte. Não trabalhei por dinheiro, o objetivo era limpar a bandidagem dos sindicatos.”

 

Ele disse que um ex-integrante do núcleo ligou depois para ameaça-lo de processo. “Eles não vão por coleira em mim”, rechaça Cinchetto. “Podem vir para cima. O que falei é 10% do que tenho na mão.”

 

da BBC Brasil

assim como na Argentina de 2000...

Cidade grega tenta driblar crise com moeda alternativa ao euro

Mark Lowen

Da BBC em Volos, na Grécia

 

Atualizado em  16 de abril, 2012 - 06:09 (Brasília) 09:09 GMT Mercado em Volos, na Grécia

População de Volos adotou um sistema parecido com o escambo para escapar da crise

Há alguns meses, uma moeda alternativa foi introduzida na cidade portuária de Volos, na Grécia.

A iniciativa resultou na criação de uma rede com mais de 800 integrantes, em uma comunidade que não estava mais conseguindo manter seu poder aquisitivo com bens cobrados em euros, devido à grave crise econômica que atinge o país.

O local onde o sistema funciona melhor é o mercado central da cidade. Em uma das barraquinhas de artesanato, a moradora Hara Soldatou compra um conjunto de velas decoradas. A transação é feita sem nenhuma moeda ou nota de euro.

"Eles me custaram apenas 24 TEM, que eu juntei ao dar aulas de ioga", diz ela.

O TEM é a moeda alternativa de Volos. Com ela, é possível comprar praticamente qualquer coisa no mercado, como joias, comida, roupas e equipamentos elétricos.

Na prática, a moeda é baseada num sistema de trocas, onde pessoas que têm bens ou serviços a oferecer podem acumular crédito para usar em determinadas lojas e mercados.

A paridade do TEM é de quase um para um com o euro. Mas alguns comerciantes aceitam trocar seus bens diretamente por outros bens ou serviços, como no antigo sistema de escambo, anterior ao uso de moedas.

"Eu aceito receber aulas de idiomas ou de computação", diz Stavros Ntentos, que vende roupa íntima em uma barraca no mercado.

"É uma ótima ideia, porque precisamos fazer as pessoas entenderem que todos nós podemos comprar ou vender alguma coisa. Nós não precisamos de euros."

Moedas paralelas

O sistema é organizado pela internet. Cada integrante tem uma conta TEM, onde são depositados os créditos de transações virtuais.

O fundador do sistema, Yiannis Grigoriou, passa os dias em frente ao computador no mercado, supervisionando todas as transações.

"O sistema é vantajoso porque as pessoas encontram esperança aqui. Elas descobrem coisas para dar e receber."

Grigoriou é modesto ao ser perguntado se o TEM pode se tornar a moeda dominante em Volos.

"Não sei, nós teremos que ver isso aí."

 

Nos últimos meses, a Grécia tem discutido cada vez mais a possibilidade de abandonar o euro, devido à grave crise econômica.

Muitos em Volos veem o TEM como uma alternativa à moeda europeia. Um feirante chegou a dizer que "o euro é uma coisa do passado".

Mas para a maioria, o sistema é mais uma espécie de complemento à moeda europeia.

O prefeito de Volos, Panos Skotiniotis, afirma que o TEM não ameaça de forma alguma a hegemonia do euro. Ele defende o projeto e diz que as duas moedas podem existir simultaneamente.

"Nós apoiamos a iniciativa porque é uma boa forma de sairmos de uma profunda crise econômica e social", diz o prefeito.

"É uma iniciativa que complementa o euro, mas não o substitui. A Grécia está na zona do euro, e nós queremos continuar lá."

Um novo começoYiannis Grigoriou

Yiannis Grigoriou é o criador da rede monetária TEM usada em Volos

A rede monetária alternativa está se espalhando pela comunidade, com cada vez mais comerciantes participando do projeto.

Em um cooperativa de produtores de flores, que conta apenas com funcionários com deficiências físicas, os trabalhadores usam TEM para vender sua produção em troca de serviços que eles não conseguiriam adquirir de outras formas.

"Nós podemos comprar pão ou carne ao trocar nossos produtos, e nossas meninas conseguem ir ao cabeleireiro", diz Peri Mantzafleri, que administra a cooperativa.

Alguns dos clientes, interessados em comprar flores, podem adquirir os produtos sem dinheiro, apenas prestando pequenos serviços, como cortar grama e arrumar cercas.

"Eu cresci em um vilarejo, e é assim que as coisas funcionavam antigamente, antes de começarmos a nos envolver com dinheiro. Isso é uma chance para começarmos novamente", diz o administrador da cooperativa.

As crianças também se beneficiam do sistema. Os pais podem matricular seus filhos em oficinas que misturam jogos, música e desenho. Esse tipo de atividade tinha um preço proibitivo antigamente, mas agora pode ser pago graças ao TEM.

O coordenador das oficinas, Charalampos Bardas, disse que a moeda local é de grande valor para a comunidade.

"É uma grande solução contra a crise. A vida continua, nós temos que continuar lutando", diz Bardas.

"Nós temos que ver tudo de forma diferente agora. Não é o fim do mundo se estamos em crise. Nós queremos nos dar bem e seguir adiante."

 

Já é tempo de abrir as caixas negras

Quando estava 'preso' na Conferência de Berlim do INET [Instituto para o Novo Pensamento Económico], e antes de ter a hipótese de escrever aqui sobre essa experiência, pensei que devia convidar todos os que possam estar em Atenas na quinta-feira, 19 de Abril, para a inauguração do novo espaço de Danae Stratou na Galeria Zoumboulakis, Praça Kolonaki, em Atenas (de notar que estará aberto durante um mês, até 19 de Maio). O meu texto, que apresenta uma perspectiva de economia política sobre a exposição e sobre o seu tema, e que aparece no catálogo, segue abaixo. Espero encontrar-vos lá.

A ignorância pode ser, e é frequentemente, o preço que temos que pagar para viver melhor. Não preciso de saber como funciona o meu telefone para usufruir dele. Basta-me saber que, quando marco o número de Danae, é o telefone de Danae que toca. Como é que os aparelhos envolvidos, seja o telefone individual seja a rede, conseguem fazer isso, não me interessa minimamente. Com efeito, se eu investisse tempo e energia mental para perceber o que é que acontece ao certo com os diversos aparelhos que me rodeiam, teria que prescindir de outros tipos de entendimento que considero terem muito mais valor.

Em termos de engenharia, acabo agora de perceber, para mim (tal como para a maioria das pessoas), o meu telefone é uma caixa negra : um aparelho ou um sistema cujo funcionamento interior é opaco e cuja única função que entendo é como transforma os dados que introduzo (por ex., marcar um determinado número) em resultados (o toque do telefone de Danae). Agora que penso nisso, a cabeça da minha mulher também é, para a minha cabeça, uma caixa negra: mesmo que eu fosse um neurocientista de primeira, estaria completamente às escuras quanto ao processo electro-químico que a levou a montar esta exposição. Além do mais, possivelmente porque sei que é uma tarefa impossível, não tenho qualquer ambição em desvendar verdadeiramente este processo electro-químico em particular.

Segundo esta perspectiva, estamos rodeados de caixas negras. No entanto, nem todas as caixas negras são tão inócuas como o meu telefone. Para além dos telefones e dos seres humanos, as empresas e os estados também podem ser encarados como super caixas negras. Nenhum administrador executivo, para não falar dum gestor de categoria mais baixa, pode obter a imagem total de como se chega a cada uma das decisões na sua empresa. Os banqueiros nunca entendem verdadeiramente o conteúdo dos administradores executivos e o arsenal de derivados tóxicos que os seus bancos cozinharam (e depois amassaram para despachar) como se o amanhã não existisse. Olhando para as coisas a um nível mais alto, reparem no exemplo dos Estados Unidos. Regra geral, o Departamento de Estado, a Casa Branca, as pertinentes Comissões do Senado funcionam sem grande coordenação uns com os outros, e no entanto estão a produzir políticas que o resto do mundo reconhece como… política do 'governo' dos EUA.

A diferença entre essas caixas negras (administradores executivos, bancos, governo) e o meu humilde telefone está encerrada numa única palavra: poder. Não o tipo de poder associado à electricidade ou à força esmagadora do oceano mas um outro poder mais subtil: o poder de escrever o programa, de estipular a conversa, de implantar desejos nas nossas almas, de canalizar o fluxo das informações ao longo da grelha existente de poder social, de nos prender na rede que determina como a nossa sociedade funciona e, ai de nós, fracassa rotundamente.

Em 2008, o nosso mundo mergulhou no caldeirão de falências múltiplas, persistentes, espectaculares das diversas 'redes' de poder. A Europa provou ser o elo mais fraco e, dentro dela, a Grécia o elo mais fraco ainda. No entanto, ainda antes transpirar alguma coisa, o nosso planeta já tinha entrado numa trajectória irreversível para a degradação ambiental. Com as suas Crises de várias camadas em cima de nós (em que as principais facetas são a económica e a ambiental, mas não são as únicas), e dada a alta concentração de poder, é quase uma tentação atribuí-la a uma qualquer conspiração doentia dos poderosos. Sobem-nos à cabeça imagens de salas cheias de fumo, com mobiliário pesado e homens manhosos (e mulheres estranhas) a planear como vão obter lucros à custa do bem comum. Claro que isto são alucinações. Se a culpa das nossas circunstâncias terrivelmente diminuídas se deve a uma conspiração, então é uma conspiração em que os conspiradores nem sequer sabem que fazem parte dessa conspiração. Aquilo que para muita gente cheira a conspiração dos poderosos é a característica emergente das redes fechadas, das super caixas negras de poder social.

As super caixas negras assumem muitas formas diferentes mas, na essência, são todas semelhantes: Sempre que um político (que possui informações reservadas) dá um exclusivo a um jornalista, em troca, por uma reviravolta especial do funcionamento interno, esse jornalista fica ligado, subconscientemente, a uma rede de iniciados. As redes de poder social controlam assim o fluxo de informações de um modo que exclui, coopta e guia os seus membros individuais. Desenvolvem-se organicamente, como por vontade própria, e são guiados por um ímpeto supra-intencional que nenhum indivíduo, nem mesmo o presidente, o administrador executivo ou as equipes que gerem os nódulos principais, consegue controlar.

A chave para as redes de poder é a exclusão, a opacidade. Se um qualquer empregado bancário, que toma conhecimento de informações internas que são potencialmente prejudiciais para o banco, dá com a língua nos dentes, por ex. passando a informação para a imprensa, dará cabo imediatamente da sua hipótese de manter qualquer 'poder' para si mesmo. Mas, se trocar esse 'segredo' com informações privadas guardadas em qualquer outra peça da máquina de finanças, então o poder desse par espontaneamente gerado multiplica-se várias vezes. Essa verdadeira conspiração de duas pessoas forma depois alianças, através de mais trocas de informações, com outros grupos do mesmo tipo. O resultado é uma rede de poder dentro de outras redes pré-existentes que envolvem participantes que conspiram de facto sem terem consciência disso, são conspiradores. O que é fascinante é que alguns membros da rede, aqueles que estão apenas levemente ligados à rede, não fazem a menor ideia da rede que estão a reforçar (graças a terem muito poucos contactos com ela).

Considerados como 'redes de poder', como 'conspirações sem conspiradores', os poderes instituídos, com o poder de controlar as nossas vidas (o estado, as empresas, os meios de comunicação, os bancos, os grupos de pressão organizados, etc.), não passam de um monte de super caixas negras: Ninguém percebe como funcionam, nem sequer os indivíduos que vão ao leme. No entanto são eles que convertem todos os nossos dados de entrada em resultados sociais, económicos e ambientais. De modo crucial, ao contrário dos nossos telefones (que legitimamente podemos não estar interessados em entender; em abri-los e inspeccionar o seu funcionamento interno), abrir essas super caixas negras tornou-se hoje um pré-requisito para a sobrevivência da decência, de todos os estratos dos seres humanos, até mesmo do nosso planeta. Em palavras simples, basta de desculpas. Portanto, CHEGOU O MOMENTO DE ABRIR AS CAIXAS NEGRAS!

Porquê agora? Porquê, simplesmente? Que caixas temos que abrir? Precisamos de abrir as caixas agora porque 2008 foi o 1929 da nossa geração. Além disso, a década passada assistiu ao fermentar de um Armagedão ambiental. Ao contrário do meu telefone que funciona perfeitamente, e que não me obriga a abri-lo, a nossa economia social global está avariada. E o mesmo acontece ao ambiente do nosso planeta. As super caixas negras que têm vindo a dirigir o espectáculo desde os anos 70 estão danificadas. Já não conseguem auto-corrigir-se, são impotentes para reproduzir condições para uma vida decente, ou abrimos essas super caixas negras ou elas enfiar-nos-ão, e às gerações futuras, num buraco negro distópico qualquer.

Como devemos fazê-lo? Primeiro, precisamos de adquirir a disposição de reconhecer que também nós, cada um de nós, pode ser um nódulo na rede; um verdadeiro conspirador ignorante. Em segundo lugar, e é este o génio da WikiLeaks, se conseguirmos entrar na rede, como Teseu entrou no Labirinto, e perturbar o fluxo das informações; se pudermos incutir o medo de fugas informações incontroláveis no espírito do maior número possível dos seus membros, então as redes de poder irresponsáveis e defeituosas desabarão sob o seu próprio peso e irrelevância. E assim a humanidade terá mais uma hipótese de organizar a fuga do seu actual beco sem saída. Em terceiro lugar, desistindo de qualquer tendência para substituir as velhas redes fechadas por redes novas.

Nada disto será fácil. As redes reagirão com violência, como já estão a fazer. Tornar-se-ão mais autoritárias, mais fechadas, mais fragmentadas. Mas tudo bem. Sem dúvida, vão fechar-se e fragmentar-se a fim de conter as 'invasões'. Vão despender mais esforços para adiar a abertura das suas caixas negras. Vão ficar cada vez mais preocupadas com a sua própria 'segurança' e monopólio das informações, menos confiantes na gente vulgar. Mas, quanto mais se moverem nessa direcção, mais profundamente esgotarão a sua capacidade de atrair e centralizar aquilo que as faz funcionar: informações frescas, sem nódoas, abundantes, de pessoas que ainda não foram cooptadas.

Claro que nada disto é novo. No seu famoso O Príncipe, Niccolo Machiavelli, um dos primeiros modelos dos conselheiros dos poderes instituídos, aconselhava o seu Príncipe a nunca permitir ao popolo uma breve visão dos demónios que fermentavam dentro das super caixas negras da sua época [1] . Era, reconhecidamente, uma época mais inocente quando ainda era desculpável pensar que o poder centralizado e as informações contribuíam para suavizar a passagem da humanidade para a boa sociedade. Tragicamente, a maré arrebatou esse optimismo. A centralização controlada pelo estado foi punida com o colapso do comunismo em 1991, uma reviravolta dos acontecimentos que deu azo à multiplicação e reforço das caixas negras do 'outro' lado, e em que a conclusão natural desse excesso de confiança foi o Colapso de 2008. Actualmente, no meio do pessimismo pós-2008, para citar Slavoj Zizek, "enfrentamos o cinismo desavergonhado duma ordem global cujos agentes apenas imaginam que acreditam nas suas ideias de democracia, direitos humanos e por aí afora. Através de acções, como as revelações do Wikileaks, a vergonha – a nossa vergonha por tolerar tal poder sobre nós – torna-se ainda mais vergonhosa por ser publicada".

O novo espaço de Danae Stratou avança um passo para além da vergonha e da denúncia. Transforma as caixas negras em objectos de arte que simultaneamente encerram a nossa angústia e as nossas esperanças, a nossa impotência e as nossas capacidades, os nossos constrangimentos desumanos e as nossas aptidões humanas. As suas caixas abertas agem como um incitamento subversivo não só para combater os nossos medos e os poderes futuros duma só vez mas, adicionalmente, para construir ideias de novas formas de poder e prosperidade partilhados.

[1] Assim acontece em assuntos do estado; pois tomar conhecimento (o que só é dado fazer a um homem prudente) dos demónios que estão a fervilhar, torna fácil a sua cura. Mas quando, por falta de tal conhecimento, se permite que eles cresçam até que todos os conseguem reconhecer, já não se encontra qualquer remédio. ( O Príncipe, Niccolo Machiavelli, 1469-1527)

http://resistir.info/crise/caixas_negras_13abr12_p.html

 

Cachoeira-Demóstenes: Escândalo muda de tom e cor

O mais novo escândalo do Brasil começa a descambar rapidamente e a olhos vistos para as velhas zonas de sombras, confusão e cumplicidades de sempre, em situações do tipo, por estas bandas abaixo da Linha do Equador. Mal comparando, temos no país uma espécie de repetição cabocla do filme italiano “Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”, magistral alegoria dos anos 70 sobre investigações policiais, acobertamento e impunidade, quando o crime, corruptos e corruptores se misturam nos plenários e nos gabinetes dos mais altos escalões da política e do poder.

O espanto e a indignação, quase generalizada, dos primeiros dias depois da divulgação, no Jornal Nacional, dos grampos da Polícia Federal que flagram o contraventor Carlinhos Cachoeira em tenebrosas transações com amplo espectro de políticos, negociantes e donos do poder na República – do ex-líder do DEM no Senado e arauto-mor do moralismo da direita nacional, Demóstenes Torres, ao governador da esquerda petista Agnelo Queiroz, encrencado governador do Distrito Federal – muda paulatinamente de tom e cor.

Devagar e sempre, o que deveria se constituir uma questão de interesse público (ver apurado e esclarecido com isenção e devida brevidade os feitos e malfeitos denunciados, para punição exemplar e inflexível de autores e cúmplices em um dos maiores escândalos nacionais na escandalosa história do país), vai-se transformando em desalentador cabo- de -guerra ideológico.

Pior e mais deprimente ainda: este rumoroso caso Cachoeira parece cada vez mais encaminhar-se para uma batalha encarniçada, perniciosa e de resultados ainda imprevisíveis, mas seguramente alheios ao verdadeiro interesse público e ao que de fato espera e cobra a sociedade em casos como este.

De repente, como ficou patente no show deprimente de complacência e “jeitinho brasileiro”, quando da sessão para compor o novo Conselho de Ética do Congresso, na quinta-feira(12), que marcou o reaparecimento público do moralmente devastado Demóstenes Torres. Ele jurou inocência e reivindicou o justo direito de defesa, “no mérito”.

Tudo mais ou menos como de praxe, no filme italiano citado no começo destas linhas, ou nos repetidos escândalos reais por estas bandas. Imagem e semelhança perfeitas, por exemplo, aos acusados políticos e governamentais do antigo e rumoroso escândalo do Mensalão. Este, prestes já a prescrever para efeito de punições judiciais dos culpados, ou absolvição dos inocentes, mas ainda sem data marcada para julgamento, embora o futuro presidente do STF, o jurista e poeta sergipano Carlos Ayres Brito garanta, na entrevista que deu à revista Veja, que o realizará, como questão de honra, nos exíguos sete meses que terá no comando do Supremo.

Verdade, como a sociedade deseja? Mais um sonho de poeta romântico, simplesmente, como alguns proclamam? Ou puro engano (mais um!), como muitos temem, incluindo o jornalista que assina este artigo? Responda quem souber.

Enquanto isso, o mais constrangedor é verificar como o andamento do caso Cachoeira caminha celeremente para virar uma perversa e devastadora oportunidade de “acerto de contas” político, ideológico e intelectual entre grupos de interesses em litígio, alguns deles, os mais escusos e enviesados possíveis. E a chamada “grande imprensa” e muitos de seus profissionais no meio. “Tudo de bom" e, com certeza, dentro da expectativa de corrupto e corruptores em fuga, a caminho de novo escândalo.

No meio da fumaça que se espalha, resta a esperança da imagem nítida e marcante desta semana, embora praticamente ignorada e descartada como informação relevante pela mídia nacional. O senador gaúcho Pedro Simon (raro exemplar do antigo MDB de Ulysses Guimarães, figura lembrada também por Ayres Brito, na Veja), pregando e dando avisos essenciais, como um Dom Quixote bradando de lança em punho, para um meio cego e desinteressado plenário do Senado brasileiro.

“Disse e repito: não me lembro de uma ocasião em que o Senado Federal esteve tão desgastado, tão no chão, tão humilhado, tão espezinhado pela opinião pública como agora", alertou. Simon lembrou a Ficha Limpa e a imprensa na época: “Ontem, ela dizia que não ia acontecer nada, que havia um complô, uma movimentação, que o Senado estava tão comprometido que não ia acontecer nada. Aconteceu”. E concluiu com a memória do escândalo Waldomiro, há sete anos.

“Vim (à época) a esta tribuna e disse: vou sair daqui e vou falar com o governo para ele demitir ainda hoje esse Waldomiro e iniciar o processo contra Cachoeira. Lamentavelmente, Lula não fez isso. Não se movimentou com relação a Cachoeira, não demitiu Waldomiro e as coisas continuaram. Hoje, sete anos depois, o mesmo Cachoeira que iniciou esse escândalo todo, volta. E o então ministro da Justiça de Lula (jurista Márcio Tomas Bastos) é agora e advogado de defesa de Cachoeira”, lamentou o senador gaúcho.

Merece aplausos o senador Simon! O resto, a conferir. 

http://terramagazine.terra.com.br/blogdovitorhugosoares/blog/2012/04/14/...


 

Trago uma matéria de 2008, apenas para rememorar.

Quem é o pai do dossiê

Se a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vinha sendo apontada como a mãe do suposto dossiê com informações sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a identidade do pai acaba de ser revelada. Trata-se do senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná.

Dito assim, o caso pode dificultar o entendimento do leitor mais distraído. No entanto, essa é a verdade, segundo os jornais de quinta-feira (3/4).

O senador Álvaro Dias admitiu que conhecia o teor dos papéis que a oposição e a imprensa afirmam ser parte de um dossiê montado pelo governo para se defender das acusações de mau uso de cartões corporativos. Mas não quer contar de quem os recebeu.

A revelação de que um senador da oposição pode ter sido o responsável pelo vazamento de informações sigilosas sobre gastos do ex-presidente transformou a sessão de quarta-feira (2) da CPI dos Cartões Corporativos num verdadeiro pandemônio. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano, já fala até em encerrar os trabalhos prematuramente, o que agradaria ambos os lados.

Só deixaria de agradar os eleitores, que ficariam sem saber se governo e oposição estão escondendo suas mazelas comuns ou se, como na comédia de Shakespeare, tudo não passou de muito barulho por nada.

Um dilema

O fato é que a revelação de que o senador Álvaro Dias teve os papéis em mãos ainda antes de serem publicados pela revista Veja o coloca em primeiro lugar na fila de suspeitos de haver dado trânsito público a informações sigilosas. Os jornais de quinta-feira não fazem referência ao fato, mas há cerca de duas semanas ele foi acusado de tentar esvaziar a CPI.

A revelação de que ele conhecia os dados que foram publicados pela revista Veja como sendo um dossiê do governo pode explicar seu interesse em extinguir a CPI antes da hora. No entanto, a notícia levanta novas dúvidas, que os jornais de quinta-feira não respondem.

Uma delas: já que foram revelados os nomes do pai e da mãe da papelada, a imprensa poderia levar o jogo um pouco mais adiante e revelar também o nome do padrinho. Porque não deve passar pela cabeça de um jornalista que o senador Álvaro Dias repassaria um calhamaço de papéis que poderiam causar algum desconforto ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sem antes consultar o principal interessado. Ou, pelo menos, sem informar o líder do partido no Senado.

Fica, então, a imprensa no seguinte dilema: ou o senador paranaense é leviano e futriqueiro, ou outras figuras importantes da política sabiam da história toda.

O papel da imprensa

Qualquer que seja a alternativa escolhida pelo leitor para interpretar os novos fatos, esta é uma boa oportunidade para uma discussão sobre o papel da imprensa.

Se, de fato, os papéis que o senador Álvaro Dias teve em mãos compunham um dossiê montado por gente do governo para chantagear a oposição, qual deveria ser o procedimento adequado para a imprensa? Divulgar o conteúdo, ainda que parcialmente, para satisfazer a curiosidade geral, ou investigar suas origens, sua integridade, e apresentar ao público um quadro mais completo? Afinal, não se pode perder de vista que o interesse geral é conhecer como as autoridades gastam o dinheiro público.

Se o tal dossiê não passa de uma coleção aleatória de dados, juntados para fazer barulho em proveito deste ou daquele partido, quem acaba chamuscado é o próprio jornalismo.
O leitor foi levado, nos últimos dias, a discutir um assunto importante como o controle das despesas do governo com base em informações que, conforme se sabe agora, não têm muita consistência.

Como a tendência, no jogo político, é que os impasses sejam resolvidos com a velha e tradicional pizza, o que se tem é que a imprensa, mais uma vez, criou um fato, alimentou a fogueira das vaidades e prepara a retirada de cena sem maiores explicações.

Os políticos dizem e desdizem com a mesma cara diante das câmeras. A imprensa não pode fazer isso. Afinal, credibilidade é o seu principal patrimônio.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/quem_e_o_pai_do_dossie

 

Azeredo, pai do mensalão, se banhou na cachoeira


O ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, que foi o primeiro a utilizar o esquema Marcos Valério, também fez negócios com empresas de Carlos Cachoeira; bicheiro teve concessão para fazer negócios com a Loteria Mineira e deixou prejuízo estimado em R$ 286 milhões

15 de Abril de 2012 às 16:23

Minas 247 – O ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, do PSDB, tem cumprido uma triste sina. Em 2005, quando o escândalo do mensalão ameaçava o mandato de Lula, descobriu-se que o esquema Marcos Valério foi gestado em sua administração (1995-1999) à frente do Palácio da Liberdade. Graças a isso, os petistas conseguiram neutralizar parte dos ataques. As agências de publicidade de Valério, DNA e SMPB, tiveram papel decisivo no financiamento de campanha de Azeredo à reeleição – numa disputa em que ele foi derrotado para Itamar Franco.

Agora, vem à tona uma nova ligação constrangedora de Azeredo. Foi também na administração Azeredo, que Carlos Cachoeira conseguiu exportar seus negócios ligados à jogatina de Goiás para outros estados do Brasil. A Jogobrás, subsidiária da Gerplan, empresa de Cachoeira, explorou em Minas uma loteria privada chamada Sorteca. A concessão também permitiu que o bicheiro explorasse caça-níqueis no estado, em parceria com a multinacional americana GTech.

Em Minas, Cachoeira já tinha o hábito de gravar encontros com autoridades. Uma de suas fitas derrubou o ex-procurador-geral Márcio Decat e toda a cúpula da Loteria Mineira. À época, o jornal Estado de Minas publicou diversas reportagens sobre os negócios de Cachoeira no estado. Graças a elas, as vídeo-loterias foram suspensas.

Neste domingo, uma reportagem do jornal Estado de Minas revela que os contratos feitos na gestão de Azeredo causaram prejuízos de mais de R$ 286 milhões ao governo mineiro (leia mais aqui).

http://brasil247.com/pt/247/poder/54008/Azeredo-pai-do-mensal%C3%A3o-se-...

 

Cúpula das Américas não terá declaração e Dilma antecipa retorno

CARTAGENA/BRASÍLIA, 15 Abr (Reuters) - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou neste domingo que não haverá declaração final na Cúpula das Américas por falta de consenso sobre Cuba.

A presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar o regresso para Brasília e, em comum acordo com o presidente colombiano, cancelou a reunião bilateral que ambos teriam após a cúpula.

Pela primeira vez, nações aliadas dos EUA, como a Colômbia, reforçaram a demanda de que Cuba esteja presente na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Mais cedo Santos havia cobrando abertamente mudança de postura sobre a pequena ilha comunista. "O isolamento, o embargo, a indiferença, olhar para o outro lado, vêm sendo ineficazes", havia dito o anfitrião do evento.

A Colômbia é um importante aliado dos EUA na região e conta com a ajuda militar e financeira norte-americana para o combate a guerrilhas e ao narcotráfico. Santos vem se manifestando sobre Cuba, apesar de suas fortes diferenças ideológicas com o governo cubano.

Cuba foi excluída da OEA anos depois da Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, em 1959, e não toma parte das cúpulas americanas por causa da oposição dos Estados Unidos e do Canadá.

A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou oficialmente que o retorno antecipado deve-se a uma decisão da presidente de chegar mais cedo em Brasília e evitar cansaço extra sem relação com a falta de consenso sobre Cuba.

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE83E02L20120415

 

A matéria já foi indicada pelo Alfeu, acima.

Desconsiderem.

 

De O Globo 15/04/2012 - 23h00m

"Dilma se queixa, PT recua e agora já fala em 'rediscutir' a CPI

Fernanda Krakovics e Maria Lima 

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff não está satisfeita com o presidente do PT, Rui Falcão, por causa da atropelada criação da CPI do Cachoeira. Dilma se queixou com ministros e petistas de que Falcão não podia ter saído atirando - e defendendo a criação da CPI - sem consultá-la antes. Agora, o partido tenta puxar o freio de mão. Com o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), internado desde sábado com insuficiência coronariana, se as assinaturas forem coletadas a tempo, caberá à vice-presidente Marta Suplicy (PT-SP) instalar a comissão na terça-feira. A preocupação de Dilma com o anunciado descontrole da CPI foi tema da conversa, na sexta-feira, entre ela e o ex-presidente Lula, um dos entusiastas da investigação parlamentar sobre os negócios e relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), já admite até abortar a CPI, se o Supremo Tribunal Federal (STF) concordar em enviar os autos das operações Monte Carlo e Las Vegas, da Polícia Federal, ao Conselho de Ética do Senado. Mas ele reconhece que, politicamente, é muito difícil reverter a criação da CPI a esta altura dos acontecimentos. O senador José Pimentel (PT-CE), como membro do Conselho, requereu novamente os documentos, alegando jurisprudência do caso do ex-senador Luiz Octávio (PMDB-PA), quando o Supremo enviara o inquérito solicitado pelo Senado.

- Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe - disse Pinheiro.

Dilma ficou especialmente irritada com o vídeo em que o presidente do PT, Rui Falcão, diz que a CPI ajudaria a desviar o foco e neutralizar o desgaste do julgamento do mensalão no STF, que deve começar em maio. Para Dilma, há o risco de a CPI ser um tiro no pé e paralisar o governo. Governadores e governistas também temem que as investigações virem uma bola de neve e desnudem as relações da Delta Construções com governos de todos os partidos.

Petistas criticam intervenção de Lula

Petistas mais moderados criticam a direção do partido por ter atendido, sem discussão, o desejo do ex-presidente Lula, que vibrou quando integrantes do governo do tucano Marconi Perillo (GO) apareceram nas investigações da Polícia Federal. O ex-presidente não perdoa o tucano por ele ter afirmado, durante o escândalo do mensalão, que Lula tinha conhecimento do esquema. Rui Falcão chegou a defender, em vídeo, que a CPI fosse usada para investigar o que chamou de “farsa do mensalão”, que, segundo ele, teria sido montada pelo grupo que circula em torno de Cachoeira.

Depois que forem coletadas as assinaturas necessárias - 171 na Câmara e 27 no Senado -, Marta Suplicy terá que ler o requerimento em plenário, para que a CPI seja criada.

No balanço dos eventuais estragos decorrentes da CPI, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), aposta que a oposição tem mais a perder do que o governo e a base aliada:

- Tem coisas graves que precisam ser investigadas. Não é CPI contra o governo. As denúncias batem pesado na oposição, inclusive em pessoas que se portavam como paladinos da moralidade. Se aparecer qualquer irregularidade no governo, a providência é mandar apurar. Se tiver que romper contratos (com a Delta), rompe. O objetivo é apurar a infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, e pega mais gente da oposição do que do governo.

Além de Perillo, as investigações da PF também envolvem o governo petista de Agnelo Queiroz (DF). A ala mais moderada do PT é contra lavar as mãos em relação à administração do Distrito Federal e refuta o argumento de que Agnelo é recém-chegado no partido.

- É um governo do PT. Não dá para contabilizar como governo nosso só quando interessa - diz uma liderança petista.

Ex-líder do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) é contra e não quis assinar a CPI:

- Acho que era preciso aguardar um pouco. Acho uma temeridade abrir uma metralhadora giratória agora que vai perturbar tudo. Há um ambiente de preocupação. Quem tem experiência de CPI sabe que pode ser um instrumento de perturbação para o governo.

A mesma cautela é adotada pelo atual líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).

- Eu, Eduardo Braga, pessoalmente sempre acho que CPI, a gente sabe como começa, mas não sabe como termina - diz Braga, estranhando não ter tido nenhuma orientação do Planalto para interferir na instalação da CPI

 

Realmente, o Globo deixou um rabo à mostra, para desmarcarar a veracidade dessa "reportagem". De um lado afirma que a Dilma não gostou da CPI, mas de outro, Eduardo Braga reclama da "falta de orientação do Planalto".

Portanto, à quem a Dilma confiou sua insatisfação? Ao Merval?

Seja como for, a resistência À CPI está sendo comandada, ao meu ver, pela Veja e pela Globo. A Folha e o Estadão estão, dessa vez, como coadjuvantes, fustigando o DF e outras instâncias do PT.

O pânico da Veja dá para entender, pois foi pega com a boca na botija.

Mas, e a/o Globo? Dá para suspeitar que a turma do Merval também foi ao Tororó beber água...

 

Joaquim Aragão

Mais uma tentativa de despistar a opinião pública...A invenção de discórdias dentro do PT, e até mesmo de diálogos, é cada vez mais patética...

 

Joaquim Aragão


Do Portal Vermelho.

15 DE ABRIL DE 2012 - 9H55 

Rui Paz: União Europeia, uma ameaça à democracia

 

Uma parte significativa das elites federalistas que hoje é obrigada a distanciar-se da euforia com que saudou o euro, o Tratado de Lisboa e outras etapas do processo de integração da União Europeia (UE), continua a defender que a solução para a atual crise política, económica e social passa por "mais Europa!". 

Por Rui Paz*


Critica, e com razão, a chanceler da Alemanha como ditadora pelas suas ameaças e actos contra a soberania dos povos, mas repete as palavras de ordem que conduzem exactamente àquilo que o grande capital alemão pretende, o reforço do seu poder de intervenção na orientação política dos governos dos outros estados. "Mais Europa!" significa na realidade mais aprofundamento do federalismo, mais hegemonia alemã, mais retrocesso social e ataques à democracia, mais militarismo. 

Na verdade, a UE, à medida que prossegue o seu aprofundamento, transforma-se cada vez mais numa verdadeira ameaça contra a soberania da maior parte dos estados-membros e num perigo mortal para as conquistas democráticas e sociais obtidas pela luta dos trabalhadores e dos povos após a derrota do nazi-fascismo. 

A brutal ofensiva no plano social é acompanhada por um ataque cerrado contra a soberania dos povos e os princípios da democracia. Os adeptos do federalismo procuram esconder que sem respeito pela soberania de cada Estado e pela vontade de decisão de cada povo não há democracia possível. 

Convém não esquecer que todo o processo de integração da UE tem fugido da democracia como o diabo da cruz. Quantas decisões importantes foram tomadas no silêncio dos gabinetes, proibindo-se referendos e consultas populares? Quantos processos eleitorais em que os eleitores votaram contra as propostas da UE foram repetidos até o resultado bater certo com os objectivos desejados? 

No momento em que a "troika interna" se acolita na Assembleia da República para ratificar o chamado "tratado orçamental", é imperativo lembrar que o principal objetivo do salto federal que se prepara não é só a redução do défice mas, com o pretexto da diminuição da dívida, fazer pagar à esmagadora maioria do povo os efeitos da crise, obtendo assim uma alteração fundamental da distribuição da riqueza produzida a favor do grande capital. Na lógica imperialista, o preço da mercadoria trabalho terá de baixar para um nível insuportável para quem trabalha em todos os estados na UE. É uma mentalidade de campo de concentração e de trabalho escravo que se pretende legalizar com a palavra de ordem "mais Europa". 

Quanto mais o processo de integração da UE avança mais os povos atingidos se apercebem do carácter subversivo e antidemocrático do processo de integração capitalista na Europa e da existência de um poder ilegítimo destinado a alimentar uma situação de golpe de Estado permanente contra os próprios princípios do parlamentarismo. 

Hoje, é fácil de verificar como o PCP, pela voz do seu então secretário-geral, Álvaro Cunhal, tinha plena razão quando avisou: "Com estruturas federativas e um governo central de facto, com políticas comuns impostas pelos países mais desenvolvidos e poderosos, com a transformação dos países menos desenvolvidos em países periféricos sem política própria, com a aceitação passiva e submissa a uma Otan autônoma comandada pelos Estados Unidos e arrastando os povos para guerras criminosas – esta nova Europa abafa e liquida a soberania dos estados menos desenvolvidos, não serve os interesses dos povos e das nações, não serve os interesses do povo e da nação portuguesa" (A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril, 1999, p. 321). 

Como noutros momentos da história terão de ser os povos a defender e a repor, pela luta, os seus direitos e conquistas e a própria Democracia.


* Rui Paz é analista de política internacional
Fonte: jornal Avante!

 

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zanuja

da Agencia Brasil

 

Coração artificial brasileiro deve ser testado em dois meses15/04/2012 - 15h11

Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Corações artificiais desenvolvidos no Brasil devem começar a ser testados em seres humanos dentro de dois meses. Pacientes da fila de espera do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, serão os primeiros a receber o equipamento, que estabiliza a função cardiológica do doente e possibilita a sobrevida até o transplante do órgão. O aparelho é indicado para pacientes que não respondem mais ao tratamento clínico.

O desenvolvimento do coração artificial - produzido para ser colocado dentro do paciente, atuando em auxílio ao coração - teve início em 1998 e foi idealizado por Aron José Pazin de Andrade, coordenador do Centro de Engenharia em Assistência Circulatória do Instituto Dante Pazzanese, onde o dispositivo foi construído.

“O aparelho pode ajudar os dois ventrículos e a situação do paciente não piora mais porque ele reestabelece a boa circulação sanguínea e descarrega o trabalho cardíaco. Então o paciente pode suportar o tempo que for necessário dessa forma, não tem limite de tempo”, diz Andrade. Há pacientes com dispositivos similares colocados há cerca de seis anos.

A partir dos bons resultados obtidos com o uso do aparelho em animais desde 2004, os pesquisadores do projeto pediram autorização para o Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para testá-lo em humanos. De acordo com Andrade, os testes deverão ser feitos em dez pacientes, durante um período de um a dois meses. O tempo de testes poderá chegar a 20 meses. Os pacientes escolhidos devem pesar entre 45 quilos e 90 quilos. 

“O paciente tem de estar em fila de espera do transplante, com o coração dele bem debilitado, não respondendo mais às drogas que são ministradas para consertar a situação. Se não responde mais ao tratamento clínico, então ele é indicado para um transplante."

O coração artificial, que agrega alta tecnologia e está sendo construído de forma quase artesanal em um laboratório especializado no Dante Pazzanese, deverá custar de R$ 60 mil a R$ 100 mil. “Aqui no Brasil, o custo do investimento já foi pago com dinheiro público, arrecadação. O que nós vamos cobrar é a despesa de produção do aparelho, e o SUS [Sistema Único de Saúde] consegue, nesses valores bem menores, sustentar a aplicação do aparelho”, destaca Andrade. No exterior, um aparelho similar custa em torna de US$ 200 mil e sua aplicação depende do treinamento de uma equipe médica para colocar o aparelho.

No estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria de Saúde, 99 pacientes estão na fila de espera de transplante, 32 apenas na cidade de São Paulo. 

O aparelho foi desenvolvido com apoio do Hospital do Coração, do Ministério da Saúde, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).


Edição: Andréa Quintiere

 

da Agencia Brasil

 

Literatura marginal ganha espaço e conquista leitores, principalmente jovens15/04/2012 - 17h11

Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Como um retrato autêntico da vida nas periferias brasileiras, a literatura marginal vem ganhando espaço e conquistando leitores, principalmente os jovens.

“A literatura que eu escrevo vem de ruas que os anjos não frequentam, de pessoas que não têm voz”, diz o poeta Sérgio Vaz, referindo-se à expressão literária e estética da periferia. O tema foi destaque de um ciclo de debates realizado hoje (15), na 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília, que reuniu escritores como Vaz, Ferréz e o rapper GOG.  

Autor de coletâneas de poemas que tratam do cotidiano da periferia de São Paulo, Vaz conta que se engajou nesse tipo de literatura por ser revoltado com a vida. Para ele, os livros sobre a realidade das “quebradas” mostram como as pessoas da periferia estão se tornando protagonistas de sua própria história. “Antigamente, as pessoas escreviam sobre a gente, eramos coadjuvantes. Hoje, somos nós que contamos a nossa história. A literatura é uma arte como outra qualquer e tem compromisso social.”

Há mais de dez anos, Vaz criou o Cooperifa, um projeto social que busca disseminar a leitura entre as pessoas de comunidades de São Paulo. Durante o ano, são realizados saraus, oficinas e outras atividades culturais. Atualmente, 150 pessoas estão engajadas no projeto. “Começamos a dar uma função social para a literatura por meio da oralidade. Nós fazemos a gentileza de recitar, e a pessoa faz a gentileza de ouvir. É uma ferramenta para chegar ao livro.”

A professora Aline Evangelista Martins acompanhou a evolução do sarau da Cooperifa, em São Paulo e o modo como os livros que tratam da realidade do gueto vem impactando as comunidades. “O grande mérito no trabalho deles [de escritores de literatura marginal] é a democratização da leitura, da imagem do leitor, da quebra de estereótipo. [Eles] conseguem ampliar bastante as possibilidades e formar leitores onde muitas vezes a gente não consegue.”

A literatura marginal, que tem forte ligação com a cultura do rap e do hip hop, está atraindo cada vez mais os jovens. O estudante brasiliense Fernando Borges, de 16 anos, viu na literatura uma forma de melhorar o comportamento e mudar de vida. “Eu bagunçava muito na escola, por isso, a professora me passou alguns contos do Ferréz [escritor de literatura marginal], e eu me inspirei. Tomei gosto pela leitura, porque, antigamente, eu não gostava de ler.”

Morador da Cidade Estrutural, no Distrito Federal, Fernando tornou-se escritor e deve lançar um livro com textos, poesias e letras de música ainda neste ano. “Vai ser voltado para a literatura marginal, para o cotidiano da periferia. Quero que as pessoas leiam mais a literatura periférica”, disse.

Para o rapper e escritor Genival Oliveira Gonçalves, conhecido como GOG, a literatura periférica põe o jovem em papel de destaque.

“Mostra que ele [o jovem], muitas vezes dá motivo para que o sistema o enquadre, mas também que ele tem possibilidade de escrever a história. A sabedoria de rua é o nosso grito de guerra, a nossa visão.”

Edição: Nádia Franco

 

Da Carta Maior

Por que e para quê uma YPF do Estado

 

O debate sobre o destino da empresa petrolífera YPF, privatizada para o capital espanhol, esquentou o clima entre Argentina e Espanha. Neste domingo, o jornal Página/12 publica um ensaio sobre o tema na forma de perguntas e respostas. Uma das questões centrais é: a Argentina deveria considerar o petróleo e o gás como recursos estratégicos, de interesse nacional, ou como commodities de livre disponibilidade de quem os extrai?

Buenos Aires- Enquanto se aguarda uma definição do Governo, um enfoque diferente da abordagem que costumam difundir os ex-secretários de Energia que privatizaram o setor indica as razões pelas quais é válido o atual debate. Uma retomada ao assunto em seis questões.

- Por que a Argentina deveria considerar o petróleo e o gás como recursos estratégicos, de interesse nacional e não como commodities de livre disponibilidade de quem os extrai? Não é mais atrativa esta última alternativa para os investidores estrangeiros?

O comportamento observado pelas empresas privadas energéticas no país, a partir da desregulamentação e privatização dos hidrocarbonetos, tem sido privilegiar a maximização de lucros no curto prazo e a remessa dos lucros ao exterior. Estes conceitos são contraditórios com a necessidade do país de contar com disponibilidade e produção de energia suficiente para garantir o desenvolvimento do aparato produtivo, a um custo que assegure as vantagens competitivas, no mercado interno e no exterior, dos produtos elaborados no país. O cumprimento destes objetivos nacionais demanda um planejamento de longo prazo que considere a exploração racional de recursos, a busca de novas fontes de energia e assegure a disponibilidade no futuro. Daí que, segundo os especialistas consultados, seja imprescindível a consideração dos hidrocarbonetos como recurso estratégico de interesse nacional e não um bem livre de mercado.

- Isto implica excluir a empresa privada da atividade de extração de hidrocarbonetos?

Não. Embora em obediência ao critério anterior de dar prioridade aos objetivos nacionais em matéria energética, as empresas privadas que participem na atividade deveriam ficar alinhadas às diretrizes estabelecidas pelo planejamento estatal para chegar àqueles objetivos. Isto pode significar a obrigação de associar-se ao Estado em cada exploração, com a possibilidade de que a operação técnica fique em mãos privadas, mas com controle da exploração e do destino do recurso em mãos do Estado. Este é o modelo que se aplica, por exemplo, na Venezuela (Pdvsa) e no Brasil (Petrobras).

- Por que a YPF deveria voltar ao Estado?

Porque desde que o Estado perdeu o controle da empresa deixou de cumprir com todos os objetivos estratégicos mencionados. Desde sua criação (1922) até que começou o processo de desregulamentação e privatização (1992), a YPF expandiu a produção e a oferta de energia em todas suas formas, brindou energia abundante e barata, desenvolveu um aparato produtivo industrial e tecnológico de grande importância a nível regional e foi a responsável por descobrir e desenvolver praticamente todas as áreas petrolíferas hoje em produção. Atuava como empresa testemunha em todas as etapas da produção e coordenava, junto às empresas estatais de geração e distribuição elétrica, e distribuição de gás, o conjunto de recursos energéticos para assegurar preços e abastecimento.

Em matéria de combustíveis, regulava a compra de quotas de produção destinadas a cada refinaria através de uma “mesa de cru” que garantia, também neste caso, preços e abastecimento em cada etapa. Se bem que boa parte destas tarefas poderia ser dirigida para outros organismos, levando em conta que os hidrocarbonetos satisfazem quase 90% das necessidades energéticas da economia nacional e a YPF é o principal operador integrado do setor (34% da extração de petróleo e 23% da do gás natural, em dezembro de 2011; 51,7% da capacidade instalada de refinação de cru e 55,2 da oferta de combustíveis líquidos de produção nacional), para muitos especialistas é uma ferramenta imprescindível para cumprir os objetivos de política nacional expressados acima.

- Frente a tantos vaivéns na Bolsa desde janeiro até agora, qual é o preço que deveria ser negociada uma eventual compra da YPF?

O preço em bolsa da YPF é uma equação com um altíssimo componente especulativo. A parte do capital que se opera ou “flutua” no mercado é minoritária e muito pouco representativa do valor da empresa. A Repsol detém 57,5% e o Grupo Petersen 25,5% (família Eskenazi), com o qual o capital “flutuante” é de cerca de 17%. Desta porção, só uma parte ínfima se oferece diariamente no mercado, porque a maioria desses 17% está em mãos de investidores particulares ou institucionais (fundos bancários, carteiras de correntistas) de pouca mobilidade, ou seja, que não são comprados e vendidos diariamente.

YPF é um papel dos denominados de “baixa liquidez”, regularmente de poucas operações. Entretanto, diante da disputa com o Governo e a onda de rumores, a ação adquiriu um alto voo especulativo diário, com operações nem sempre transparentes e movimentos carentes de lógica. Rumores de “intervenção” ou “expropriação” provocaram, por exemplo, fortes baixas (29 de fevereiro, 15%) ou fortes altas (última quinta-feira, 7,4%) em dias diferentes e diante de previsões similares (com respectivos anúncios que se supunha a presidenta da Nação iria fazer nas próximas horas). O “preço de mercado”, nestas condições, passou de 16 bilhões de dólares no ano passado a menos de nove bilhões nesta semana, mas os acontecimentos destes dias voltam a demonstrar que ambas as pontas podem representar uma ficção manejada por especuladores que tiram proveito do desconcerto, tanto quando sobem as ações, como quando elas caem.

- Então, qual é o valor de referência que deveria ser usado para a YPF?

De acordo com o estado contábil da empresa em 31 de dezembro de 2011, o patrimônio líquido (ativos totais menos passivos totais) é de 18,375 bilhões de pesos. A cotação atual (4,40 pesos por dólar) equivaleria a 4,176 bilhões de dólares. Sobre essa base, uma negociação entre o governo nacional e os acionistas principais (neste caso, a Repsol e o Grupo Petersen) deveria levar em conta os passivos ambientais, não contabilizados (danos ao meio-ambiente em zonas de produção ou transporte) e descumprimentos que a empresa possa haver incorrido e possam ser considerados, em consequência, como “passivos contingentes” (reclamáveis pela parte afetada).

- A YPF não implica um custo duplo para o Estado uma vez que, ao pagamento das ações devem-se somar os investimentos necessários que a empresa não fez em mãos privadas? Não seria mais conveniente criar uma nova empresa e começar do zero?

A resposta que os analistas dão em ambos os casos é que não. Com a YPF se parte de uma situação de posição dominante real, porque tem instalações e capacidade produtiva e de distribuição em toda a cadeia, desde o poço (equipes de perfuração e outros serviços) até a rede de postos de gasolina, passando pelas refinarias, oleodutos e frota de transporte, embora não se leve em conta as reservas, que são de propriedade pública. Começar de zero suporia fazer todo esse enorme investimento. Por outro lado, ajustar os números a partir do “valor de livros” e não em respeito de um fictício valor de mercado, implica deixar margem para os investimentos mais urgentes. Além disso, a existência de uma empresa estatal suporia a possibilidade de associar-se com outras firmas privadas, o que atrairia capitais privados que hoje não acedem pela posição dominante da YPF privada na área.

Quem sustenta que um esquema de empresa estatal forte e um programa energético nacional de longo prazo seriam mais atrativos para o capital privado produtivo que o esquema atual (que atrai fundamentalmente capitais financeiros especulativos ao mercado petrolífero), aporta o seguinte dado como argumento: durante o período de 2004 à 2011, as obras em infraestrutura energética concluídas consumiram um investimento de 73,54 bilhões de pesos, geridas pelo Ministério de Planejamento. Desses, 74% corresponderam a investimentos públicos, o resto foi misto ou privado.

Atualmente se encontram em execução obras no mesmo ramo que representam investimentos de 52,36 bilhões de pesos, majoritariamente com aportes públicos. Estas cifras evidenciariam que o Estado tem a capacidade de levar adiante e gerir os investimentos necessários no upstream (prospecção e exploração) e no downstream (refinação e comercialização) para pôr em marcha de imediato o processo de recuperação e dinamização do setor.

Informes e estatísticas: Centro Latino Americano de Investigações Científicas e Técnicas (Clicet). Diretor: Ricardo De Dicco.

Tradução: Libório Junior

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webster franklin

Da Carta Maior

Pesquisas seguem apontando vitória de socialista na França

 

Faltando apenas uma semana para o primeiro turno das eleições presidenciais francesas os dois principais candidatos mediram suas forças e sua capacidade de mobilização em duas gigantescas concentrações em Paris. As pesquisas parecem ter congelado em um mesmo marcador: a vitória de François Hollande. No sábado passado, os ponteiros das pesquisas voltaram a colocar Hollande acima de Sarkozy no primeiro turno e ampliaram a margem de vitória do socialista no segundo turno, em 6 de maio.

Paris - A confrontação eleitoral ocupou as ruas. Faltando apenas uma semana para o primeiro turno das eleições presidenciais francesas os dois principais candidatos mediram suas forças e sua capacidade de mobilização em duas gigantescas concentrações ao final das quais não há um ganhador, mas sim um imitador, o presidente candidato Nicolas Sarkozy. O chefe de Estado convocou seus partidários à Place de la Concorde depois que seu rival socialista François Hollande chamou os seus apoiadores para se concentrar em Vincennes. Sarkozy copiou o dia, a hora e até usou o truque de adiantar a hora oficial de seu discurso para ganhar de François Hollande. Estes truques revelam as dúvidas e as preocupações que atingem o campo conservador.

As pesquisas parecem ter congelado em um mesmo marcador: a vitória de François Hollande. No sábado passado, os ponteiros das pesquisas voltaram a colocar Hollande acima de Sarkozy no primeiro turno e ampliaram a margem de vitória do socialista no segundo turno marcado para o próximo 6 de maio. A confrontação filosófica é apaixonante: um candidato presidente que se apresenta como o salvador de uma “civilização” em perigo, que agita todos os espantalhos do medo, o medo do vermelho, dos estrangeiros, dos mercados; o outro, o socialista, que fez da raiva contra as injustiças concentradas nesta década de governos de direita o seu fio condutor, que fala de concórdia, que desarticula o medo com sua postura ponderada, com sua lentidão calculada. A oposição é total, até no silêncio. Nicolas Sarkozy funciona como uma sinfonia extravagante. François Hollande como uma delicada sonata.

Sarkozy na Place de la Concorde e Hollande em Vincennes, ambos promoveram uma concentração de aproximadamente cem mil pessoas. O objetivo dos dois comícios era distinto: para Sarkozy, tratava-se de mobilizar suas tropas e de oferecer uma demonstração de forças, enquanto que o candidato socialista buscava protagonizar um “momento festivo” para deixar claro que, digam o que digam as pesquisas, a disputa “não está ganha”. Os dois candidatos lutam no sentido contrário: Hollande adverte para que ninguém se iluda em acreditar que as pesquisas de opinião já garantiram a vitória, e Sarkozy para animar seu eleitorado diante dos prognósticos negativos das pesquisas.

Nicolas Sarkozy, com seu estilo autoritário e nervoso, dirigiu-se à “maioria silenciosa” dizendo: “povo da França, não tenham medo, eles não ganharão se vocês decidirem que vocês querem ganhar”. O discurso de Sarkozy foi tão confuso quanto sua campanha. Uma grande mistura em um ritmo tão trepidante e enredado que, por momentos, não se sabia se quem estava falando era um liberal, um social democrata, um político da extrema direita, um centrista ou um tecnocrata de Bruxelas. Sarkozy pediu emprestado a cada um desses setores um pouco de seus conteúdos. O presidente candidato permitiu-se até o luxo de roubar referências culturais do candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon.

Como um boxeador que luta contra vários espectros no ringue, Sarkozy acusou seus adversários de “dilapidar a herança da França eterna”, defendeu a urgência de controlar as fronteiras para frear a imigração, questionou a validade do livre comércio, atacou o Banco Central Europeu (BCE) e pediu ajuda para ganhar. Tudo num só programa! Os papeis se inverteram nesta campanha. Nicolas Sarkozy tirou o traje de presidente para ser candidato e deixar esquecido o balanço de sua gestão. Ao mesmo tempo, o candidato socialista adotou uma postura quase de chefe de Estado em exercício, sereno, sempre flutuando nas alturas.

No comício de Vincennes, François Hollande colocou o acento nas “falsas evidências das pesquisas “ e na “euforia”. O candidato da rosa socialista evocou essa “esperança calma, firme, lúcida” que se sente crescer no país. “Não tenham medo. Eles estão dispostos a tudo, mas nós estamos prontos para presidir a França”, disse Hollande á multidão. Respondendo diretamente à estratégia que a direita usou durante a semana com o discurso do medo e do caos que invadiriam a França em caso de vitória socialista,
Hollande declarou: “Eles dizem que depois virá o caos. Não. Depois deles virá a mudança”. Logo em seguida, o candidato socialista desqualificou a ideia segundo a qual existe uma maioria sem voz, a qual se dirigiu Sarkozy na Place de la Concorde: “não há uma minoria ruidosa e uma maioria calada”, rebateu.

O combate frontal entre Sarkozy e Hollande restaurou na França a esquecida e insuperável oposição entre a esquerda e a direita. Esse antagonismo reencarnado nestas eleições presidenciais deixou muito para trás os demais candidatos. Só a extrema-direita da Frente Nacional e a esquerda radical de Jean Luc Mélenchon tem um espaço de escuta consequente no eleitorado. É paradoxal que Nicolas Sarkozy tenha repetido em seu comício o esquema que seus próprios aliados e conselheiros questionam.

A imprensa francesa registrou esta semana da profunda incerteza que se apoderou do campo conservador. Não sabem se é o caso de guinar para a direita, de viajar mais uma vez pelos territórios da extrema-direita ou de dar uma volta para o centro. “Nossas ideias não estão colando”, reconheceu, sob anonimato, um conselheiro de Sarkozy citado pelo Le Monde. O comício do presidente candidato foi uma síntese dessa dúvida: um pouco de cada coisa, um giro do timão para a direita, outro para o centro, uma passagem pela socialdemocracia e assim por diante. O barco liberal-conservador navega para as urnas com um timão sem rumo e sem uma mensagem precisa.

Tradução: Katarina Peixoto

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webster franklin

do Opera Mundi

 

Esquerda espanhola defende construção de Terceira RepúblicaDeputado da IU (Esquerda Unida) afirmou que não se deve olhar o passado com nostalgia    

 

O líder da coalizão espanhola IU (Esquerda Unida, em sua sigla em espanhol), Cayo Lara, afirmou neste sábado (14/04) o compromisso dessa força com a construção da III República, com o objetivo de conseguir um Estado plenamente democrático.

Lara fez as declarações no madrilenho bairro de Vallecas, antes de participar de um almoço e atividade popular na ocasião do 81º aniversário da proclamação da II República.

O também deputado da IU afirmou que não se deve olhar o passado com nostalgia, de forma a mirar o futuro para conseguir a III República em um dia não muito longínquo. Assim, segundo ele, seria possível permitir que o poder do povo oriente as leis na Espanha, no lugar dos interesses dos mercados financeiros.

Na sua opinião, a monarquia neste país europeu está sangrando pouco a pouco pelas consequências de seus próprios atos.

Indicou que enquanto o chefe de Estado - cargo ostentado pelo rei Juan Carlos - não for eleito diretamente pelos cidadãos em eleições livres, não existirá uma nação plenamente democrática.

O coordenador federal da terceira força política do país recordou que os dois partidos majoritários, o Popular e o Socialista Operário Espanhol, nunca estiveram empenhados na tarefa de construir um Estado republicano.

Ressaltou que a IU continuará trabalhando nesse propósito, porque cada vez mais pessoas aspiram por uma República na Espanha.

Lara denunciou que nenhum governo teve a decência de atuar em nome do Estado para restituir a verdade, a justiça e o reparo das vítimas da Guerra Civil (1936-1939) e da ditadura do general Francisco Franco (1939-1975).

Lara disse que confia que em algum dia alguma administração aprove esta matéria pendente, e tome a decisão de buscar e encontrar todos os assassinados enterrados nas diferentes fossas de todo o país para que possam ser sepultados em paz.

Em um manifesto para reivindicar a efeméride, a IU destacou que por sua orientação e realizações, a II República significou para amplos setores sociais mais direitos e mais democracia.

No entanto, esse projeto de país mal esboçado foi truncado pelo golpe militar-fascista de 1936, relembrou. Os 40 anos de ditadura que lhe seguiram desmantelaram essa obra e blindaram no poder uma coalizão de militares, banqueiros e membros da hierarquia eclesiástica, acrescentou o manifesto.

A coalizão de esquerda defendeu um novo projeto de país que ponha no centro de sua política e sua economia a participação ativa e o bem-estar social da maioria, a democracia participativa e os direitos sociais. 

 

da Rede Brasil Atual

 

Itália prepara medidas de estímulo à economia

Ministro da Indústria, Corrado Passera, afirma que recessão, aumentos de impostos e a falta de uma resposta contra a crise da dívida atingem todas as famílias ao mesmo tempo

Por: Steve Scherer, da Reuters

Publicado em 15/04/2012, 18:47

Última atualização às 18:47

  

Roma - O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, vai tentar obter nesta semana a aprovação de medidas de estímulo ao crescimento da economia e pressionar por sua agenda de reformas, disse hoje (15) o ministro da Indústria, Corrado Passera. O governo de Monti está sob crescente pressão para atender às demandas de seus partidários políticos.

Num momento em que as pesquisas mostram que a popularidade de Monti está abaixo de 50% pela primeira vez desde que assumiu o poder em novembro, ele está tentando revitalizar seu mandato por meio de mais reformas para evitar que a Itália tenha de passar por um default no estilo da Grécia.

"Esta é a hora mais difícil", disse Passera, em entrevista à TV estatal. Segundo o ministro, a recessão, aumentos de impostos para reduzir o déficit público e a falta de uma resposta coordenada contra a crise da dívida estão atingindo todas as famílias ao mesmo tempo.

"Não existe varinha mágica para o crescimento. Não existe uma grande ideia. Temos de consertar tudo."

O governo realizará uma reunião de gabinete amanhã (16), na qual poderá decidir criar um fundo para receber recursos adicionais provenientes do combate à sonegação de impostos e do corte de gastos públicos, e usar o dinheiro para reduzir tributos, segundo informaram jornais locais. A expectativa é que, durante o encontro, o governo reduza sua previsão de crescimento do país neste ano.

Passera confirmou a ideia do fundo durante a entrevista à TV, mas manteve o silêncio sobre se o dinheiro seria usado para reduzir os impostos das famílias, empresas ou mesmo para pagar parte da dívida italiana, estimada em 1,9 trilhão de euros

 

Da Carta Maior

15/04/2012

Dilma passa um sabão no Tio Sam

 

A participação insípida do presidente dos EUA, Barack Obama, na Cúpula das Américas foi a personificação de um divisor histórico: o império nada tem a dizer ou a propor de relevante aos povos latino-americanos. Em crise, patinando entre a tibiez de uma estratégia econômica que se compraz em mitigar a ortodoxia em casa e uma diplomacia bélica que chafurda na areia movediça de conflitos múltiplos e insolúveis, do Oriente Médio à Coréia, passando pelo embargo à Cuba e querelas com a Venezuela, o poderio ianque naturalmente não está derrotado. Mas é visível a sua exaustão. Obama personifica-a como um Tio Sam cansado da guerra.

Ainda que seja o melhor que a política norte-americana tem hoje a oferecer, convenhamos, é parcimonioso. Essa percepção de esgotamento extravazou das intervenções do democrata em Cartagena, na Colômbia. A um mosaico de nações que luta contra um legado secular de pobreza, desigualdade e truculênca nas relações com o Big Brother, e ainda assim desponta como um dos horizontes mais dinâmicos da economia mundial, Obama ofereceu a velha e gasta 'cooperação' do mascate viajante.

Instado a comentar a ascensão da classe média regional e, sobretudo, brasileira, murmurou memorizando as fichas preparadas pelo Departamento de Estado: "Uma classe média próspera e ascendente abre mercado para as nossas empresas. Aparecem novos clientes para comprar ‘Iphones', ‘Ipods, Boeings'..." "Ou Embraer!", atalhou-o a presidenta Dilma Rousseff , num aparte bem-humorado, mas também altivo e ao mesmo tempo revelador da miúda visão política autocentrada do chefe de Estado norte-americano.

A intervenção brasileira foi ovacionada com risos e palmas pelos demais chefes de Estado presentes. Caberia a Dilma, ainda, contrapor ao caquético catecismo da subordinação comercial o ponto de vista estratégico de uma América Latina cada vez mais encorajada a buscar seu próprio caminho e, mais que isso, definitivamente convencida de que esse caminho de soberania e desenvolvimento não cabe no acostamento estreito destinado historicamente à região pela Casa Branca. Em um improviso mais de uma vez aplaudido, ela despertou o orgulho latino-americano diante de um Obama entre sonolento, ausente e blasé.

Disse-o com assertiva altivez a Presidenta de todos os brasileiros e, agora também, uma referência aos latino-americanos que já haviam sido cativados por Lula: "As relações assimétricas foram muito negativas para o nosso Continente. Nos últimos 20 anos, tivemos recessão, desemprego e ausência de perspectivas de crescimento. O relacionamento virtuoso é aquele que respeita a soberania dos países e enxerga o crescimento recíproco como essencial. Todos aqui nessa mesa fomos países coloniais, inclusive os Estados Unidos, que pegou em armas para defender sua independência. Todos sabemos que não há diálogo entre desiguais", concluiu Dilma fechando um ciclo da cúpula das Américas.

Ou melhor, anunciando o novo capítulo da luta pelo desenvolvimento continental.

Postado por Saul Leblon às 18:05

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=953

 

webster franklin

Acho os Estados Unidos um país importante demais para que os países sul-americanos subordinem suas relações à elite de Washington. Vamos dialogar diretamente com as instituições e os movimentos sociais dessa grande nação, reforçando os laços econômicos e políticos com a "outra América". Além de nos beneficiarmos com relações realmente isonômicas, aumentando as relações comerciais, cientificas e outras, poderemos contribuir para a regeneração política, para a saída do beco de saída ideológico, político e moral em que os EUA se meteram...

Tanto a viagem de Dilma quanto o fiasco da Conferência de Cartagena podem se transformar em grandes viradas histórias nas relações inter-americanas.

 

Joaquim Aragão

da Caros Amigos

 

Eleonora Menicucci fala a Caros Amigos da luta das mulheres

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Ministra aborda temas como o aborto e igualdade de gênero

Por Gabriela Moncau
Caros Amigos

Eleonora-Minicucci-iAssim que foi convocada pela presidente Dilma Rousseff a assumir o cargo de ministra da Secretaria Especial de Política para Mulheres (SPM), há dois meses, a socióloga Eleonora Menicucci, professora titular em saúde coletiva da Unifesp, ganhou as manchetes dos jornais por já ter dado declarações públicas favoráveis à legalização do aborto, prática que pessoalmente já recorreu duas vezes. Logo na primeira coletiva que concedeu, no entanto, deixou claro que suas opiniões pessoais não mais deveriam ser levadas em conta: “Hoje eu sou governo e a matéria da legalização do aborto não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo”. Em entrevista exclusiva a Caros Amigos, a ministra manteve a abstenção.

Estima-se que são feitos por ano 46 milhões de abortos em todo o mundo, dos quais 19 milhões de forma insegura. A interrupção da gravidez sem segurança é a quarta causa de morte materna no Brasil. Os dados são do relatório “Morte e negação: abortamento inseguro e pobreza”, divulgado em 2007 pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF), que indica ainda que na América Latina foram registrados 17% dos abortos clandestinos, ficando atrás só da África, com 58%. No Brasil, os números indicam maior gravidade na região Nordeste, onde a taxa de mortalidade é de 2,73 a cada 100 mulheres. O que fará o governo diante desse quadro? “A SPM trata a interrupção da gravidez nos casos previstos em Lei”, limitou-se a dizer a ministra. Quanto à possibilidade de a Secretaria fazer a disputa por avanços nesse campo dentro do governo, ao menos publicamente as perspectivas são poucas: “O caminho é longo, mas sabemos que é um avanço enorme o comprometimento do governo brasileiro com a autonomia das mulheres.”

Mais:

Caros Amigos lança edição especial A Era da Mulher 

A opinião da SPM a respeito da Medida Provisória 557, publicada em dezembro do ano passado e duramente criticada pelas feministas por ter introduzido, dentro da explicação sobre o funcionamento de um sistema nacional de cadastro e acompanhamento da gestante, o conceito de nascituro para referir-se ao embrião foi também abordada na entrevista. Na época, a então ministra da SPM Iriny Lopes afirmou que não havia sido consultada (leia aqui) ou informada que tal MP estava sendo discutida.

Eleonora Menicucci aponta uma reforma política como urgente para “avançar na divisão de poder e trazer as mulheres para o cenário de poder e tomada de decisões” e destacou, entre as prioridades da SPM, a inclusão da temática de gênero na conferência Rio+20, o enfrentamento da violência às mulheres e o monitoramento do programa Pró-Equidade de Gênero e Raça em empresas e órgãos públicos. “Temos a máxima que trabalho igual tem de ter salário igual”, afirmou, posicionamento relevante lembrando que em março o governo recuou da ideia de sancionar projeto de lei (leia aqui) que puniria com multa empresas que pagarem salários menores às mulheres desempenhando mesmas funções que homens.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Caros Amigos - Você fez parte da elaboração do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Paism). Como vê o atendimento integral à saúde da mulher hoje no Brasil?


Leonora Menicucci - A saúde integral nos traz muitos desafios para a efetivação dos direitos das mulheres, que é ter acesso ao serviço de saúde público e atendimento satisfatório em todas as fases da sua vida. Entendo que as mulheres devem ser vistas nas suas diversas identidades e faixas etárias, para além do ciclo reprodutivo. O PAISM é a política mais avançada de atenção à saúde das mulheres e contempla a universalidade das ações da Rede Cegonha e prevenção do câncer de colo de útero e mamas. Elas fazem parte da integralidade nas diferentes ações e cobrem a gestação, parto, puerpério, climatério, menopausa, prevenção do colo de útero e mama. Tratam também da mortalidade materna, prevenção das DSTs/AIDS, mulher e trabalho, saúde mental e violência doméstica. Temos de direcionar o foco das políticas públicas de saúde para a melhoria da qualidade de vida das mulheres, na juventude, na menopausa, compartilhando as especificidades de mulheres negras, lésbicas, mulheres com deficiência.

CA - Qual a opinião da SPM a respeito da MP 557?

EM - A SPM está trabalhando em conjunto com o Ministério da Saúde para fortalecer as ações da Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher por meio de investimentos na Rede Cegonha, nos atendimentos às mulheres nas fases de climatério e menopausa e prevenção do câncer de colo de útero.

CA - Como vê a implementação da Lei Maria da Penha? Como pretende atuar no combate à violência contra a mulher?

"A Lei Maria da Penha está em vigor desde setembro de 2006. É considerada pela ONU como a melhor legislação desde a Convenção de Belém do Pará"

EM - A Lei Maria da Penha está em vigor desde setembro de 2006. É considerada pela ONU como a melhor legislação desde a Convenção de Belém do Pará. Há pouco mais de um mês, a constitucionalidade da Lei Maria da Penha foi reconhecida pelo STF, inclusive nos casos em que a violência contra a mulher pode ser denunciada por qualquer pessoa ao Ministério Público. Ao mesmo tempo em que a sociedade brasileira não aceita bater em mulher, vemos um crescimento espantoso dos assassinatos de mulheres com requintes de crueldade em diferentes lugares do Brasil. A SPM está trabalhando para fortalecer os equipamentos e serviços para enfrentar, cada vez mais, a violência contra as mulheres e mobilizar diferentes setores da sociedade para acabar com a impunidade. A SPM está redefinindo prioridades e eixos estratégicos do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher com os estados, cuja meta principal é de ampliar os serviços especializados de atendimento à mulher, como juizados especializados, centros de referência, serviços de abrigamento, delegacias especializadas, entre outros. Neste momento, a SPM está com o edital aberto para financiar projetos de governos estaduais e municipais e da sociedade civil para o enfrentamento da violência de gênero em todo o Brasil.

CA - Quais as prioridades que você pretende tocar na Secretaria de Política para as Mulheres?

EM - Uma ação de impacto internacional é a inclusão da dimensão de gênero na conferência Rio +20, pois a autonomia das mulheres está diretamente vinculada a um projeto de sustentabilidade. Essa é uma oportunidade importante para discutir a autonomia das mulheres e o desenvolvimento sustentável, contribuindo para novas referências para a economia, a política, a sociedade e o meio ambiente. Assumimos o compromisso de liderar este processo e estamos certas de que as mulheres brasileiras, do Norte ao Sul do País, têm experiência que podem intercambiar com as mulheres de outras partes do mundo. O enfrentamento permanente da violência de gênero é pauta persistente da SPM, assim como a implementação e o monitoramento do programa Pró-Equidade de Gênero e Raça nas empresas e em órgãos públicos.

CA - A prática do aborto inseguro é a quarta causa de mortalidade materna no Brasil. Como a SPM pretende atuar nessa questão?

EM - A SPM trata a interrupção da gravidez nos casos previstos em Lei. Neste debate, não é possível perder de vista o acesso das mulheres aos direitos de acesso à saúde já garantidos pela legislação.

CA - A SPM pretende emplacar a questão da autonomia sobre o próprio corpo dentro do governo?

EM - A conquista da autonomia das mulheres é um dos objetivos da SPM percorridos por meio das propostas de políticas públicas, previstas pelo II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Quando a autonomia for uma realidade para todas as brasileiras, elas poderão fazer suas escolhas e ser responsáveis pelas suas decisões. O caminho é longo, mas sabemos que é um avanço enorme o comprometimento do governo brasileiro com a autonomia das mulheres.

CA - Quais serão as políticas públicas voltadas para a saúde reprodutiva da mulher?


EM - O marco de ação da SPM é o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que está sendo atualizado com base nas recomendações da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. De modo geral, a Secretaria trabalha para ampliar, qualificar e humanizar a atenção integral à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde, a exemplo do planejamento familiar, redução da mortalidade materna, prevenção das DST/HIV, climatério e menopausa.

CA - Quais as principais dificuldades que julga ter de enfrentar enquanto ministra da Secretaria de Política para as Mulheres?

"Temos a máxima que trabalho igual tem de ter salário igual. Esse é um dos principais núcleos a ser atacado na busca da igualdade de oportunidades e condições"

EM - Não encontrei pessoalmente nenhuma dificuldade. Temos parceria com os diferentes ministérios, a exemplo do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Meio Ambiente, da Pesca e Aquicultura, do Trabalho e Emprego, da Ciência, Tecnologia e Inovação e das Secretarias de Igualdade Racial e de Direitos Humanos, entre outros. Estou concentrada em vencer os desafios, porque entendo que este é um lugar precioso para as mulheres brasileiras. É possível transformar a vida delas e sei que a minha atuação à frente da equipe da SPM e a parceria com as diferentes áreas do governo federal podem contribuir para a melhoria de vida das mulheres brasileiras. Pelos lugares por onde passei em quase dois meses como ministra, vejo que as mulheres estão confiando no meu trabalho e isso me faz seguir com mais força em busca dos direitos de todas as mulheres.

CA - No que diz respeito à desigual divisão sexual do trabalho, quais medidas serão tomadas pela SPM?

EM - Temos a máxima que trabalho igual tem de ter salário igual. Esse é um dos principais núcleos a ser atacado na busca da igualdade de oportunidades e condições, o que somente será realidade com o compartilhamento de responsabilidades do Estado, das empresas e da sociedade. Queremos aumentar a adesão das empresas com o programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, que estabelece iniciativas para o enfrentamento das desigualdades nas empresas, e traçar outras estratégias que mobilizem a sociedade para que as mulheres e os homens compartilhem a excessiva sobrecarga da jornada profissional com as tarefas de cuidados e domésticas – ainda vistas ou destinadas predominantemente às mulheres.

CA - Completados 80 anos da conquista das mulheres ao direito de votar, como você avalia a presença das mulheres nos espaços de poder e tomada de decisões?


EM - A conquista do voto feminino não foi somente uma vitória das mulheres, mas da cidadania brasileira. É um legado das lutas feministas, que abriu caminho na construção da democracia com igualdade de gênero no Brasil. Hoje, temos como desafio avançar na divisão de poder e trazer as mulheres para o cenário de poder e tomada de decisões. Para isso, a reforma política se faz urgente. Somente reverteremos os dados de frágil participação de mulheres nos espaços de poder, se tivermos medidas que alterem a distribuição de poder na sociedade brasileira.

CA - Como vê a situação das mulheres hoje no Brasil e as perspectivas para a luta feminista no próximo período?

EM - É notável o aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho inclusive em funções tradicionalmente masculinas, assim como em escolas e universidades. Mas essa presença ainda não representa igualdade de oportunidades e de condições nem mesmo igualdade salarial e de tratamento. O sexismo e a relação de poder masculino ainda se expressam fortemente por meio da violência e do confinamento das mulheres a determinados espaços do âmbito familiar ou privado. Por tudo isso, o feminismo é atual e se ressignifica quando pensamos que a ascensão das mulheres vem junto com novos estereótipos, em que elas não são sujeitos de direitos e sim objetos.

 

Da Carta Maior

A luta contra a corrupção deve ser da esquerda

 

A agenda da corrupção no Brasil, pautada de forma intensa pela grande mídia, após a eleição de Lula - uma agenda secundarizada enquanto ocorriam as privatizações e a integração subordinada do Brasil na globalização- é uma agenda importante. Embora tenha sido instrumentalizada, ela não só deve ser acolhida, mas estimulada pela esquerda, para disputar com a direita e a própria grande mídia o sentido a ser dado à luta pela reforma do Estado. O artigo é de Tarso Genro.

Neste artigo, quando me referir à "grande mídia", estou me reportando à direção que é hegemônica nas editorias dos principais canais de TV, nos jornais de grande circulação do país e à maioria dos colunistas econômicos e políticos destes órgãos de imprensa, que defendem -por convicção pessoal ou por contrato profissional- os valores econômicos, políticos e morais, do projeto neoliberal.

Entendo este projeto como uma forma específica de desenvolvimento capitalista, pós-keinesiano, que baseia os seus controles em poderes localizados fora da estrutura estatal, com independência dos Bancos Centrais, que passam a ser super-organismos pautados pelas agências privadas de risco, pelos bancos e, predominantemente, pelo capital especulativo. O modelo baseia-se na desregulação aparente da economia financeira global, mas numa regulação concreta, pela esfera privada de caráter financeiro, que assim precisa reduzir as funções públicas do Estado. É um projeto que ainda demonstra ser hegemônico, mundialmente, através da força econômica e política dos governos de países que estão no núcleo orgânico do capitalismo global.

Não me refiro aqui, em termos morais ou profissionais, a qualquer jornalista em particular da grande imprensa. Conheço, dentro desta mídia, profissionais sérios e honrados, que trabalham com cuidado para não serem envolvidos nesta ação manipulatória das suas editorias, por convicção política ou por ética profissional. Conheço também, obviamente, os que são totalmente partidarizados, odeiam a esquerda em geral e qualquer "plebeização" da democracia, em particular. São os que estão imbuídos, ainda, de um profundo recalque, porque o PT "não terminou no mensalão", como gostariam, e porque Lula, afinal, foi um grande Presidente. Estes é que vão a campo, com força e arrogância, para cumprir as tarefas das suas editorias da grande mídia.

Dito isso passo ao tema do artigo. A agenda da corrupção no Brasil, pautada de forma intensa pela grande mídia, após a eleição de Lula -uma agenda que sempre foi secundarizada enquanto ocorriam as privatizações selvagens e a integração subordinada do Brasil na globalização- é uma agenda importante. Embora ela tenha sido instrumentalizada, neste período histórico, ela não só deve ser acolhida, mas estimulada pela esquerda, para disputar com a direita e a própria grande mídia o sentido a ser dado à luta pela reforma do Estado.

O fato de ter ocorrido envolvimento de quadros, militantes ou dirigentes da esquerda, em fatos que possam ser comprovados na Justiça como caracterizadores de corrupção, não deve ser motivo de constrangimento. Ninguém é puro. Não existem partidos puros, instituições de Estado puras ou -até mesmo- como sabemos, religiões puras. A própria depuração moral, que pode decorrer do combate à corrupção, interessa à esquerda, em particular, e aos democratas republicanos, em geral. O problema é como conduzir esta luta sem cair na armadilha udenista de direita, que ela encerra, preparada pela grande mídia, sempre de mão dadas com o esquerdismo udenista dos pequenos partidos que se avocam como "puros" de esquerda e que, frequentemente, são solicitamente promovidos pela grande imprensa à condição de paladinos da moralidade.

Para a direita neoliberal, que se conecta com a "grande mídia" nestes momentos, trata-se de tirar da agenda do país o fracasso do neoliberalismo em escala mundial, que já estava evidenciado, nacionalmente, a partir do fim dos governos FHC, e assim mostrar que as coisas "não funcionam", porque o Estado é corrupto e a corrupção é que impede as coisas de "darem certo".

Não é gratuita a publicação permanente de cifras bilionárias astronômicas, totalmente inventadas, a respeito dos prejuízos que a corrupção causa a todos os países e a demonstração permanente que os "serviços públicos" e os seus agentes políticos são responsáveis por esta degradação. Omitem, sempre, que a corrupção sobre o Estado é organizada diretamente por agentes privados, por empresas privadas, que se vinculam a funcionários e políticos corruptos , estes financiados pelas empresas corruptoras, com o propósito de mais tarde servi-las. Não se trata de mero financiamento de campanha, transparente e legal, mas financiamento intencional e preparatório que, como sabemos, pode atingir todos os partidos.

Os escândalos das empresas privadas globais e os seus custos financeiros e sociais, estes sim gigantescos e permanentemente pagos por toda a sociedade, jamais são tratados de maneira crítica. Enron, os bancos do "sub-prime", os bancos globais que quebram países (com seus executivos e acionistas permanecendo cada vez mais ricos), a mancomunação de grandes grupos econômico-financeiros, que compartilham saques de territórios inteiros, inclusive através de ocupações militares diretas- são sempre equívocos secundários e nada disso interessa seriamente, nem é o predominantemente prejudicial: a culpa dos nossos problemas é da corrupção nas instituições públicas. Mais particularmente do Estado, onde sempre nasce, cresce e se desenvolve a corrupção, como se ela não fosse um elemento genético de acumulação do capital, em todos os seus períodos históricos de crescimento e expansão.

Os partidos de esquerda, que queiram efetivamente mudar a sociedade para melhor, não podem deixar de sustentar, em que pese o reconhecimento de que a corrupção é inextinguível (mas pode ser muito reduzida), que é necessário -política e moralmente- travar uma luta sem tréguas contra a corrupção. É preciso antecipar-se às agendas da mídia sobre o tema, investigando em profundidade quaisquer suspeitas de corrupção que atinjam os bens públicos -venham de onde vierem- expondo abertamente à sociedade todas as mazelas que encontrarmos e, ainda, organizando nos executivos que detemos, mecanismos de transparência e controle capazes de mostrar a diferença.

Se não se aceitam as razões morais e políticas que recomendam este comportamento que, pelo menos, se aceitem as razões pragmáticas: os erros da esquerda sempre serão expostos -sejam eles irregularidades ou crimes- de maneira total e superlativa pela mídia; os erros ou crimes da direita neoliberal, sempre serão relativizados ou escondidos, numa selva de informações manipuladas. Por quais motivos? Por razões políticas, ideológicas e programáticas: o projeto de nação dissolvida na globalização financeira, que a grande mídia defende, é o projeto da direita neoliberal. Não, obviamente, o nosso, de democracia plebéia, de combate frontal às desigualdades sociais, de inserção soberana na nova ordem mundial, que é incompatível com o modelo de crescimento pós-keinesiano, em vigor. No esforço de golpismo político, que eles encetaram para inviabilizar o projeto representado pelos dois governos do Presidente Lula, está a comprovação clara desta política.

O tratamento genial, que a mídia vem dando ao caso do senador Demóstenes Torres, cujas investigações começaram, ainda, quando eu respondia pelo Ministério da Justiça, é elucidativo. Não adianto,aqui, a minha opinião sobre se houve, ou não, conduta criminosa do referido senador, mas pode-se constatar que, num repente, a grande mídia percebeu que tinha ido longe demais contra quem representava toda a identidade moral do "anti-lulismo" na oposição demo-tucana. Aí ela deu um giro brilhante: Demóstenes passou a ser secundário e o governo do PT, em Brasília, passou a ser o principal; ou, pelo menos, um equivalente. Abriu-se, assim, uma clareira midiática para confortar a crise de "autenticidade" moral da honesta e altruísta oposição brasileira, para que os comentaristas políticos da grande mídia respirassem novamente aliviados. Novamente poderiam alvejar o PT e a esquerda, após os esforços heróicos que fizeram na caluniosa campanha contra o ex-ministro dos Esportes do PC do B, Orlando Silva. Afinal, o que passou a ser restaurado, a partir dali, foi a memória do PT no passado "mensalão", não a atualidade demo-tucana de um provável esquema de corrupção de caráter nacional.

Com este movimento, a grande mídia prosseguiu vitoriosa na sua regra de desmoralização da esfera da política como um todo, deixando a corrupção como exceção, no campo demo-tucano, mas mantendo a pauta da corrupção como a pauta principal da disputa política nacional. Ora, a pauta da corrupção é, sim, uma pauta estrutural da construção democrática do país e vai ser vencida, para chegar a patamares de redução razoáveis -a médio e longo prazo- se a pauta principal do debate político, hoje, forem as reformas que criarem as condições para que ela possa ser atacada de forma estrutural.

Falo da reforma política para fortalecer os partidos, da votação em lista para reduzir drasticamente o clientelismo, do financiamento público das campanhas para desvincular, legalmente, os partidos das empresas (cujo vínculo de financiamento, por si só, será criminoso depois desta reforma). Falo da necessidade da verticalização das alianças, que tornará os partidos organismos nacionais e não um somatório de interesses regionais menores. Falo, ainda, da necessidade de reduzir o número de partidos artificiais e vendedores de tempo de TV, da expansão dos Laboratórios Para Controle da Lavagem de Dinheiro e da necessidade de votar, rapidamente, o PL que criminaliza as empresas corruptoras (que já tramita há alguns anos no Congresso). Falo de simoplificar regras que obriguem o Supremo a processar e julgar processos criminais, que ali tramitam há muitos anos, contra figuras da república: como está, os inocentes permanecem em suspeição e os que são criminosos permanecem impunes.

Para não aceitar esta empulhação política que ilude a cidadania, a saber, que a pauta política principal do país deve ser as denúncias e as defesas, relacionadas com acusações de corrupção, a esquerda pensante deveria propor uma pauta estrutural de reformas para, de fato, combatê-la. Os partidos de esquerda poderiam começar se unificando para retomar os "Onze Pontos da Coalizão", formulados em 2007 , atualizá-los e chamar, publicamente, tanto os partidos aliados do governo como setores honrados da oposição, com o objetivo de extrair dali, uma agenda acordada de votações no Congresso. Votações em torno destes temas fundamentais para a construção democrática do país, a começar pela própria reforma política e substituir, assim, a tutela que a mídia faz, privadamente, da agenda política, pela tutela republicana dos partidos sobre a agenda mídia.

Caso isso não ocorra, à médio prazo o eleitorado de esquerda e progressista do país -que elegeu o novo modelo de desenvolvimento econômico, democrático e inclusivo, dos governos Lula- vai começar a se perguntar se a esquerda é mesmo necessária ou, o que é pior: se ela faz realmente alguma diferença para a construção de um Brasil soberano e verdadeiramente republicano.

(*) Governador do Estado do Rio Grande do Sul.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19962

 

webster franklin

da Rede Brasil Atual

 

Sem consenso sobre Cuba e Malvinas, Cúpula das Américas fica sem declaração final

Forte oposição de países da América Latina contra as sanções impostas a Cuba elevou o nível de pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

Por: Andrew Cawthorne e Luis Jaime Acosta, da Reuters

Publicado em 15/04/2012, 17:45

Última atualização às 19:19

  

Cartagena - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou hoje (15) domingo que não haverá declaração final na Cúpula das Américas, realizada neste fim de semana, em Cartagena, na Colômbia, por falta de consenso sobre Cuba e apoio à Argentina sobre a questão das Malvinas. "Não há declaração porque não há consenso", disse Santos.

A presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar o regresso para Brasília e, em comum acordo com o presidente colombiano, cancelou a reunião bilateral que ambos teriam após a cúpula. A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, cancelou a participação pela falta de diálogo sobre as Malvinas.

A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou oficialmente que o retorno antecipado de Dilma deve-se a uma decisão da presidenta de chegar mais cedo em Brasília e evitar cansaço extra, sem haver relação com a falta de consenso sobre Cuba.

A forte oposição de países da América Latina contra as sanções impostas a Cuba elevou o nível de pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Além de colocar em xeque a declaração final do encontro, os países ameaçam reduzir a influência dos EUA na região.

O ambiente da cúpula de Cartagena contrastou com o evento de 2009, em Trinidad e Tobago, quando Obama, lobo após ter sido eleito, foi recebido como uma estrela de rock.

Dessa vez, o presidente norte-americano passou maus momentos nos dois dias do encontro na Colômbia, do qual participaram mais de 30 chefes de Estado.

 

Dezesseis integrantes da segurança pessoal da delegação dos EUA foram pegos em um embaraçoso escândalo de prostituição, o Brasil e outros países criticaram duramente o expansionismo monetário adotado pelos EUA. Enquanto Obama ficou na defensiva diante das demandas pela legalização de drogas.

A saga da prostituição foi um duro golpe para o prestígio dos guarda-costas do serviço secreto norte-americano e acabou se tornando o inesperado assunto do evento, realizado na cidade histórica de Cartagena. "Pessoas responsáveis por fazer a segurança do presidente mais importante do mundo não podem cometer o erro de se envolver com uma prostituta", afirmou o guia turístico de Cartagena, Rodolfo Galvis, 60.

Onze agentes foram enviados de volta aos EUA e cinco militares foram afastados de suas funções depois de tentarem levar pelo menos uma prostituta para o hotel onde estavam hospedados, um dia antes da chegada de Obama.

Um policial local disse à Reuters que o caso atingiu o ápice quando funcionários do hotel tentaram registrar a prostituta na recepção, mas agentes recusaram e mostraram seus documentos de identidade.

"Alguém encarregado de cuidar da segurança do homem mais importante do presidente do mundo não pode cometer o erro de se envolver com uma prostituta", disse o guia turístico Rodolfo Galvis, 60 anos, de Cartagena. "Isso prejudicou a imagem do Serviço Secreto (dos EUA), não a Colômbia."

Velha disputa Pela primeira vez, nações aliadas dos EUA, como a Colômbia, reforçaram a demanda de que Cuba esteja presente na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Diplomatas disseram que a disputa poderia emperrar a declaração final planejada para este domingo no encerramento da cúpula. O texto a ser divulgado foi pensado com objetivo de demonstrar unidade no hemisfério.

"O isolamento, o embargo, a indiferença, olhar para o outro lado, vêm sendo ineficazes", disse o anfitrião do evento, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, sobre a questão cubana.

A Colômbia é um importante aliado dos EUA na região e conta com a ajuda militar e financeira norte-americana para o combate a guerrilhas e ao narcotráfico. Santos vem se manifestando sobre Cuba, apesar de suas fortes diferenças ideológicas com o governo cubano.

Cuba foi excluída da OEA anos depois da Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, em 1959, e não toma parte das cúpulas americanas por causa da oposição dos Estados Unidos e do Canadá.

"Todos os países na América Latina e no Caribe apoiam Cuba e Argentina, embora dois países se recusem a discutir isso", afirmou o presidente boliviano, Evo Morales, que se referiu assim ao amplo apoio à reivindicação de soberania Argentina sobre as ilhas Malvinas, controladas pela Grã-Bretanha.

"Como é possível que Cuba não esteja presente na Cúpula das Américas?!", indagou Morales. "De que tipo de integração estamos falando se excluímos Cuba?"!

Boicote 

O presidente do Equador, Rafael Correa, boicotou o evento por causa da questão cubana. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também não participou da cúpula.

Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e algumas nações caribenhas afirmaram que não participarão de outras cúpulas se Cuba for excluída.

Obama não falou sobre Cuba durante o evento na Colômbia. Mas queixou-se de questões da Guerra Fria, algumas anteriores a seu nascimento, prejudicarem as perspectivas de integração regional.

O Brasil, potência econômica regional, liderou as críticas contra a política de expansão monetária posta em prática pelos EUA e outras nações ricas, a qual está enviando uma enxurrada de dinheiro para as nações em desenvolvimento, forçando a alta das moedas locais e prejudicando sua competitividade.

"É muito preocupante (...) a forma pela qual esses países mais desenvolvidos, especialmente no último um ano e meio, a zona do euro, tem reagido à crise através, sobretudo, da expansão monetária provocando um verdadeiro tsunami monetário", disse a presidente Dilma Rousseff ao lado de Obama, ontem (14).

 

Do Blog Vi O Mundo

 

Investigar Cachoeira, uma ameaça à liberdade de expressão

por Luiz Carlos Azenha

Por dever de ofício, li o texto de capa de revista que tenta provar que investigar os crimes do Carlinhos Cachoeira, no Congresso, é um atentado à liberdade de expressão.

O que chamou minha atenção foi a frase abaixo, que interpretei como defesa do uso de fontes-bandidas:

Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é básico. Disso sabem os promotores que, valendo-se do mecanismo da delação premiada, obtêm informações valiosas de um criminoso, oferecendo-lhe em troca recompensas como o abrandamento da pena.

Registre-se, inicialmente, a tentativa dos autores de usar os promotores de Justiça como escada. Tentam sugerir ao leitor que o esforço da revista, ao dar espaço em suas páginas a fontes-bandidas, equivale ao dos promotores de Justiça.

Sonegam que existe uma diferença brutal: os promotores de Justiça usam a delação premiada para combater o crime. Os criminosos que optam pela delação premiada têm as penas reduzidas, mas não são perdoados. E a ação ajuda a combater um mal maior. Um resultado que pode ser quantificado. O peixe pequeno entregou o peixe grande. Ambos serão punidos.

O mesmo não se pode dizer da relação de um jornalista com uma fonte-bandida. Se um jornalista sabe que sua fonte é bandida, divulgar informações obtidas dela não significa, necessariamente, que algum crime maior será evitado. Parece-me justamente o contrário.

O raciocínio que qualquer jornalista faria, ao divulgar informações obtidas de uma fonte que ele sabe ser bandida, é: será que não estou ajudando este sujeito a aumentar seu poder, a ser um bandido ainda maior, a corromper muito mais?

Leiam de novo esta frase: As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido.

Não necessariamente. Ele não tem qualquer garantia de que as informações são verdadeiras se vieram de um corrupto. Que lógica é esta?

O policial que não estava lá mas gravou a conversa que se deu durante um ato de corrupção provavelmente vai fornecer uma versão muito mais honesta sobre a conversa do que os corruptos envolvidos nela.

O repórter que lida com alguém envolvido em um ato de corrupção sabe, antecipadamente e sem qualquer dúvida, que a informação passada por alguém que cometeu um ato de corrupção atende aos interesses de quem cometeu o ato de corrupção. Isso, sim, é claro, não que as informações sejam necessariamente verdadeiras.

O repórter sabe também que, se os leitores souberem que a informação vem de alguém que cometeu um ato de corrupção, imediatamente perde parte de sua credibilidade. Não é por acaso que Carlinhos Cachoeira, o bicheiro, se transformou em “empresário do ramo de jogos”.

É por saber que ele era um “mau cidadão” que a revista escondeu de seus leitores que usava informações vindas dele. Era uma fonte inconfessável.

Não foi por acaso que Rubnei Quicoli, o ex-presidiário, foi apresentado como “empresário” pela mídia corporativa quando atendia a determinados interesses políticos em plena campanha eleitoral. A mídia corporativa pode torturar a lógica, mas jamais vai confessar que atende a determinados interesses políticos.

Carlinhos Cachoeira não é, convenhamos, nenhum desconhecido no submundo do crime. Vamos admitir que um repórter seja usado por ele uma vez. Mas o que dizer de um repórter usado durante dez anos, por uma fonte que ele sabe ser bandida?

Sim, porque o texto, sem querer, é também uma confissão de culpa: admite que a revista se baseou em informações de um “mau cidadão”. Ora, se a revista sabia tratar-se de um “mau cidadão” e se acreditava envolvida em uma cruzada moral para “limpar a sociedade” de “maus cidadãos”, não teria a obrigação de denunciá-lo?

Concordo que jornalistas não têm obrigação de dar atestado de bons antecedentes a todas as suas fontes.

Mas onde fica a minha obrigação de transparência com meus leitores se divulgo seguidamente informações que sei serem provenientes de um “mau cidadão”? Qual é o limite para que eu seja considerado parceiro ou facilitador do “mau cidadão”?

Se imperar, a lógica da revista será muito conveniente para aqueles policiais presos por associação ao crime.

Tudo o que terão de dizer, diante do juiz: “Ajudei a quadrilha de assaltantes de bancos, sim, doutor, matando e prendendo os inimigos deles. Mas foi para evitar um mal maior, meritíssimo: uma quadrilha que era muito mais bandida”.

À CPI, pois

http://www.viomundo.com.br/humor/investigar-cachoeira-um-atentado-a-liberdade-de-expressao.html

 

webster franklin

da Estação da Notícia

 

OPERAÇÃO MONTE CARLO
Cachoeira sabia da investigação 
Da redação em 15/04/2012 03:35:07

 

Alfredo Mergulhão, O Popular

 

A rede de informações de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, era tão ampla que a suposta organização criminosa comandada por ele sabia que estava sendo investigada. E, por esse motivo, a deflagração da Operação Monte Carlo foi antecipada para 29 de fevereiro. Embora tenha colocado quase todos os principais membros da quadrilha atrás das grades, o vazamento da informação sigilosa da investigação tornou-se objeto de novo inquérito na Polícia Federal (PF). Até o momento, duas pessoas foram ouvidas. Uma delas servidora da Justiça Federal.

A PF não revela informações sobre o inquérito de número 0005803-52.2012.4.01.3500. Mas O POPULAR apurou que a polícia investiga a possibilidade de vazamento na Justiça Federal, no Ministério Público Federal (MPF), na própria PF, além de órgãos estaduais, como o Ministério Público Estadual e até a Justiça goiana.

O inquérito também apura como o denunciado José Olímpio de Queiroga Neto soube antecipadamente da investigação. Ele está preso preventivamente desde que a operação foi deflagrada. Acusado de chefiar uma família que explorava máquinas caça-níqueis no Entorno do Distrito Federal (DF), Queiroga esteve em Goiânia dias antes do carnaval. A visita à capital foi monitorada por agentes da PF.

Na ocasião, os policiais acompanharam todos os passos de Queiroga. Num início de noite, ele foi a um condomínio residencial fechado, onde ficou por quase uma hora. Em seguida, foi ao encontro de Carlinhos Cachoeira num restaurante localizado em um shopping center da cidade. Os dois conversaram por muito tempo. Depois desse encontro, a forma como os denunciados falavam ao celular teria mudado, o que gerou apreensão entre os investigadores e motivou a antecipação das prisões.

O carnaval acabou em 21 de fevereiro, oito dias antes da deflagração da Operação Monte Carlo. Embora as investigações tenham conseguido levantar provas suficientes para incriminar os envolvidos no esquema, não era intenção da PF nem do Ministério Público Federal (MPF) fechar o cerco contra o grupo de Cachoeira no último dia de fevereiro. Fontes dos dois órgãos consideram que os prejuízos não foram tão grandes. Porém, entendem que a autoria do vazamento precisa ser identificada.

Queiroga é acusado de ser responsável por escolher as outras pessoas que poderiam participar das atividades ilegais da jogatina na região de Luziânia e de repassar uma porcentagem dos lucros das casas de jogos a Cachoeira. Conforme as investigações, ele esteve na casa onde mora o juiz Leão Aparecido Alves, da 11ª Vara Federal em Goiânia, durante sua visita a Goiânia. Trata-se da vara na qual os mandados de prisão foram assinados contra os envolvidos no esquema de Carlinhos Cachoeira.

O magistrado confirma que mantém amizade com Queiroga há 19 anos. A mulher dele, Maria do Carmo Alves, conheceu o denunciado um ano antes dele. Leão Aparecido admite que a relação com o investigado levanta suspeitas, mas sustenta que o vazamento não partiu dele nem da mulher. O juiz estava em Brasília no dia da visita de Queiroga, em substituição a um colega em uma vara da capital federal.

“Se ele soubesse de alguma coisa de antemão, não teria sido preso. Os fatos provam a isenção da Justiça Federal”, diz Leão Aparecido, ressaltando que o investigado não fugiu. O magistrado não está entre os investigados a respeito do vazamento de informações sigilosas, até porque tem foro privilegiado. Ele não pode ser investigado pela PF.

No entanto, Maria do Carmo depôs na PF, na presença dos procuradores da República Daniel Resende e Léa Batista, responsáveis pelas investigações da Operação Monte Carlo. A outra pessoa que já depôs é uma servidora pública da Justiça Federal em Goiânia. Não há prazo para conclusão do inquérito. No dia em que foi preso, Queiroga manteve-se em silêncio quando interrogado a respeito da sua vinda a Goiânia e sobre o vazamento da operação.

Outras possibilidades

O POPULAR apurou que a PF adota outras linhas de investigação para apurar o vazamento da Operação Monte Carlo. Como os procedimentos investigatórios tiveram origem no Ministério Público estadual (MP) em Valparaíso de Goiás, passando pelo órgão ministerial e pela Polícia Civil em Goiânia, antes da PF entrar no caso, os membros do grupo chefiado por Carlinhos Cachoeira podem ter obtido as informações nessas instâncias. Além do MP e das Polícia Civil de Goiás e Federal, a Justiça estadual poderia ter vazado a informação.

O MP começou a investigação em 2010, na 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Valparaíso de Goiás, ocupada à época pelo atual coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) Criminal e da Segurança, Bernardo Boclin. Em setembro daquele ano o órgão ministerial acionou a Polícia Federal, uma vez que os crimes praticados pela quadrilha extrapolaram os limites do território goiano. O caráter de nacionalidade da organização criminosa obrigou a PF a assumir a investigação.

Dos 81 denunciados na Operação Monte Carlo, 28 são policiais militares, 6 delegados e 1 agente da Polícia Civil, 2 delegados e 1 escrivão federais, além de 1 policial rodoviário federal. Eles estariam envolvidos no acobertamento das ações da organização criminosa por meio de recebimento de propina e no vazamento de informações.

Devido ao envolvimento de policiais federais lotados na capital, o departamento da PF em Goiás foi isolado das investigações. Os trabalhos foram concentrados em Brasília, onde as escutas telefônicas foram feitas. Em Goiás, apenas os policiais vinculados ao núcleo de inteligência atuaram no caso, fazendo monitoramento dos envolvidos. Os delegados Fernando Byron e Deuselino Valadares chegaram a ser convocados no dia da operação como se fossem participar das prisões, mas se tratava de um artifício da PF. Na verdade, estavam entre os suspeitos.

Como a Justiça estadual poderia ter autorizado a quebra de sigilo telefônico da quadrilha antes do deslocamento da competência da investigação, há a chance do vazamento ter saído do Judiciário de Goiás. Procurado pela reportagem, o juiz substituto da 11° Vara Federal em Goiânia, Paulo Augusto Moreira, não quis se manifestar, assim como a procuradora Léa Batista. Responsável pelo inquérito que apura vazamento, o delegado federal Raul Alexandre disse que ainda não tem informações para repassar sobre o caso.