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Para entender o caso Eduardo Jorge

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A excessiva politização da cobertura política produziu uma miscelânea nessa história de supostos dossiês divulgados pela mídia – particularmente pela Folha. É incrível o contorcionismo do jornal para dar voltas em cima de um episódio relativamente simples de ser contado.

Começaram com a história do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr – que, de repente, sumiu do noticiário -, passaram para as conversas com o tal do Onézimo até chegar na declaração de renda de Eduardo Jorge.

São histórias totalmente distintas.

O livro do Amaury levanta histórias da privatização e dos sistemas off-shore supostamente utilizados para lavagem de dinheiro por pessoas próximas a José Serra. Pelas informações que circularam, termina em 2002. A do Onézimo, até agora, não passou de uma reunião que não resultou em nada de concreto.

Já a história do Eduardo Jorge é recente, do ano passado. Passa pelos órgãos oficiais de combate à lavagem de dinheiro – não por dossiês apócrifos. Não sei a razão do repórter Leonardo de Souza não divulgar a informação principal da história.

No ano passado, o COAF (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) foi informada por um gerente do Banco do Brasil de uma movimentação extraordinária na conta de Eduardo Jorge – que havia sido indicado coordenador de campanha de José Serra. Houve movimentação de R$ 3,9 milhões – em três depósitos de R$ 1,3 milhão.

Pelas normas do COAF, todo gerente é obrigado a se informar sobre a origem de depósitos extraordinários e a comunicar ao órgão quando não houver explicações satisfatórias. Foi feito.

O passo seguinte foi o COAF solicitar ao Ministério Público Federal inquérito contra Eduardo Jorge por lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro. Isso foi feito pelo procurador Lauro Pinto Cardoso.

A notícia vazou para o Correio Braziliense. Eduardo Jorge se valeu do vazamento para denunciar o procurador ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e solicitar o trancamento da ação. Não se entrou no mérito das acusações nem do crime do qual era acusado: obteve-se o trancamento exclusivamente demonstrando que houve vazamento do inquérito.

Ocorre que objetivamente ficou pendente uma acusação de crime de lavagem de dinheiro. O MP conseguiu destrancar a ação e partiu novamente para cima de Eduardo Jorge – a esta altura com Lauro, em sua ascensão na carreira, promovido a segundo homem do órgão.

A explicação de Eduardo Jorge é que o dinheiro tinha sido fruto de uma herança que recebeu com o falecimento do sogro, que tinha terras em Maricá. O MP constatou que o sogro morreu há 40 anos. E que não haveria terreno em Maricá valendo isso tudo.

Em sua defesa, Eduardo Jorge diz que o depósito de julho de 2007, no valor de R$ 1,47 milhão, foi feito em sua conta na condição de inventariante do espólio do sogro. Com o sogro morto, recebeu o depósito e em seguida depositou na conta vinculada da Justiça do Rio, de acordo com determinação do juiz do espólio. Em ambos os casos, foram contas abertas no Banco do Brasil. Sustenta que a própria decisão do CNJ, de interromper o inquérito, é sinal de que está sendo abusivo. O fato da movimentação ser no BB e, portanto, exposta a toda sorte de fiscalização, seria outra prova de sua legalidade

É questão que caberá ao inquérito apurar.

Enquanto o inquérito caminhava, o repórter Leonardo de Souza, da Folha, soltou matérias garantindo que as informações constam de um dossiê do PT. Na matéria, a única entrevista em on é com Eduardo Jorge. Do lado das investigações, sustenta-se que o suposto vazamento foi uma armação  visando repetir o trancamento do primeiro inquérito. Pode ter sido vazamento do PT; pode ter sido armação. O jornal não tem fé pública para sustentar a primeira tese sem apresentar mais elementos.

Além disso, deixou de lado a notícia efetiva: a de que o coordenador de campanha de José Serra foi apanhado pelo COAF com movimentações extraordinárias em sua conta corrente. E que está sendo alvo de um inquérito do MPF. Ao contrário das acusações de 2002, dá-se a matéria e a versão do acusado e até se conclui pela culpa ou inocência, mas com todos os elementos divulgados.

Se conseguirá provar ou não sua inocência, o processo dirá. Em outras épocas, com amplo beneplácito da Folha, Eduardo Jorge foi alvo de perseguição do MP, sem direito à defesa.

Mas a Folha jamais conseguirá explicar a dificuldade que está tendo para contar uma história relativamente simples.


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É um jogo de xadrez extremante dificil de ser jogado e interpretado neste cenário de " ante-vesperas" de eleições gerais. O que percebo de CONCRETO é a impunidade  generalizada quando se fala dos efeitos deste jogo de peças invisíveis, cujo protagonista principal é a midia - a Rainha do tabuleiro - que faz pouca coisa de Instituições PÚBLICAS, que deveriam ser respeitadas. Tudo indica que a impunidade é a arma principal dos donos dos meios de comunicação. Fala-se o que se quer, sem a preocupação de serem penalizados ou criminalizados. Citam informações sigilosas  sem se incomodarem  com a origem das "informações". Parece que  no Brasil da Democracia está tudo como antes no quartel de abranches. A informação vale quanto se paga, independente de sua origem e da certificação de sua veracidade. Isso não é democracia, isso é libertinagem política! Depois é só criar um bode espiatório assalariado - um Peão do jogo do xadrez. Ou usar um servidor público - o  Bispo - que receba subsídios para "limpar a cena do crime" e livrar os verdadeiros responsáveis da cadeia, que engordaram suas contas nos paraísos fiscais. Por que um escândalo desta monta não custa menos de 10 milhôes de reais para aqueles que estão jogando as peças ESTRATÉGICAS, que manipulam de fora. 

 

Quanto mais Serra fala mais assustada eu fico. Figura sinistra!

 

Nassif, parabens.Como não descobri antes este blog, nunca vi tal demonstraçao de pura democracia. Tentei escrever para outros blogs onde provavelmente estes alexandres são colaboradores e assiduos leitores e jamais publicaram qualquer opinião minha. A paciencia que voce demonstrou ter é a certeza de quem é limpo, digno e muito inteligente. Nassif fiquei comovido, mais uma vez parabens.

 

Se alguém do céu sempre se benze, deixa o inferno sempre...

Acredito que estamos  diante das velhas e conhecidas "metástases"...nada mais

Ou instrução para melhor tratamento aconteceu lá atrás, com o que ficou conhecido como "espetáculo mediático". Trazido à lume de forma muito venenosa.

Assim como a Veja funcionou para automedicação, agora é a vez da Folha trazer o mesmo  “remédio”.

Desnecessário acrescentar que é remédio de venda sem receita médica, ilegal, pois estamos vendo que é seleta de informações com força para persuadir qualquer julgador de que a responsabilidade pode ser atribuída mais a outrem, muito menos ao do paciente.

Operação não cuida da doença em si, só do paciente, protege. Mas cuida daquela forma já manjada, agravando efeitos dos sintomas antigos, em todos, por já transmitidos.

Não sou médico, mas qualquer um pode vê que é assepcia por antecipação de exposição ao acontecimento futuro e incerto..................bem..."delação" para acomodação, contaminação

Observadas as variações do sangramento, já podemos concluir que trata-se de uma doença comum ao grupo, por contágio, e,  pela displicência no trato, fica fácil perceber que estão certos da cura.

Na verdade não há variação, e nem poderia, sendo velhos conhecidos e, sendo assim, ou como já se fez provado, certamente tem alguém de prontidão, à espera para providenciar melhores acomodações para todos.

Normal acontecerem rimas entre cura, curra e curral.

 

Serra cobra desculpas de Dilma por dossiê Serra cobra desculpas de Dilma por dossiê e diz que petista é responsável O Estado de S. Paulo - 21/06/2010  

 

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse que Dilma Rousseff (PT) deveria ter pedido desculpas e afastado assessores acusados de envolvimento na montagem de suposto dossiê contra ele. Durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, ele atribuiu a Dilma a fabricação do documento: "Não sei se ela tinha (conhecimento), mas ela é responsável.

Candidato tucano à Presidência voltou a atribuir à adversária petista fabricação de documento contra ele, cobrou uma atitude mais categórica do presidente Lula e negou que sua equipe de campanha use a mesma estratégia para atingir adversários
André Mascarenhas, do estadao.com.br, Fausto Macedo

 

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou que a petista e sua adversária na disputa, Dilma Rousseff, deveria ter pedido desculpas e afastado imediatamente os assessores acusados de envolvimento na montagem de um suposto dossiê contra o tucano.

Durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, anteontem, ele novamente atribuiu a Dilma a fabricação do documento. "Não sei se ela (Dilma) tinha (conhecimento), mas ela é responsável", disse. O programa vai ao ar hoje, a partir das 22h.

Para Serra, o dossiê supostamente encomendado pela equipe da petista é material "requentado". "Quem não gosta de ouvir fofoca", respondeu ao ser questionado se os dossiês seriam um mal necessário nas campanhas. "O PT tem divulgado isso há muito tempo em seus blogs", disse. "Quando se fala em dossiê, é bom que se diga fajuto."

Ele negou que sua campanha use a mesma estratégia para atingir adversários. Ontem, no intervalo do jogo do Brasil com a Costa do Marfim, que assistiu em uma quadra esportiva na zona leste, Serra foi categórico ao cobrar do governo Lula investigação. "Tinha que ter uma comissão de sindicância, é o mínimo que se espera", disse. Pouco antes, Geraldo Alckmin, candidato tucano ao governo do Estado, já havia apontado para o Planalto. "O governo federal precisa explicar como é que o sigilo da Receita é quebrado. A sociedade brasileira espera explicações."

Apesar de os petistas negarem a produção do dossiê, o PSDB insiste em responsabilizar a candidata do PT pelo episódio. "A principal responsabilidade por esse novo dossiê é da candidata Dilma Rousseff. Disso eu não tenho dúvida, assim como o principal responsável pelo dossiê dos aloprados foi o Aloizio Mercadante e como a principal responsabilidade por dossiês em 2002 foi do Ricardo Berzoini", disse Serra no primeiro comentário público sobre o episódio, no início do mês, logo depois das denúncias publicadas pela revista Veja.

Na época, os tucanos decidiram que partiriam para o contra-ataque. "Vamos para a briga", disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que também é coordenador da campanha de Serra.

Os tucanos tentam colar em Dilma a autoria do documento relembrando o caso do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher Ruth Cardoso. O documento, que indicaria gastos pessoais irregulares na gestão FHC, teria sido elaborado pela Casa Civil, quando Dilma era ministra.

Privatização. Na entrevista ao Roda Viva, Serra falou também sobre economia, segurança e educação, além de ter defendido a união civil de homossexuais, mas não o casamento, e se posicionado contra a descriminalização da maconha.

Ao abordar a privatização, assunto sensível ao PSDB, o tucano procurou mostrar em que pontos tentará marcar diferenças com as políticas do governo Lula. Questionado se levaria para o resto do País a política de privatização de estradas do Estado de São Paulo, demonstrou considerar a possibilidade. "Mas uma coisa eu garanto: se for feito, vai ser bem feito", afirmou.

O presidenciável defendeu o modelo para os aeroportos brasileiros e criticou a concessão de empréstimos de bancos públicos para a fusão de empresas privadas, que classificou como o "modelo de privatização" do governo Lula.

Ao responder sobre as tarifas elevadas dos pedágios em São Paulo, atacou os rivais. "Você está apenas retransmitindo o que diz a oposição", respondeu Serra ao apresentador do programa. "Esse é o trololó petista, que tem muito pouco a falar sobre São Paulo", completou.

Economia. Serra procurou diminuir a responsabilidade do governo Lula no avanço econômico do País. Para ele, a alta taxa de crescimento no primeiro trimestre de 2010 é resultado da expansão reduzida dos últimos anos. "No ano passado crescemos 0%", lembrou o ex-governador, para quem há um processo de "desindustrialização" no Brasil.

Citou a indústria da celulose, setor em que, segundo ele, o país exporta matéria-prima para importar o produto final. Indagado sobre de quem é a culpa, disse: "É do atual governo. Mas muitos deles não sabem disso. O presidente Lula não sabe. Ele vai levando", afirmou.

O presidenciável tucano também atacou o loteamento de cargos no governo federal, comentou sobre a escolha do vice que vai compor a sua chapa e ainda defendeu a ampliação da Lei de Responsabilidade Fiscal para todos os níveis da administração federal (leia texto ao lado).

 

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/6/21/serra...

 

 

Vamos ver o programa hoje para avaliar.... Mas a príncipio achei que ele não foi muito bem na entrevista.... Muitas acusações , ataque a entrevistador e pouquissimas propostas e idéias....

 

LN,

Por um momento pensei que fosse a mesma entrevista, um replay daquilo que já li meses atrás na veja.

Engano meu !! Por sorte,  ainda temos uma revista semanal que sempre  nos lembra  de que lado estão os bons e os maus politicos deste país.

JOSE ROBERTO ARRUDA (11/07/2009)(


É possível governar sem fisiologismo?
É quase impossível. O fisiologismo está entranhado de uma maneira tal na cultura política brasileira que, hoje, a única diferença entre um governante e outro é o limite de tolerância e flexibilidade em relação a essa prática. É hipocrisia não reconhecer que todos os governos, literalmente todos, praticam certa dose de fisiologismo.

E qual é o seu limite?
É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição. Não dá para entregar um setor de atividade do governo para que um grupo político cuide dele por interesses empresariais escusos. Se peço a um parlamentar eleito para me ajudar a administrar sua base eleitoral, isso é política. Mas, se entrego a esse parlamentar a empresa de energia elétrica, isso não é aceitável. Quando me pedem algo assim, eu aproveito que tenho cara de bobo e finjo que não entendo. Alguns passam para a oposição, mas a maioria continua me apoiando entre aspas e esperando o primeiro momento para me pegar na curva. O problema é que se você entrar nesse jogo não consegue sair mais.

Esse diagnóstico também se aplica ao governo federal?

  O PT segue outra linha. O PT tem uma visão de instrumentalização da máquina pública e politiza as relações que deveriam ser
institucionais
.


JOSÉ SERRA (13/06/2010)

Como o senhor conseguiu governar a cidade e o estado de São Paulo sem nunca ter tido uma única derrota importante nas casas legislativas e sem que se tenha ouvido falar que lançou mão de "mensalões" ou outras formas de coerção sobre vereadores e deputados estaduais?
Em primeiro lugar, é preciso ter princípios firmes, não substituir a ética permanente pela conveniência de momento. É vital ter e manifestar respeito à oposição, ao Judiciário, à imprensa e aos órgãos controladores. Exerci mandatos de deputado e senador durante onze anos. Todos os que conviveram comigo no Congresso sabem que minhas moedas de troca são o trabalho, a defesa de ideias e propostas, o empenho em persuadir os colegas de todos os partidos e regiões. O segredo está em três palavras: ouvir, argumentar, decidir. Há o mito de que emendas de deputado são sempre ruins. Não são. Na maioria das vezes, elas visam a resolver ou aliviar problemas reais que afligem as pessoas de sua região. Portanto, atender os deputados segundo critérios técnicos é atender seus eleitores. Outra coisa fundamentalmente diferente é distribuir verbas ou cargos em troca de votos. Isso eu nunca fiz e nunca farei.

O PT fez?
Fez. Cito como exemplo as agências que criei quando fui ministro da Saúde, a Anvisa e a ANS. Sabendo como eu atuo, nenhum parlamentar, nem mesmo os do meu partido, sequer me procurou em busca de alguma indicação. Eles sabiam que não teriam êxito. E qual é a situação agora? O atual governo loteou totalmente as agências entre partidos, fatiando-as entre grupos de parlamentares e facções de um mesmo partido. A mesma partilha se abateu sobre os Correios e sobre a maioria – se não todos – dos órgãos públicos. O loteamento foi liberado e se generalizou. Essa prática é uma praga que destrói a capacidade de gestão governamental e turbinou como nunca a corrupção. Mais ainda, a justificativa oferecida foi a de que se tratava de "um mal necessário" para garantir a governabilidade. Se eleito, vou acabar com isso à base de um tratamento de choque.

 

João Carlos F. Silva
[email protected]

 

O Tasso passou 8 anos atirando pedras no Governo e ainda esperava pegar carona na chapa lulista para se reeleger ao Senado. Ficou a pé na véspera da disputa, e está montando uma chapa improvisada para se lançar ao Senado e ter um palanque tucano no Ceará. Enquanto isso, em PE, Sérgio Guerra candidata-se a deputado federal e não quer nem saber de ser vice de Serra, para não correr o risco de ficar sem mandato "em caso" de derrota do careca... Se estes que são duas das maiores lideranças tucanas no Nordeste estão buscando a saída de emergência, imagine os prefeitinhos e deputadozinhos estaduais e etc !
http://opovo.uol.com.br/app/o-povo/politica/2010/06/21/int_politica,2012230/psdb-adia-anuncio-de-candidato.shtml

 

Nassif, há dados da receita que se referem a datas posteriores à liminar concedida pelo juiz. Nesse caso, só podem ter sido vazados por algum órgão do executivo, seja a própria receita, seja a coaf. Não poderiam ter sido enviados sequer ao Ministério Público.

Para esses dados, a Receita tem como verificar que os acessou, e assim concluir que o vazamento foi, ou não, proveniente da Receita.

Por que a Receita não faz logo isso e acaba com as dúvidas?

 

Errado, Roberto. Os dados relavantes, referentes à declaração de 2009, são posteriores ao último trancamento (a se acreditar no que a Folha está dizendo), mas anteriores ao ofício mandado à Receita para que não enviasse mais documentos ao MP. É preciso, inclusive, saber se há um único processo correndo no Judiciário, ou vários. 

Concordo com você - a Receita deveria se manifestar. Mas a Folha também tem que se manifestar, e dar informações completas a seus leitores. O que ela nos forneceu, neste caso, foi um recorte com a intenção evidente de fazer coro à revista Veja em sua campanha contra a candidatura de Dilma Rousseff. Acima de tudo, é preciso conduzir a investigação jornalísticas em duas linhas distintas. Por um lado, o vazamento. Por outro, esse depósito milionário na conta de um dos principais nomes do partido de José Serra. Não está excluída a hipótese de que estas duas linhas de investigação toquem-se em algum ponto.

 

Jotavê,

Sobre essa questão, é importante transcrever o que a Folha escreveu a respeito. A única possibilidade de o vazamento não ter ocorrido no âmbito do Poder Executivo é que tenha sido encaminhado ao Ministério Público. Cabe somente à Receita esclarecer a questão agora.

"A Folha teve acesso à íntegra do processo, que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Não há nos autos nenhuma cópia de declaração de IR de EJ.

No caso da declaração de 2009, haveria também uma impossibilidade temporal para que o documento constasse do processo.

Ao tomar conhecimento da ação, EJ entrou com um habeas corpus, em 14 de abril de 2009, para trancar a investigação. No dia 15, o TRF concedeu liminar em favor de EJ. Depois do trancamento nenhum documento poderia ser anexado ao processo.

O dirigente tucano só enviou sua declaração de 2009 para a Receita no dia 17.

Além disso, no dia 12 de maio do ano passado, o relator do habeas corpus, desembargador Hilton Queiroz, oficiou a Receita para que não enviasse ao Ministério Público nenhuma informação de EJ protegida pelo sigilo fiscal. Esse processo está suspenso."

 

Confira ali. O ofício à Receita seguiu no dia 12 de maio. A declaração fora enviada quase um mês antes. Nesse meio tempo, embora o processo estivesse trancado, e os documentos não pudessem ser juntados ao processo, o MP provavelmente continuou solicitando documentos. Essa é a principal sacanagem do texto da Folha. O uso da expressão "além disso" leva o leitor a pensar que está diante de uma evidência adicional para a tese do jornalista. Não é nada disso. O que vemos é uma evidência no sentido contrário. As declarações estavam acessíveis ao Judiciário. O texto desse repórter é feito sob medida para iludir o leitor.

 

Jotavê,

Exatamente por isso cabe á Receita esclarecer a questão. Foram encaminhados documentos ao Ministério Público com esse teor?

É preciso que fique claro que o fato - se é que ocorreu - de terem sido encaminhados ao MP não tira o caráter de sigilo dos dados. E mais: é necessário esclarecer, se o vazamento partiu do MP, como ele se deu. Se o MP estiver auxiliando pessoas a produzirem dossiês contra um candidato a Presidente, o fato é especialmente mais grave.

 

A Receita deve se manifestar oficialmente sobre um documento que ninguém sequer viu, só porque o Eduardo Jorge e a Folha afirmam que ele existe? Desde quando jornais tem fé pública?

É uma comédia essa estória de o acusado pelo vazamento ter de se explicar antes mesmo do vazamento ter sido provado..

Considerando sua boa fé neste caso sr Rioberto, tenho uma sugestão bem mais simples: a Folha publica logo os dados  e depois aponta o nome do vazador. Não precisa ser nada comprometedor ao EJ não, podem ocultar todos os trechos referntes  a valores - tudo o que queremos é que o documento mostre o nome dele e o timbre da Receita. Só isso. Essa é a porva que falta, inclusive para que a Receita e a PF dêem início ao trabalho investigativo. Por que não fazem isso? É tão difícil assim?

Eu entendo porque a Receita se recusa a se manifestar sobre uma acusação sem provas. Eu também me recusaria, e ainda processaria o acusador (mas como se trata de uma instituição pública, não vai faltar gente acusando a Receita de autoritarismo se o fizesse).  Mas eu não consigo entender porque um jornal tem medo de mostrar a prova do crime que descobriu, nem porque acobertam o nome de um dos criminosos envolvidos. O sr. consegue me explicar por favor??

 

Para ter certeza que esses dados existam só se você acredita "no seu jornal". Eu, por exemplo, NÃO acredito. É tudo armação do EJ com a Folha. 

 

Nassif, você se engana de achar que só a Folha tem "dificuldade" de contar essa história do Eduardo Jorge. A AgênciaBrasil faz o mesmo. Conta aos pedaços e omitindo o outro lado da história: conta sobre o depoimento do delegado Onésimo e nenhuma palavra sobre o livro do Amaury, ou qualquer outra declaração de quem esteve na tal reunião etc. O que disse era apenas para confirmar (implicitamente, claro) que há um dossiê e que Dilma é a responsável por ele. Mandei um e-mail para a ouvidoria reclamando informação completa, esclarecedora do caso - como você fez agora -  já que a história já está muito além do tal depoimento e tem muitas outras informações que negam o que foi declarado e recebi uma resposta de um assessor da ouvidoria dizendo que não havia nada a ser mudado na matéria e que era isso mesmo. O que podemos fazer neste caso, já que trata-se de uma agência da EBC que é pública? Aliás, não é em nada diferente o tratamento dado aos temas relevantes no jornalismo da TV. Não acrescenta nada, aliás, até os assuntos e o enfoque são os mesmos: no Jornal da Band, no Jornal do SBT, no jornal Nacional, no Jornal da Record e no Repórter Brasil. Assistir um você estará assisindo a todos. Lamentável, para dizer o mínimo.

 

E se fosse o coordenador da campanha da Dilma... 

 

A Folha e suas irmãs e irmãos(Veja, Estadão, Globo) tem que produzir material de campanha, Nassif. Só isso.

 

Nossa a Folha nao tem vergonha mesmo, por isso q é uma emresa em Decadência.

 

Em tempo: se escrevi Fernandinha Montenegro, leia-se Fernanda Torres.

 

Ahhhhhhhh , agora finalmente eu entendi. Até ler este post eu não estava conseguindo entender onde " tava pegando". Tudo explicadinho nos " minimíssimos detalhes", comme il faut!

Isto me lembra a nova campanha publicitária da Folha, aliás, com a Fernandinha Montenegro, super talentosa. Realmente o slogan tem tudo a ver se não tivesse complemento:

Folha, não dá !

 

Nassif, uma vez que o processo de privatização e os grampos do BNDES (sim, FHC tb foi vitima!) subiram ao STJ, que julgou como legal todo o processo, não seria o caso desse jornalista que sabe o que ninguém sabe ser processado por "ocultação de provas"?

 

Pelo que entendi, ele não está ocultando nada: está guardando para soltar em livro. Segundo ele, em cima de inquéritos já divulgados e de pesquisa em Nova York.

 

Perfeito. Só para lembrar:

"

O EXMO. SR. JUIZ TOURINHO NETO (RELATOR):

1. Trata-se de apelação interposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra sentença proferida pelo Juiz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, Moacir Ferreira Ramos, que julgou improcedente a Ação de Improbidade Administrativa c/c Ação Civil Pública, na qual se pretendia a anulação do procedimento de desestatização de empresas de telefonia federais e a condenação dos réus pela prática de atos de improbidade administrativa." .... E o voto:

3. No caso, apesar de a ocorrência do leilão de privatização do Sistema Telebrás impedir a apreciação do pedido de suspensão desse procedimento específico, pela falta de interesse de agir, tal fato não interfere na análise do pedido principal de anulação de todo o procedimento de desestatização, pretensão maior da parte autora e que não guarda relação de dependência com o primeiro pedido, não se justificando, por isso, a extinção do processo sem resolução do mérito.

 Plenário do TCU, julgando a Tomada de Contas, entendeu que não há provas de que os réus LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, ex-ministro de Comunicações, ANDRÉ PINHEIRO DE LARA REZENDE, ex-presidente do BNDES, e JOSÉ PIO BORGES DE CASTRO FILHO, ex-presidente interino desse banco, utilizaram dos cargos para negociarem diretamente como possíveis participantes do processo de desestatização da Telebrás, mas que praticaram atos de divulgação e propaganda para fornecer mais informações aos investidores internos e externos acerca das empresas a serem privatizadas. Portanto, não influenciaram o Presidente do Banco do Brasil para levar as seguradoras a participarem do consórcio de forma ilegal.

Afirmou, também, que não existe nos autos informação de que os réus direcionaram a venda de alguma empresa para determinado particular ou que tenham dispensado tratamento diferenciado beneficiando a particular, nem de que houve ofensa a princípios administrativos na formação dos consórcios. Disse, ainda, que a conduta do ex-presidente do BNDES foi de aconselhar o particular acerca do modo de superação da exigência da PREVI, e não, de se valer do cargo que ocupava para influir nesse órgão para que retirasse suas exigências (fls. 2749/2769).

Da mesma forma, não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se uma condenação aos réus. Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da Administração Pública para configurar a improbidade administrativa.

6. Ante o exposto, nego provimento à apelação.

7. É o voto.

 

Você quer dizer que eles permaneceram no "Limite da IRRESPONSABILIDADE", mas não há provas de que o tenham cruzado?

 

Não. Quero dizer que esta foi a decisão final da justiça transitado em julgado, sendo que foi o MINISTÉRIO PÚBLICO que entrou com uma ação A FAVOR da privatização (leia o caput). Só isso.

 

Na verdade Calvin seria bem difícil o TCU concluir de forma diferente, uma vez que as provas de fraude nas privatizações foram gravações obtidas de forma ilegal. Juiz algum despacharia algo do tipo, "apesar do teor das gravações que mostram que ministros escolhiam os vencedores antes do leilão e até sugeriam a FHc que ameaçasse um diretor do BB para liberar o dinheiro, uma vez que essas gravações foram obtidas de forma ilegal, não há possibilidade de condená-los". Embora fosse tudo verdade, como nós todos bem sabemos.

Prova ilegal sequer é levada em conta pelo juiz. Qualquer um que lê jornal e acessa internet sabe o que aconteceu nas privatizações e isso não vai mudar com a decisão do TCU, de resto perfeita. Ela inocenta os responsáveis, mas não constitui um atestado de idoneidade dos mesmos. Muito pelo contrário. E o livro do sr Amaury, que não é juiz e por isso não é obrigado a fechar os ouvidos para grampos ilícitos, vai com muita propriedade contar o resto dessa história de maracutaias que o TCU infelizmente não pode contar hoje.

 

Enganou-se amigo. O teor da decisão não diz sobre nenhuma incapacidade de julgamento, pelo contrário, o que viu e ouviu, mesmo sendo ilegal, corroborou o tribunal a impressão de que havia a boa intenção dos agentes.

 

Tome tento, Calvin. Se a decisão foi feita com base em áudio ilegal, não teria qualquer valor pra início de conversa. Sem o áudio, nada havia que comprovasse ilegalidade no leilão ou na montagem dos consórcios. Então a única decisão possível era a absolvição, e o conteúdo das fitas jamais poderia ser mostrado nos autos. O resto é resto. Só você mesmo pra concluir que, se o juiz não menciona as fitas, então elas não existem e eles agiram com honestidade..

O fato do juiz dourar a pílula afirmando que não viu nada de errado na conduta daqueles senhores, repito, não é nem nunca será atestado de idoneidade dos mesmos. As gravações estão registradas na mídia para quem quiser ver, e a partir daí tirar suas próprias conclusões. O despacho do juiz não apaga o que esses senhores fizeram, não importa suas motivações. Suas vozes aparecem bem nítidas naquelas fitas, manipulando resultados, achacando funcionários públicos e até envolvendo o Presidente da República. Nós dois sabemos muito bem o tamanho da maracutaia que foi feita. Se você prefere fechar os olhos com base na idéia de que fins justificam os meios, meus parabéns: você pensa igualzinho aos petistas que endossaram o mensalão. Afinal o que é um delito diante do problema da governabilidade, não é mesmo?

 

Não sei de maracutaia nenhuma. E pelo visto, o TCU e a Justiça também não.

 

O Senhor só não considera que as acusações da Folha são contra uma turma da pesada, com longo histórico comprovado de dossiês, malas de dinheiro, mentiras descaradas, quebra de sigilo criminosa, dinheiro em cueca, assassinatos suspeitíssimos, esquece também que parte  da turma responde processo por formação de quadrilha. Não considera também que não existe 1 (um) único político no Brasil que depositaria  dinheiro sem procedência na própria conta.

 

Turma da Pesada? E quem está fazendo as acusações é santo, é isso? E os falsos dossiês da Casa Civil contra gastos corporativos do FHC (na verdade foi o Alvaro Dias quem fez a tal planilha) a ficha falsa da Dilma, o caso do grampo que não existiu de uma conversa do Demóstenes com o Gilmar Mendes e todos os inúmeros factóides (lina, por exemplo) já amplamentos desmontados pela blogosfera? 

O sr pode acreditar "no seu jornal" mas eu não.

 

Nassif, enquanto a justiça brasileira não for racionalizada, no sentido de punir os verdadeiros culpados, possibilitando ações que tranquem o livre fluir do processo, fica este lenga-lenga que tem como o unico objetivo a impunidade. Dá nojo esta conversa toda. Outro dia estava vendo a TV Senado, a tal CPI do Onézimo. Onézimo se apresentou como sendo processado pelo PT e PSDB ao mesmo tempo. Teve conversa com três pessoas que se diziam do PT.O proprio Alvaro Dias disse a ele: responda claramente a minha pergunta e não com uma outra pergunta.Após essa chamada de atenção por Alvaro Dias,indagado se ele ( Onézimo) havia gravado a conversa, Onézimo disse  com a maior cara de pau. O que a Excelência faria do meu lugar? Alvaro Dias , satisfeito, com a resposta deu um sorriso e com um ar de quem entendeu a resposta. O que deixou transparecer é que toda esta patifaria e tentar descobrir alguma coisa que implicaria o PT. Ver Itagiba e Alvaro Dias falando era demais para o meus ouvidos e resolvi mudar de canal.

 

Stanley Burburinho está tentando comprar em Maricá uma chácara e uma loja que tenham o valor de 3,9 milhões, pagos em 3 parcelas de 1,3 mi em 3 anos distintos, que foram vendidas depois da morte do sogro de EJ há 40 anos. É tudo verdade, tá, e se alguém desconfiar de alguma mutreta vai ser processado. Maricá é conhecida por seus milionários abastados como motoristas de táxi, pedreiros, pescadores, etc e suas praias famosas em revistas internacionais batem recordes de preço nos anais tucanos de São Paulo (aliás Maricá é tão chique que não aceita paulistas entre seus moradores).

 

Este Eduardo Jorge é persistente. Dia desses a Veja foi condenada, numa sentença onde até eu, que de juridiquês nada percebo, até aprendi palavra nova:

“conjugação da indenização com o esclarecimento público sobre a erronia e injustiça da matéria lesiva, uma reparação mais eficiente do dano causado”

Bacana esta tal "erronia".

Quanto à fé pública, acho que hoje em dia nem os cartórios a tem.

 

Isso lembra o vazamento do dossiê do Alvaro Dias contra a Casa Civil/Dilma...

essa FSP é nauseante. A que ponto desceu

:(

 

¨todo gerente é obrigado a se informar sobre a origem de depósitos extraordinários¨. Isso não tem complemento, no sentido de que não cabe ao gerente avalizar que justificativa deu o cliente e que depende apenas fo fato ser extraordinário e não do valor. Assim,  R$ 20.000,0 na conta de quem na ficha dele consta ser apenas um simples caseiro, vai muito além do extraordinário, diria caso de segurança nacional 

 

 Então são duas bombas relógio na campanha  do Serra.   

 

Nassif, é muito simples a razão pela qual o jornal em questão não informa a razão principal...

 

Se informada, racha a premissa básica que rege este "dossiê", ou seja, acaba o "dossiê" e a Folha fica sem ter o que realmente quer dizer: o PT - e Dilma por extensão - não presta.

 

É a continuação do "samba de uma nota só" de Serra. Que já está cansando até quem não gosta do Lula...

 

Vamos esperar que a nossa imprensa, um dia, volte a informar as notícias, como elas são realmente, sem outras "nuances"...

 

E depois ainda se critica a necessidade de criar instrumentos para "punir" esse tipo de "artimanha" dos órgãos de imprensa, com a falácia de CENSURA MODERNA, a VOLTA DA DITADURA (quando na verdade, quem foram os maiores beneficiários dessa época negra da história do Brasil, foram os próprios donos de jornais, revistas, rádios e televisões de hoje!!! Marinhos e flias...).

 

É inaceitável que ainda convivamos com mentirosos com esse poder e os "ignorantes" engulam essas estripulias desinformativas que AUXILIAM "alguns" penosos...

 

Mariano, apenas aqueles famosos 5% é que acreditam nessas falácias do PIG. Melhor dizendo: não acreditam, mas fingem acreditar.

Se perguntamos, por exemplo, para o Alexandre (aí em cima): por quê você acredita que isto tudo é uma armação do PT? Ele vai dar a mesma resposta que uma criança de 3 anos daria a seus pais sobre uma indagação qualquer: PORQUE SIM.

 

Na Idade Média, definiu-se a verdade como adequação entre o pensamento e a realidade - (veritas est adaequatio intelectum ad rem). Evidentemente, o tempo passou, as concepções acerca da verdade sofreram variações, ganhamos em capacidade de analisar criticamente a informação.

Alguns, entretanto, desistiram do pensamento crítico e elegeram  promover  o desmanche pós-moderno, utilíssimo, porque lhes permite a arbitrariedade solipsista.

É assim que se explicam tanto a narrativa ficcionista da Folha de São Paulo quanto a audiência promovida na Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados para ouvir o ex-delegado Onésimo.

O mais grave, contudo, é que este movimento tem como motivação não um engano ou uma limitação teórica, mas a própria decisão de posicionar-se distante da honestidade intelectual, para patrocinar a desonestidade política e financeira.

Lamentável!

 

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Edmar Roberto Prandini
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nassif:

excelente o seu esclarecimento. ninguém desconfia de tanto dossiê contra o serra e sua turma?

qualquer coisa, eles arrancam um dossiê do bolso e fazem a plantação. o esquema do serra é BRABO.

romério

 

O que ainda não foi explicado é como a Folha conseguiu uma cópia de um documento cujo sigilo estava sob a guarda da Receita. Tenham sido os responsáveis pelo vazamento aloprados petistas, funcionários da Receita ou Procuradores, o Poder Público deve uma resposta a essa pergunta. Seu texto, Nassif, tem uma série de informações erradas ou imprecisas no mesmo molde das que, nos acontecimentos de dez anos atrás, alimentaram um linchamento criminoso e injusto. Naquela ocasião, você, corajosamente, foi um dos  críticos contra essa lógica nefasta. Pelo visto, muita coisa aconteceu nesse meio tempo. Resta saber se terá coragem de publicar a verdadeira informação e se realmente tem interesse em saber qual é ela.

 

Penso ser um equívoco debater com o sr. Alexandre Pereira supondo boa fé do mesmo neste caso. Ele tem distorcido completamente os fatos e até os comentários de Nassif com a intenção clara de estabelecer um clima de perseguição política a Eduardo Jorge, que não existe e não faz o menor sentido, a não ser é óbvio para auxiliar os advogados do mesmo nos diversos processos de que é réu ou autor. Desconheço a razão pela qual o sr. Pereira insiste nessa retórica agressiva, mas uma coisa é certo: ele não está interessado em solucionar este caso. Isso porque a questão aqui nada tem que ver com as acusações a Eduardo Jorge, e sim com as acusações ao PT, à campanha de Dilma e a Receita Federal, acusações estas que o sr Pereira reputa como verdades absolutas sem sequer se dar ao trabalho de checar as evidências apresentadas até agora.

De fato, é Dilma a verdadeira vítima de perseguição neste caso, uma vez que a Folha, reverberada por pelo menos dois outros grandes veículos da mídia, tem publicado sucessivas matérias atribuindo a um suposto "grupo de inteligência" da candidata petista a responsabilidade pela elaboração de dossiês contra o PSDB (sendo um dos quais justamente sobre Eduardo Jorge), mas até agora não se apontou qualquer evidência concreta e nem mesmo o nome da fonte do possível vazamento. Numa situação ridiculamente kafkiana, cabe aos acusados não provar sua inocência, mas apontar quem dentre eles é o culpado, enquanto o jornal acusador que detém a prova e o nome de sua fonte se nega a publicá-los.

O único dado concreto sobre a mais recente denúncia contra Eduardo Jorge foi publicizado por ele próprio, a fim de dar mais credibilidade à sua declaração de que o jornal teve acesso a seus dados sigilosos. Uma vez de posse da confirmação do vazamento, qualquer jornalista sério buscaria então identificar a origem dos papéis, nem que para isso denunciasse sua própria fonte. Afinal é crime repassar dados fiscais a terceiros, mesmo a pretexto de denunciar um esquema de "fabricação de dossiês". Se a fonte da Folha incumbiu-se ela própria de contrabandear os dados de Eduardo Jorge, então deve ser denunciada e condenada pelo crime. A proteção a seu sigilo corresponde neste caso à cumplicidade criminosa por parte do jornal. Agora, se os dados foram obtidos de forma anônima, cumpre à Folha agir com responsabilidade, só fazendo acusações quando da certeza de que identificou corretamente os culpados.

Até agora, tudo o que temos é uma série de reportagens acusando genericamente a candidata do PT à presidência de cometer crime de quebra de sigilo fiscal de um adversário político, sob o beneplácito de seu partido e até da Receita Federal. A evidência do crime é uma declaração do adversário atestando a veracidade dos dados de posse da Folha. Ainda que se repute verdadeiro o documento vazado, não há absolutamente nada nele que aponte quem ilegalmente o acessou nem tampouco quem o repassou ao jornal. Esses são os únicos crimes praticados. Ou a Folha aponta quem da campanha de Dilma teve acesso e mais tarde lhe repassou o documento, ou o jornal deve ser processado por calúnia por Dilma, pelo PT e pelos orgãos de Estado que tiveram sua imagem prejudicada pelas reportagens.

Toda a catarse gerada pela autenticidade dos dados relatados pelo sr. Eduardo Jorge só serve para desviar o foco do problema real. Com base em documentos que "caíram do céu" a julgar pela informação disponível até agora, a Folha fez uma acusação irresponsável, sem base em qualquer fato concreto, numa atitude que evidencia seu completo desprezo pelo Manual de Redação redigido pelo próprio jornal. Mas espertamente o foco da discussão posterior do jornal já mudou do vazamento em si para a veracidade do documento vazado. Nem mesmo o conteúdo é relevante. Eduardo Jorge é procurado não para explicar a origem dos valores apurados pelo jornal, mas para comprovar se de fato eles são coerentes com sua declaração de IRPF. Com a confirmação do mesmo, o jornal dá por satisfeita sua investigação - a prova fala por si, logo Dilma é a culpada. As acusações e representações posteriores do PSDB pedindo apuração dos fatos corroboram a tese do jornal.

Curiosamente, nem mesmo Eduardo Jorge se interessa em saber como o jornal conseguiu seus dados. Para um cidadão tão injustamente perseguido nos últimos anos, é lamentável que ele agora se omita diante da acusação a terceiros sem qualquer evidência concreta, e ainda por cima usando seu nome. O sr. Eduardo Jorge deveria ser o primeiro a questionar como a Folha obteve seus dados sigilosos, antes de endossar a acusação do jornal. Até agora, apenas a Folha possui dados concretos de um crime supostamente cometido. Mas o jornal se recusa a apresentá-los. Ao invés disso, opta por acusar a terceiros sem qualquer prova ou escrúpulo, como se sua palavra valesse por si. Eu me pergunto, quem é o criminoso nessa estória afinal?

 

Caro Alexandre, 

Não seria o próprio Eduardo Jorge foi o responsável pelo vazamento das informações na tentativa de travamento do inquérito? Qualquer um no processo poderá tomar tal atitude ilegal, o que é inaceitável é acusar o PT de montar suposto dossiê para acobertar atos criminosos de lavagem de dinheiro, além é claro, de não divulgar o nome do jornalista Amaury J

A relação do José Serra com a FSP na compra de exemplares  do jornal e anúncios do governo estadual explica a matéria tendenciosa e promíscua do jornal. 

Simples assim, como disse o Nassif.

 

 

Caro Pedro,

Hora nenhuma acusei o PT de nada. Nem o PT nem ninguém, pode conferir em meus comentários. Apenas não entendo como a Receita Federal não se manifestou ainda sobre o vazamento do sigilo fiscal ou, na outra hipótese, sobre a falsificação de documentos cujo sigilo são de sua responsabilidade. Isso não foi explicado hora nenhuma. Pra quem não viu o jornal, o documento que a Folha publicou tem uma marca que comprova ter ele saído dos computadores da Receita (a não ser que tenham sido falsificados, o que seria mais grave). Também me assusta que aquele que a princípio é vítima do vazamento, sem nenhuma evidência para isso, seja transformado em culpado.

 
  • "Apenas não entendo como a Receita Federal não se manifestou ainda sobre o vazamento do sigilo fiscal ou, na outra hipótese, sobre a falsificação de documentos cujo sigilo são de sua responsabilidade":

Nada disso dois:  a AFIRMACAO da falha que os documentos vazaram da receita nao eh suficiente pois o jornal tem historico de mentir.  Se tinha os documentos aas maos eles  teriam sido absolutamente devastadores se tivessem sido publicados e a falha afirma SEM GOTA DE PROVA que o vazamento foi interno aa RECEITA enquanto esconde os documentos que o provam.

Ora, esconde os documentos porque eles vieram de Eduardo Jorge.

 

Nada disso. Como bem demonstrou Daniel Dantas, vazar algo que o desabone pode servir para posar de vítima e fazer descarrilar processos judiciais comprometedores. Aliás, isso é válido até para o vazamento de coisas absolutamente inocentes, como demonstraram Gilmar Dantas e aquele senador.

Quanto à marca d'água da Receita: se Eduardo Jorge tiver solicitado uma cópia dos próprios dados à Receita, como o habeas data garante, ou mesmo uma cópia dos autos do próprio processo, ele pode perfeitamente ser o vazador. Ninguém o está fazendo de vítima por antecipação, mas é claro que essa situação está se desenvolvendo de forma conveniente para ele e para o resto do PSDB, porque o a grande imprensa está fazendo tudo o que pode para misturar esse assunto, que nada tem que ver com o livro de Amaury Jr., com o vazamento de Eduardo Jorge, logrando assim desacreditar ambos. É a mesma história de contaminação que o Daniel Dantas tentou emplacar com o caso da Telecom Itália.

E é o cúmulo do cinismo, da tua parte, dizer que a Folha tem o direito de repercutir um vazamento e criticar o próprio, de que foi facilitador. Sigilo de fonte está resguardado na constituição, é fato, mas seria de se esperar que a Folha (ou melhor, seria de se esperar de um jornal que prezasse o próprio nome) exercesse seu bom-senso ao decidir sua pauta. Afinal, se ficar comprovado que Eduardo Jorge repassou os próprios dados à Folha, ela será cúmplice de uma divulgação de algo que corre em segredo de justiça. A Folha pode muito bem estar esperando que a inatacável liberdade de imprensa a proteja mais uma vez.

E realmente achas que o objetivo disto tudo não foi afastar a atenção do mérito dos processos e investigações? A troco de quê a Receita faria algo que definitivamente inviabilizaria o próprio trabalho de investigação?

Faze-me o favor...

 

O que ainda não foi explicado, Alexandre, é por que, quando o Correio Braziliense se vale de um vazamento no processo, o foco das reportagens é o que está sendo investigado, e não o vazamento propriamente dito, enquanto no caso da Folha de São Paulo o foco se inverteu. Não está explicado que evidências tem a Folha de São Paulo de que esse vazamento tenha ocorrido no contexto da elaboração desse suposto "dossiê". Vasculhe as reportagens. Não há nada a respeito. Informam o leitor de que as cópias da declaração integram esse maldito dossiê que ninguém viu, mas não dizem o que os leva a pensar assim. As declarações foram encontradas na casa em Brasília? Não se sabe. Foram repassadas por alguém ligado àquela equipe? Não se sabe. Surgiram assim - do nada, e foram cair nas mãos do repórter da Folha. Nâo seria necessário revelar as fontes. Bastaria dar ao leitor um indício de que tipo de evidência o jornal dispunha para afirmar que as declarações faziam parte de um dossiê petista e, acima de tudo, contextualizar esses documentos, como o Nassif acabou de fazer.

Pela primeira vez, desde que esse caso veio a público, estou conseguindo entendê-lo minimamente. Faltava inserir na descrição dos fatos um elemento essencial, que a Folha sonegou a seus leitores: a quem interessava o vazamento. Quem lucrava com isso. Ele interessava a Eduardo Jorge. Foi com base no vazamento no Correio Braziliense que o primeiro trancamento foi conseguido. É com base neste segundo vazamento que Eduardo Jorge poderá se livrar do processo, e o PSDB poderá evitar a incômoda obrigação de dar explicações a respeito da relação entre depósitos milionários na conta de Eduardo Jorge e os gastos na campanha de José Serra. 

É preciso saber como se deu esse vazamento? É claro que sim. Mas é preciso levar em conta que era Eduardo Jorge, e não Dilma Rousseff, o principal interessado em que os dados vazassem, para melar o processo. Essa é a peça que faltava. E é preciso, agora que o vazamento ocorreu, entrar no mérito da questão, que é inescapável. Que dinheiro é esse, e como ele foi parar nas contas de um dos coordenadores da campanha de José Serra à presidência da república?