O mito da “destruição criadora” e do renascimento político, por Luis Nassif

Em artigo na Folha de S. Paulo, Fernando Schüller esbanja uma segurança invejável em relação ao que vem pela frente.

Em relação ao modelo político há duas certezas: esgotou-se o modelo político pós-redemocratização; e ninguém consegue garantir o que virá no vácuo que se formou.

No entanto, em artigo na Folha de S. Paulo, Fernando Schüller esbanja uma segurança invejável em relação ao que vem pela frente.

Constata ele que o presidencialismo de coalizão se tornou disfuncional. Antes disso, diz ele, vingou porque era ao gosto da tradição centralizadora brasileira, que só concebe a dinâmica política a partir do mando presidencial.

Atribui ao modelo uma espécie de fracasso total do país pós-redemocratização. Ignora os avanços ocorridos na área de direitos sociais, de inclusão social, em alguns setores da economia. Ignora a enorme renovação proporcionada pelas sucessivas mudanças de governo – da abertura de Fernando Collor, à desregulação de Fernando Henrique Cardoso ao desenvolvimentismo social e econômico de Lula.

E ignora, sobretudo, que a ausência de grandes reformas sociais não se devia ao poder do príncipe, mas justamente à falta de poder de um presidencialismo claudicante – que derrubou ou inviabilizou quase todos os presidentes eleitos pós-redemocratização.

O Brasil teve uma pequena experiência parlamentarista, na qual o poder do Congresso significou a imobilização ampla do governo. Sugiro a leitura da biografia de Walther Moreira Salles, no capítulo referente ao governo Jango.

Diz ele que, agora, ocorre a destruição criadora e crava as fichas no novo modelo que emergirá: o sistema de co-responsabilidade, no qual o poder do presidente será dividido com o Congresso.  

“O governo permanece como propulsor mais relevante da agenda política, mas abre mão da tutela e cede espaço a novos atores. Forma maiorias, mas o processo deixa de ser automático. É assim que caminha a reforma da Previdência”.

Aí se entra em um enorme desafio intelectual, de tomar como o novo normal o quadro político atual, com todas suas extravagâncias.  O quadro atual tem um conjunto de condicionantes específicos do momento atual:

  1. Um presidente sem a menor noção econômica, política ou social. Como seria com um presidente articulado, com ideias claras?
  2. Um parlamento sem partidos políticos. Ou a “corresponsabilidade” se fará sem partidos políticos, como agora, e com bancadas temáticas.
  3. O debate político interditado, com a prisão do principal porta-voz da oposição, Lula.
  4. O grupo hegemônico reunido em torno da bandeira única do antilulismo. Até quando resistirá?

Ora, tem-se uma realidade dinâmica, com um enorme conjunto de variáveis imprevisíveis. Mesmo assim, o autor teima em definir o que ele chama de “novo modelo”. Recorre a um truque retórico comum aos acadêmicos: cria a caricatura de dois opostos, o governo e a oposição, e coloca a sua hipótese como centro virtuoso.

O novo modelo se afasta de duas visões comuns em nosso debate. Uma delas, comum no governismo, aposta no chamado “going public”, na ideia algo mística de que o líder popular possa, com a pressão social, derrotar o sistema (seja isto o que for).

Outra, popular na oposição, profetiza o abismo a cada deslize do governo e sugere que estejamos sob o risco de um presidencialismo plebiscitário, autoritário e destinado ao fracasso.

Não se tem a menor ideia de como se comportaria o sistema político com outro tipo de presidente, nem se tem a menor ideia de como irá se refazer o sistema partidário, com o advento dos YouTube e a desmoralização dos partidos tradicionais

Mesmo assim, Schüller preconiza que o novo modelo será o “sistema de corresponsabilidade”, embora confesse que é “um sistema cujos contornos ainda não conhecemos exatamente”.

No trecho seguinte, substitui a certeza inicial por um “por ora”.

“O que ele faz, por ora, é abrir espaço ao protagonismo compartilhado, que por certo reforça a autonomia do Parlamento. Algo bem expresso na reiteração de Paulo Guedes, no Congresso: o poder é dos senhores, assumam a responsabilidade”.

Depois de todas essas certezas, Schüller recorre a um recurso jurídico conhecido, o SMF, “salvo melhor juízo”. SMJ, ele recorre ao salva vidas de todo teórico: o “suponhamos que”.

No mundo ideal, nosso presidente poderia combinar o pragmatismo de Angela Merkel com o charme intelectual de Obama. E a oposição, quem sabe, poderia ser liderada por Lord Anthony Giddens, direto da sala de chá do palácio de Westminster. 

Não temos nada disso. O presidente é Bolsonaro e a oposição é o que sabemos que é. Não voltaremos ao passado e não veremos um rolo compressor governista no comando do Congresso. Se isso é ruim ou não, cada um pode julgar. Digo apenas que, para quem imaginou que nos tornaríamos uma autocracia, pode não ser má ideia que o país avance sob um sistema bem estabelecido de freios e contrapesos e compartilhamento de responsabilidades.

Logo, SMJ, desconsiderem-se todas as hipóteses anteriores sobre a nova era que surgirá da destruição criadora.

 

Essa fixação paulistista-esclarecida sobre a conveniência do regime parlamentarista - mesmo quando nas entrelinhas - como forma de São Paulo exercer seu principado sobre o restante do Brasil de modo desvinculado, irresponsável no ônus, mas sempre de olho no bônus... cansa. Volta e meia e aparece um paulistista - ou paulicentrista - com essa pregação. Uma forma de São Paulo finalmente ser uma república, ora ignorando, ora compadecendo-se - e só - da pobreza dos outros, todavia ais concentrando as riquezas do país. Criaram o golpe? Que aguentem Bolsonaro. Vejam como desvio padrão na fórmula: pensaram no golpe perfeito e não contavam com a astúcia das milicias. Agora aguentem!

José de Almeida Bispo

Teorizar sobre a mentira dá nessas coisas aí... Todos os institutos da modernidade estão assentados na Razão e na busca honesta da Verdade. Quando os principais atores políticos se agarram à mentira e ao cinismo, inclusive aqueles que, em tese, ocupam o espaço institucional de produção de "saber" e "conhecimento", já era. É por essas e outras que eu venho chamando de "pós república".

Lucinei

O artigo de Fernando Schüller também me chamou muito a atenção. Primeiro, por que seu entusiasmo, mal disfarçado, pelo ideário que assumiu o poder Brasil ajudam a revelar por inteiro o objetivo maior, que é mesmo o da destruição (que eles chamam de criadora), tanto na política como na economia, passando, claro está, pela educação, pelo meio ambiente, pelos direitos das minorias e pelas relações internacionais. É o desfazer mais do que fazer, como o próprio Bolsonaro definiu nos primeiros dias de governo. O ponto de partida do que deve ser desfeito é a Constituição de 1988, cujos princípios foram colocados em prática pela experiência social democrata dos governos PSDB e PT, como Paulo Guedes defendia muito antes de a candidatura de Bolsonaro se mostrar viável eleitoralmente. Mas o artigo também chama a atenção por ignorar, por passar ao largo, sem nenhuma vergonha, por aspectos fundamentais da política. Ignora, para começar, que o parlamento não é um organismo único: são 594 deputados e senadores representando uma ampla diversidade de interesses legítimos (regionais, de classe, de grupos econômicos e sociais etc). Como vão se organizar para assumir a coresponsabilidade? Também ignora que o debate construtivo se dá sempre a partir de pontos de referência (uma proposta, por exemplo, em relação a qual as pessoas se colocar a favor ou contra). Na política essa referência é o governo, que defende um conjunto de ideias vencedor nas eleições, e a oposição que, grosso modo, reúne os que pensam diferente naquele momento. Na relação com o Legislativo, o Executivo deve obrigatoriamente se organizar para ver suas posições defendidas no parlamento por base que o acompanha. Assim é a democracia. A ideia de que os parlamentares devem votar a favor das propostas do governo apenas por responsabilidade, pelo interesse do país e assim por diante é fundamentalmente autoritária. Nega a diversidade legítima dos vários grupos políticos. E, na prática, não funciona. Talvez em alguns temas que alcancem um espectro maior de forças políticas e econômicas, como a Previdência. Ir por esse caminho é ignorância ou má fé, e só servirá para jogar o país no abismo ou em uma solução autoritária.

Fernando Leal

24 comentários

  1. Não entendi nada. O sujeito parece delirar, e o texto não parece ser contra nem a favor, o critica… parece que falta uma crítica mais pesada, deixa coisa no ar…. PArece que faltam alguns parágrafos.

  2. Essa fixação paulistista-esclarecida sobre a conveniência do regime parlamentarista – mesmo quando nas entrelinhas – como forma de São Paulo exercer seu principado sobre o restante do Brasil de modo desvinculado, irresponsável no ônus, mas sempre de olho no bônus… cansa. Volta e meia e aparece um paulistista – ou paulicentrista – com essa pregação. Uma forma de São Paulo finalmente ser uma república, ora ignorando, ora compadecendo-se – e só – da pobreza dos outros, todavia ais concentrando as riquezas do país.
    Criaram o golpe? Que aguentem Bolsonaro. Vejam como desvio padrão na fórmula: pensaram no golpe perfeito e não contavam com a astúcia das milicias. Agora aguentem!

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  3. Provavelmente outro Schuler deve ter tentado normalizar o que era uma aberração – isso lá na década de 30 da Alemanha. A história tratou de jogar suas análises na lata do lixo.

  4. Teorizar sobre a mentira dá nessas coisas aí…

    Todos os institutos da modernidade estão assentados na Razão e na busca honesta da Verdade. Quando os principais atores políticos se agarram à mentira e ao cinismo, inclusive aqueles que, em tese, ocupam o espaço institucional de produção de “saber” e “conhecimento”, já era.

    É por essas e outras que eu venho chamando de “pós república”.

  5. Teorizar sobre a mentira dá nessas coisas aí…

    Todos os institutos da modernidade estão assentados na Razão e na busca honesta da Verdade. Quando os principais atores políticos se agarram à mentira e ao cinismo, inclusive aqueles que, em tese, ocupam o espaço institucional de produção de “saber” e “conhecimento”, já era.

    É por essas e outras que eu venho chamando de “pós república”.

    Por isso que o “projeto” da direita leva vantagem, porque ela se apresenta como gestora do financiamos de modo mais autêntico, enquanto a esquerda, nos seus varios matizes, o faz de modo envergonhado.

  6. Nassif perdoe-me só li até a metade do texto, simplesmente pq o debate deste tema me soa diversionismo pois existe os controles/regulação do funcionamento das Instituições/estruturas do Brasil e são elas q não funcionam principalmente no Judiciário, o q é necessário é a devida aplicação pois TÁ LÁ NA CONSTITUIÇÃO só q ficam com este papo de doido(eles ou eu?)falando/escrevendo mil coisas diversionistas/disfarçantes/dúbias…

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  7. apesar do caos, nem sempre o cara que arruma
    um jeito de aparecer consegue argumentar
    coerentemente e lançar algo novo na análise
    políico-economico brasileira….
    vi uim vídeo sobre a tal deforma da previdencia,
    da maria fatorelli, acho que tem no you tube, em
    que ela desmascara a infame reforma.
    foi num encontro no congresso – conjunto -, camara e senado…
    mostra que o cerne da questão é o roubo dos
    rentistas na tal boca de fumo do banco central, com
    seus altos juros., para pagar uma dívida inexplicável,
    mesmo porque a maioria não aguenta ver
    tantos números e a linguagem difícil de entender –
    pelo menos para a maioria das pessoas…

  8. Para entender as motivações intelectuais e emocionais do moço analista, é interessante investigar do seu passado petista em Porto Alegre, na primeira administração de Olívio Dutra. Era figura em destaque e ascensão. Em algum momento, porém, foi ou julgou-se preterido a algum salto maior. Ressentimento é adrenalina poderosa na vida de alguns.

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  9. -> Em relação ao modelo político há duas certezas: esgotou-se o modelo político pós-redemocratização; e ninguém consegue garantir o que virá no vácuo que se formou.

    BolsoNazi é tão somente um mórbido, bizarro e monstruoso sintoma daquilo que Junho de 2013 expôs de modo definitivo e aterrador: “a moldura institucional do país não cabia mais no organismo social brasileiro”.

    desde então tentamos sobreviver “em meio a um furacão”, tal qual agora o Capitão-Presidente e como bem o expressou José Sarney.

    após o crepúsculo de uma era e já em plena noite maligna, enquanto a lumpenburguesia demoliu com sua Ponte para o Futuro qualquer saída da crise, uma Ex-querda transtornada se debate com a síndrome do regresso a uma “casa” que já não existe e tampouco voltará à existência.

    o que virá? da destruição criativa surgirá uma nova era? Bolsonaro, Paulo Guedes e os Generais promoverão a redenção?

    larva alguma brotará deste cadáver infecundo.

    a Geração das Diretas Já envelheceu. alguns de modo vil, velhacamente. mas para todos se tornou realidade o pior dos pesadelos: a Ditadura está de volta!

    o que virá é a Ditadura.

    seja sob o modelo de uma Ditadura Militar, com os Generais dando um auto-golpe.

    ou se materializando num neo-fascismo, com um narco-estado policial e abertamente terrorista, respaldado por milícias e todo tipo de grupos para-militares.

    e nosotros?
    .

      • -> Nosostros estamos lascados.

        nosotros quem, cara-pálida? abração!

        p.s.:

        por nosotros não se tome, de modo algum, o plural de “eu”. muito menos se coloque alguma identidade, mesmo coletiva.

        entretanto, não se pode tornar-se nosotros sozinho. e sim sempre com alguns outros.

        não para deixar de ser cada qual, pois não se pode ser nosotros. para vivenciar nosotros, cada qual deve estar entre outros. cada qual sozinho, mas cada qual entre outros, junto com nosotros.

        quando nosotros se reúne, cada qual tem ao seu lado um outro. e para cada qual estar ligado a nosotros, todos entram em movimento. cada qual só pode tornar-se nosotros junto com alguns outros, junto com nosotros.
        .

  10. Intelectual de orelha, cujo alcance da análise vai até a ponta do próprio nariz. Não demora e será convidado a ser ministróide do capitão caverna.

  11. Qual regime no Brasil deu certo, que não seja o fascismo, o colonialismo, a escrevidão? Desconheço aqui algum regime político que tenha dado certo para os pobres. O Brasil continua a ser um dos países mais atrasados do Mundo.

  12. O artigo de Fernando Schüller também me chamou muito a atenção. Primeiro, por que seu entusiasmo, mal disfarçado, pelo ideário que assumiu o poder Brasil ajudam a revelar por inteiro o objetivo maior, que é mesmo o da destruição (que eles chamam de criadora), tanto na política como na economia, passando, claro está, pela educação, pelo meio ambiente, pelos direitos das minorias e pelas relações internacionais. É o desfazer mais do que fazer, como o próprio Bolsonaro definiu nos primeiros dias de governo. O ponto de partida do que deve ser desfeito é a Constituição de 1988, cujos princípios foram colocados em prática pela experiência social democrata dos governos PSDB e PT, como Paulo Guedes defendia muito antes de a candidatura de Bolsonaro se mostrar viável eleitoralmente.
    Mas o artigo também chama a atenção por ignorar, por passar ao largo, sem nenhuma vergonha, por aspectos fundamentais da política. Ignora, para começar, que o parlamento não é um organismo único: são 594 deputados e senadores representando uma ampla diversidade de interesses legítimos (regionais, de classe, de grupos econômicos e sociais etc). Como vão se organizar para assumir a coresponsabilidade?
    Também ignora que o debate construtivo se dá sempre a partir de pontos de referência (uma proposta, por exemplo, em relação a qual as pessoas se colocar a favor ou contra). Na política essa referência é o governo, que defende um conjunto de ideias vencedor nas eleições, e a oposição que, grosso modo, reúne os que pensam diferente naquele momento. Na relação com o Legislativo, o Executivo deve obrigatoriamente se organizar para ver suas posições defendidas no parlamento por base que o acompanha. Assim é a democracia. A ideia de que os parlamentares devem votar a favor das propostas do governo apenas por responsabilidade, pelo interesse do país e assim por diante é fundamentalmente autoritária. Nega a diversidade legítima dos vários grupos políticos. E, na prática, não funciona. Talvez em alguns temas que alcancem um espectro maior de forças políticas e econômicas, como a Previdência.
    Ir por esse caminho é ignorância ou má fé, e só servirá para jogar o país no abismo ou em uma solução autoritária.

  13. O artigo de Fernando Schüller também me chamou muito a atenção. Primeiro, por que seu entusiasmo, mal disfarçado, pelo ideário que assumiu o poder Brasil ajudam a revelar por inteiro o objetivo maior, que é mesmo o da destruição (que eles chamam de criadora), tanto na política como na economia, passando, claro está, pela educação, pelo meio ambiente, pelos direitos das minorias e pelas relações internacionais. É o desfazer mais do que fazer, como o próprio Bolsonaro definiu nos primeiros dias de governo. O ponto de partida do que deve ser desfeito é a Constituição de 1988, cujos princípios foram colocados em prática pela experiência social democrata dos governos PSDB e PT, como Paulo Guedes defendia muito antes de a candidatura de Bolsonaro se mostrar viável eleitoralmente.

  14. Mas o artigo também chama a atenção por ignorar, por passar ao largo, sem nenhuma vergonha, por aspectos fundamentais da política. Ignora, para começar, que o parlamento não é um organismo único: são 594 deputados e senadores representando uma ampla diversidade de interesses legítimos (regionais, de classe, de grupos econômicos e sociais etc). Como vão se organizar para assumir a coresponsabilidade?
    Também ignora que o debate construtivo se dá sempre a partir de pontos de referência (uma proposta, por exemplo, em relação a qual as pessoas se colocar a favor ou contra). Na política essa referência é o governo, que defende um conjunto de ideias vencedor nas eleições, e a oposição que, grosso modo, reúne os que pensam diferente naquele momento. Na relação com o Legislativo, o Executivo deve obrigatoriamente se organizar para ver suas posições defendidas no parlamento por base que o acompanha. Assim é a democracia. A ideia de que os parlamentares devem votar a favor das propostas do governo apenas por responsabilidade, pelo interesse do país e assim por diante é fundamentalmente autoritária. Nega a diversidade legítima dos vários grupos políticos. E, na prática, não funciona. Talvez em alguns temas que alcancem um espectro maior de forças políticas e econômicas, como a Previdência.
    Ir por esse caminho é ignorância ou má fé, e só servirá para jogar o país no abismo ou em uma solução autoritária.

  15. Destruição salvadora é isso: a Folha tira o Janio de Freitas e explode um Fernando Schüller.

  16. + comentários

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