Paulo Guedes anuncia novos programas e não convence ninguém

Com essa postura passiva, as estimativas de queda do PIB continuam aumentando. Há apenas duas certezas: A retomada da economia não ocorrerá com Paulo Guedes. A saída da crise de saúde e política não se fará com Bolsonaro.

Não há o menor sinal de refluxo da pandemia no Brasil. O que aumenta o risco da flexibilização do isolamento, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro.

Vamos aos principais indicadores, tirados da última divulgação oficial.

Na média móvel semanal de novos óbitos, a curva continua ascendente no Brasil.

 

 

 

 

 

 

Nos dois principais locais afetados, São Paulo e Rio de Janeiro, a média diária semanal de óbitos continua elevada. No Rio de Janeiro houve uma pequena queda, provavelmente devido às difculdades de notificação. Em São Paulo, a média diária manteve-se em nível alto, sem sinal de refluxo.

Comparando a média diária semanal de óbitos com a semana anterior e, depois, mensalizando, percebe-se o tamanho da encrenca. Em São Paulo, o índice mensalizado está em 131,4% enquanto que no Rio de Janeiro está em 131%. Significa que, mantido o ritmo da última semana, em um mês o número de mortes será 130% maior.

O próximo gráfico mostra o aumento de casos a cada 10 dias. No caso de São Paulo, está em 45%. No Rio de Janeiro, chega a 40%.

Por todos esses dados, o relaxamento do isolamento é uma atitude temerária que terá dois efeitos: no plano de saúde, um recrudescimento da pandemia; no plano econômico, um atraso ainda maior do início da recuperação.

Ontem, na reunião ministerial, o Ministro da Economia Paulo Guedes acenou com um novo conjunto de medidas. No discurso, praticamente aceitou todas as críticas feitas ao seu programa, ao fazer promessas que contrastam radicalmente com o que vinha falando até hoje.

Leia também:  O Estado não é um banco, o ministro não deveria pensar como um banqueiro, por Adalberto Cardoso

Anunciou que o governo pretende criar fundos para colocar em empresas, para manutenção de emprego e renda, anunciou um novo programa de renda mínima.

Desafios muito menores, como o de criar linhas de financiamento para capital de giro de pequenas e micro empresas, com o Tesouro bancando parte do risco, até agora não saíram do papel. Foram três meses para assimilar a inevitabilidade do programa. E mais um mês para colocá-lo de pé.

Ontem, em entrevista ao Financial Times, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sequer admitiu alguma flexibilização monetária. Sustentou que irá prosseguir tentando se valer dos instrumentos monetários convencionais.

Com essa postura passiva, as estimativas de queda do PIB continuam aumentando. Há apenas duas certezas:

  1. A retomada da economia não ocorrerá com Paulo Guedes.
  2. A saída da crise de saúde e política não se fará com Bolsonaro.

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5 comentários

  1. Ouvi uma entrevista na Band News, com Afif Domingues, dizendo que a partir de hoje estaria disponível uma linha de crédito para micro e pequenas empresas, com valor de até 30% do seu faturamento declarado, e juros de 4,25% ao ano. Isto pode ser um alento, ou o juro é que continua sendo alto e arriscado para estas empresas?

    • Esse a partir de hoje vem desde 24 de abril. Vi a palestra do Guedes para a XP por volta de 1t de março onde ele dizia que o paxot3 de ajuda as micro empresas estaria roda do até 18 de abril. O tal pronampe, que de MP em MP e votações no congresso sem fim só existe até o momento no papel.

  2. O triste fim dos bares e restaurantes do centro
    Não adianta reformar praças se no final da pandemia não houver um comércio saudável para atrair gente, diz Marcel Steiner, mestre em história da arquitetura

    Por Marcel Steiner – 5 Jun 2020, 08h59

    Restaurante Itamarati, no calçadão da José Bonifácio: oitenta anos de vida encerrados na quarentena Gabriel Cabral/FolhaPress/Veja SP

    Desde 20 de março de 2020, uma sexta-feira marcante, o Centro de São Paulo ficou mais triste e perdeu sua vitalidade de uma hora para outra. Boa parte das lojas, hotéis, bares e restaurantes permanece fechada até hoje.

    Quando você planejou sua última viagem de férias (bons tempos!) e pediu dicas de roteiro aos amigos, quantos bares e restaurantes foram recomendados? O número deve ter sido alto. Alto o suficiente para gerar alguma ansiedade e fazê-lo temer que o tempo naquela cidade fosse talvez muito curto para aproveitar as atrações gastronômicas. Nos últimos anos, o Centro de São Paulo ganhou bares e restaurantes bacanas, que atraíam turistas de todo o Brasil. Essa era a nova força da região. E a pandemia pôs em risco o investimento e o trabalho que finalmente começavam a ganhar relevância.

    No Estado de São Paulo, a pandemia já fechou 20% dos restaurantes. A estimativa é que quase metade dos estabelecimentos baixe as portas definitivamente durante esse período. Restaurantes tradicionais, como o PASV, na Avenida São João, e o Itamarati, no Largo São Francisco, já anunciaram seu fechamento permanente. E a prefeitura não apresentou até agora um plano de socorro a comerciantes. Pelo contrário, continua cobrando IPTU integral de negócios que estão há meses sem faturar.

    O setor de alimentos e bebidas emprega muita gente. E tem um efeito turístico enorme. São Paulo é um destino consolidado entre brasileiros que querem conhecer bares e restaurantes durante os feriados. Virou uma capital gastronômica nos últimos vinte anos. Exceto pelas iniciativas pontuais, não há estímulo do poder público para que novos estabelecimentos sejam empreendidos.

    Vemos mais exemplos punitivos que medidas que estimulem novos negócios. O Termo de Permissão de Uso de Calçadas (TPU) é o mais emblemático deles. Mesas de bares e restaurantes dão vida a qualquer calçada. Aumentam a segurança, animam o bairro e favorecem a troca humana. É muito mais gostoso caminhar numa calçada viva, cheia de gente, do que em passeios vazios, espremido entre carros e muros altos.

    Em 2019, a atual gestão decidiu cobrar mais pelo uso das calçadas e inviabilizou muitos comércios. Um hotel tradicional do Centro, que pagava anualmente cerca de 7 000 reais pela permissão de uso, teve de desembolsar o equivalente a 140 000 com as novas regras. Ninguém entendeu o cálculo.

    Durante a pandemia, a prefeitura suspendeu a emissão de novas licenças. Não que isso mude muita coisa, já que quem não trabalha com delivery ou take-away está com as portas fechadas. Mas na reabertura será importante olhar com cuidado para estabelecimentos que queiram ter mesas e cadeiras na calçada.

    Com regras que não atrapalhem a circulação de pedestres nem perturbem moradores durante a noite, não há motivos para desestimular o uso das calçadas. Uma parcela dos paulistanos olha torto toda vez que precisa passar na frente de um bar ou restaurante lotado, com clientes na porta ou tomando uma cerveja do lado de fora. Muita gente realmente se incomoda com a felicidade alheia. Se você não precisa desviar e arriscar a vida no meio dos carros, qual o motivo para ser contra o uso das calçadas?

    Cadeira francesa: clássico do design e sinônimo de boemia Marcel Steiner/Veja SP
    A cidade que provavelmente mais estimulou mesas do lado de fora foi Paris. Cafés e bistrôs com cadeiras de fibra colorida trançada foram eternizados no cinema, na fotografia e em pinturas. Fabricada pela Maison Gatti desde 1920, a cadeira francesa tornou-se um clássico do design e é quase sinônimo da vida boêmia da calçada parisiense. Sentar-se numa cadeira dessas e pedir um café ou uma taça de vinho é tão importante quanto fazer uma visita ao Louvre. É o momento de recarregar as energias e ficar observando parisienses para lá e para cá.

    Além do exemplo de Paris, gosto de usar o da calçada turca. No centro de Istambul, no entorno do bairro de Beyoglu, curiosamente, há poucas praças e museus. E, ainda assim, é uma região deliciosa, que atrai moradores e turistas. Há gente por todo lado, caminhando com sacolas, na fila da sorveteria, ou simplesmente sentada em banquinhos de madeira sem encosto, jogando gamão com os amigos e tomando chá. Lá, a prefeitura estimula o comércio a ocupar o máximo de espaço em ruas e calçadas. Sem pudor algum. A presença de clientes em espaços públicos torna (há séculos!) a cidade muito agradável e dinâmica.

    Calçadas vivas em Istambul e Paris: prefeituras estimulam ocupação por bares e restaurantes para deixar áreas mais animadas e seguras Marcel steiner/Veja SP

    Essa mesma parcela da população paulistana que não enxerga a calçada como uma ferramenta urbana poderosa tem algo mal resolvido com os donos de comércio. Acredita que eles são “vilões exploradores” e lucram demais. E a realidade é o oposto. O setor trabalha com margens pequenas e está fragilizado há anos. Sem espaço para erros. Em 2019, o lucro médio dos restaurantes no Brasil foi de 8%. O lucro ideal é entre 15% e 20%. Não dá para dizer que é um ótimo negócio.

    A prefeitura de São Paulo deveria ser menos dracônica com o setor. E estimulá-lo com menos burocracias e taxas. Neste momento, inclusive, deveria estar preocupada com o número de falências que vão ocorrer durante a quarentena. O efeito urbano do fechamento de bares e restaurantes será aterrorizante. E no Centro, cheio de problemas históricos, o cuidado deveria ser ainda maior. Não adianta reformar praças se no final da pandemia não houver um comércio saudável para atrair gente. A vitalidade urbana não depende apenas de espaços públicos bem cuidados e eventos que tragam paulistanos de vez em quando ao Centro.

    Marcel Steiner é economista, empresário e mestre em história da arquitetura pela FAU-USP Julio Tavares/Veja SP

  3. Paulo Guedes só não é um zero à esquerda da vírgula porque é profundamente negativo para a economia do país. Em compensação, para o mercado financeiro parasita é mais infinito.

  4. Repararam como ele sempre se deu bem com bolsonaro?
    Dá para pensar que obedecem a alguém maior, digamos, bigger.
    Que desgraça!

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