21 de julho de 2026

Nos tempos em que a diplomacia norte-americana era outra, por Luís Nassif

A aproximação de Lula a George W. Bush foi intermediada, entre outros, por André Araújo, uma personalidade brilhante.
Lula e George W. Bush - Foto de Roberto Stuckert Filho

O governo Bush buscou aproximação com Lula em 2002, intermediada por André Araújo e equipe do Departamento de Estado.
Em novembro, Lula reuniu-se na Granja do Torto com autoridades dos EUA e sua equipe, incluindo Palocci e Dirceu.
A visita de Lula a Washington em 2002 foi incomum, com diálogo aberto e colaboração entre os governos.

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A aproximação do governo Bush, e do Departamento de Estado, com o governo Lula, assim que foi eleito, deveria servir de exemplo, senão aos Estados Unidos de Donald Trump, pelo menos à direita civilizada brasileira.

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A aproximação entre os dois governos foi intermediada, entre outros, por André Araújo, um precioso colaborador do Jornal GGN, e uma das personalidades mais brilhantes que conheci – e, olhe!, que em minha longa carreira jornalística, conheci grandes personalidades do Brasil e do mundo.  Antes das críticas à financeirização e às políticas de austericídio ganharem as manchetes, escreveu uma obra portentosa, “Moeda e Prosperidade”.

Em novembro André compareceu a um encontro com Lula, na Granja do Torto, acompanhado de Otto Reich (subsecretário do Departamento de Estado), e Ed Miller, o chefe de Planificação Política para a América Latina e o encarregado do Brasil no Departamento de Estado; do outro, Lula, Antonio Palocci, José Dirceu e Aloizio Mercadante.

Coube a André articular uma primeira reunião entre Lula e a administração Bush. Do lado norte-americano, participaram Ed Miller, conselheiro sênior latino-americanista do Partido Republicano,  servindo em tempo parcial ao governo. Serviu ao Conselho de Segurança Nacional e ao Comitê de Relações Exteriores do Senado.

“Em setembro [de 2002] ficou claro que Lula iria vencer — e sabia-se dos problemas na América Latina, com Chávez e a situação argentina horrível; não se sabia o que ocorreria no México. Houve grande esforço para chegar ao novo governo Lula. 

Um pouco estranho no início — uma conversa entre o PT e Partido Republicano —, com a natural desconfiança ideológica. Fizemos o esforço e Lula aceitou. Tentamos a mesma coisa com Kirchner, sem êxito. Em dezembro, houve a visita de Lula a Washington — é fora do normal uma visita antes da posse. E a visita de Estado seis meses depois da posse, fora do comum. O princípio das negociações: canal aberto; colaboração com o que concordamos; não atrapalhar o que não concordamos.

Durante a campanha de 2000, eu queria somar coisas novas ao Nafta, que era a estrela polar dos anos 1990. Mas não parecia urgente naquela época: o preço do petróleo estava em 22 dólares, e havia muitos interesses.

Dos países da América Latina, o Chile era o mais redondo: economia moderna, inclusão social. A Venezuela era o país com a maior renda per capita do mundo desde 1920 — petróleo, gás, alumínio — e não se fez nada até 2000; não se criou cultura de trabalho: lá, quem trabalha são os colombianos, os equatorianos e os imigrantes que chegaram nos anos 90. O México poderia manter o sistema, mas a população pobre era muito grande. Os países centro-americanos estavam cada vez mais integrados na economia norte-americana. A Colômbia estava melhor do que há dez anos. Na Argentina, o setor energético estava com preços congelados.

Os funcionários americanos ficaram Impressionados com o Brasil: muito trabalho por fazer, muita gente pobre — mas com sistema político estável e investimento chegando. Para um país em desenvolvimento faltavam capital, tecnologia, gerência e educação.

O Brasil estava captando, importando tecnologia. O Partido Socialista chileno era pior do que o comunista; o PS da Espanha era títere do Estado. Precisava-se de partidos de esquerda responsáveis, segundo o pensamento do Departamento de Estado”

André ajudou a organizar não só a viagem de Lula aos Estados Unidos, mas também o périplo de José Dirceu, que chegou até Condoleezza Rice e a um jantar prestigiadíssimo oferecido pelo The Washington Post.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. JotinhaDoMilhao

    21 de julho de 2026 8:51 am

    André Araújo foi o primeiro brasileiro no planeya terra e no univetso q entendeu o papel principal dos euaaa na lavajato e golpe na Dilma ao qual a midia sempre em momentos antes de eleições culpam dilmalulapt de algo enquanto os bandifos de vdd dominam tudo vimos isto agora em Sampa na contenção do crime com aval e conhecimento de todo o sistema q defende o preso mais privilegiafo do mundo bolso,foram e são estes q lotaram a Paulista e se puderem prendem até a justiça para ng encher o saco deles no manuseio das chaves dos cofres públicos e pasmem militates envolvidos tb junto com a quadrilha financeira especulativa extorsiva dos EMPRESÁRIOS e povão se a midia falar lula é ruim tem q ser – 30 milhão e ser fizer uma menção de lula bom seria mais 10 milhão e se ficar só mencionando peralrices de bolso e encondendo as benfeitorias bem sucedidas e para todis do governo Lula sei a menis 100 milhão na conta das tvs e internet só assim fariam algo pois no Brasil a linguagem q se entende é o dinheiro !!!!

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    21 de julho de 2026 9:32 am

    Um ano antes do pai ser eleito, Eduardo Bolsonaro fez palestras dizendo que a resistência do STF à nova ditadura seria eliminada com 2 soldados e 1 cabo num jipe. Agora que recebeu Green Card de Donald Trump o “Dudu pequena banana” enviará 2 soldados e 1 cabo do US Army num jipe para invadir o Brasil?

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